28/10/13
Investigações
Delegado ouve testemunhas do crime que resultou na morte do veterinário João Fidelis
Apurações são prejudicadas pela greve dos policiais civis, mas delegado garante que o que for possível adiantar será feito. Ainda não há retrato falado ou suspeitas
Reprodução/Facebook

Ketllyn Fernandes

O veterinário João Fidelis foi baleado na última quinta-feira (24/10) durante assalto no Setor Bueno, em Goiânia. Morreu na manhã de sábado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) depois de dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A morte do profissional comoveu não só familiares e amigos, mas também os donos dos inúmeros animais dos quais salvou a vida. 

O caso é mais um a ter as investigações prejudicadas pela greve dos policiais civis, que completa nesta segunda-feira (28/10) 41 dias, e conforme disse hoje à reportagem o presidente do sindicato da categoria, Silveira Alves Moura, resulta no acumulo de quase 50 mil diligências paradas nas delegacias –– por dia, deixam de ser registradas de 1.500 a 1.700 ocorrências em todo o Estado.

Ao Jornal Opção Online, o delegado à frente do caso de João Fidelis, Braynner Vasconcelos, adjunto da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), adianta que nesta terça-feira (29) à tarde começa a ouvir testemunhas oculares do crime.  O veterinário seguia em um carro modelo HB20 pela Rua T-52, no Setor Bueno, próximo à Avenida T-1 quando foi abordado. Uma amiga que seguia logo atrás presenciou a cena do crime e chegou a receber coronhadas dos assaltantes. Serão ouvidas quatro pessoas, mas o delegado preferiu não divulgar seus nomes.

Braynner Vasconcelos espera que os depoimentos a serem colhidos nesta terça-feira ajudem na elaboração do retrato falado do criminoso. Questionado sobre o andamento das apurações com os policiais civis em greve, ele afirma que o que for da alçada dos delegados será feito, mas admitiu que algumas diligências dependem dos policiais, caso da perícia, por exemplo. O carro de João Fidelis está sendo preservado pela família até que possa ser periciado. 

A ausência de informações sobre o crime dificulta até sua classificação, se tratou-se de um latrocínio (assalto seguido de morte) ou de uma execução, já que, aparentemente, não foi levado nenhum objeto da vítima. Uma das hipóteses seria a de que os assaltantes quisessem levar o veículo do veterinário. 

Dois dias antes de ser vítima da violência que assusta o goianiense, João Fidelis recebera indicação Prêmio Médico Veterinário Destaque de 2013, categoria Clínica Médica e Cirurgia Animal, pelo Conselho de Medicina Veterinária do Estado de Goiás (CRMV-GO).

Greve dos policiais civis pode acabar esta semana

Silveira Alves Moura afirmou que espera receber uma proposta do governo entre terça e quarta-feira, para que na quinta-feira (31) possa apresentá-la à categoria em assembleia geral, quando a paralisação pode ser interrompida. “Nós estamos com expectativas positivas, pois já substituímos uma proposta por outra do governo, que é a reestruturação da carreira equiparada ao que foi feito aos delegados no lugar do aumento do piso, e também avançamos na questão do bônus por produtividade”, disse.

Segundo o presidente do Sinpol-GO, outra reivindicação é o retorno ao efetivo da Polícia Civil dos agentes que atuam hoje na Polícia-Técnico Cientifica; além do reembolso aos grevistas do corte de ponto de setembro e outubro.

Indagado sobre o atraso nas apurações e o que a categoria poderia fazer para correr atrás do prejuízo, Silveira Alves foi categórico: “Não temos como estabelecer prioridades, porque independente da greve já temos um cenário precário por conta do baixo efetivo.”

Silveira estima que o número ideal de policiais civis para atender à demanda de Goiás seria 10.000 agentes. “Faltam 6.500 para chegarmos a esse número de policiais, pois hoje o Estado todo conta com 3.500 policiais civis”.

*Matéria atualizada em 30/10 para correção da informação de que a vítima estaria em uma caminhonete, na verdade, João Fidelis estava em um veículo de passeio.