34 anos
Goiânia
Câmara de Vereadores volta aos trabalhos
Ano eleitoral e caso Mutirama norteiam discussões na primeira sessão do ano

Marcos Nunes Carreiro

Os trabalhos na Câmara Municipal de Goiânia foram iniciados nesta quarta-feira, 15, em um plenário tomado por faixas de protesto assinados pela Anonymous com dizeres: “o povo acordou, o povo decidiu, ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil” e “transparência já Amob”. A primeira sessão do ano foi marcada por ânimos exaltados e pela ausência de apenas 3 vereadores, além de intensas discussões de bastidores sobre o caso Mutirama.

A pauta encontrou reforço no requerimento do vereador Elias Vaz (PSOL) que solicita a presença do presidente da Amob (Agência Municipal de Obras), Iram Saraiva Júnior, na Câmara para prestar esclarecimentos sobre as últimas ações que fizeram com que 3 servidores da Amob e 2 engenheiros da Warre Engenharia Ltda. fossem presos. “O poder legislativo é poder em qualquer momento, seja ano eleitoral, ou não. Então, queremos que o presidente venha nos esclarecer sobre a fraude nas medições na obra que está sendo fiscalizada pela Amob. E sobre a questão da contratação da Ecotech para prestar serviços de recapeamento na malha viária e asfáltica de Goiânia, sendo que não houve licitação”, afirma.

O vereador Djalma Araújo (PT) relata que a presença do presidente da Amob na Câmara será essencial. “Não só o Iram, assim como toda equipe técnica da Amob será chamada a dar explicações. Porém, acredito que a prisão dos funcionários e dos engenheiros foi precipitada, uma vez que a fiscalização feita na obra foi unilateral, visto que apenas um perito do MP, com pouca experiência, realizou a tarefa. Então, essa situação pode se reverter. Claro que se ficar provado que essas pessoas são culpadas, elas vão responder por improbidade administrativa e arcar com as respectivas consequências”, relata.

Por sua vez, o líder do Paço Municipal na Câmara, vereador Agenor Mariano (PMDB), fala que a aparente falta de posicionamento da prefeitura em relação ao assunto ocorre devido à responsabilidade com que o assunto deve ser tratado. “Precisamos nos posicionar com aquilo que temos nas mãos, mas até agora não tivemos acesso aos autos do processo que levou às prisões. E sem as informações que explicam a motivação imediata que levou ao processo não há como haver manifestações sobre o assunto, por que é preferível que a prefeitura se posicione mais tarde sabendo o que irá fazer do que apressadamente se manifestar e ser desmentida em uma possível retaliação”, pontua ele.

Marginal Botafogo

Os vereadores Geovani Antônio (PSDB) e Santana Gomes (PMBD) apresentaram um requerimento solicitando do prefeito Paulo Garcia (PT) que libere o fluxo de veículos na Marginal Botafogo, que está fechada devido às obras do Mutirama. De acordo com Geovani, os 100 mil veículos que utilizavam a avenida por dia, foram desviados para outras vias, que não comportam tal fluxo de veículos. “A interdição da Marginal Botafogo não se justifica mais, visto que as obras de construção da plataforma que ligará o Parque Mutirama ao Parque Botafogo estão paralisadas. O cronograma de duração das obras era de 6 meses. Logo, o prazo termina no próximo dia 27 de fevereiro e o que notamos é que nada foi feito no local. O que não pode acontecer é que essa importante via fique parada causando transtornos à população”, diz.

Questionado sobre a possível reabertura do local, Agenor Mariano (PMDB) explica que fez o mesmo questionamento ao técnico da Amob, que acredita que, tecnicamente falando, ainda não é possível. “Segundo ele, já foram feitas obras estruturais no local que podem comprometer a segurança de quem trafega pela Marginal”, relata.

Ano eleitoral

Como 2012 é ano de eleições para prefeito e vereadores, a grande pergunta na volta aos trabalhos da Câmara foi: com a maioria dos atuais vereadores candidatos a reeleição, a frequência nas sessões será uma preocupação? Segundo o presidente da Câmara, Iram Saraiva (PMDB), não. “Vamos trabalhar independente de ser ano eleitoral e caberá à população avaliar os trabalhos realizados pela Casa. O que iremos fazer é nos adequar a questão de frequência, que, infelizmente, não temos como controlar. É de responsabilidade de cada vereador saber conciliar sua vida e sua campanha ao processo legislativo. E a única coisa que pode acontecer àquele que faltar um terço das sessões é a perca do mandato”, diz ele.

Em relação aos embates entre situação e oposição, Iram Saraiva relativiza e relata que em ano eleitoral isso é normal. “Toda eleição é disputa e toda disputa faz com que os ânimos fiquem exaltados. O que não pode acontecer é a Câmara ser brecada. Muito pelo contrário, por minha parte, irei dirigir esta Casa serenamente de forma com que o governo tenha voz, assim como a oposição”, argumenta.

Sucessão

Com a saída de Demóstenes Torres (DEM) das eleições para a prefeitura de Goiânia, aumentaram as especulações sobre o possível candidato que enfrentará o prefeito Paulo Garcia (PT). Para o vereador Maurício Beraldo (PSDB), o pleito será disputado, independente do nome que surgir. “Ainda não há favoritos, pois ninguém é dono da verdade e muita água vai correr. Nesse tempo as coisas vão mudar muito e nosso candidato vai surgir da discussão que agrega toda a base e que irá verificar quem melhor nos representa. E pode ter certeza que estamos preparando propostas que irão trazer muitos benefícios, ao invés de ficar brincando com a população”.

Já para o vereador Djalma Araújo (PT), o favoritismo de Paulo Garcia é certo.  “Estamos numa fase pré-eleitoral em que o prefeito Paulo Garcia é favorito, mas não podemos desprezar nenhuma candidatura. Respeitamos a saída do Demóstenes, que pertence à direita, que por sua vez está em numa situação complicada no cenário político. O que vamos fazer é trabalhar por Goiânia”, termina.