Edição 1972 de 21 a 28 de abril de 2013
En­tre­vis­ta | Carlos Amastha
“A presidente Dilma se encantou com o projeto de Palmas”
Prefeito diz que não é do seu feitio apontar defeitos das administrações passadas, mas que não pode esconder que encontrou uma prefeitura desorganizada que o surpreendeu pela estrutura precária

Ruy Bucar

O prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), ao que tudo indica, caiu na graça da presidente Dilma Rousseff (PT). O prefeito diz que não pode reclamar do apoio que vem recebendo do governo fe­deral. Ele diz que a presidente se encantou com o projeto de Palmas e conta que na primeira audiência que teve com Dilma, intermediada pelo então presidente do PP, senador Francisco Dorneles, a conversa que deveria ser de apenas 15 minutos durou duas horas.“Quando ela ouviu que estávamos falando de um projeto de gestão e não de um projeto de politicagem, ela se encantou e os 15 minutos viraram duas horas e o governador do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral) ficou uma hora esperando enquanto o prefeito de Palmas era atendido.”

Amastha revela que depois daquele encontro as portas do governo federal se abriram para Palmas “Na semana seguinte a própria presidente marcou agenda em seis ministérios com os ministros já brifados sobre exatamente o que tinha que falar com o prefeito de Palmas”, lembra, dizendo que foi uma surpresa ao voltar para Palmas e receber ligações dos ministérios confirmando as metas solicitadas pela presidente.

O prefeito tem consciência que tão importante quanto captar investimentos é aplicar os recursos disponíveis e lembra o que aconteceu com a gestão passada, que deixou voltar di­nheiro por pura incompetência. “Palmas foi campeã na obtenção de recursos no PAC 1 e deve ter sido a campeã nacional de perder e devolver recursos”, critica, ressaltando que seu governo será rigoroso no combate às empresas de fachadas que ganham licitação e não dão conta de realizar as obras. “Eu não aceito empresa de pastinha ganhando obra em Palmas. Aditamento de contrato não existe porque quem se compro­meter a fazer uma obra vai fazê-la, a menos que haja uma explosão nuclear nessa cidade.”

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção concedida no gabinete de campo, no bosque da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, o prefeito soltou o verbo. Fez um balanço dos primeiros 100 dias do governo, comentou o pacote de obras de infraestrutura urbana que lançou e que alcança R$ 112 milhões, analisou o cenário de 2014, em que pode está presente como candidato a governador, e reiterou o seu sonho de ver a política do Tocantins passar por uma profunda renovação.

No balanço dos 100 dias de governo o sr. diz que se tivesse só conseguido organizar a casa já teria valido a pena. Como o sr. encontrou a prefeitura e o que teve que reorganizar?
Nunca foi o nosso discurso falar mal das gestões passadas. Temos que ver o positivo que foi feito por todos os prefeitos antes. Agora, tem coisas que são evidentes. Palmas nasceu na época da internet, do computador, da fibra ótica, mas nós não temos absolutamente nada. Entrei num gabinete que não tinha computador, não tinha internet, estou dizendo isso apenas para salientar que se no gabinete não tinha, imagina os outros órgãos.

Qual foi a maior dificuldade que o sr. encontrou?
Falta de informação de dados para poder tomar decisões. Com as diferentes opções técnicas eu tomo as decisões finais. No caso da prefeitura seria a decisão política, o que faço ou não faço, mas em cima de opções. Aqui a gente trabalha às escuras porque não temos informações de nada. A Procuradoria (Geral) do município tem 22 mil processos físicos, é muito difícil trabalhar dessa maneira, faltam páginas, não está digitalizado. Se for ver a nossa nota fiscal eletrônica é um problema, sempre com problema de funcionamento, o sistema de gestão, de georeferenciamento não existe.  Encontrei a prefeitura totalmente sem instrumentos. E não foi responsabilidade só do Raul Filho, foi de todos, porque uma cidade com apenas 24 anos tinha que ser exemplo de inclusão digital, dos mecanismos, das ferramentas de administração pública hipermoderna e isso inexistia em Palmas. Por isso eu digo que se a gente tivesse apenas organizado já seria muito. Mas além de organizar conseguimos fazer um monte de coisas. Limpeza, recuperação do orgulho do palmense com ações nos bairros e todas as obras já liberadas para serem iniciadas, de pavimentação, de macrodrenagens, de iluminação pública. Hoje liberei a instalação de 150 quilômetros de iluminação pública, isso representa 10% do total instalado nestes 24 anos. Não resolve integralmente o problema, mas é 60% do total que tem que ser feito e isso será feito nos próximos seis meses. Desde o dia 2 de janeiro começamos a negociação com a Celtins, nessa semana já assinamos o contrato para a realização desse serviço.

Já assinei licitação para um novo modelo de iluminação pública nas avenidas. E também a reforma de duas rotatórias da NS1.

Por que as rotatórias?
Muitos palmenses não entendem que as rotatórias são vantajosas. O índice de acidentes com mortes em rotatórias é quase inexistente, acontecem em esquinas com semáforos, é muito mais assassina uma Teotônio, uma JK do que uma avenida com rotatória. A cidade cresceu muito e nós temos que fazer três coisas para que essas rotatórias funcionem. Primeiro, educar os motoristas e pedestres. Segundo, redirecionar as rotatórias que têm espaços extraordinários nas quatro laterais que permitem que se faça uma via exclusiva de entrada à direita bem separada.

Vamos ampliar essas faixas para facilitar a circulação. E temos que terminar as avenidas interrompidas por falta de ponte, de prolongamento. Com esses três ingredientes poderemos discutir o futuro das rotatórias no papel. Vamos fazer essas ruas e essa iluminação para que a população experimente, teste, antes reformemos as outras. As rotatórias se tornaram um ícone da nossa administração porque a cidade foi feita e esqueceram de fazer a macrodrenagem, e quanto mais a gente constrói o problema só tende a piorar, porque cada vez estamos deixando menos permeável o solo. Hoje só tem uma opção: fazer essa macrodrenagem.

Que avaliação o sr. faz em termos de resultado desses primeiros 100 dias de governo?
Estou tremendamente satisfeito com o que avançamos. Pratica­men­te temos definido tudo o que imaginamos para Palmas nos próximos 50 anos. Está na hora de colocar em prática esses projetos. Palmas deve ser uma das três cidades do Brasil com melhor trânsito. A presidente Dilma se encantou com o projeto Palmas e com as nossas intenções para os próximos 50, anos que consolida através de um secretariado altamente técnico. E meu maior temor era a formação de equipe, porque sempre ouvi falar que iniciativa pública era diferente da privada. Eu nunca na iniciativa privada tive uma equipe tão poderosa, preparada, competente como hoje tenho na Pre­fei­tura de Palmas.

O sr. tem dito que tem encontrado trânsito fácil em Brasília. A que se deve essa facilidade que nem todo prefeito encontra nos ministérios e no Palácio do Planalto?
Na primeira audiência com a presidente Dilma, no dia 31 de janeiro, levao pelo então presidente de meu partido, senador Francisco Dorneles (RJ), ele me disse: você tem 15 minutos para falar com a presidente, aproveite bem. Eu disse à presidente que gostaria que dividíssemos o tempo em duas partes,  primeiro eu falaria da Palmas que eu enxergo daqui a 50 anos e depois um pouco da minha necessidade imediata. Quando ela ouviu que eu falava de um projeto de gestão e não de politicagem, ela se encantou e os 15 minutos viraram duas horas. O governador do Rio de Janeiro (Sérgio Cabral) ficou uma hora esperando enquanto o prefeito de Palmas era atendido. Falamos em logística, de Palmas como capital de uma região de fronteira que compreende o Sul do Maranhão, Sul do Piauí, To­can­tins e Oeste da Bahia (Mapitoba), de Palmas como um grande porto aéreo de carga internacional e de passageiros. Falamos da expansão do nosso aeroporto, da rede que a gente tem que fazer de acesso às cidade, aos mercados. Isso encantou a presidente. Na semana se­guin­te ela própria marcou agenda com seis ministros, já brifados so­bre o que tinham de falar com o pre­feito de Palmas, isso não foi a meu pedido. Foi uma surpresa quan­do voltei a Palmas, os ministérios ligando confirmando as metas que a presidente tinha pedido. Eu já tinha um excelente relacionamento com o ministro Agnaldo Ri­beiro, meu amigo antes de ser mi­nistro e antes de eu ser prefeito. Hoje é o poderoso ministro das Ci­da­des, onde mais tem recursos. Com a abertura do ministro, com a boa vontade da presidente e com o se­cretariado que temos facilitou a vida.

Um exemplo, há três semanas fomos ao Ministério da Cultura com o doutor Luís Teixeira, médico, mas também empresário e artista, compositor, poeta e escritor.  Nós chegamos ao ministério, ele abriu a pasta, 20 projetos maravilhosos encadernados bem feitos e bem propostos. O ministério parou, todos os secretários nacionais vieram participar e querendo cada um ter um pedacinho em Palmas porque sabem que Palmas é o lugar. Então, por exemplo, assinamos a ordem de serviços do CEU (Centro de Arte e Esporte Unificado) na Morada do Sol 2, isso foi pedido no Ministério da Cultura. Me disseram que somos a menina dos olhos da ministra e que voltássemos a Palmas e fizéssemos o necessário para liberar essa obra. Viemos, organizamos, estruturamos empresa para fazer e lançamos essa obra e certamente a ministra estará na inauguração. Há três semanas o deputado César Hallum (PSD) marcou audiência com o ministro Marcelo Crivella e levou o secretário Roberto Sahium. Ao ver o conhecimento que ele tem de piscicultura, de agricultura, de pecuária, o ministro parou o que estava fazendo e pediu para ele levar um projeto de piscicultura. Voltamos na quarta-feira, 9, com o ministro, o secretário Sahium falou, e o ministro mudou tudo que ia fazer, ia lançar o projeto em maio, veio para Palmas na sexta-feira, 11, e já lançou o projeto, quem fez a exposição foi o secretário Sahium. Quando eu levo a Brasília o secretário Luís Massaro Haiakawa é a mesma coisa. Dessa maneira é fácil, estamos muito bem posicionados no ministério não só pela abertura política com a presidente, mas principalmente pela capacidade técnica do nosso secretariado.

Como o sr. consegue motivar pessoas e organizar equipes na gestão pública com critérios da iniciativa privada?
Isso se deve a duas coisas: primeiro, à falta de compromissos políticos na nossa eleição. Ficou claro mesmo para avaliar os mais próximos, que o secretariado era uma incumbência exclusiva do prefeito. Eu posso ouvir nomes, sugestões, mas quem decide sou eu, baseado em quesitos meramente técnicos. Segundo, conseguimos convencer muitas pessoas que estão numa fase da vida de superação econômica, de estabilidade financeira, social, profissional conseguimos convencê-las do projeto Palmas, quando elas veem as potencialidades da cidade e a boa fé dessa gestão, vamos ter uma série de empresários que largaram a sua vida para participar desse projeto. Temos figuras que, com certeza, seria impensável tê-las em Palmas se não fosse essa conjunção de fatores. Por exemplo, Luís Massaro, que veio de Curitiba e é presidente do Instituto de Planejamento Urbano de Palmas; o ex-ministro Borges da Silveira, que assumiu a pasta da Ciência e Tecnologia; o Dr. Luís Teixeira,  um dos médicos mais conceituados da cidade, que deixou a sua atividade para ser presidente da Fundação Cultural; o Cristiano, que deixou também seus afazeres como advogado de sucesso e como homem de turismo para assumir a Agência; o Marcílio Ávila, que deixou suas empresas para cuidar da infraestrutura da cidade. E por aí vai, não estou falando só neles, todo o secretariado tem um preparo muito acima do que eu imaginava possível no setor público. Isso me dá tranquilidade na execução de bons projetos.

O sr. anuncia um pacote de obras valor de R$ 56 milhões. Qual o impacto dessas obras na melhoria urbana da cidade?
Não foram R$ 56 milhões, foram R$ 112 milhões. Tudo que tinha para Palmas lá a gente liberou. R$ 69 milhões era uma emenda do senador Vicentinho Alves (PR) para construção da NS15, a avenida que vai passar por trás da UFT, passa no setor Santo Amaro e termina na TO-050. Mais de R$ 50 milhões para pavimentações de quadras. Se tivesse mais projetos lá dentro a gente liberava tudo, a ordem da presidente foi: libere tudo o que tem de Palmas. Infelizmente só tinha isso. Mas a gente agora vai liberar mais. Não adianta ter o recurso se não for aplicado. Palmas foi campeã na obtenção de recursos no PAC I e deve ter sido a número 1 nacional de perder e devolver recursos. Temos seriedade nos projetos, eu não aceito empresa de pastinha ganhando obra em Palmas, nessa cidade empresa de pastinha não tem vez. Aditamento de contrato não existe porque quem se comprometer a fazer uma obra vai fazer a obra, a menos que haja uma explosão nuclear nessa cidade eu não adito essa obra com mais dinheiro público de maneira alguma. Se alguém me pedir dinheiro vai explicar no Ministério Público porque eu vou denunciar. Dando e passando credibilidade ao mercado nós trazemos melhores parceiros, conseguimos pagar todos os compromissos em dia e certamente vamos conseguir fazer com que nossas obras efetivamente aconteçam e teremos uma sequência de inaugurações.

O sr. foi eleito com um compromisso de inovação e mudança. O que o sr. está colocando é uma continuidade de muitas ações que já vinham sendo feitas. Onde entra a marca Amastha, a inovação?
O maior legado dessa administração será o planejamento. Por exemplo, não vou deixar de terminar o Parque do Povo porque foi a prefeita Nilmar Ruiz que começou. O dinheiro que está aplicado não é da Nilmar, nem do Eduardo Si­queira Campos, nem do Odir Ro­cha, nem do Raul Filho, o di­nheiro é do povo dessa cidade e merece respeito. Quando falo de planejamento é exatamente a mesma coisa e eu aprendi isso 30 anos atrás em Curitiba. Mudou gestor, mudou executivo mil vezes, mas o Instituto de Planejamento Urbano de Cu­ritiba é uma conquista da sociedade curitibana não dos políticos curitibanos. O Instituto de Planejamento Urbano de Palmas será a mesma coisa, uma referência sem interferência política.

A mobilidade é um assunto que hoje domina a preocupação de administradores de todo o mundo. Palmas é privilegiada por ter muito verde, muito espaço, mas não tem obras de infraestrutura que facilitem a mobilidade das pessoas. Que preocupação a sua administração tem, o que já está em planejamento, sobretudo, as ciclovias que permanecem como promessas?
Prioridade número 1. Hoje (se­gunda-feira, 15) assinei o pedido de reconsideração ao Ministério das Cidades para que Palmas seja incluída extemporaneamente no projeto de mobilidade urbana de grandes cidades. Palmas na administração passada perdeu a oportunidade de se registrar nesse programa com a desculpa de termos menos de 250 mil habitantes e não poderíamos acessar esse recurso. A presidente Dilma me disse que houve um erro tremendo de interpretação por parte da administração pública municipal, porque Palmas poderia não entrar como grande cidade, mas ela tinha o direito de entrar como Capital de um Estado. O ministro me disse a mesma coisa, mas é preciso o devido processo. Hoje nós encaminhamos esse pedido para sermos inseridos em um recurso de R$ 250 milhões. Que faz isso? Faz o nosso corredor de transporte, na (Avenida) Teotônio (Segurado), depois antes do estádio (Nilton Santos) na NS10 a gente entra a esquerda, viramos a direita fazemos uma nova ponte no Taquaruçu e a gente cruza com esse corredor viário o coração dos Aurenys. Nós vamos fazer disso aqui uma cidade só, reurbanizaremos aquela região e estaremos valorizando muito a região Sul que foi esquecida durante esses 24 anos. Não posso dizer 100% de certeza, mas quem me mandou fazer isso foi a presidente. Depois o nosso Instituto de Planejamento vai apresentar esse projeto de mobilidade. Esses dias deu uma polêmica porque teríamos locado um prédio de propriedade do Toninho da Mira­ce­ma (proprietário da empresa Mi­ra­cema de transporte urbano de Palmas) para transferir várias secretarias. Teve apenas críticas, não quiseram ver que não existe outro edifício na cidade com essas condições, é o único bem construído e não foi na minha administração, tem alvará e tudo para funcionar. São nove andares para juntar várias secretarias, me traz uma economia imediata, mandei fazer avaliação na Câmara de Valores Imobiliários (CVI), que avaliou em R$ 137 mil, o proprietário queria R$ 110 mil, eu negociei com ele R$ 80 mil. A gente sai de uma realidade de R$ 200 mil de aluguel para R$ 80 mil, vai lá ver esse prédio e compare-o com a Câmara de Vereadores de Palmas, que paga R$ 75 mil, que não representa 20% do que a gente locou por R$ 80 mil num prédio de altíssima qualidade, com todos os requisitos, com ar-condicionado, tudo instalado. Aí alguém questiona que o prédio é do Toninho da Miracema, eu quero lá saber de quem é o prédio? Estou procurando economizar e dar agilidade a administração pública municipal e trazendo um bom serviço. Não estou vendo qual é a grande vantagem que ele está tirando nessa negociação ou alguém imaginar que isso tem a ver com o serviço de transporte público. Eu não sou inimigo do Toninho da Miracema, nunca fui, ele é empresário, eu fui empresário, a culpa nunca é do porquinho, a culpa é de quem alimenta. A responsabilidade pelo péssimo serviço de transporte público que nós temos na cidade não é da Miracema, é do poder público municipal, a quem cabia colocar as diretrizes, fiscalizar, exigir esse bom serviço. E isso não vai mudar nem um pouco porque o Toninho alugou o prédio para prefeitura, muito pelo contrário. Tem gente que questiona se esse dinheiro não seria bom para construir um novo Paço Municipal, mas vamos construir um novo Paço Municipal suntuoso, do tamanho que Palmas precisa. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nós próximos quatro anos eu tenho que estar bem instalado e com economia e provavelmente essa economia que eu estou gerando de aluguel seja a que vai financiar a construção desse novo Paço Municipal. A gente não comprou o prédio nem alugamos por 20 anos, alugamos por um período curto, enquanto se constrói esse novo Paço Municipal. Está na hora das pessoas perceberem que mudou. A gestão dessa cidade agora é um projeto de gestão pública sério, comprometido, ético, responsável e com a mais absoluta legalidade e transparência.

E o que vai funcionar no Paço Mu­nicipal com a saída do gabinete?
Vai ficar praticamente toda a administração pública municipal em três endereços: lá naquele prédio novo, a Secretaria de Saúde, que ainda continua nesse prédio locado, o Paço Municipal e o edifício novo, que foi construído do Buriti, mal construído e agora temos que finalizar, já foi inaugurado como todas as obras eram inauguradas nessa cidade. No Paço Municipal vão funcionar três pastas, o gabinete do prefeito sai de lá e vamos dividi-lo em duas partes, este para receber durante a manhã empresários, secretários, discutir o planejamento da cidade entre outros, e lá no prédio (locado na JK) teremos que abrir um espaço para o despacho administrativo. Naquele prédio se concentra o maior número de secretariado, Educação, Plane­ja­mento, uma série de secretarias e o restante no Buriti. Nisso aí a gente consegue praticamente funcionar a administração pública municipal. Nos próximos meses iniciaremos a construção de outro prédio como aquele Buriti, para passar também a Saúde, o Arquivo.

O seu governo adotou a estratégia econômica de reduzir o tamanho da máquina e ampliar a receita. Como está essa equação?
Duas semanas atrás me entrevistaram perguntando o impacto que tinha a queda do repasse do Fundo de Participação dos Mu­nicípios (FPM) para o município de Palmas e a queda da arrecadação, eu disse: e graças a Deus eu estava certo, que eu estava pouco preocupado porque eu sabia de duas coisas, que Palmas tem um potencial muito grande de crescimento de arrecadação. Primeiro pelo compromisso da população, de dizer quero pagar meus impostos porque sei que estou pagando por uma administração séria e comprometida e meu dinheiro será bem utilizado. Se­gun­do, porque à medida que se vai aper­feiçoando os instrumentos, ob­viamente que quem não paga será pu­nido. Em Palmas se você não pa­gas­se não acontecia nada, os processos ficavam anos parados na Pro­­curadoria, no Judiciário e quando ia ser judicializado já tinha prescrito, então a pessoa não pagava. Eu garanto que todo mundo que não pagar este ano vai estar judicializado imediatamente, já acertamos com o Tribunal de Justiça, cuja presidente foi parceira na criação de uma vara específica para tratar dos assuntos do município de Palmas. Com isso a profissionalização da nos­sa Pro­curadoria, nossos processos vão andar. Veja que bom que aconteceu antecipando essa minha notícia, aliás, o que eu imaginava aconteceu. Até o dia 10 de abril que foi o vencimento paro o pagamento com desconto do IPTU nós conseguirmos aumentar 51% a arrecadação, quando o Brasil inteiro está fa­lando de queda a nossa arrecadação até o dia de vencimento com desconto aumentou 51% e a nossa re­ceita como um todo nos cem primeiros dias teve um aumento de quase 8%. Apesar do momento econômico do Estado e do Brasil, graças a Deus nós aumentando a arrecadação, na contramão do que está acontecendo com o Tocantins e com o Brasil.            

A Prefeitura de Palmas vai entrar na campanha do governo para Palmas ser subsede da Copa do Mundo?
Já é um fato, depende pouco do governo do Estado e do município de Palmas. Existe no Ministério do Esporte uma determinação da presidente Dilma que cada Estado tivesse no mínimo uma cidade subsede. Araguaína já foi descartada, ficou Palmas. Digo que é praticamente impossível que Palmas não seja uma subsede, o que não implica que alguma seleção venha. Temos estrutura mínima, precária, porque o estádio Nilton Santos está pedindo urgente obras. Na questão de segurança ele está interditado, tem que ser feito os corrimãos, tudo aquilo que é exigido, dar um banho de pintura, cuidar do entorno. O último evento que fizemos lá, o início do campeonato do Palmas, tivemos de roçar tudo em volta porque o Estado não fez o seu trabalho. O Pousada dos Girassóis II já foi cadastrado, já foi aceito como hotel para receber uma delegação. Aeroporto nós temos, temos tudo para receber, mas isso é outro trabalho. Então subsede eu tenho quase certeza que Palmas será, aí temos que fazer o trabalho conquistar uma seleção. O prefeito de Palmas é o parceiro número 1 para isso. Sonho em ver o Radamés Falcão em Palmas treinando com a seleção da Colômbia. Já estou movimentando nesse sentido. Essa semana em Brasília, com a embaixadora, deixei um ofício, falei em Colômbia com a ministra de Re­lações Exteriores e disse que o mí­nimo que eles têm que fazer é prestigiar o prefeito de Palmas, de origem colombiana, trazendo a seleção. É claro que se o governo federal conseguir trazer a Ar­gentina é muito melhor, eu deixo a Colômbia em outro lado, mas pelo menos a Colômbia eu vou trabalhar muito para trazer.

O sr. ao tomar posse declarou que não seria candidato ao governo do Estado em 2014, mas o partido o quer como candidato. Como avalia as declarações do presidente do PP, deputado Lázaro Botelho, de que o sr. é o melhor nome para disputar o governo em 2014? O sr. vai rever seu posicionamento?
É gentileza do deputado Lázaro porque eu tenho dito que ele é o melhor nome no nosso partido, ele é o nosso líder, o nosso deputado federal mais experiente e, sem dúvidas, o considero o melhor nome do nosso grupo. É muito prematuro discutir 2014, mas nós vamos nos esforçar para fazer uma excelente administração durante 2013 e no primeiro semestre de 2014, de maneira que o PP da capital seja determinante, seja o fator mais importante na eleição.

Pela experiência desses primeiros 100 dias já se pode dizer que o senhor tomou gosto pela política? Encontrou o seu lugar neste caos?
Amastha empresário, Amas­tha candidato e Amastha prefeito são o mesmo. Esses dias adorei o editorial de um jornal que fez essa análise. Falava que diziam que como empresário, quando entrasse na campanha, iria mudar, ou mudaria depois da eleição, ou mudaria ao escolher o secretariado, a partir de 1º de janeiro, depois do carnaval, e ficam sempre esperando essa mudança de atitude que não vai acontecer. Estou com 52 anos de vida, sou avô, muito estruturado como pessoa, como ser humano, muito maduro para mudar os meus conceitos e minhas posições ético-políticas. Se eu entrei na política por não suportar a maneira como se fazia política nessa cidade, nesse Estado, isso não mudou. Tenho certeza que assim como coloquei meu nome à disposição, a gente já está percebendo isso no Estado, vários empresários saindo das suas atribuições e colocando seus nomes à disposição. Quando digo isso não são só em­presários, tem profissional liberal, é a sociedade organizada. Não podemos de maneira alguma concordar que só tem coisa ruim na política. Temos que dizer que a política é para todos nós, porque a cidade é nossa, o Estado é nosso. Nós temos que construir coisa melhor e construir coisa melhor significa colocar nossas aptidões a serviço desse projeto. Então eu não abro mão disso, eu estou muito satisfeito porque todo mundo me dizia que era diferente, que não dava para fazer, que é muito difícil, que é complicado. Efetivamente, isso aqui dá muito trabalho, mas dá muita satisfação, porque cada pequena coisa, cada sorriso no rosto de uma criança quando entra no parquinho, de uma mãe quando é bem atendida no posto de saúde, numa escola, o beijo, o abraço de uma criança, tudo isso que eu estou recebendo em troca, a dedicação vale a pena. Afinal esse foi o propósito dessa candidatura e será o propósito desse mandato durante estes quatro anos.