34 anos
Finanças estaduais
Siqueira “esquece” 2011 ao prestar contas do Estado
Koró Rocha
Secretário-chefe da Casa Civil, Renan de Arimatéia Pereira, e o deputado Eli Borges: na mensagem
do governo aos deputados a reclamação de uma crise herdada, como se não tivesse passado um ano

Deputados de oposição questionam mensagem do governo que traça um quadro de crise do Estado e atribui ao governo passado desorganização das finanças públicas estaduais. A mensagem dirigida aos deputados foi lida pelo secretário-chefe da Casa Civil, Renan de Arimatéia Pereira, na quarta-feira, 1º, na primeira sessão legislativa de 2012.   

Na mensagem, parece que o governador Siqueira Campos parece ter se esquecido que já se passaram 12 meses desde que ele recebeu o governao. Siqueira destaca que recebeu o Estado em “situação caótica”, o que provocou, em um primeiro momento, uma completa desorganização das finanças públicas estaduais, com uma dívida a pagar de R$ 662 milhões: Na mensagem lida no plenário da Assembleia Le­gislativa o governo inicia o documento como se fosse o primeiro dia do governo. “Exponho a situação do Es­tado tal como encontrada em 01.01.2011,” diz o documento, como se esse dado tivesse alguma relevância no contexto de balanço do governo atual. Insistir neste tipo de desculpa é levantar a bola do adversário.

Segundo a mensagem, o valor em atraso comprometeu o desenvolvimento do Estado com a paralisação de obras e dificuldades em cumprir compromissos com instituições financeiras. O governador ainda aponta problemas na estrutura organizacional do Estado que se apoiava no quadro de servidores inadequado e superestimado. O resultado, segundo o documento, refletiu em um quadro de dificuldades nas finanças públicas, comprometeu as despesas com investimentos que, em 2011, não passaram de 8,25%, quando em outras épocas chegou a alcançar cerca de 40% da receita corrente líquida.

O governador foi severo em traçar o quadro de dificuldade do Estado, mas foi tímido na prestação de contas de realizações de 2011. Na área de infraestrutura, além da conclusão de obras já iniciadas no governo anterior a única obra que conseguiu realizar durante todo o ano foi a recuperação de 1.210 quilômetros de rodovias. Ainda houve um investimento de R$ 210 milhões em nove trechos de rodovias que estão sendo pavimentadas, mas que ainda estão longe de serem concluídas.

O deputado Eli Borges (PMDB) observa que o go­verno depois de um ano de mandato ainda insiste na te­se de culpar o antecessor pe­lo seu fracasso administrativo. O deputado peemedebista diz que além da incompetência o governo tem outro traço marcante, a sonegação das conquistas dos servidores públicos. Já o deputado Sargento Aragão (PPS) diz que o governo Siqueira Campos segue a receita privatista do PSDB,  que nem sempre é o melhor caminho para melhorar a qualidades dos serviços oferecidos a sociedade.

Sobre as metas para os próximos anos, o governador anuncia que as medidas de ajuste vão continuar, po­rém em menor intensidade. “O trabalho agora se orientará para a diretriz de avanço na implementação das áreas industriais ao redor dos Pátios Mul­timodais da Fer­rovia Norte-Sul, dotando-as de infraestrutura ne­cessário ao seu pleno funcionamento.”

Raul terá de atacar de bombeiro quando voltar do descanso

Quando o prefeito de Palmas, Raul Filho, retornar da sua viagem de descanso nos EUA, terá que agir rápido para contornar a insatisfação de líderes da base que não reconhecem a deputada Luana Ribeiro (PR) como pré-candidata da base e ameaçam romper com o grupo se a filha do senador João Ribeiro for escolhida candidata. Pode ser o início da terceira via que já vem sendo ocupada pelo empresário Carlos Amastha (PP). Os partidos mais a esquerda são os mais insatisfeitos.

À espera de um novo líder

O governo ainda não indicou o novo líder na Assembleia Legislativa. O deputado José Bonifácio (PR), que manifestou interesse em entregar o cargo, continua respondendo formalmente pela liderança. Ele é o segundo a exercer a função que começou com o deputado Freire Júnior (PSDB). Ambos se desgastaram porque em alguns momentos mais criticaram do que defenderam o governo.

Novos atores entram em campo em Gurupi

Em Gurupi, o industrial João Stival, do PSDB, entra em campo escalado pelo Palácio Araguaia para tentar mudar um pouco o contexto da disputa política local que nas duas últimas décadas sempre girou em torno do mito João Cruz e que mesmo depois de morto ainda domina a cena política do município. Stival deve enfrentar adversários de peso como o deputado federal Laurez Moreira, do PSB, a novidade do momento, e a ex-primeira-dama Goiaciara Cruz, do PR, legítima representante do joãocruzismo. Vai ser uma disputa federal que deve polarizar entre Moreira e Stival e espera-se que qualquer um que vencer tire o município do marasmo em que se encontra.

Irmão de Raul  disputa em Araguaçu

Depois de três mandatos consecutivos como vereador, Ary Lima (PT) avalia que chegou a hora de lutar para ser prefeito. O histórico da família o favorece. Raul Lustosa (pai), Raul Filho (irmão) e Leonardo Lustosa (irmão) foram prefeitos da cidade. Ary garante que conta com apoio de peso nesta disputa, do irmão Raul Filho e da cunhada Solange Duailibe.

Crise do governo com aumento da receita

O deputado Stalin Bucar (PR) aponta que há certo exagero do governo em sustentar que o Tocantins vive uma crise em função dos desmandos do governo anterior. “A tão propalada crise do governo não combina com aumento de receita,” observa, lembrando que aumento da receita não tem nenhum paralelo com crise.

Entre Aspas


“Governo insiste na tese de culpar o antecessor por seu fracasso.”

Presidente em exercício da Assembleia Legislativa, Eli Borges (PMDB), sobre mensagem do governo na abertura
dos trabalhos do Parlamento.


Disputa de vaidades

O vereador de Palmas Bismarque do Movimento (PT) afirma que o deputado Marcelo Lelis (PV) terá um profundo desgaste quando for escolhido candidato do governador Siqueira Campos (PSDB), como aconteceu em 2008. O vereador lembra que o aspecto do novo e da independência que o deputado diz representar não combina com a prática política conservadora do governador. Será uma briga de vaidades, aponta.

Deputado questiona decisão de secretário

O deputado Wanderlei Barbosa (PSB) está intrigado com a decisão do secretário de Educação do Estado, Danilo de Melo, de fechar uma escola de ensino médio no distrito de Buritirana, Palmas, que ele considera um equívoco. “E agora onde os estudantes do distrito vão estudar?”, questiona o parlamentar. Barbosa explica que foi informado que os alunos se quiserem estudar terão que se descolar para uma escola da zona rural. Barbosa classifica a decisão de retrocesso.

Oposição cobra resultado do governo

Em seu primeiro pronunciamento do ano a deputada Josi Nunes (PMDB) declarou que a bancada de oposição está disposta a colaborar em tudo que for de interesse para o Tocantins. “Nossa bancada vai buscar sempre o diálogo evai estar atenta às iniciativas do Executivo.”