34 anos
Exportações
A tabelinha soja e carne
Leguminosa liderou a pauta goiana de vendas ao exterior no ano passado, com as carnes em 2º lugar, mas no primeiro mês de 2012 as posições se inverteram
Fernando Leite
Complexo soja e carne: os dois produtos são os que mais se destacam na pauta de exportação de Goiás

Cezar Santos

Com sua economia baseada na agropecuária, Goiás está abastecendo o mun­do. A frase que poderia soar exagerada ganha força quando se comparam os números das exportações goianas no ano passado e no primeiro mês de 2012, destacando os principais itens vendidos ao exterior.

Em 2011, o complexo soja (grãos, bagaços, óleos, etc.) liderou a pauta das exportações, com US$ 1,806 bilhão, o equivalente a 32,2% do total do período. No segundo lugar ficaram as carnes (bovina, suína, aves e outras), com US$ 1,170 bilhão, ou 20,9% do total. Já no primeiro mês deste ano, as posições foram invertidas: as carnes ficaram na liderança, com vendas no valor de US$ 93,4 milhões (24,6% do total) e a soja foi para o segundo lugar, com US$ 64,5 milhões, ou 16,9% do total. (veja números abaixo)

Conforme divulgou a Se­cretaria de Indústria e Co­mércio (SIC), a balança comercial goiana fechou o ano de 2011 com recorde histórico. As exportações somaram US$ 5,605 bilhões, crescimento de 38,5% sobre 2010, quando as vendas externas totalizaram US$ 4,044 bilhões. As importações também ficaram elevadas no período: US$ 5,728 bilhões, com 37% de aumento sobre o montante do ano anterior, que foi de US$ 4,175 bilhões. Mas no saldo, exportações menos importações, a balança ficou deficitária pelo segundo ano seguido, em US$ 123,2 milhões.

No ano passado, a corrente de comércio de Goiás — soma das exportações e importações — chegou a US$ 11,333 bi­lhões, um crescimento de 37% na comparação com 2010, que foi de US$ 8,219 milhões. O principal produto exportado pelo Estado no ano passado foi o complexo soja, com US$ 1,806 bilhão, o equivalente a 32,2% do total do período. Na vice-liderança ficaram as carnes (bovina, suína, aves e outras), com US$ 1,170 bilhão, ou 20,9% do total. Em seguida, pela ordem: sulfeto de cobre (12,6%), açúcar 6,1%, milho (5,4%), ferroligas (4,6%), cou­ro (3,6%), energia elétrica (2,9%), algodão (1,6%), amianto (1,4%), além de produtos químicos orgânicos, máquinas e equipamentos elétricos e mecânicos, produtos farmacêuticos e confecções.

China

A China foi o principal parceiro comercial de Goiás em 2011, conforme o levantamento da SIC. Aquele país asiático comprou produtos no total de US$ 1,111 bilhão, ou 19,89% do total exportado pelas empresas goianas. Outros parceiros importantes foram Holanda, Índia, Espanha, Rússia, Irã, Reino Unido, Argentina, Alemanha e Hong Kong.

Entre os itens importados pelo Estado em 2011, o destaque ficou com veículos automotores, tratores e suas partes, com US$ 2,627 bilhões. Tam­bém foram adquiridos de ou­tros países produtos farmacêuticos; máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos; adubos e fertilizantes; e químicos orgânicos. A Coreia do Sul foi o país que mais forneceu produtos para Goiás, com total de US$ 1,860 bilhão. Estados U­nidos, Japão, Tailândia, Ale­ma­nha, Suíça, China, Rússia, Ca­nadá e Belaraus.

O município de Alto Ho­rizonte, no Norte do Estado, foi o que mais exportou em 2011, graças ao minério sulfeto de cobre que é explorado pela Mi­neração Maracá, do Grupo Ya­mana Gold. Em seguida, os ma­iores exportadores foram: Lu­ziânia, Itumbiara, Rio Verde, Anápolis, Mozarlândia, Palmeiras de Goiás, Quirinópolis, Goiânia, Catalão, Ouvidor, Go­iatuba, Goianésia e Barro Alto.

O superintendente do Pro­grama Produzir, da SIC, Júlio Paschoal, afirmou que o Estado e suas regiões demonstram competência na produção do agronegócio e guardam ainda muita riqueza em seu subsolo. “Goiás passa por um processo de desenvolvimento industrial devido a uma política arrojada de atração de investimentos. Gradativamente, estaremos aumentando a exportação de manufaturados, sem perder o foco na sua vocação original que é a produção de alimentos”, diz.

Para Júlio Paschoal, o crescimento das importações em 2011 foi causado, basicamente, pela demanda das indústrias automobilísticas e farmacêuticas, que se expandem rapidamente no Es­tado. “Já temos três grandes indústrias multinacionais na área automobilística e também um dos maiores polos farmacêuticos do país. São os primeiros passos para que Goiás mude a sua pauta exportadora”, ressalta.

Produtor reclama de alto custo de produção

Um dos produtores goianos que tiveram sua produção de soja embarcada para o exterior na safra passada foi o agrônomo e agricultor Silomar Cabral Faria, de 44 anos. Proprietário da Fa­zenda Rio Doce, em Rio Ver­de, ele planta soja, milho safrinha e sorgo safrinha.

Na safra 2010/2011, Silomar plantou 400 hectares de soja no verão e 140 hectares de milho safrinha. Colheu 21,2 mil sacas de soja e 14 mil sacas de milho. A produtividade alcançada foi de 53 sacas por hectare de soja e 100 sacas de milho por hectare. “Apenas 16 hectares de milho foram colhidos para silagem para usar no confinamento de 280 bois.”
O produtor comercializou sua produção toda pela cooperativa Comigo, tanto soja, quanto milho. Silomar conta que vendeu sua soja, em média, a 39 reais a saca (R$ 830,7 mil). O milho, a 18 reais a saca (R$ 252 mil).  

Ele aponta como pontos fortes da agricultura em sua região o uso de pouca mão de obra, que é muito cara. Com a mecanização moderna o manejo é facilitado. Segundo ele, nos últimos anos a atividade proporcionou boa rentabilidade. “As variedades de soja e milho são muito produtivas, graças ao avanço da biotecnologia/transgênicos.”
Por outro lado, os pontos fracos da agricultura na região de Rio Verde, segundo ele, são o alto custo de produção, com maior risco; dificuldade de conseguir área para arrendar, principalmente devido à chegada da cana-de-açúcar na região; e o valor alto no arrendamento de terras, correspondente a 12 sacas por hectare.

Outros dificultadores são o preço alto de terras — Silomar contabiliza 2,5 mil sacas de soja por alqueire, cerca de R$ 100 mil — e das máquinas agrícolas. O agrônomo também lista as pragas de solo (coró, percevejo castanho, nematoides) e doenças como o mofo branco e a ferrugem e o clima (chuvas irregulares). Como não poderia deixar de ser, outra reclamação é com a condição das rodovias, que causam prejuízos aos agricultores.

Balança comercial entra novamente no azul

Depois de quatro meses, em janeiro a balança comercial goiana mostrou números positivos. As exportações goianas obtiveram, naquele mês, saldo positivo de US$ 105,389 milhões, proveniente das vendas ao exterior de US$ 380,700 milhões e de importações no valor de US$ 275,311 milhões. Na comparação com o ano passado, as exportações tiveram queda de 12%. As importações também regrediram 30% em relação ao mesmo período de 2011. Os nú­meros foram apresentados pelo secretário de Indústria e Comércio, Alexandre Baldy, na quinta-feira, 9. 

Baldy avaliou os números foram positivos, mesmo sendo menores que os do mesmo período de 2011. Segundo ele, a queda nas vendas ocorreu porque, no ano passado,  o Estado exportou US$ 163 milhões em energia elétrica para a Ar­gentina. “É o tipo de venda que ocorre eventualmente. Não é normal exportarmos energia elétrica. Então, se compararmos as exportações desconsiderando isso, houve uma evolução razoável na pauta de produtos de cerca de 40%”. O secretário cita alguns exemplos de crescimento como as vendas das carnes que cresceram 19%, a soja 70%, couros 122%, algodão (203%) e  ferroligas (302%).

O secretário destacou ainda que a balança comercial goiana, ao contrário de números nacionais e de Estados mais industrializados que Goiás, tem apresentado contínuo crescimento, em vez de retração ou estagnação. “Estamos diferentes em todos os números. A indústria brasileira cai, a de Goiás sobe. As vendas de veículos caem, em Goiás aumentam. A balança apresenta queda e a de Goiás saldo positivo.” 
 
Importações

Sobre a queda das importações, Baldy disse que em janeiro do ano passado Goiás comprou mais de US$ 200 milhões em automóveis, tratores e suas partes, contra US$ 77 milhões em janeiro deste ano. A diferença, segundo ele, é o que justifica a queda das importações. “Nos meses finais do ano passado, os importadores de veículos aumentaram bastante os estoques. De certo modo, eles se preveniram contra o aumento do IPI. Com estoques altos, as compras voltaram a patamares normais.” Ele ressaltou, ainda, que após quatro me­ses de déficit, é um bom sinal a balança voltar a ser superavitária. Vale lembrar que, em janeiro, a balança brasileira ficou negativa em US$ 1,291 bilhão.

Os principais produtos exportados por Goiás no primeiro mês do ano, foram, pela ordem, as carnes (bovinas, aves e suínas) que representaram 24,6% das vendas; soja (16,9%); sulfeto de cobre (15%); ferroligas (13,4%); milho (7,8%); ouro (7,7%); couros e derivados (3,7%); algodão (3,2%); amianto (1,7%),  além de açúcar e outros produtos de origem animal e preparações alimentícias. Os principais países de destino dos produtos goianos foram o Reino Unido, Holanda (países baixos), Índia, Espanha, Rússia, China, Taiwan, Hong Kong, Suíça e Finlândia.

Nas importações, os destaques foram veículos automóveis e suas partes (28,24%), caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (16,06%), produtos farmacêuticos (14,24%), adubos ou fertilizantes (13,73%), produtos químicos orgânicos (7,53%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,55%), seguidos de sal e enxofre, instrumentos e aparelhos de óptica e fotografia, plásticos e suas obras e borrachas e suas obras. Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul, Alemanha, China, Tailândia, México, Países Baixos (Holanda), Rússia e Holanda fo­ram os principais países de origem das importações goianas.

Alexandre Baldy demonstrou otimismo sobre o resultado da balança comercial goiana para este ano. Ele estima que o desempenho goiano deve ser similar ao do ano passado, o melhor ano da história do comércio internacional goiano.

Veja tabela com dados da balança comercial goiana.