
Déborah Gouthier
Por iniciativa do Ministério Público, representantes da Justiça, da Secult Goiás (Secretaria de Cultura de Goiás) e das artes de Itaberaí se reuniram na última quarta-feira, 15, para apresentar oficialmente o documento que pede o tombamento da Igreja Matriz do município. Foram apresentados os valores históricos do imóvel e um retrospecto das atividades religiosas da cidade desde o século XIX.
A arquiteta analista de gestão administrativa da Secult, Solange Santana explicou ao Jornal Opção que, com o pedido de tombamento, começa agora um longo processo para a sua oficialização a partir da realização de um estudo e dossiê técnico do imóvel. “Vem toda uma documentação: propriedade do imóvel, características arquitetônicas, conservação, um parecer técnico que discrimina todos os valores identificados. Então, tudo isso vai para aprovação do Conselho Estadual de Cultura que decide pelo tombamento ou não, conforme o valor cultural que o imóvel represente para todo o Estado de Goiás”, avalia. Com a avaliação positiva do Conselho, o processo segue para o Gabinete Civil, onde a Procuradoria do Estado o avalia legalmente para que, então, o governador publique o decreto de tombamento. Toda essa análise pode demorar algum tempo, como ocorreu com a Igreja de Silvânia, cujo trâmite de tombamento correu entre fevereiro e dezembro de 2011, de acordo com Solange.
Se for tombada, a Igreja Matriz de Itaberaí passará a ser oficialmente um patrimônio do Estado, com valores culturais a serem preservado para as gerações futuras. “A partir do tombamento o Estado tem a prerrogativa de fiscalizar se esses valores se mantêm presentes, é uma garantia de que vai continuar repassando tais valores para a comunidade”, define a arquiteta da Secult. Apesar de sua função ser a fiscalização, o Estado também poderá notificar o proprietário do imóvel sobre problemas na preservação, por exemplo, e até, em alguns casos, obter recursos para mantê-lo.
Igreja
A Igreja Matriz de Itaberaí é datada de 1824, época em que o município ainda se chamava Curralinho, tendo sido a primeira a destinar local de oração específico para o culto a Nossa Senhora da Abadia. Relatos contam que o imóvel foi edificado por agricultores da região, em lugar ainda ermo, e desde então passou por inúmeras reformas, que chegaram a descaracterizá-la quase que totalmente.