Edição 1985 de 21 a 27 de julho de 2013
Renovação
As estrelas do novo em 2014
Eleição em Goiás poderá ter renovação e partidos se movimentam para conquistar novos filiados ilustres que se destacam na sociedade em suas respectivas atividades

Frederico Vitor

A política em Goiás poderá ter uma grande renovação em 2014 e, por isso, os partidos já se movimentam para conquistar novos filiados. Mas não são quaisquer filiados. São personalidades que se destacaram em suas respectivas áreas de atuação, tanto no ponto de vista administrativo quanto, eventualmente, de correção moral. A renovação dos quadros políticos é um grande anseio do eleitorado que ficou demonstrado com os protestos das últimas semanas e com pesquisas de opinião divulgadas recentemente. As caras novas na política são mais do que uma necessidade, é questão de sobrevivência das legendas tradicionais que ocupam o poder.

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, é disputado por vários partidos, paradoxalmente, adversários — como o PSDB e PT. Ele tem simpatia tanto pelo prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura (PSDB), quanto pelo secretário-chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha, principal líder do PSD em Goiás. No entanto, por sua história na universidade, o reitor é mais próximo da esquerda e, segundo especulações de bastidores, as conversações estaria adiantada com a legenda da presidente Dilma Rousseff. “As conversas estão adiantadas e devo sim filiar a um partido. Concorrer vai depender muito do projeto e ao cargo a ser disputado.”

Edward Brasil é descrito no meio político e acadêmico como uma pessoa ao mesmo tempo simples e carismática, capaz — como poucas autoridades — de estar entre getne simples sem nenhuma afetação. Essa é a definição que muitos fazem dele. E esse é um dos segredos que o tornam o reitor mais popular da história da UFG e também aquele que tem uma aprovação sem precedentes na comunidade universitária. Alguém que mudou totalmente a cara da maior instituição de ensino superior do Estado.

É bem verdade que seu reitorado coincidiu com um investimento muito maior do governo federal na universidade pública: por meio de programas de expansão, como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a área construída da UFG praticamente dobrou desde 2006, quando começou a gestão de Edward — ele mesmo admite o reflexo positivo para o êxito de seu trabalho. Mas é fato também que seu mandato potencializou esse sucesso. O seu legado na universidade será herdado por Orlando Amaral, que vai assumir a Reitoria entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014.

Em relação à política, as investidas do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, para filiá-lo foram ostensivas. O reitor já declarou que se filiará a um partido entre agosto e setembro deste ano. Se, de fato, for candidato pelo PT, terá de formatar sua própria estrutura, mas, ao menos no eleitorado da universidade, a presença petista, da esquerda em geral, é mais forte. Ressalve-se que, para ser eleito deputado federal, com mais de 100 mil votos, Edward tem de buscar apoio fora da universidade.

Edward Brasil afirma que seu nome ficará a disposição para concorrer a cargos eletivos em 2014, por perceber que tanto na universidade quanto na comunidade externa, há o estímulo para que entre na política. “É uma questão de responsabilidade na qual poderia colaborar em algo para o crescimento do Estado”, diz. O reitor ressalta que sua passagem bem sucedida pela reitoria da UFG despertou uma grande expectativa na sociedade para que dispute o próximo pleito. “O bom momento da universidade permitiu a meu trabalho ter visibilidade que, coincidentemente, convergiu com as expectativas de renovação na política.”

Cristina Lopes

Disparada a vereadora mais benquista pelos goianienses, Cristina Lopes Afonso (PSDB) está com tanta moral que o tucanato sustenta que, se o governador Marconi Perillo (PSDB) não for o candidato a governador em 2014, a parlamentar teria todas as condições de defender o legado marconista em Goiás. A revelação tucana que vem roubando a cena na Câmara Municipal de Goiânia é o novo não apenas do PSDB, mas da política de Goiás. Ela, avalia a cúpula tucana, não tem muita experiência política, mas é consistente e tem discurso. Mais: seu perfil ético agrada sobremaneira a sociedade.

Além de ser uma renovação política, Cristina Lopes seria uma renovação por ser mulher. Trata-se de um nome e tanto, ainda mais se for levado em consideração a sua história de vida que, sem exageros, é digno de um roteiro de filme. Nascida no Paraná, em 10 de abril de 1965, mudou-se para Goiânia no início dos anos 90, depois de sofrer uma agressão do ex-namorado que resultou em 85% do seu corpo queimado. Em 1986, aos 20 anos, após um acesso de ciúmes, seu ex-namorado joga álcool e ateia fogo em seu corpo, em um caso de violência que ganhou repercussão internacional.

Após um período de muita luta o agressor é levado a júri popular. Em um julgamento histórico em 1989, ele foi condenado a 13 anos e 10 meses de prisão. A vereadora tucana é formada em Fisioterapia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), e em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua na formação e pós-graduação de novos profissionais na área da saúde dermato-funcional.

Ela também é chefe do Serviço de Fisioterapia do Instituto Nelson Pícolo e, desde 1991, do Pronto Socorro de Queimaduras, além de ser sócia-fundadora da Sociedade Brasileira de Queimaduras e responsável por implantar a disciplina de queimadura na Eseffego/UEG. Cristina Lopes também criou um grupo de apoio aos pacientes queimados: o Núcleo de Proteção aos Queimados (NPQ). Muito bem votada em em 2012, com 6.080 votos, ela forma com Virmondes Cruvinel Filho (PSD) e Thiago Albernaz (PSDB) o trio mais bem avaliado na Câmara Municipal de Goiânia.

José Mário Schreiner

Outra personalidade que poderá ser o novo na política é o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, que ainda está sem legenda. Especula-se que o vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) poderá optar pelo PSD em detrimento do DEM de Ronaldo Caiado, seu aliado nas lutas ruralistas, que deve disputar mandato de senador ou governador. Dessa forma, o caminho fica aberto para o sindicalista.

Schreiner tem apoios consistentes, como o do setor ruralista — extremamente forte em Goiás —, e notadamente o do secretário estadual da Agricultura, Antônio Flávio de Lima. Ele terá como base eleitoral o município de Mineiros, na região Sudoeste de Goiás, e poderá ocupar o espaço do deputado federal licenciado Leonardo Vilela (PSDB), que não deve disputar eleição no próximo ano.

Enquanto isso, José Mário Schreiner deverá disputar a reeleição na Faeg. Em 14 de setembro vai registrar sua chapa para a eleição em 14 de dezembro. Somente após este período, o líder da Faeg deverá se filiar a um partido político com a finalidade de disputar mandato de deputado federal. Mesmo com um pé no PSD, ele também vem recebendo assédios do PSDB.

Extremamente respeitado como líder classista, por suas posições firmes, mas ponderadas e racionalistas, Schreiner também é o objeto de desejo de outras legendas.

Uma coisa é certa: ele afirma que, como líder de classe não fugiria da responsabilidade de disputar o pleito de 2014. “Não será um projeto pessoal, mas sim de grupo que visa aumentar e melhorar a nossa representatividade política em todos os níveis, e para isso, fazemos um trabalho forte”, explica. Sobre o anúncio da definição do partido ao qual vai se filiar, Schreiner avisa que vai escutar primeiramente a sua base, que é a dos produtores rurais de Goiás, para depois chegar a uma decisão. “Tomarei a decisão em momento adequado. Temos um prazo de até setembro, por isso, hoje, não existe ainda uma definição partidária.”

As caras novas que podem surpreender

Thiago Albernaz (PSDB), Virmondes Cruvinel Filho (PSD) e Henrique Tibúrcio. Anotem esses nomes, pois eles poderão surpreender nas próximas eleições justamente por significarem a renovação política que tanto o eleitorado deseja. O jovem vereador tucano, de apenas 22 anos de idade, poderá disputar vaga ao Legislativo estadual e conta com o apoio político das bases herdadas de seu avô e da Juventude do PSDB, que, quando a presidiu, conseguiu eleger 70 vereadores em 50 municípios goianos. Na Câmara vem delimitando posição e o discurso está afiado à condição de líder tucano no Legislativo Municipal.

Virmondes Cruvinel Filho (PSD) é o quadro jovem mais promissor do PSD em Goiás. Vereador mais votado de Goiânia nas últimas eleições, deverá garantir um assento no plenário da Assembleia Legislativa de Goiás. De discurso moderado, porém de posição firme, tem ótima imagem principalmente com a classe média goianiense e com os jovens, com os quais tem profunda identificação. Por ser professor universitário em Direito e detentor de saber jurídico deverá ocupar espaço deixado por outro jurista — Demóstenes Torres — que, em 2011, foi à bancarrota deixando órfão uma legião de eleitores.

Henrique Tibúrcio, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, é um dos nomes mais cobiçados — junto com Edward Madureira Brasil e José Mário Schreiner  — pelos partidos em Goiás.  Ele é assediado porque os líderes das legendas  sabem que, nas eleições de 2014 a aposta no “novo” será das maiores no Estado. Não um novo qualquer, e sim um novo ético, com ideias e projetos consistentes.

A exigência de ficha limpa para ocupar cargos públicos na esfera estadual e municipal foi uma campanha levantada pela OAB goiana e que repercutiu positivamente na sociedade. Os cinco partidos mais fortes de Goiás que são o PMDB, PT, PP, PSD e o PSDB querem Tibúrcio em seus quadros. Outros partidos também fizeram convites formais, como o PPS.