34 anos
En­tre­vis­ta | Luana Ribeiro
“Busco ser candidata a prefeita onde tenho apoio”
Deputada explica a razão de ter decidido ser pré-candidata pela base do prefeito Raul Filho e anuncia que na Assembleia adotará posição de independência em relação ao governo
Koró Rocha

Ruy Bucar

Ela ainda ensaia os primeiros passos como pré-candidata a prefeita de Palmas e já tem grandes chances de vencer a disputa interna na base do prefeito Raul Filho (PT) e ser escolhida can­­­didata, mesmo ainda pertencendo à base do governo Siqueira Campos. A deputada Luana Ri­beiro, do PR, não vê nenhuma contradição nisso e revela porque resolveu buscar espaço na oposição. “Eduardo Siqueira já deixou bem claro para mim que o governo tem candidato. Eu tenho que buscar candidatura onde é mais fácil, onde é viável, e estou buscando uma pré-candidatura na oposição”, declara a deputada, que se diz satisfeita com o desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

A deputada reconhece a pressão dos líderes dos partidos da base do prefeito, que querem que ela assuma oposição ao governo Siqueira Campos, mas garante que não vai agir com precipitação apenas porque há um projeto político em vista. “Eu acho que no mo­mento certo as coisas vão se definir, o quadro vai se desenhar, mas tudo é muito claro, eu estou caminhando para o rumo da oposição, mas isso não quer dizer que eu vá fazer tudo que seja contrário ao governo,” ressalta a pré-candidata, que garante que sua posição na Assembleia Legislativa não vai mudar muito, pois sempre votou de acordo com a sua consciência. E arremata: “O que for bom para a população tocantinense eu aprovo, o que não for bom eu não aprovo.”

Luana Ribeiro discorda dos que dizem que ela é favorita a vencer a disputa interna porque é filha do senador João Ribeiro. Para ela ser filha do senador tem muitas vantagens, mas também tem cobranças. “O fato de eu ser filha do senador João Ribeiro, é claro, isso soma muito, mas também tem o outro lado, o da cobrança. As pessoas têm que ver que eu sou uma pessoa como qualquer outra, que tenho que correr atrás, que tenho a minha jornada de mãe e de esposa, de dona de casa e ainda encontro tempo para dedicar à política,” relata, revelando que quando decidiu disputar um cargo eletivo foi uma escolha pessoal e não um convite do pai.

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção a deputada fala ainda sobre o seu plano de governo, que já começa a ser elaborado, avalia o crescimento da sua pré-candidatura e garante que tem trabalhado muito percorrendo a cidade em contato com líderes comunitários e representantes de entidades de classe. Turismóloga com longa experiência profissional, Luana critica a falta de atenção ao turismo e garante que este item terá tratamento especial no seu programa de governo. Sobre os critérios para a escolha do candidato Luana defende que tem que ser uma combinação de desempenho em pesquisas e negociação política.

A sra. fez pronunciamento anunciando que adotará posição de independência na Assembleia Legislativa. Isso quer dizer rompimento com a base do governo?
Na realidade não foi um pronunciamento. Um site pu­blicou e acabou virando fato. Mas eu costumo adotar sempre a mesma postura na As­sem­bleia (Legislativa), desde o início do mandato eu sempre votei de acordo com a minha consciência e convicções. Já na atual legislatura fui chamada a atenção pelo votação no caso dos procuradores (do Estado) e defensores (públicos), quando falei que apoiaria a classe. Eu voto de acordo com mi­nhas convicções, até mesmo porque no caso dos procuradores e defensores eles me procuraram, explicaram tudo e fiquei certa de que eles estavam corretos. Então por isso eu sou muito tranquila e o fato de eu ser filha do senador João Ri­beiro, às vezes as pessoas di­zem que vou votar de tal ma­neira, mas meu pai nunca me deu um telefonema falando faz assim ou assado, ele sempre me deixou muito tranquila. Uma coisa que eu aprendi ao longo da vida com meus pais foi assumir as consequências dos meus atos e isso vale para a política também. Então eu continuo com a minha posição de sempre. Vou apoiar o que for bom para a população e reprovar o que não for bom. Eu venho de um grupo cujo líder é o senador João Ribeiro. Quem tem que definir a posição com relação ao governo é o líder maior do grupo, a relação dele com o governador (Siqueira Campos) ele resolve, mas minha posição na Assem­bleia é a mesma de sempre, não muda nada. Nessa  semana teve uma questão sobre o concurso público, um requerimento propondo que o governo fizesse concurso público porque estava descumprindo a Adin, mas o edital de licitação do concurso já estava publicado, já tinha a data para acontecer, então já está mais próximo do certame e não tem mais porquê do requerimento nesse caso. Por isso eu não votei, mas quando eu achar necessário assim o farei, in­dependentemente de qualquer posição política. Quem me conhece sabe que eu sou mui­to clara, muito transparente, quem convive comigo sabe e eu não posso ferir os meus princípios.

Que avaliação a sra. faz do governo Siqueira Campos?
Na realidade, no governo do Estado, toda vez que tem uma mudança, a pessoa que assume o cargo leva um tem­po para organizar a casa nos seus moldes. Foi isso que o governador Siqueira Cam­pos fez no primeiro ano, organizou a casa nos seus moldes. Vamos esperar, aguardar, eu acho cedo para fazer críticas. Claro que como toda gestão, tem seus erros, seus acertos e seus pontos a melhorar. Então vamos aguardar, esperar o grande ano que se promete para 2012. Eu estou na expectativa e o que eu puder con­tribuir para desenvolver o Estado do Tocantins eu vou fazer, e no que eu não puder, não vou atrapalhar.

A sra. vive uma situação curiosa politicamente, aparece como pré-candidata a prefeita de Palmas pela base do prefeito Raul Filho e figura na lista de pré-candidatos da base do governado Siqueira Campos. Como a sra. avalia essa situação?
Eu sou muito coerente com as coisas, muito pé no chão, pé no chão até demais, sou muito realista. É fato, o Eduardo Siqueira já deixou bem claro para mim que o governo tem o candidato dele. O governador Siqueira Campos nunca demonstrou isso, mas o Eduardo Siqueira já falou claramente para mim e eu tenho que buscar candidatura onde é mais fácil, onde é viável. Estou buscando uma pré-candidatura na oposição, eu confio na oposição, mas isso não quer dizer que eu vá sair quebrando tudo e pisando em todo mundo, de forma alguma. Eu vou construir isso e estou buscando construir em bases sólidas uma pré-candidatura. Foi até uma grata surpresa o meu nome aparecer em algumas pesquisas de opinião pública, tomei gosto pela coisa e vou lutar com unhas e dentes, respeitando a todos, mas no grupo do governador Siqueira Campos não sei se há espaço nem estou pensando nisso. Eu quero construir esse projeto junto com a oposição. A vida política é dinâmica e, no caso, estou passando pelo processo da Capital, onde eu vou buscar apoio no grupo em que as pessoas têm diálogo e estão abertas a isso, e esse grupo é o grupo de oposição. Vou construir esse projeto com essas pessoas. Sobre a história do senador João Ribeiro e o governador Si­queira Campos, eles têm propriedade para dizer, mas o amanhã a Deus pertence.

A sra. deve ser pressionada pelos partidos da base do Raul a tomar uma posição de oposição ao governo em função do enfrentamento eleitoral. Quando a sra. pretende tomar uma posição mais clara como integrante do grupo do prefeito que vai confrontar com o Palácio Araguaia?
É natural que quando você está em um grupo político há o desejo de vê-lo crescendo, ga­nhando força, como é o caso da oposição na Assembleia, que quer contar com mais companheiros. No caso dessa questão que envolve Estado e município eu sempre deixei a minha posição bem clara, não vou fazer oposição por fazer, e também não vou ficar no governo só por ser governo. Eu acho que no momento certo as coisas vão se definir, o quadro vai se desenhar, mas tudo é muito claro, eu estou caminhando para o rumo da oposição, mas isso não quer dizer que eu vá fazer tudo que seja contrário ao governo. Na realidade a minha posição vai ser na mesa, o que for bom para a população tocantinense eu aprovo, o que não for bom eu não aprovo. A minha postura é a mesma, é natural que o grupo queira que eu esteja com eles até mesmo porque vou caminhar com essas pessoas, mas o quadro já está se desenhando e vai se definindo no momento certo, um passo de cada vez, sem angústia, sem aflição.

Quais as chances da sra. ser a escolhida nessa disputa interna e ser a candidata na base do Raul, já que ainda pertence à base do governo?
Eu não digo bem na base, eu digo que respeito o que é bom para a população e rejeito o que não é. Que fique bem claro, até porque eu não fui eleita pelo governo, eu fui eleita pela população. Eu represento a população do Estado e não o governo. Que fique claro isso para as pessoas. Eu estou buscando entendimento, conversando, buscando as ruas porque política é um grande agrupamento, você tem que combinar com a população e com os bastidores políticos. Então, eu estou buscando tanto a população quanto o entendimento com os líderes do grupo político e tenho buscado o diálogo. Eu sou muito tranquila, é um grupo no qual eu sou recém-chegada e respeito os outros companheiros, mas quero disputar em direito de igualdade com todos.

Que avaliação a sra. faz do critério pré-definido, de melhor desempenho nas pesquisas para a escolha do candidato?
Acho que é uma soma da pesquisa mais entendimento e tenho certeza que a voz do povo é a voz de Deus. Quem a população escolher para ser o candidato de oposição vou estar junto para apoiar e para ser apoiada.

A sra. não teme que a sua candidatura pela base do Raul divida o grupo, que possam surgir partidos que não concordem com a sua candidatura?
Na realidade não é só a base do prefeito Raul, mas um grupo de oposição que a gente está construindo e que tem outros partidos. Engloba o senador João Ribeiro, o PMDB, um grupo forte e eu sinceramente, se depender de mim, as coisas vão correr o curso que tiver que ser, eu confio muito em Deus, o que Deus reservou para mim ninguém tira, o que Deus não reservou não é meu e o que Deus reservou para qualquer pessoa está guardado. Eu sou muito tranquila, eu já fui muito eufórica e hoje sou tranquila, espero as coisas acontecerem em seu devido tempo. O que é de cada um está guardado, Deus tem um plano para cada um e eu creio nisso. Se for a minha hora, o meu momento vai ser, se não for vai ser outro companheiro que eu vou estar pronta para ajudar com o mesmo gás e com a mesma intensidade que eu faria por mim.

Como a sra. avalia alguns questionamentos do grupo do Raul de que a sra. leva vantagem, ou seja, é favorita por ser a filha do senador João Ribeiro?
Tudo na vida tem duas vertentes, são dois pesos e duas medidas. O fato de eu ser filha do senador João Ribeiro por um lado, é claro, ele é um homem que tem serviço prestado em Palmas e por todo o Estado do Tocantins, isso soma muito. Mas também tem o outro lado, da cobrança. As pessoas têm que ver que eu sou uma pessoa como qualquer outra, que tenho que correr atrás, que tenho a minha jornada de mãe, de esposa de dona de casa e que encontro tempo para dedicar a política. Eu tenho que ter carisma para chegar à população, tenho que ter competência para me manter no cenário político. Então é uma soma de esforços. É claro que isso ajuda muito, mas não é desigual porque se for olhar algumas pessoas do grupo também têm histórico, há outros políticos na família. Eu tenho muito orgulho de ser filha de um homem que tem muito serviço prestado e se não tivesse eu não estaria na política. Mas eu entrei na política não foi porque o senador João Ribeiro impôs ou pediu não, muito pelo contrário, eu entrei porque quis, por vontade própria e tenho que trabalhar, dar duro, ralar. E todo mundo pensa o senador João Ribeiro é o pai e tal, o senador João Ribeiro é um maravilhoso pai, o homem João Ribeiro é um pai sensacional, eu não tenho do que reclamar, mas o político cobra muito, ele me cobra muito. A primeira vez que eu fui conversar com ele sobre Palmas, sobre uma possível candidatura, isso está marcado, o que ele falou para mim: você já combinou com o povo? Então eu falei com ele que esse projeto era baseado no resultado das pesquisas, que eu achei que era um anseio, vi alguma motivação e fui em busca e agarrei com unhas e dentes, trabalhei 24 horas por dia, muito, nas bases. Olha, o senador João Ribeiro é um homem que tem muito serviço prestado não só em Palmas, mas em todo o Tocantins, foi muito bem vo­tado na eleição passada, teve votação consagradora e isso com certeza está muito bem respaldado pela sociedade, está muito fortalecido. É claro que o senador João Ri­beiro tem grande influência na eleição municipal assim como teve no governo do Estado. Mas isso não exime a minha responsabilidade de trabalho. Qualquer candidato, seja  quem for, vai ter que trabalhar muito, não vai ser uma eleição fácil, mas o nos­so senador sabe trabalhar bem e conhece muito bem o nosso Estado, muito bem a nossa Capital.

O prefeito Raul diz que a sra. ao se colocar como candidata da sua base reconhece a força política deste grupo, porque senão não abandonaria a base do governo para se juntar ao seu grupo, que tem desgastes. Qual a avaliação a sra. faz do governo Raul Filho?
Tem aquele ditado antigo que diz que quem está na chuva é para se molhar. Eu sou muito intensa na minha vida, não pego nada pelas metades. O governo Raul Filho foi bastante penalizado pela queda no repasse de recursos do FMP. Nós sabemos que os municípios tocantinenses são muito dependentes economicamente do poder público, então se a gente for analisar a questão econômica, se for olhar os recursos do município, o orçamento mesmo, se o­lharmos com olhar técnico podemos observar as dificuldades que Palmas tem enfrentado, mas apesar das dificuldades teve muitos acertos também. Um dos fatores de extrema relevância para Pal­mas foram as escolas de tempo integral, que hoje são referências no Estado do Tocantins todo, o governo está tomando de em­préstimo, está servindo como base e em todo o país. Hoje as escolas de tempo integral são referências no Brasil inteiro, então esse é um trabalho de grande relevância e cada um tem a sua forma de trabalhar. O prefeito Raul teve a forma de trabalhar e cada um tem o seu estilo. Eu não tenho medo se as pessoas falam ou perguntam se vai pegar desgaste ou não. Eu não tenho medo porque respondo pelos meus atos e pelas minhas consequências e o prefeito Raul Filho também, pelo trabalho dele. É claro que Palmas passou por dificuldades, mas eu sei que esse ano ele vai entregar muitas obras para a população e vai deixar um saldo positivo.

Como vai ser a disputa final, a sra. acredita que em Palmas vai ser o candidato do Raul contra o candidato do Siqueira?
Pode ser o candidato do go­verno contra o candidato da oposição ao governo. E quem leva mais vantagem, sem sombra de dúvida, é quem estiver afinado com a população de Palmas, quem tiver as melhores propostas, os melhores projetos, a população vai acabar escolhendo. A sorte está lançada, que vença o melhor.

Que proposta a sra. tem para Palmas?
Temos que investir muito em infraestrutura urbana na nossa Capital, desenvolver mais. A saúde precisa de atenção especial, a saúde é primordial. Precisa de proteção especial na nossa Capital e no nosso Estado, porque tudo que acontece na Capital reflete no resto do Estado. Acho que é necessário um plano de desenvolvimento econômico para Palmas e nós já estamos elaborando um projeto, fortalecimento da iniciativa privada é muito importante. O combate às drogas, que é uma questão de saúde pública, um problema que está na nossa sociedade, tem que ser melhorado, um problema grande, mas um problema real que precisa ser solucionado. Temos que investir também mais em esporte para as crianças, jovens e adultos. Temos que investir mais na questão do trânsito porque Palmas tem grandes problemas, mas ainda há tempo para corrigir. O importante é que nossa Capital é uma cidade jovem, tem mais para se fazer do que para corrigir, essa é a realidade.

Qual o seu projeto para o turismo, que é a sua área de atuação?
Sem sombra de dúvida o turismo é uma grande vocação que temos em Palmas e, inclusive, sou formada em turismo, trabalhei por quase dez anos na área de eventos. Sem sombra de dúvidas o turismo precisa ser revitalizado, reestruturado na nossa Capital. A indústria do turismo é grande geradora de emprego e renda, uma grande impulsionadora econômica. Vejo grande potencial em Palmas para sediar grandes eventos da região Norte do País. Se olharmos para o mapa, o Tocantins é o coração do Brasil, Palmas pode ser a capital de eventos da região Norte. Nós temos todas as características para isso. Outro aspecto importante é a Ferrovia Norte-Sul, que está chegando com desenvolvimento a todo vapor, as grandes indústrias estão se voltando para nossa Capital, é um centro de distribuição. Palmas é uma cidade que tem bastante potencial turístico e industrial, principalmente pela logística e pela chegada da ferrovia. Isso pode impulsionar muito a economia da nossa cidade. Na questão da saúde eu vejo que Palmas pode ser um centro de referência em saúde na Região Norte pela centralização, pela facilidade de acesso, as pessoas ouvem muito falar que a saúde do Tocantins está em dificuldade porque pessoas de outros Es­tados vêm se tratar aqui, então porque não transformar isso em um potencial, e não um problema? Eu já conversei com várias pessoas da área da saúde interessadas em investir. Houve uma premiação que a prefeitura fez aos maiores contribuintes de ISSQN e nos primeiros lugares estão empresas da área da saúde. Aí há também um grande potencial. Na saúde podemos estimular para desenvolver não só no poder público, mas também incentivando a iniciativa privada investir aqui na nossa Capital. Voltando ao turismo, nós temos que im­plantar o turismo de forma sustentável, não podemos im­plantar turismo a curto prazo, de ocasião, de momento, precisamos fazer algo a longo prazo que fique para as gerações futuras. Então temos que estruturar bem o trade turístico e se fizermos bem feito dá bons resultados, bons frutos. Também quero trabalhar muito a área social. Eu me identifico muito com o trabalho social, e quando você faz um trabalho bem feito desenvolve as comunidades. Quero investir muito nos programas de capacitação, de qualificação, porque além das indústrias que podem vir a se instalar na nossa Capital, temos as empresas de pequeno porte, o pequeno empreendedor, aquela pessoa que pode ter o seu negócio ligado, por exemplo, ao artesanato, que além de ser um trabalho social não deixa de ser algo que impulsiona a economia. Te­mos uma questão muito séria em Palmas, que é drenagem das quadras, eu acho que estamos até num bom momento para falar sobre isso, já está sendo feita em algumas quadras e é bom que se lembre que o senador João Ri­beiro ajudou a buscar esses recursos em Brasília e que é algo de especial que eu tenho para Pal­mas. Precisamos também desenvolver o turismo no Lago (do Lajeado), explorar melhor porque o lago é um grande potencial turístico e se observarmos há vários potenciais turísticos e uma coisa vai chamando a outra, é um ciclo positivo.

A expansão do perímetro urbano de Palmas acabou se tornando um assunto polêmico e também entrou na agenda política. Qual é a sua posição sobre este tema, a sra. teria coragem de alterar o planejamento urbano da cidade para corrigir distorções?
A gente tem que tentar encarar os problemas de frente, não podemos deixar várias áreas urbanas irregulares. Elas precisam ser regularizadas, isso é fato. Não tem como ficar administrando uma cidade sem a formalidade, porque tem uma determinada área que não está legalizada, mas tem moradores, precisa de esgoto, água, energia, transporte público, escola, postos de saúde. Então o que a Câmara já está procurando fazer é legalizar essas áreas, isso tem que ser resolvido com muita urgência e cautela, porque nós não podemos esquecer em mo­mento algum que Palmas é uma cidade planejada. Mas como as coisas são dinâmicas a vida toma um curso e aquelas áreas existem, estão ocupadas e têm que ser vistas e tem que ser resolvido o problema. E o problema tem que ser resolvido na le­galidade, não é na infor­malidade. É preciso coragem para mudar, para alterar questões principalmente no que diz respeito ao trânsito da nossa Capital. Cora­gem é o que não me falta. Eu estou pronta para os desafios que há na gestão de uma grande e nova cidade como Palmas.

Como a sra. reage às críticas de que o seu pai mantém o controle de várias siglas, como PR, PTN e PRTB que estão nas mãos de parentes?
Com muita naturalidade. Eu só digo o seguinte: se o senador João Ribeiro fosse um político ruim nem os parentes iriam querer ficar perto dele. Eu sou filha, e entrei na política por que eu quis, mas eu tenho grande admiração pelo meu pai, se ele não fosse um homem de sucesso, um grande político, será que eu iria querer entrar na política? Então nada mais natural que uma pessoa como ser humano admire a profissão do pai e entre nela. Eu observo a nossa sociedade, muitos professores têm orgulho de ter os filhos professores, a esposa professora, médicos têm filhos também médicos, então porque não posso ser uma política filha de político e ter uma família de políticos? Na vida a gente costuma seguir as pessoas que admira, eu admiro demais o pai que eu tenho. Tenho muito orgulho, posso dizer que sou uma privilegiada por ter um pai com tanto serviço prestado ao Estado, à sociedade. Quando eu participo de eventos políticos, encontro pessoas de vários lugares do Brasil, as pessoas falam: um dia precisei de ajuda e seu pai me ajudou, então eu tenho admiração. O JR (Júnior Ribeiro, presidente do PRTB) é filho e tem que ajudar sim, tem a profissão dele, é do ramo empresarial, da iniciativa privada, mas é natural que ele ajude. A Cínthia (Ribeiro, presidente do PTN) é esposa do senador, então porque ela não pode ajudar? Muito pelo contrário, acho que como mu­lher de político ela também tem que dar a contribuição, então não vejo nada demais. Agora se fosse uma profissão mais co­mum ninguém iria questionar, eu nunca vi ninguém questionar seu pai é advogado porque foi formar em direito, porque você quer seguir a carreira do seu pai? Muito pelo contrário, se tem outra profissão falam você podia seguir a carreira do seu pai, ele já tem uma clientela formada, por que não? Então isso é questão de foro íntimo, eu admiro meu pai e quando eu crescer quero ser igual a ele.

Como a sra. está se sentido como pré-candidata a prefeita?
É uma grande missão, um grande desafio, mas é muito prazeroso. Além de política eu tenho meu lado mãe, meu lado família, meu lado esposa, então é muita doação, mas ao mesmo tempo muito prazeroso. É um grande desafio para minha vida, mas um bom desafio, eu gosto de desafios. A minha vida é cercada por emoções e é uma grande emoção que estou vivendo, a cada dia um novo aprendizado, uma nova experiência, uma nova vivência. Tudo que a gente vive serve de lição, é um grande prazer para mim, é algo que dá um pouco de trabalho, mas é muito gratificante, muito recompensador, é uma emoção única. Só quem está vivendo para saber e isso para uma mulher é uma tarefa que a gente tira de letra.

A cidade está preparada para a administração de uma mulher, de uma jovem acima de tudo?
Eu acho que sim, acho que Palmas vai se surpreender muito se eu for a escolhida porque apesar de eu ser muito jovem, e apesar de ser mulher, eu tenho um jeito muito particular de trabalhar e de não decepcionar, e com esse meu jeito de trabalhar tenho alcançado bons resultados. Efi­ciência é uma palavra de ordem que me atrai, eu quero chegar um dia lá. Eu sei que tenho que trabalhar muito, ralar muito, mas é o que eu pretendo, e espero que seja como prefeita da Capital. Espero transformar, e que as pessoas superem suas expectativas.

O senador João Ribeiro é muito próximo da presidente Dilma. A sra. acha que como prefeita poderia tirar alguma vantagem disso? Que vantagem a cidade ganharia com essa proximidade?
Eu não só acho como tenho absoluta certeza, ainda mais que a presidente Dilma é muito guerreira, eu acho até que tenho um estilo um pouco parecido com o dela, um jeito exigente talvez, mas quando precisa tem ternura. Sei que daí uma grande parceria pode surgir, sem sombra de dúvidas. E eu acredito que santo de casa faz milagre sim, e não tenho dúvidas que o senador João Ribeiro irá ter muito prazer em ajudar mais essa Capital, ainda mais tendo uma filha administrando, sem sombra de dúvidas que a ajuda seria maior. E o acesso que temos à presidente Dilma que é muito importante e conta muito, e o grande parceiro do Tocantins, se a gente observar, é o governo federal. As grandes obras no Estado tem o governo federal como maior parceiro. A Ferrovia Norte-Sul, que já está desenvolvendo a nossa Capital. Grandes empresas estão instaladas acreditando nisso, então sem sombra de dúvidas que isso vai ajudar muito, vai somar muito. A força do senador João Ribeiro é muito grande em Brasília e eu sei como tirar proveito disso.