34 anos
Safra de Grãos
Seca no Sul pode favorecer Goiás
Estimativa da Conab é que a colheita de grãos no País no ciclo 2011-2012 tenha quebra de 2,8% em relação ao ciclo anterior, mesmo com a área plantada tendo aumentado 1,5%
Colheita de soja em Goiás está em curso: como as outras ulturas, a soja vem perdendo terreno para a cana-de-açúcar

Cezar Santos

A safra brasileira de grãos 2011-2012 deve ser de 158,5 milhões de toneladas, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número é 2,8% menor que a safra anterior, de 162,95 milhões de toneladas. Os números indicam que houve quebra de produtividade, por­que a área plantada, de 50,6 milhões de hectares, segundo o quarto levantamento de safra realizado pela Conab — órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (ver tabelas com resumo) — foi 1,5% maior em relação ao período anterior. A quebra na safra se deve principalmente aos problemas climáticos no Sul, notadamente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já em Goiás, a produção deverá ser de 16,1 milhões de toneladas, o que também significa uma quebra em relação ao ano passado. Dependendo da fonte, essa quebra pode variar de 0,1% a 1%. Já a área plantada foi de 2% a mais, com 4,25 milhões de hectares.

O fechamento dos números ocorre apenas no fim da safra, por volta de setembro, porém mensalmente há levantamentos da Conab e do Instituto Brasileiro de Ge­o­grafia e Estatística (IBGE), que são boas referências. O quarto lev­antamento da Conab e a confirmação da estimativa depende de fatores de produção que interferem na produtividade durante todo o ciclo. Os dados serão consolidados à medida que estes fatores perderem a interferência.

Milho e soja, as culturas mais representativas, somam 83% de toda a safra, com uma produção de 130,962 milhões de toneladas. O milho pode crescer 2,9%, considerando apenas a participação do de primeira safra. O de segunda sa­fra terá definida a situação a partir deste mês. A área plantada deve ficar em torno de 50,447 milhões de hectares, com crescimento de 1,1%, o que representa 528,2 mil he­ctares a mais do que a safra anterior, que alcançou 49,919 mi­lhões de hectares. O milho primeira safra e a soja são as culturas que de­vem contribuir para esse resultado, com um aumento de 9,1% e 1,9%, respectivamente.

O arroz deve perder 267,3 mil he­ctares em relação ao cultivo anterior, quando chegou a 2,820 mi­lhões de hectares. A queda mais acentuada ocorre no Rio Grande do Sul, que deixa de cultivar 118,6 mil hectares. O feijão primeira safra tam­bém apresentou redução. Em relação ao cultivo anterior de 1,420 milhão de hectares, houve uma queda de 147,9 mil hectares. O Paraná, maior produtor nacional, deixou de cultivar 93,5 mil hectares. Na safra anterior, semeou 344,1 mil hectares.

Na região Nordeste, o quarto levantamento considerou apenas o oeste da Bahia, o sul do Maranhão e do Piauí. E, para a região Norte, foram considerados somente os Estados do Tocantins e de Ron­dô­nia. Para as  demais regiões, foram mantidas as áreas da safra anterior, uma vez que o plantio só começa este mês.

A pesquisa foi realizada por 60 técnicos, entre os dias 15 e 19 de dezembro, depois de ouvidos representantes de órgãos públicos e privados ligados à produção agrícola em todos os estados produtores.

A (relativa) boa notícia é que essa pequena diminuição na colheita nacional, se se confirmar, pode fa­vorecer os produtores goianos. O presidente da Federação da Agri­cul­tura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, lembra que a quebra nacional, de certa forma fortalece os mercados. “As bolsas internacionais, de Chicago e de Nova York, por exemplo, atuam de acordo com a seca que está acontecendo no Sul do Brasil e na Ar­gentina. Então, indiretamente, a produção goiana é beneficiada, uma vez que haverá uma menor o­ferta de grãos no mundo. Mas o mercado internacional já absorveu to­dos esses fatores, esses prejuízos estão todos precificados lá.”

José Mário comenta sobre os pro­blemas que afetaram a produção goiana, lembrando que a área de soja caiu 1%, o que dá uma pers­pectiva de queda de produção de 5%. “O algodão caiu 13% a área e previsão de queda é de 14% na produção. Feijão caiu um pouco também.”

O presidente da Faeg diz que a queda de produção em Goiás deve ser em torno de 0,4% a 1%, talvez nem isso, em relação ao ciclo anterior. Segundo ele, a queda de produtividade e de produção da soja se deve a alguns gargalos que os produtores enfrentaram no início do ciclo, com estiagem em algumas regiões. O problema de seca foi mais agudo em Jataí. “O pessoal plan­tou e faltou chuva. Prova­velmente, essa soja, que começa a ser colhida agora, será prejudicada, já que algumas lavouras não se desenvolveram tão bem e alguns poucos produtores fizeram replantio. Isso prejudica. Por isso cai 1% a área e 5% a produção.”

Arroz

José Mário informa que foram plantados cerca de 68 mil hectares com arroz, queda de cerca de 3% em relação ao ano passado, e quebra de 6% na produção. “Mas o arroz tem perdido espaço nos últimos anos. Precisamos tentar reinserir o arroz na pauta, principalmente nas terras altas. Se o produtor conseguir tirar a soja bem cedo em janeiro, ele consegue jogar o arroz, é uma das teorias. Mas o mercado de arroz está muito desestimulado, o Brasil colheu uma supersafra no ano passado, sobrou o produto no mercado. Os produtores no Rio Grande do Sul venderam arroz a qualquer preço.”

E qual foi o grande problema em Goiás nesta safra? O presidente da Faeg diz que as áreas dessas culturas foram ocupadas com a cana-de-açúcar, que gradativamente vai tomando espaço. “Isso não é ruim, mas também não é tão bom. Nós teríamos que estar ampliando as áreas de cultivo para todas as culturas, não deixando que a cana ocupe espaço de outras plantações.”

O dirigente classista aproveita para voltar a bater numa tecla: o pro­blema da falta de políticas pú­bli­­cas, com seguro rural mais adequado. “Essa quebra no Sul poderia ser atenuada se existisse no Brasil uma política adequada. Isso daria fôlego até para que outras áreas pudessem ser incorporadas à cultura da soja. No Sul, no Rio Gran­de do Sul, Santa Catarina e Pa­­raná, é um deus-nos-acuda, o pessoal está apavorado, não tem seguro rural. É o que temos falado, a política agrícola do governo federal se alicerça em cima de apenas um item, o crédito. Não tem seguro, não tem garantia de sustentação de preços na colheita, o que deixa o produtor muito vulnerável.” 

A seca no Sul realmente é a grande causa da quebra na safra nacional, que vinha acumulando recordes nos últimos anos. A safra de soja  no Paraná é prevista em 12,7 milhões de toneladas ante as 14,2 milhões previstas anteriormente. Para o milho, a quebra fará com que a produção saia de 7,4 milhões para 6,4 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul, terceiro produtor de soja do Brasil, produzirá 8,7 milhões de toneladas da oleaginosa, contra 9,8 milhões da previsão divulgada pela Conab há cerca de dez dias e ante 10,3 milhões de toneladas previstas inicialmente. No caso do milho, a produção cairá para 3,3 milhões de toneladas, ante 3,96 milhões de dez dias atrás e contra um potencial produtivo de 5,3 milhões de toneladas.

Há cerca de uma semana, as regiões produtoras de grãos mais prejudicadas pela estiagem no Sul registraram chuvas, o que pode interromper as perdas na produção. Dirigentes de órgãos dos governos gaúcho e paranaense manifestou pela imprensa a esperança de que as chuvas ajudem ma­is as lavouras de soja. Já no caso das lavouras de milho, cujo plantio aconteceu primeiro, a probabilidade de recuperação é menor.

Em relação à comercialização, José Mário faz uma observação importante, lembrando que hoje o mercado está mais situado no tamanho da crise da União Europeia, no crescimento da China. “Mas uma situação interessante é que o Brasil e a Argentina passam a ser os maiores exportadores de soja do mundo.”

Acompanhamento da safra brasileira 2011/12 – Conab - (resumo)

Quarto levantamento, realizado no período de 15 a 21 de dezembro de 2011nos Estados da região Centro-Sul, oeste da Bahia, sul do Maranhão, sul do Piauí, Rondônia e Tocantins.

Estimativa de área plantada (50,66 milhões de hectares)
 A área cultivada com grãos (algodão, amendoim, arroz, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo, aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale), estimada em 50,66 milhões de hectares, é 1,5% superior à cultivada na safra 2010/11. Em termos absolutos, corresponde a uma expansão de 742,3 mil hectares.

Neste levantamento, dentre as principais culturas de verão primeira safra, o milho e a soja apresentam acréscimos na área de cultivo, enquanto que as de arroz e feijão apresentam decréscimos, confirmando as expectativas dos levantamentos anteriores. O algodão que apresentava redução na área de plantio passou a apresentar crescimento de 0,4%. Em termos porcentuais, o milho apresenta o maior acréscimo (9,1%) representando um adicional de 718,1 mil hectares, totalizando uma área recorde de plantio de 8,63 milhões de hectares. A segunda cultura em destaque é a de soja, com ganho de 453,7 mil hectares, 1,9% superior à safra passada, motivada pela boa rentabilidade e pelos preços atrativos.

As culturas de arroz e feijão apresentam redução na área. O feijão em função das dificuldades na comercialização e aos preços deprimidos e o arroz pela diminuição de água nos mananciais.

Estimativa de produção (158,45 milhões de toneladas)
A produção estimada é de 158,45 milhões de toneladas, 2,8 % inferior à obtida na safra 2010/11, quando atingiu 162,96 milhões de toneladas. Esse resultado representa uma redução de 4,51 milhões de toneladas. A maior redução é observada na soja (3,57 milhões de toneladas), e no arroz (2,15 milhões de toneladas). Para o milho primeira safra a previsão indica crescimento de 5,6%, equivalente a 2,0 milhões de toneladas.

Ressalte-se que no mês de dezembro/11, as condições climáticas não foram favoráveis principalmente as de milho e de soja, sobretudo nos estados da região Sul, parte da Sudeste e no Sudoeste de Mato Grosso do Sul. A gravidade climática afeta principalmente as lavouras de milho no Rio Grande do Sul uma vez que se encontram predominantemente nas fases críticas de floração e frutificação. A soja, em sua maioria se encontra na fase final de desenvolvimento vegetativo, já causa preocupação, pois para as fases seguintes, floração e frutificação, a normalidade climática é fundamental.

Os reflexos decorrentes desta situação serão apurados no levantamento de campo pelos técnicos da Companhia programado para a segunda quinzena de janeiro.

Principais culturas

Soja
A área plantada com soja em 2011/12 estimada em 24,63 milhões de toneladas é 1,9%, ou 453,7 mil hectares a mais à cultivada na safra anterior.  Com a definição da área em praticamente todos os estados, faltando apenas no estado de Roraima, estado localizado no hemisfério norte, com o plantio realizado nos meses de abril e maio, estima-se uma produção de 71,75 milhões de toneladas. Este resultado é 4,7%, ou 3,57 milhões de to­nela­das inferiores a produ­ção da saf­ra anterior, quando foram colhidas 75,32 mi­lhões de toneladas.

O desenvolvimento das lavouras na região Centro-Sul vem passando por situações distintas. Na região Sul, especificamente no estado do Rio Grande do Sul, a partir de meados de novembro/11, as condições climáticas desfavoráveis, como chuvas escassas e temperaturas elevadas, prejudicam o desenvolvimento da cultura, diminuindo o porte das plantas, isto justifica a redução de 15,6% prevista na produtividade em relação à safra passada. Para o Estado do Paraná, estima-se uma quebra de 10,7% e de 7,7% em Santa Catarina.

Na região Centro-Oeste, nos Estados de Mato Grosso e Goiás, as condições climáticas de modo geral, estão favorecendo as lavouras, porém houve estiagens em pontos isolados, causando perdas e replantios. No sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, as poucas chuvas causam apreensão aos produtores. As plantas estão com porte abaixo do normal indicando indícios de uma produtividade menor.

Na região Norte-Nordeste, a região de maior produção denominada de MATOPIBA (sul do Maranhão, sul do Piauí, Tocantins e oeste da Bahia), predomina a fase de desenvolvimento vegetativo e as condições climáticas, até o momento, estão beneficiando as lavouras.

Milho
Situação geral – A área semeada com milho primeira safra teve aumento significativo, pelo estímulo dos bons preços do mercado que permaneceram em patamar remunerador em todas as regiões produtoras. Os aumentos mais significativos aconteceram no Paraná, Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

O desenvolvimento geral da lavoura nos principais estados produtores é considerado satisfatório no Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Tocantins parte do Paraná, São Paulo, Santa Catariana e Mato Grosso do Sul. O clima foi favorável durante a semeadura, o que proporcionou adiantamento significativo na implantação da lavoura quando comparado ao a mesma etapa da safra anterior.

No Rio Grande do Sul 80% é semeada no primeiro período que inicia no mês de agosto e termina em outubro. Esta fatia da lavoura está sofrendo os efeitos da estiagem, que são mais agressivos nas regiões noroeste, centro e norte do Estado. Os 20% restantes que seriam semeados entre dezembro e janeiro estão prejudicados pela estiagem que impediu sua implantação nas regiões atingidas pala estiagem. 

Nas regiões Norte e Nordeste, a semeadura começa em janeiro de 2012 e ainda não existe definição sobre a área a semear. A lavoura de milho da Segunda Safra é semeada a partir de janeiro e ainda é cedo para previsões, pois vários fatores influenciarão na decisão da área que será cultivada, dentre eles estão: clima, comportamento do mercado, período de colheita da soja e o desempenho do milho Primeira Safra.

Clima – O clima está favorável para o milho na maior parte da região Centro-Oeste, com chuvas em regime satisfatório para o desenvolvimento da cultura. Na região Sul a estiagem continua com efeitos de intensidade diferenciada de um município para outro.

O INEMET continua prevendo chuvas abaixo da média para o próximo trimestre para a região Sul, mas, isto não significa confirmação de ausência de precipitação e sim a má distribuição das chuvas.

Área cultivada - A previsão de cultivo para o milho primeira safra está estimada em 8.634,4 mil hectares, 9,1% maior que a cultivada na safra anterior que foi de 7.916,3 mil hectares. Nesta área estão incluídas as lavouras das regiões Norte e Nordeste.

Para o milho segunda safra, a tendência é de aumento da área semeada devido à soja ter sido seme­a­da mais cedo, o que garante janela ótima para a se­me­adura do milho segunda afra, mas, como a semea­dura começa a partir de ja­nei­ro, é cedo para confirmar a área a ser semeada. A lavoura está localizada basicamente na região Centro-Oeste, onde é semeada logo após a colheita da soja.

A previsão para o total da área cultivada com milho, somando as duas safras, deverá ficar próximo de 14,5 milhões de hectares, com crescimento estimado de 5,2% em relação ao total semeado na safra anterior, quando foram cultivados 13.838,7 mil hectares. A variação futura da área ficará por conta do comportamento da área semeada na Segunda Safra e as condições climáticas apresentadas no momento da colheita da soja e da semeadura da safra das regiões Norte e  Nordeste.

Produtividade – A produtividade média prevista para a primeira safra é de 4.392 kg/ha, 3,2% menor que na safra 2010/11, quando alcançou 4.538 kg/ha. Por questão metodológica a Conab para estimar a produtividade utiliza a média das cinco últimas safras, eliminando as safras atípicas. O efeito total da seca na região Centro-Sul não está computado nesta estimativa.

Para o milho segunda safra, a produtividade estimada é de 3.595 kg/ha, resultante do uso da mesma metodologia. Considerando as duas safras, a produtividade estimada é de 4.068 kg/ha, com decréscimo de 2,1%. Este número pode variar para mais ou para menos, dado ao longo período decorrente desde a semeadura da primeira safra (agosto de 2011), até a colheita da segunda safra (agosto de 2012).

Produção – A produção brasileira de milho esperada para a safra 2011/12 deverá ficar em 59.210,3 mil toneladas, com variação de 2,9% em relação à safra passada, quando foram colhidas 57.514,1 mil toneladas. Esta estimativa é baseada em uma safra normal, e as variações para mais ou para menos, estarão relacionadas à maior ou menor influência dos fatores de produção durante o transcurso de todo o ciclo produtivo.

Arroz
Situação geral – A lavoura de arroz da safra 2011/12 no Rio Grande do Sul começou a ser semeada no mês de setembro logo após o solo ter atingido a temperatura mínima para provocar a germinação das sementes. A lavoura semeada nesta época será colhida já no mês de janeiro de 2012, antecipando assim, o início da safra 2011/12. A redução da área semeada está confirmada e as causas da redução são: a dificuldade de comercialização, preços pouco atrativos, aumento no custo de produção e falta de água nos reservatórios (corpos d'água, açudes e barragens). Na fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde se concentra a produção do arroz irrigado do Estado, a previsão é de que a área cultivada terá mais de 10% de redução se comparada à cultivada na safra anterior.

Na região central do Estado, a redução pode chegar a 25% e em todas as outras regiões está prevista redução de área, embora em percentual menor. Apenas na região sul do Estado será mantida a área cultivada na safra anterior. As culturas que vão substituir o arroz são: a soja, o milho, e o pastejo bovino. Alguns produtores estão aproveitando o momento para limpar as áreas infestadas com arroz vermelho resistente ao herbicida only (imazetapir) usado como herbicida na semeadura das variedades CL (Clearfield).

O pacote de insumos será menor devido ao aumento dos preços dos produtos no mercado, principalmente nitrogenados. Nos demais Estados produtores, a semeadura teve início no mês de outubro e se estendeu até novembro. Em Santa Catarina, segundo maior produtor do arroz irrigado, a variação da área será pequena, pois as áreas cultivadas são sistematizadas, usam sementes pré-germinadas e dificilmente servem para o cultivo de outros produtos. Neste Estado ocorreu atraso na semeadura, o que diminui a possibilidade dos produtores colherem o arroz produzido na soqueira (brotação após a colheita). No Paraná a diminuição de área do cultivo irrigado é mínima, mas, na área de sequeiro a queda é acentuada.

O arroz de sequeiro, cuja área no Brasil equivale ao irrigado, vem diminuindo safra a safra e só não diminui a produção, porque o arroz irrigado vem num constante crescimento de produtividade, com lançamento de novas variedades altamente produtiva e a disseminação do cultivo dos híbridos que alcançam produtividades até 18.000 kg/ha.

Área cultivada – A área cultivada com arroz na safra 2011/12 deve ficar em 2.553 mil hectares, 9,5% menor que a área da safra anterior. Esta variação está relacionada ao arroz da região Centro-Sul, uma vez que nas regiões Norte e Nordeste, a semeadura é feita a partir de janeiro de 2012 e os produtores dependem do clima para definiram o tamanho da área que irão cultivar.

Estágio da cultura – Na região Sul a semeadura foi concluída no início de dezembro, e as áreas semeadas em outubro estão florescendo. Na região Centro-Oeste, onde a semeadura depende do período chuvoso, os trabalhos tiveram início a partir do mês de outubro. No Norte e Nordeste o período de semeadura começará em janeiro.

Feijão
Situação Geral – A estimativa da área cultivada com feijão nesta safra sinaliza diminuição de área na maioria dos estados produtores. As lavouras estabelecidas tiveram bom desenvolvimento inicial em todos os Estados que cultivam o feijão primeira safra. Como o feijão tem ciclo produtivo bastante curto, é possível encontrar lavouras em todos os estágios produtivos em um mesmo estado. No momento do levantamento foram encontradas lavouras germinando, vegetando, florescendo, maturando e colhidas. A lavoura semeada mais cedo teve colheita próxima do normal. Do meio do ciclo produtivo em diante, começaram os problemas climáticos adversos e significativos e os Estados mais prejudicados foram: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A cultura do feijão vem enfrentando altos e baixos nos últimos anos.  A instabilidade dos preços, a baixa liquidez, os estoques do produto e os problemas climáticos, fizeram os produtores migrar parte da lavoura para outros cultivos. No cultivo de feijão primeira safra, parte da lavoura perdeu área para milho e soja.  

A lavoura de Segunda Safra começa a ser semeada a partir do mês de de­zembro no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina; nos demais Estados, a partir de janeiro.

Seminários orientam produtores de grãos de Goiás

Nesta terça-feira, 24, o município de Rio Verde, no Sudoeste goiano, vai receber a terceira rodada do Seminário Regional de Co­mercialização de Grãos e Mer­cado Agrícola 2012 promovido pelo Sistema Faeg/Senar e Sin­dicatos Rurais. O encontro será no Salão Verde na sede administrativa do Sindicato Rural, no parque de exposições, às 18h30. O evento tem como objetivo levar às regiões pro­dutoras de milho, soja e algodão do Estado informações sobre as perspectivas do mercado para a comercialização da produção. Foram realizadas duas rodadas — Mineiros e Jataí — e além de Rio Verde, outros quatro municípios sediarão o seminário até fevereiro (Goiatuba, 26 de janeiro; Cristalina, 31 de janeiro; Silvânia, 2 de fevereiro; e Uruaçu, 7 de fevereiro).

Nos encontros, realizados anu­almente antes do início da colheita da safra de grãos, os produtores, que estão em plena safra, receberão orientações sobre as perspectivas de comercialização, o desempenho do mercado, as condições de armazenamento da safra e qual cenário econômico poderão encontrar no momento da venda da produção. No seminário em Rio Verde, o consultor de mercado financeiro Pedro Dejneka, presidente da PHDerivados, empresa de consultoria de Chicago, vai apresentar os fundamentos de mercado e a formação de preços, a situação de abastecimento de grãos, cenário brasileiro e rentabilidade, entre outros temas.

O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, diz que o ano novo chega em meio a incertezas quanto ao comportamento da economia mundial, especialmente da Europa. “Esse cenário exige prudência por parte dos produtores rurais”, alerta. De acordo com ele, cautela ainda é a palavra chave. Segundo o assessor técnico da Faeg para a área de cereais, fibras e oleaginosas, Leonardo Machado, a comercialização da safra 2011/12 de soja será feita com preços médios interessantes para o produtor. “Ainda não dá para saber se vai ficar acima do que foi pago em 2011, mas acreditamos que os produtores terão resultado positivo em relação à comercialização da safra.”

Antecipação

Os produtores, orientados por consultores da Faeg, procuram negociar sua produção antecipadamente para assegurar melhores preços. Medida usada para aproveitar preços remuneradores no momento de se fechar o contrato. Incertezas para o período de co­lheita são apontadas por consultores como fatores que influ­en­ciaram o maior número de vendas futuras.

Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, aumentou o porcentual da safra brasileira de soja comercializada antecipadamente. De acordo com a consultoria, até o final de novembro já havia sido negociada 40% da produção de soja, estimada em 75,3 milhões de toneladas. O índice su­pera a média de 29% registrada pa­ra a transação nos últimos cinco anos. A prática também é utilizada por produtores de outras culturas, como as de milho e algodão. Para o produtor de feijão, que ainda tem a venda restrita ao mercado físico, a expectativa de preço é superar o mínimo estipulado pelo governo federal, R$ 72 a saca.

Um levantamento da empresa de consultoria Agrosecurity estima que em Goiás, considerando os municípios do sudoeste, Rio Verde, Jataí e Mineiros, 35% da safra de soja tenha sido comercializada até 20 de novembro e, desse montante, 16% foi por troca e o restante por modalidade de contrato futuro. Nos três municípios, a operação de troca foi maior entre abril e junho. Na safra anterior, no mesmo período, a comercialização antecipada de soja havia sido de 28%. (Com Gerência de Comunicação do Sistema Faeg/Senar)

Importações de fertilizantes crescem 34%

Há um indicativo claro de que 2011 poderia ter sido um ano mui­to bom para o setor agrícola, se não fosse a seca na região Sul. Os nú­meros estão expressos nas contas das indústrias de adubos e fertilizantes. Embora ainda não te­nham sido fechados, o volume de fertilizantes entregue aos produtores deve ter chegado a 28 milhões de toneladas no ano passado e o faturamento pode ter ficado próximo dos R$ 28 bilhões. As importações somaram 20,7 milhões de toneladas, com gastos de US$ 9,1 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

Esses números são bem superiores aos registrados nos últimos anos. A entrega de adubos de 2011 vai superar em 15% a de 2010; as importações, em 34%. E o melhor é que o cenário de 2011 pode se repetir em 2012. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, o diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubos do Bra­sil, Carlos Eduardo Florence, foi enfático: “As perspectivas são boas, apesar das nuvens negras na Europa”.

O otimismo do executivo se baseia no fato de que demanda e estoques de alimentos estão ajustados. Só uma crise muito grande afetaria o setor. Portanto, dificilmente se repetirá um quadro caótico como o de 2008, com a crise financeira originada nos EUA que afetou a economia internacional.

Florence disse que pelos menos aparentemente não haverá muito tropeço no setor de alimentos, uma vez que os países desenvolvidos, mesmo com crise, mantêm o pa­drão de consumo alimentar. “Já nos mercados emergentes, a po­pu­­lação está conseguindo se alimentar melhor.”

Na conjuntura atual, o diretor da Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil disse acreditar que o setor de fertilizantes poderá se manter como está — “sem evolução, mas também sem quedas significativas”. Ele observou que o produtor brasileiro continua capitalizado e usando mais tecnologias em busca de maior produtividade.

O Sul do país está apresentando perdas, devido à seca, e o produtor pode perder renda. A quebra de sa­fra no Sul do Brasil e na Ar­gentina, no entanto, inibe maiores recuos em Chicago, o que beneficia os produtores do Centro-Oeste, onde a safra vai bem.

Veja os números da previsão da safra de grãos no Brasil e em Goiás.