22/10/13
Legislativo Parado
Clécio Alves diz que plenário não tem condições de trabalho após ocupação de professores
Após ocupação do plenário por 13 dias, pauta acumulou. Presidente da Casa alegou que o ambiente não tem condições de trabalho
Fotos: Marcello Dantas/Jornal Opção/Arquivo (11/10/2013)
Trabalhos na Câmara serão retomados após vistoria que está sendo feita por funcionários da Casa

Marcello Dantas

O presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia, Clécio Alves (PMDB), resolveu não abrir a sessão desta terça-feira (22/10) alegando que o plenário não tem condições de funcionamento. Segundo o peemedebista, supostamente 12 cabos de microfones foram cortados pelos servidores e professores da rede municipal de Educação – que ocuparam o local por 13 dias. 

A expectativa é que os trabalhos só voltem à normalidade no próximo dia 29 de outubro, o que somaria quase oito sessões sem ser realizadas. A primeira, do dia 8, durou até as 10h30 da manhã, momento em que os professores deixaram as galerias para ocuparem o plenário. Os educadores suspenderam a greve na manhã da última segunda-feira (21).

Veja mais: Confira vídeos que registram o momento em que professores ocupam o Plenário da Câmara Municipal

O presidente afirmou que o painel eletrônico da Casa pode ter sido atingido por objetos que foram arremessados pelos grevistas. O que complica, segundo Clécio, é o fato de que a empresa responsável pela manutenção do equipamento ser do Rio Grande do Sul. Para o vereador, “nada funciona” sem o painel, adquirido por contrato pela Câmara Municipal. A visita para a avaliação da tela por parte de técnicos ainda não tem data marcada. Além disso, foi listado ainda que algumas mesas foram riscadas e pisoteadas.

Os trabalhos, de acordo com Clécio, poderão ser retomados só na próxima terça-feira (29), já que no dia 24 de outubro será feriado pela comemoração dos 80 anos de Goiânia – a quinta-feira será emendada ao recesso.

Divulgação/Câmara Municipal de Vereadores

Contra regimento interno

A bancada de oposição ao prefeito Paulo Garcia (PT) reclamou da atitude de Clécio Alves. Lamentando a posição do presidente, Elias Vaz (PSB) disse que os vereadores tinham todas as condições para trabalhar. “Ele passa por cima do regimento [interno da Casa]”, protestou, listando que a suspensão da sessão só ocorre em duas ocasiões: quando não há quórum suficiente para o início ou então quando a maioria dos vereadores presentes decide por encerrá-la. “Nada disso aconteceu.”

Segundo o recém-filiado ao PSB, os microfones já estavam estragados. “Foi um desrespeito para com a sociedade e os vereadores que foram para a sessão.” Elias ressaltou que não houve depredação e nem agressão por parte dos professores. “Foi um ato simbólico a invasão. Eu acompanhei até a limpeza [antes da desocupação do plenário].”

Para o vereador, deveriam ser realizadas sessões extras, de manhã e à tarde, para acelerar a pauta que ficou travada.  “Assim como os professores estão repondo o conteúdo nas escolas, deveríamos repor as discussões aqui”, pontou. Elias finalizou dizendo que a escolha de Clécio foi “individual” e que não só vereadores da oposição o contestaram, mas também alguns da base do prefeito.

Outros vereadores disseram – sem saber especificar quem teria repassado a informação – que um funcionário da Câmara teria retirado bruscamente parte dos microfones logo após o início da ocupação dos professores, o que teria causado os prejuízos.

Membros da Mesa Diretora

Na sessão desta terça-feira, havia dois membros da Mesa Diretora que poderiam ter retomado os trabalhos: Rogério Cruz (PRB) e Wellington Peixoto (PSB). Porém, ambos decidiram por seguir a orientação da presidência da Câmara ao não darem continuidade às votações.

Caso a paralisação do Poder Legislativo goianiense dure até o próximo dia 29, serão completados 21 dias sem expediente na Casa. Na pauta estarão temas como o Plano Plurianual e a Lei Orçamentária do município.