27/04/12
Escândalo
"Companheiro" de Cachoeira, Elias Vaz deve perder direção do PSOL
Em requerimento ao presidente nacional do partido, dirigentes solicitam afastamento do vereador do comando da sigla em Goiânia

Elder Dias

No fim da noite desta quinta-feira, 26, militantes e dirigentes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Goiás, lançaram nota à imprensa comunicando proposta de uma representação à direção nacional da sigla para que seja esclarecida a situação do vereador de Goiânia Elias Vaz, flagrado em conversa telefônica com o contraventor Carlinhos Cachoeira e citado em gravações da Operação Monte Carlo.

Os signatários do comunicado salientam que estavam tentando, "com muita paciência", acompanhar os desdobramentos do caso Cachoeira e, em um primeiro momento, acreditaram que haveria apenas um movimento dos governos municipal e estadual para ligar o nome de Elias Vaz ao de Cachoeira, preso há quase dois meses. Elias é da linha de frente da oposição ao Paço na Câmara. 

O vereador já tinha admitido conhecer o contraventor. O que talvez seus correligionários não esperassem é que a relação fosse aparentemente tão próxima. Depois dos últimos acontecimentos - um deles a gravação em que Elias Vaz cumprimenta Cachoeira chamando-o de "companheiro" -, o grupo de dirigentes decidiu solicitar o afastamento provisório do vereador de suas funções partidárias até que tudo seja esclarecido. Uma dessas funções é a de presidente do PSOL em Goiânia.

Na carta divulgada à imprensa, os dirigentes do partido dizem que "o PSOL nasceu para ser uma alternativa a Mensaleiros e Cachoeiros (sic), não para reproduzir as mesmas práticas espúrias que fazem parte do cotidiano de partidos como DEM, PSDB, PPS, PT, PCdoB e diversos outros". E arrematam: "Corruptos e corruptores como o senhor Carlos Cachoeira, jamais serão considerados 'companheiros' por nossa militância." 

Na manhã desta sexta-feira, 27, o presidente estadual do PSOL, Martiniano Cavalcanti, divulgou nota oficial para rechaçar o comunicado dos militantes, em que afirma que a posição do grupo "não reflete a posição dos cerca de 700 filiados ao PSol em Goiânia" e que seus integrantes fazem há tempos "oposição sistemática" ao vereador Elias Vaz.

(atualizado às 10h25)