A estratégia do PSDB para as eleições de outubro é aumentar, em Goiás, de 53 para 84 o número de prefeitos da legenda. É o que revela ao Jornal Opção o presidente da sigla, Paulo Silva de Jesus. Com 38 vices hoje, a meta também é dobrar o quantitativo, informa ele. O líder tucano quer pelo menos manter o atual exército de vereadores: 399.
Segundo ele, o resultado das urnas eletrônicas de outubro terá influência nas eleições ao Palácio das Esmeraldas, em 2014, quando o governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), deverá disputar a reeleição. É que o projeto Perillo para o governo do Distrito Federal, que chegou a ser ventilado no ano de 2011, parece estar descartado.
Com a desistência de Demóstenes Torres (DEM) em disputar a corrida ao Paço Municipal, o PSDB definiu o seu pré-candidato, o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Leonardo Vilela, explica o dirigente. Três nomes postulavam a vaga: além de Vilela, o deputado federal João Campos e o deputado estadual Fábio de Sousa.
“Os três possuem densidade eleitoral, capital político, livre trânsito no Palácio das Esmeraldas e com as legendas aliadas e qualquer um poderia ser escolhido”, disse Paulo Silva, lembrando que o coordenador do processo de afunilamento do nome foi o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz. “Não houve trauma no desfecho do processo, nem risco de racha.”

O PSDB pretende ampliar também a sua bancada na Câmara Municipal de Goiânia, registra. Quatro vereadores constituem a representação do partido no legislativo goianiense. Não custa lembrar: Anselmo Pereira, Giovani Antônio, Dr. Gian, alvo de ação na justiça eleitoral, e o líder Maurício Beraldo, ex-petista. O cardeal tucano acha ser possível dobrar o número.
O presidente estadual do PSDB conta que o partido tem, hoje, dois caminhos a seguir em Aparecida de Goiânia. “O lançamento de Veter Martins à prefeitura ou a celebração de aliança política e eleitoral com o deputado estadual do PSD Ademir Menezes”, relata. Uma conversa com o Democratas também faz parte da agenda de possibilidades.
Já em Anápolis, os tucanos têm dois pré-candidatos, avisa ele. “O vereador Fernando Cunha Neto e o secretário de Estado de Indústria e Comércio, Alexandre Baldy”, adianta. Paulo Silva analisa que Marconi Perillo tem musculatura na Manchester goiana, como pôde ser verificado nas eleições de 1998, 2002 e 2010. Preto no branco: o prefeito de Anápolis é o petista Antônio Gomide.
Contra a hegemonia do PMDB, em Trindade os tucanos lançarão o deputado estadual e ex-secretário de Desenvolvimento da Região Metropolitana Jânio Darrot, diz Paulo de Jesus. O dirigente confidencia que no município de Catalão o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Jardel Sebba, enfrentará Veolomar Rios ou Adib Elias, do PMDB. “E vamos ganhar.”
Alianças
Os tucanos querem garantir a unidade da base aliada, afirma. O objetivo é atrair DEM, PP, PSD, PTB, PR, PPS e legendas nanicas para a formação de uma frente ampla. Em Rio Verde, Paulo Silva diz abençoar o projeto de reeleição do prefeito Juraci Martins (PSD). Em Itumbiara, a tendência é de apoio ao candidato alinhado ao prefeito José Gomes.
A data para a desincompatibilização dos auxiliares do governo do Estado deve ser programada para o início de abril, crê o tucano. Do primeiro escalão, apenas três devem sair, analisa. Leonardo Vilela, titular da Semarh; Nédio Leite, secretário de Estado Extraordinário; e Alexandre Baldy, da SIC, caso seja escolhido para disputar as eleições em Anápolis.
Balanço
Paulo Silva faz um balanço positivo dos 14 primeiros meses do terceiro governo de Perillo. “Herdamos um déficit de mais de R$ 2 bilhões, metas fiscais não cumpridas pela gestão anterior (de Alcides Rodrigues Filho), obras inacabadas, salários atrasados do funcionalismo público, crise na Celg. Com o ajuste fiscal, a casa ficou em ordem. Vamos avançar cada vez mais.”
Pragmático, ele aprova o acordo para a Celg. Mais: defende a celebração de Parcerias-Público-Privadas para a Saneago, frisa que a terceirização, nos moldes do Crer, repaginará o layout da saúde pública estadual, aposta no sucesso da gestão da Cruz Vermelha na Iquego e vê com bons olhos a possibilidade de uma OS (organização social) gerir o Centro Cultural Oscar Niemeyer.
Para ele, é preciso superar a “velha e surrada” discussão ideológica entre privatização e estatismo. “O governo federal fez concessões nos aeroportos. Não é a mesma coisa?”, pergunta o presidente do PSDB. Paulo Silva insinua que a concessão de rodovias estaduais, como ocorre no Estado de São Paulo, pode ser uma alternativa para ampliar os investimentos no setor em Goiás.
O tucano elogia a presidente da República, Dilma Rousseff. “Ela manteve a estabilidade da economia, segurou o dólar, controlou a inflação, não discrimina os Estados controlados pelas oposições e adota uma posição republicana no Palácio do Planalto”. O governo federal negociou a crise da Celg, concedeu empréstimo ao Tesouro e a CEF comprou as contas do Estado, diz.
Ex-preso político (1969-1970), ele espera que a Comissão da Verdade, aprovada pelo Congresso Nacional e a ser nomeada por Dilma Rousseff, elucide os crimes de violações de direitos humanos ocorridos à época da ditadura civil e militar (1964-1985). Como na Argentina, Chile e Uruguai. O dirigente defende a punição dos responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos.
Irmão de Paulo Silva, o estudante Ismael Silva de Jesus, à época com 18 anos de idade e membro do PCB, morreu sob torturas em 1972, em Goiânia, no 42º BIM. Versão oficial do Exército: suicídio. Fotografias descobertas pelo Tortura Nunca Mais (GO) desmascararam a farsa. Como no caso Vladimir Herzog, em outubro de 1975, no DOI-Codi (SP).”Quero elucidar o caso”, afirma.