Edição 1941 de 16 a 22 de setembro de 2012
Fortiori/Jornal Opção
Paulo Garcia deve ganhar já no 1º turno, indica pesquisa
Prefeito já soma mais de 56% das intenções de votos válidos, o que já o elegeria a um segundo mandato mesmo com a margem de erro, sem a necessidade de um duelo em novo round

Elder Dias

Nada parece abalar o caminho do prefeito Paulo Garcia (PT) rumo à reeleição. E em primeiro turno. Pelo menos é o que apontam os números da pesquisa Fortiori/Jornal Opção, realizada no período de 12 a 14 de setembro (de quarta-feira a sexta-feira da semana passada). Na apuração do instituto, o petista tem 43,5% das intenções de votos e, se a eleição fosse realizada neste momento, seria eleito já no dia 7 de outubro, com certa folga: 56,3% dos votos válidos, diante da somatória de 43,7% dos demais sete candidatos — na apuração utilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), descartam-se votos nulos e em branco. A pesquisa entrevistou 600 pessoas e tem margem de erro de quatro pontos porcentuais para mais ou para menos.

Assim como na maioria dos levantamentos de outros institutos, o Fortiori também aponta uma diferença de cerca de 30 pontos porcentuais entre Paulo Garcia e seu rival mais próximo, Jovair Arantes (PTB), que tem 13,3%. O que chama a atenção é que o índice do petista sobe para bem além dos 40 pontos, que era o teto de até então, indicando para um maior crescimento na reta final da campanha.

É esse dado que causa o maior efeito sobre outra tabela — a dos votos válidos. Nesta, o índice de Paulo Garcia ultrapassa a margem de erro, o que dá garantias de que já tem condições seguras para garantir uma eleição sem segundo turno. Constatação interessante, também, é a de que, com os números da pesquisa, mesmo se todos os votos dos hoje indecisos fossem dados a seus adversários, a soma de intenções de voto ao prefeito ainda seria superior.

A equipe de Jovair Arantes, por seu lado, pode pensar de duas formas — aquela história da boa e da má notícia. A boa é que o candidato já dobrou o número de intenções de voto desde o início da campanha eleitoral, no começo de julho. Mais de dois meses, portanto. A parte ruim é que agora faltam 20 dias de campanha para dobrar novamente o índice atual e criar a possibilidade de um segundo turno cada vez mais improvável. Isso sem contar que Jovair precisa lutar contra algo que pesa contra si: a alta rejeição, fator que invariavelmente o afetaria de forma grave na hipótese de um segundo turno.

Algo que pode se chamar de surpreendente é o desempenho de Elias Júnior. O deputado estadual do PMN, que ganhou fama e mandato graças à aparição no programa da TV Record “Balanço Geral”, comandado pelo jornalista Oloares Soares, tem mantido um índice bastante satisfatório de intenções de voto, principalmente tendo em vista sua estrutura de campanha e o fato de ser de um partido nanico, com uma coligação modesta e tempo reduzido na TV e no rádio para propaganda eleitoral. Elias Júnior alcança, em boa parte, a fatia do eleitorado de seu colega de profissão, o também comunicador e deputado Sandes Júnior (PP). Mantendo os mesmos números até as urnas, conseguirá já um grande feito particular.

Outro que deu uma relativa arrancada foi Simeyzon Silveira (PSC), que ultrapassou a barreira dos 5% das intenções e alcançou o 4º lugar. O índice pode ser — isso não está tão claro ainda — consequência da companhia constante em seu horário eleitoral dos pesos pesados da política Ronaldo Caiado (DEM) e Vanderlan Cardoso (sem partido). Para eles, a candidatura de Simeyzon é um interessante experimento de laboratório com vistas à eleição de 2014. Se os resultados já são positivos — e para quem —, somente uma acurada avaliação interna poderá estabelecer.

Já Isaura Lemos (PCdoB) tem demonstrado que lhe faltará fôlego para a reta final. Em entrevista ao Jornal Opção, ela mesma admitia que a falta de estrutura para a campanha sempre foi seu calcanhar de Aquiles nas disputas majoritárias.

Aos demais candidatos — Reinaldo Pantaleão (PSOL), Rubens Donizzeti (PSTU) e José Netho (PPL) —, o cenário é de completar a campanha levando a mensagem e “fazendo seu comercial”. Ganham relativa projeção para eleições futuras, embora seus partidos não possam lhes garantir nem mesmo a segurança de uma disputa competitiva por uma cadeira no Poder Legislativo.




 

Paulo não é poste de Iris

Depois de dois anos e meio sem Iris Rezende na Prefeitura, o temor de certa ala do Paço e o anseio da oposição por uma gestão desastrosa não se confirmaram: Paulo Garcia não foi apenas alguém para preencher um mandato-tampão deixado pelo peemedebista. Pelo contrário, faz um governo que deu continuidade à boa administração do antecessor, mas que também tem tom autoral, inclusive na condução de episódios que geraram polêmica: foi Paulo que bancou a continuidade (e o término) das obras do Zoológico, que havia passado por uma estranha mortandade de bichos, e insistiu na conclusão do parque de diversões do Mutirama, que, inaugurado, já recebeu centenas de milhares de visitantes.

Se Paulo Garcia ou qualquer outro que fosse o vice de Iris estivesse por dois anos e meio sem mostrar serviço, com certeza não estaria com o índice atual de aprovação diante do eleitor. Se há também uma ligação com o ex-prefeito — e há, até pela própria admiração que o petista tem por ele — ela não é, pelo menos no momento, essencial para lhe dar a vitória. Ajudar, claro que ajuda. Mas Paulo Garcia já faz uma campanha podendo dizer que caminha totalmente com os próprios pés para a conquista do novo mandato.

Análise

Campanha eleitoral de um projeto só
 
Há cerca de um ano e três meses, um dos nomes fortes de Goiás no governo Dilma, Olavo Noleto, da Secretaria de Relações Institu­cionais, concedia entrevista ao Jornal Opção. Na ocasião, quando ele afirmou que a gestão Pedro Wilson [2001-2004] foi a melhor que Goiânia já teve, aproveitei para questioná-lo sobre outro prefeito petista, o que estava na cadeira do Paço. Ele não titubeou: “Paulo Garcia vai começar o processo eleitoral já como favorito.” Voltei a questioná-lo: “Indepen­den­te­mente do opositor?” E Olavo emendou: “Claro que o opositor conta, mas digo para você que Paulo Garcia começará a campanha já como favorito. Pode me cobrar.”
 
Nem precisou cobrar. Em fevereiro, o hoje ex-senador Demóstenes Torres anunciava que não disputaria as eleições municipais. Maior estrela do DEM no País, estava focado em um projeto nacional — a sucessão presidencial. Algumas semanas depois, tudo ruiria com o caso Cachoeira. Mas, de fato, a saída de Demóstenes tirava a única pedra grande que havia no caminho de Paulo Garcia. O petista se tornava o grande favorito à eleição municipal e repassava à base aliada ao governo estadual uma difícil missão: achar um substituto à altura para Demóstenes. 
 
O primeiro ungido foi o então secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o deputado federal Leonardo Vilela (PSDB), que também acabou sendo envolvido com Carlinhos Cachoeira. A pré-candidatura agonizou por muito tempo, sem que houvesse habilidade do governo para resolver logo a questão. Menos prazo, muitas (e frágeis, cada uma por um motivo) opções e nenhuma escolha definitiva, nenhum nome considerado “de peso” para enfrentar o prefeito. A data final para as convenções chegando e nada de os marconistas se definirem em consenso. Mais um racha veio com o descarte dos deputados tucanos e evangélicos Fábio Sousa e João Campos. Até que, enfim, surgiu a chapa do persistente Jovair Arantes (PTB) — que desde o começo tinha avisado que desta vez não desistiria da postulação — com o neoaliado Francisco Júnior (PSD) na vice.
 
Todo o cenário conspirou para que a previsão de Olavo Noleto se confirmasse. A três semanas das eleições, Paulo Garcia é hoje franco favorito e deve liquidar a eleição já no primeiro turno, contra sete adversários. Derrotar todos de uma vez só representa, ao mesmo tempo, dois fatos. O primeiro: o governo do petista foi realmente aprovado pela população — muitos apostavam que Paulo não daria conta do recado pesado de prosseguir uma administração de Iris Rezende (PMDB). O segundo fato é que a concorrência não conseguiu produzir uma proposta interessante o suficiente para haver uma real comparação de projetos — o que faria, pelo menos, a população parar para pensar e, aí sim, abrir a possibilidade de segundo turno. Isso foi o que ocorreu, por exemplo, na eleição municipal de 2004, quando Pedro Wilson e Iris Rezende tiveram um duelo eleitoral com propostas bem diferentes e totalmente posicionadas
 
O eleitor pode até parecer bobo, marionete, manipulável ao extremo. É que um dia foi assim no Brasil, até pelo contexto em que se davam as eleições — com voto discriminatório, segregado, de cabresto, em democracias frágeis ou até mesmo sem essas. Só que tem político que acredita que é assim até hoje. Esses são mais bobos do que tais eleitores. Não é à toa que em Tocantins e em São Paulo, Estados tão heterogêneos, estão despontando favoritismos que os caciques nunca imaginavam que ocorreriam. São as “terceiras vias” reais, pelas quais o povo rejeita o que está posto na mesa eleitoral pelos donos do poder e exige mudança total de rumo. 
 
Em Goiânia não está sendo assim porque há um projeto em curso que tem razoabilidade. Na verdade, desde o governo Pedro Wilson — na área da educação e na gestão do meio ambiente — há uma continuidade na gestão da cidade que agora tem Paulo Garcia como agente. Esse é o “capital administrativo”, vamos chamar assim, que a oposição teria de questionar. Como se questiona? Com outro projeto, consistente, que tenha conteúdo e não bravatas. Poderia ser outro nome, mas citemos Jovair Arantes, o rival mais forte de Paulo: o petebista não tem um programa de governo, mas, sim, uma sacola de propostas avulsas, que não se encaixam de jeito algum se alguém tentar colocá-las no mesmo quebra-cabeças. Montariam um Frankenstein em vez de uma carta-programa.
 
Dessa forma, entende-se o que disse outro nome de peso do PT, o deputado estadual Humberto Aidar, ainda no início da campanha: “Paulo Garcia vai ganhar por W.O.” Na verdade, o parlamentar não estava menosprezando a concorrência. Apenas, com outras palavras, falou que não havia um projeto para enfrentar o da atual administração. Não é nem questão de “projeto à altura”: é de projeto, qualquer um mesmo, com começo, meio e fins.