34 anos
Entrevista | Seluta Rodrigues
“Estamos realizando o sonho de muitas crianças”

Déborah Gouthier

Se para algumas pessoas a próxima quarta-feira, 22, vai significar o fim das festas de carnaval, para 140 crianças e jovens artistas de Goiânia, a data vai ser só o começo da alegria. Integrantes das escolas de circo Lahetô e Dom Fernando, eles vão embarcar em uma viagem com destino a Brasília e ao novo espetáculo do consagrado Cirque du Soleil.

A rede mundial de circo traz para o Brasil o seu “Varekai” (na tradução, “Onde quer que seja”), um espetáculo sobre a arte da tradição circense e a paixão que leva a um extraordinário mundo onde tudo é possível. Lúdica e mágica, assim como as técnicas circenses, a pré-estreia da turnê receberá os alunos da rede municipal de educação. Quem contou mais sobre essa parceria ao Jornal Opção foi Seluta Rodrigues, diretora pedagógica do Circo Lahetô.

Como se deu essa parceria entre o Circo Lahetô e o Cirque du Soleil?
Fazemos parte da Rede de Circo do Mundo, apoiada pelo Cirque du Soleil, que tem 20 escolas de circo nas capitais de todo o Brasil. Em 2009, nós também fomos na apresentação deles em Brasília, com o espetáculo Quidam. Eles oferecem apoio com cursos de formação e a disponibilização de ingressos. Dessa vez, recebemos uma cota de 100 ingressos e o que for arrecadado será dividido entre nós e a Rede de Circos.

Quantas crianças participarão da viagem?
Serão 144 crianças e jovens artistas formados pelas nossas escolas e 36 educadores, dirigentes e parceiros, colaboradores. Um total de 180 pessoas.

Vocês confeccionaram um mural junto com artistas goianos, que ficará exposto em Brasília. Como foi isso?
Isso, as crianças pintaram o quadro e já foi pra lá. É uma proposta de mural. Vai ficar exposto durante toda a temporada, no final será leiloado e todo o dinheiro virá para as escolas.

Como está a expectativa desses jovens artistas para a viagem?
É um sonho para a meninada! É uma grande motivação, muitos deles nunca nem viajaram. Além da viagem com um grupo de amigos, assistir ao espetáculo é um sonho. Só o ingresso que nós estamos vendendo custa 340 reais. Para eles, adquirir um ingresso nesse valor é fora de cogitação. Então, estamos realizando um sonho de muitas crianças. Estamos em uma alegria danada, em êxtase mesmo.

Qual a importância, para eles, em ir até lá e assistir o espetáculo do Cirque du Soleil?
Da outra vez, eles voltaram muito mais motivados, querendo melhorar os números, aprimorar técnicas. A motivação artística é muito grande. Alguns deles choram, assistiam ao espetáculo e choravam. E é uma verdadeira comoção, porque envolve não só as crianças e adolescentes, mas as famílias e toda a comunidade. Há uma movimentação em volta da viagem, porque os pais tem que autorizar, fazer tudo de acordo com a lei da criança e do adolescente.

Quem são esses alunos que integram o projeto e irão à Brasília? Assim como a trupe do Cirque du Soleil, eles também estão desenvolvendo algum novo espetáculo?
Temos alunos de 7 a 16 anos e um grupo profissional que tem idades variadas, de 18, 23 anos, alunos que já passaram pela iniciação. No final do ano passado apresentamos um espetáculo abordando os direitos da criança e do adolescente, chamada “Ser criança é bom demais, ter direitos muito mais”. Fizemos a apresentação para a comunidade e reapresentaremos duas vezes no dia 28 de março, na programação da Semana do Circo, desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. É um espetáculo muito bonito e com uma proposta bem diferente, feito pelas crianças mesmo.