34 anos
Stival e Laurez prometem polarizar a disputa
Os dois pré-candidatos têm história e prestígio político em Gurupi para concorrer à prefeitura e vencer, mas dependem de entendimentos com os grandes partidos locais

Ruy Bucar

A lista de pretensos candidatos a prefeito de Gurupi é extensa e está longe de uma conformação final. Mas neste momento quatro nomes aparecem com grande chance de protagonizar uma das mais disputadas eleições da mais importante cidade da região Sul.

O industrial João Stival, do PSDB, e o deputado federal Laurez Moreira, do PSB, são as grandes novidades no momento. Stival chega com a pretensão de ser o nome escalado pelo Palácio Araguaia para tentar barrar o crescimento da oposição, que é visível e que tem como principal causa o fiasco do governo A­le­xande Abdala.

O deputado Laurez Moreira é outro nome importante neste processo que chega cercado de enorme expectativa de unir a oposição e se firmar como o elemento novo capaz de vencer a máquina do governo e devolver a Gurupi a importância que a cidade já ocupou no cenário estadual. O deputado tem consciência da importância do momento para o seu projeto. Evita fazer um discurso contrário ao governo para não estadualizar uma disputa que mesmo tendo repercussão no cenário estadual, tem motivação local.

Os dois pré-candidatos têm história, trabalho prestado à cidade e prestígio político para disputar as eleições com chances reais de vencer. Mas para se viabilizarem como candidatos terão que demonstrar capacidade de articulação política para costurar coligações que sejam efetivamente competitivas. A candidatura dos dois, cada um ao seu modo, passa por entendimentos com os grandes partidos locais que podem optar não por eles, mas duas mulheres, a deputada Josi Nunes, do PMDB, e a ex-primeira-dama Goiaciara Cruz, do PR, que são nomes também fortes para polarizar a disputa. As duas são herdeiras de enorme patrimônio político deixado por Jacinto Nunes e João Cruz, respectivamente.

João Stival e Laurez Moreira estão entrando na disputa agora e não tem nenhuma garantia que serão candidatos com a estrutura que desejam. É possível que em vez de polarização entre governo e oposição, Gurupi terá uma disputa equilibrada entre estas quatro grandes forças da política local. Todos têm as mesmas chances. Com o fracasso do governo Alexandre Abdala (PR) a oposição leva vantagem. Laurez reconhece a força da peemedebista Josi e trabalha com a possibilidade de compor com a deputada, que seria indicada vice.

João Stival tem maiores dificuldades de compor com Goiaciara Cruz, que tem projeto próprio mas tem declarado que não é candidata. Se não conseguir, não deixa de ser um candidato forte. Antes, porém, terá que provar que é o candidato do Palácio Araguaia, como tem declarado. Não basta ser do partido do governador, terá que mostrar que Siqueira Campos tem interesse na sua eleição e tudo fará para elegê-lo, do contrário outros nomes também tirarão proveito dessa estratégia de dizer que é o candidato do governador. Lembremos que a própria ex-primeira-dama Goiacira Cruz é da base do governo, bem como o ex-vereador Sérgio Vieira Soró, do PSDB, que também é do partido do governador.

Uma verdade incômoda que precisa ser dita. Nenhum outro município tocantinense tem pago um preço tão alto pela sua fidelidade a um líder político quanto Gurupi, de João Cruz. A cidade mesmo depois da sua morte, em 2007, continuou joãocruzista como nunca. Talvez até mais. Como explicar o fenômeno eleitoral em que se transformou o médico Alexandre Abdala, o obscuro vice-prefeito que herdou o mandato e o prestígio político de João Cruz, se não a gratidão do povo ao seu líder?

O problema é que o governo Alexandre Abdala foi um fiasco. E ajudou a atrasar o desenvolvimento da cidade mais importante da região. Gurupi é a terceira maior cidade do Estado, também o terceiro maior colégio eleitoral. Já foi a primeira cidade em arrecadação, hoje está correndo o risco de pular para a quarta posição. Os moradores avaliam que a cidade estagnou, ou vem crescendo menos do que poderia. E atribuem esse descompasso a ineficiência do poder público, que não tem conseguido atender as prioridades básicas do município. Choque de gestão, este talvez seja o sentimento predominante dos gurupienses em relação às eleições de 2012. Quem conseguir aglutinar mais apoio, conquista a vitória.