Janaína Martins
O presidente da Agrodefesa (Agência Goiana de Defesa Agropecuária), Antenor Nogueira, disse estar preocupado com o novo foco de febre aftosa notificado na terça-feira, 3, pelo Paraguai. O vírus foi identificado em bovinos numa propriedade em San Pedro, a cerca de 30 quilômetros do foco notificado em setembro de 2011.
Algumas medidas já foram tomadas pela Agrodefesa, como a fiscalização mais intensificada nas barreiras e técnicos da agência goiana foram disponibilizados para a Defesa Sanitária do Mato Grosso do Sul para o auxílio imediato na fase inicial de defesa. “Infelizmente o Brasil tem uma divisa com o Paraguai de mais de 600 quilômetros e a fiscalização desta fronteira não é fácil”, disse Nogueira.
Em relação a Goiás, o presidente da Agrodefesa disse que mesmo que o estado esteja inserido em uma posição mais privilegiada, por estar mais distante do Paraguai, o que de acordo com ele ameniza a situação, ainda há a preocupação com o trânsito de animais. Nogueira informou as barreiras goianas estão sendo rigorosamente notificadas para intensificar a vigilância da entrada de animais do Mato Grosso para o território de Goiás.
Nogueira explicou que o foco de febre aftosa não deixa de nos afetar, uma vez que existe um convênio entre todos os países da América do Sul, assinado durante a última reunião da Cosalfa (Comissão Sul-Americana para Luta Contra a Febre Aftosa), no Rio de Janeiro. Os países se comprometeram a erradicar definitivamente a febre aftosa até 2015.
Mapa
O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) divulgou na noite de ontem as ações imediatas que serão adotadas para evitar a introdução do vírus da febre aftosa no Brasil.
O Ministério vai suspender temporariamente as importações de carnes de bovinos oriundos do Departamento de San Pedro. Os veículos procedentes do Paraguai terão que passar por desinfecção novamente e os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Defesa acordaram retomar o apoio das Forças Armadas, para dar suporte às ações de defesa sanitária animal na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
Foi reforçado, em conjunto com os órgãos de saúde animal dos Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, as ações rotineiras de vigilância e de educação sanitária na fronteira, como a identificação a cada 30 dias de propriedades sentinelas (de maior risco de vulnerabilidade), bem como inspeção das propriedades a elas vinculadas (que receberam animais dessas propriedades sentinelas).
Na próxima semana será enviado uma missão técnica ao Paraguai, para verificar os controles de origem dos animais abatidos e as condições de processamento das carnes exportadas ao Brasil.
O Estado de Mato Grosso do Sul está contratando mais 35 médicos veterinários para trabalharem especificamente na região de fronteira.
*Com informações da Agecom