34 anos
Entrevista | Iêda Leal
“A greve só será interrompida quando o governo negociar o retorno da titularidade e respeitar nosso plano de carreira”
Presidente do Sintego, Iêda Leal

Ketllyn Fernandes

A greve nas escolas estaduais completa uma semana nesta segunda-feira, 13. A data foi marcada por uma manifestação dos professores em frente a Subsecretaria de Educação, cujo objetivo foi relatar ao subsecretário metropolitano de educação, Marcelo Ferreira de Oliveira, denúncias de repressão ao movimento. A categoria parece não se intimidar pelas tentativas do governo em interromper a paralisação, por meio do corte de ponto, determinado pela PGE (Procuradoria-Geral do Estado) no último sábado, 11; e a ilegalidade da greve, declarada pelo TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás), antes mesmo do movimento ser iniciado. É esta a impressão que passam as palavras firmes da presidente do Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Goiás), Iêda Leal. Em entrevista ao Jornal Opção, Iêda falou em novas manifestações até que o governo decida abrir de fato um canal de negociação. Confira:

Em uma semana de greve, com manifestações favoráveis de estudantes e cidadãos, como a senhora avalia a conduta do Estado?
Acredito que o governo de Goiás deveria tomar uma atitude o mais rápido possível, porque o movimento tem ganhado força e adesão da sociedade e dos trabalhadores da Educação. O governo deve abrir um canal de negociação para solução dos problemas.

O ponto dos professores que aderiram ao movimento será cortado a partir do dia 4, data em que o TJ-GO considerou a greve ilegal. Por que a situação chegou a este ponto em sua opinião? A greve pode ser interrompida devido a esta medida da PGE?
Primeiro, porque as duas propostas aprovadas pela Assembleia Legislativa do Estado destróem nosso plano de carreira, e nós não vamos aceitar isso, de acabar com a nossa titularização e achar que os trabalhadores da educação fossem ficar parados diante desse golpe, isso é incoerente. A greve só será interrompida quando o governo negociar o retorno da titularidade e respeitar nosso plano de carreira.

Qual medida o Sintego irá tomar a respeito da decisão da PGE, de cortar o ponto?
Vamos usar todos os recursos que nos cabem, além do nosso compromisso de repor as aulas, pois essa não é uma responsabilidade só nossa, é também da Secretaria Estadual de Educação. Se houver corte, não haverá reposição de aulas e se não há reposição, os alunos são prejudicados. O mais importante agora é a pauta de reivindicações da categoria.

Por que a modificação na titularização dos professores desmotiva a categoria? Há interesses por trás dessas mudanças?
Acreditamos que se as pessoas querem melhorar a educação, não podem destruir a titularização, porque ela é a nossa motivação. Estamos inconformados, pois nós lutamos pela aprovação e o mesmo governo que a aprovou veio destruí-la.

Qual a porcentagem de professores e escolas que aderiram à paralisação até a data de hoje? Esse número pode aumentar?
Afirmo que 70% da rede está paralisada. Pode aumentar sim, pois todo o Estado tem aderido ao movimento. Mesmo com as perseguições que a Secretaria tem teimado em fazer.

Que tipo de perseguições?
Escolas estão funcionando com três ou quatro alunos por sala, e a secretaria ainda quer contratar outros professores para nos substituir. Consideramos isso um absurdo, pois nós temos o compromisso de repor as aulas.

O governo tem destacado o fato de o piso dos professores em Goiás ser acima do nacional, o que a senhora tem a dizer?
O governo demorou um ano e meio para pagar o piso, que é apenas R$ 10 a mais que o pago nacionalmente. O que nós queremos agora é a valorização do profissional. Piso e carreira devem andar juntos.

Estão previstas novas manifestações dos professores, como a que ocorreu hoje?
Sim. Hoje, além de irmos para a frente da Subsecretaria de Educação, conversamos com o subsecretário Marcelo Ferreira sobre as muitas denúncias de repressão ao movimento que o Sintego vem recebendo. Mais tarde vamos formalizar por escrito essas denúncias. Hoje tivemos a participação de mais de 200 profissionais. Nesta terça-feira, nós vamos fazer um gesto de solidariedade no Hemocentro de Goiânia. Vamos doar, literalmente, nosso sangue, como temos feito pela educação. A partir das 7h30 estaremos lá, muitos profissionais, para ajudar a completar o banco de sangue do Hemocentro. No período da tarde vamos panfletar no Parque Vaca Brava.

E a reposição das aulas, como será feira?
Assim que a greve for finalizada vamos nos sentar e elaborar um plano de reposição para que os alunos não sejam prejudicados.