
Ruy Bucar
Ele acaba de ser indicado por unanimidade líder da bancada do Tocantins no Congresso Nacional. Resultado certamente da sua atuação em defesa dos interesses do Estado. O cargo amplia suas condições políticas de disputar a Prefeitura de Gurupi e sair vitorioso, mas vai obrigá-lo a fazer uma verdadeira ginástica. O deputado Laurez Moreira, do PSB, vai ter que conciliar a agenda parlamentar em Brasília com compromissos políticos em Gurupi cada vez mais constantes. Ele diz que vale à pena desde que seja para ajudar a sua cidade.
Laurez Moreira considera a recuperação do asfaltamento de Gurupi o grande desafio da próxima gestão. “Nós estamos perdendo um patrimônio valioso do povo de Gurupi. Todo ano a gente percebe que o número de buracos das ruas da cidade aumenta, e eu entendo que é fundamental recuperar todo o asfalto da cidade,” defende, apontando que outra grande preocupação do poder público em Gurupi é o fortalecimento da sua universidade, que tem importância estratégica para a economia do município.
O deputado, autor de um projeto de lei que limita a contração de cabos eleitorais, considera compra de voto disfarçada a contratação ilimitada de pessoas para trabalhar na campanha eleitoral. “É um absurdo o cidadão poder contratar o número de pessoas que quiser para sua campanha, nós entendemos que tem que ter limite. O candidato não pode contratar de acordo a sua vontade, mas sim respeitando um porcentual, porque senão ele está é comprando voto com essa história de contratar cabos eleitorais para boca de urna.”
Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção o deputado fala ainda sobre as perspectivas do PSB para estas eleições, avalia o desempenho do governo Siqueira Campos e afirma que em Palmas o partido faz parte da base do prefeito Raul Filho, mas está livre para tomar a decisão que achar mais conveniente, inclusive lançar candidato próprio pela terceira via.
O sr. assume a condição de pré-candidato à Prefeitura de Gurupi ou ainda é uma pretensão que depende de negociação?
Eu estou determinado a disputar a Prefeitura de Gurupi. Já tenho alguns anos de experiência de vida pública, 6 anos vereador, 12 anos deputado estadual, estou num mandato que vai me garantir 8 anos como deputado federal, e entendo que o município de Gurupi está precisando de uma administração que realmente venha dar um novo impulso à cidade. Nós precisamos de alguém bem relacionado em Brasília para viabilizar os recursos, para fazer com que a cidade volte a crescer nos índices que já cresceu, para que o povo de Gurupi possa esperar dias melhores.
Qual é o grande desafio da Prefeitura de Gurupi?
Gurupi está precisando de uma recuperação completa do asfaltamento das ruas, que estão completamente esburacadas. Nós estamos perdendo um patrimônio valioso do povo de Gurupi. Todo ano a gente percebe que o número de buracos nas ruas aumenta, e eu entendo que é fundamental recuperar o asfalto da cidade. Outro aspecto que considero importante, no que se refere à gestão pública, é fortalecer nossa universidade, a Unirg. Temos uma joia muito preciosa, que é a Universidade de Gurupi, que infelizmente tem passado por momentos difíceis. Hoje só há duas instituições no Brasil, a Unirg e uma outra, em que você pode receber dinheiro público e pode cobrar (mensalidade), então isso é muito bom para a instituição. Tenho certeza que com uma boa gestão da Unirg, com a colaboração da prefeitura, nós podemos fortalecer muito a economia de Gurupi, fortalecendo a educação que é vital para o desenvolvimento de qualquer região do Brasil. Temos esse patrimônio precioso e pretendo fortalecê-lo cada vez mais. Pretendo construir um hospital-escola em Gurupi. Neste ano já colocamos recursos de emenda parlamentar para construir um em Palmas, na Universidade Federal. E eu quero, no orçamento que vamos votar este ano, em outubro, com fé em Deus eu ainda estarei lá na Câmara Federal, votando e colocando essa emenda para a construção do hospital-escola em Gurupi, porque vamos melhorar não só a educação como a saúde.
Depois do fracasso da gestão Abdalla o eleitor parece mais exigente e aponta que quer votar num gestor competente. O que o sr., que passou praticamente toda a carreira política no Legislativo, pode fazer para satisfazer necessidade de um choque de gestão em Gurupi?
Pertenço a um partido que é exemplo no Brasil em relação à gestão. O PSB tem administrado bem, para se ter uma ideia, na eleição passada, os dois governadores mais votados foram do PSB, isso é uma demonstração da capacidade administrativa do partido. O governador Eduardo Campos, em Pernambuco, foi reeleito com 83% dos votos e ganhou de uma liderança expressiva que tinha sido duas vezes prefeito do Recife, duas vezes governador de Pernambuco e senador muito bem votado, que é o Jarbas Vasconcelos, e mesmo assim Eduardo Campos teve uma grande vitória sobre ele. Então nós pretendemos pegar o modelo de várias administrações boas do PSB e implantar na cidade de Gurupi. Tenho certeza que se pegarmos os bons exemplos, de bons gestores, poderemos fazer uma grande transformação em Gurupi. Nós pretendemos fortalecer também o setor produtivo, a economia da cidade e vamos procurar articular com os empresários, com os empreendedores, trazer investidores para Gurupi, e fazer as transformações e criar as oportunidades que o município precisa.
Para alcançar a vitória o sr. precisa percorrer um longo caminho de construção, sobretudo de entendimento partidário. O sr. precisa necessariamente fazer composição com o PMDB. Como anda os entendimentos com partidos de oposição?
Na eleição passada disputamos a Prefeitura de Gurupi com o PMDB na cabeça e o PSB de vice. Temos conversado com o PMBD sobre a possibilidade de invertermos a chapa nessa eleição. Provavelmente o PSB sairá com um candidato a prefeito e o PMDB indicará o vice. Estamos trabalhando nesse sentido, procurando os outros partidos que estiveram com a gente na eleição passada para podermos formar uma forte coligação e disputar a eleição de Gurupi.
Quais partidos devem compor com o PSB em Gurupi?
Estou trabalhando principalmente para agregar as siglas que estiveram juntas na eleição anterior, PMDB, PT, PSB, PPS, PCdoB. Estamos conversando com elas e vamos tentar agregar esses companheiros para novamente disputar a eleição.
Quais as suas chances nesta disputa que promete ser uma das mais acirradas dos últimos tempos?
Estou muito animado. Já tenho alguma experiência política e posso falar que estou sentindo muita confiança. Eleição, quando a candidatura sai, a gente percebe no olhar do povo, no apertar da mão, na conversa com as pessoas, quando ela vai dar certo. Nossa candidatura em Gurupi tem tudo para dar certo.
Em Gurupi há um sentimento de injustiça em relação ao governo, no sentido de que ele não faz o que deveria fazer pela cidade. Esse sentimento não contribui para tornar a gestão ainda mais dependente do governo? Como o sr. avalia esta questão?
Sou do diálogo, sempre conversei com as pessoas, sempre tive bom relacionamento com todo mundo, e separei a parte política dos relacionamentos pessoais. Graças a Deus tenho um bom relacionamento em Brasília, o partido faz parte da base da presidente Dilma e tenho certeza que nós vamos conseguir a nível federal os recursos necessários para o desenvolvimento de Gurupi. Nós temos condições de trabalhar em todos os ministérios, para fazer uma grande gestão em Gurupi.
Qual é a meta do PSB para estas eleições e como o sr. avalia as chances do partido nos principais colégios eleitorais, como Palmas e Gurupi?
Nas últimas eleições o PSB foi o partido que mais cresceu no Brasil, e no Tocantins não tem sido diferente. Temos crescido em todas as eleições depois que assumimos a presidência do partido e tenho a convicção de que vamos crescer mais e continuar trazendo esperança para o povo brasileiro.
Em Palmas, que é o maior colégio eleitoral e a cidade mais importante do Estado, como o sr. viu o processo de afunilamento das pré-candidaturas? Qual a chance do PSB ocupar a cabeça de chapa?
Temos todas as condições para isso, com dois bons candidatos, que são o deputado Wanderlei Barbosa e o professor Alan Barbiero, reitor da UFT. São pessoas que têm condições de fazer um grande trabalho em Palmas. Evidente que o partido está trabalhando nesse sentido, vendo quem agrega mais apoio para poder disputar a prefeitura.
E como o sr. viu a realização de prévia para a escolha de um nome?
Respeito muito os diretórios e o PSB regional tem procurado não influenciar na decisão do diretório municipal. A gente procura conversar e orientar no que é melhor, mas a decisão final é dos líderes da Capital. Então quem vai decidir esse processo é o deputado Wanderlei Barbosa, o professor Alan e os membros do diretório municipal.
O PSB tem demonstrado certa insatisfação com a inclusão da deputada Luana Ribeiro na lista de pré-candidatos da base do prefeito Raul Filho. O PSB pode encabeçar a ideia de uma terceira via caso a deputada seja escolhida candidata da base?
Quem decide para onde o partido tem que ir é o diretório municipal, eu respeito. Quem vai tomar essa decisão é o deputado Wanderlei juntamente com o professor Alan e os outros membros do diretório. Eu vou respeitar qualquer posição que eles tomarem, não costumo intervir nos diretórios municipais, respeito as decisões que o partido toma em cada lugar. Eu posso orientar, conversar. Mas os companheiros de Palmas é que irão escolher qual o melhor caminho.
O que um prefeito do PSB pode acrescentar ao trabalho desenvolvido pelo governo do PT em Palmas?
Nós temos dois candidatos a prefeito muito bons, com perfis diferentes. O professor Alan é mais técnico, um técnico experiente, tem demonstrado já experiência administrativa na universidade, que cresceu muito. Wanderlei tem um perfil mais político, com bastante militância na política, junto ao povo. Então temos dois candidatos muito bons, com passado bom e eu tenho certeza que temos condições de fazer um grande trabalho em Palmas.
Como o sr. avalia o desempenho do governo Siqueira Campos?
Geralmente o governador no primeiro ano tenta organizar, montar a máquina, fazer o seu trabalho. É evidente que nós estamos na expectativa, acho que este ano é definitivo para o governo mostrar a que veio, como está, como será sua administração. Já é a quarta vez que o governador comanda o Estado, ele tem experiência. Por isso espero mais um pouco para poder falar do governo.
Como anda a tramitação do seu projeto de lei que limita a contratação de cabos eleitorais?
Entrei com um projeto na Câmara que limita a contratação de cabos eleitorais. Sempre achei um absurdo o cidadão poder contratar o número de pessoas que quisesse para sua campanha, entendo que tem que ter limite. O candidato não pode contratar de acordo a sua vontade, mas sim respeitando um porcentual, porque senão, de repente, ele está é comprando voto com história de contratar cabos eleitorais para boca de urna.
Nunca se viu tantas denúncias de irregularidades nas prefeituras quanto nessa geração de prefeitos. O que explica isso, e o que se pode esperar da nova safra de prefeitos que virá?
A grande dificuldade da maioria dos gestores é que muitos não têm a mínima noção do que é a coisa pública. Muitos prefeitos confundem o público com o particular, não sabe separar. Já vou para o final desse mandato a 26 anos de vida pública. Já fui secretário de Estado, presidente de Câmara duas vezes, e nunca tive nenhum problema de prestação de contas. As pessoas têm que olhar esse aspecto.