34 anos
Em Paraíso, disputa será entre Moisés Avelino e Paulo Tavares
A lista de pré-candidatos a prefeito de Paraíso do Tocantins continua ganhando novos nomes, mas ninguém até agora parece capaz de mudar a tendência de polarização entre o prefeito Paulo Tavares e o ex-governador Moisés Avelino
Jornal Opção
Ex-governador Moisés Avelino (PMDB): nome forte para a disputa eleitoral em Paraíso na eleição de outubro

Ruy Bucar

A disposição do ex-go­vernador Moisés Ave­lino, do PMDB, de voltar a disputar as eleições de sua cidade, por onde iniciou a carreira política vitoriosa que o levaria ao Palácio Araguaia, é acima de tudo uma demonstração de grandeza política que pouco se vê. Sua atitude o coloca entre os grandes líderes no nível do goiano Iris Rezende, que depois de duas derrotas consecutivas para o governo do Estado e para o Senado, resolveu recomeçar de baixo, pela Prefeitura de Goiânia. Iris venceu as eleições e fez um governo competente que o deixou novamente como grande destaque da política goiana.

Em 30 anos de vida pública Moisés Avelino acumula experiência e prestígio político que lhe dá o direito de disputar qualquer cargo eletivo que desejar no Estado. Foi prefeito, governador e deputado federal por dois mandatos e se mantém como um dos homens mais íntegros da política do Tocantins, uma reserva moral, que embora derrotado para a Câmara dos Deputados mantém a coerência. Já poderia ter sido prefeito da Capital, por exemplo, pois tem trabalho prestado na implantação de Palmas, onde sempre foi bem votado. Portanto tem o direito legítimo de querer ser candidato e mais ainda de acreditar que possa contribuir mais uma vez com a sua cidade.

Não se pode descartar que, eleito prefeito de Paraíso, diante de resultado favorável de sua gestão, Avelino não seja tentado novamente a ser candidato a governador. É um direito que lhe assiste. Seus adversários o acusam de usar Paraíso como trampolim para recomeçar a carreira política. Dão como certa a sua saída para disputar outros cargos. O que não é um demérito, mas um elogio. A possibilidade de deixar Paraíso para disputar um cargo eletivo em nível estadual é sinal de prestígio e não o contrário.

Mas até chegar ao Paço Municipal Avelino terá um longo caminho a percorrer. Primeiro, vencer os céticos que acham que ele não deveria deixar uma carreira estadual para disputar um cargo local. Consideram uma regressão na sua carreira. Depois, vencer as resistências internas do PMDB. Por mais que o partido esteja unido, há sempre os insatisfeitos que podem discordar da escolha. No PMDB e em Paraíso há os que adoram Moisés Avelino e os que o detestam. 

Desbancar o prefeito Paulo Tavares, do PR, talvez seja a tarefa mais difícil. O contador chegou ao Paço Municipal como um dos maiores fenômenos eleitorais do Estado e pode sair como um monumental fracasso administrativo. Mesmo assim, inexplicavelmente, ainda tem força. Com a máquina administrativa nas mãos o prefeito resiste ao desgaste de uma gestão pouco operosa e que deixa a desejar. Mas se mantém. Na incapacidade de realizar muito o prefeito pode se sair como vítima do sistema e provocar a compaixão dos moradores. Tem dado certo.

Avelino aproveita o fato de ter apoiado a eleição do governador Siqueira Campos (PSDB) e ter sido fundamental para ampliar a sua base de apoio. O ex-governador garante que mantém conversações com o DEM do deputado Osires Damaso e com o PTB do deputado José Gerado. As lideranças locais destes partidos não querem nem ouvir falar disso, mas a verdade é que o ex-governador tem condições políticas para costurar uma aliança forte e competitiva com condições reais de vencer as eleições.

Ter apoio é importante. A força do conjunto diz muito numa eleição. Neste quesito Avelino leva enorme vantagem. Ele poderá ter em seu palanque o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) e se quiser pode até impedir que o governador Siqueira Campos suba no palanque do adversário. Paraíso é uma das cidades que o governador fará questão de não tomar partido, por causa do apoio que teve nas eleições. É bom lembrar que Avelino sacrificou uma eleição certa para a Câmara Federal pela sua coerência que beneficiou Siqueira. 

A polarização entre os dois principais candidatos é algo previsível de acontecer no final do processo. Até lá muita coisa pode acontecer. No momento se verifica um congestionamento de pré-candidatos em busca da indicação dos seus partidos. São quase 20 nomes que se lançaram ao longo do processo e que agora entram num processo de afunilamento das pré-candidaturas.

Lista extensa

A lista de pré-candidatos é extensa. Figuram nela o empresário Roberto Bandeira, do PMDB; o ex-vereador Adriano Moraes, do PTB; o presidente da Câmara, Virgílio Azevedo, do PTB; o vereador Joaquim Júnior, do PSD; o agropecuarista Anísio Braga, do PSDC; o médico Cleber Mota, do PT; o suplente de deputado Ivan Vaqueiro, do PT; e o ex-prefeito Hider Alencar, do PT, dente ou­tros que disputam a indicação dos seus partidos.

Os deputados José Geraldo e Osires Damaso, que na eleição passada formaram chapa, desta vez parecem distante do processo. José Geraldo já anunciou que está fora da disputa e que o partido terá candidato próprio. Osires mantém silêncio sobre a disputa, mas faz um trabalha intenso, seguramente pensando nas eleições.

A polarização é uma tendência quase inevitável, mas costuma produzir fenômenos eleitorais que surgem imperceptíveis em meio à disputa dos grandes e pode surpreender. Paulo Tavares surgiu assim. Era o último colocado nas pesquisas entre quatro candidatos e venceu a disputa favorecido pela polarização entre as duas grandes forças políticas que ao longo dos anos dominam a cena política local. Este fenômeno pode se repetir, mas não da mesma forma que foi em 2008.
 
O que a cidade mais espera é um candidato à altura dos seus grandes desafios. A disputa que promete ser acirrada às vezes é ignorada pelo eleitor. Quem me­lhor se apresentar ao eleitorado, com condições de atender os anseios da sociedade, tem chance de vencer o pleito.

Paraíso é a quinta maior cidade do Estado, tem vocação para polo atacadista em função da sua localização estratégica, na margem da BR-153 (Belém-Brasília), a 60 quilômetros de Palmas, mas tem deficiências de infraestrutura com a malha viária velha e esburacada, e serviços públicos como saúde e educação que não atendem a realidade do município.

A cidade é progressista e tem um comércio forte. Mas tem problemas, sobretudo na esfera pública que os líderes locais chamam de crise de gestão. Há descompasso entre a pujança da iniciativa privada e a inoperância da administração pública.

É neste contexto que vai se travar a grande disputar por um a­manhã melhor. Quem tiver capacidade de mostrar isso, ven­ce as eleições. Independe da ori­gem e do poder político que tenha. Já vimos isso na eleição passada. Não é difícil o fenômeno se repetir.