37 anos
Edição 1846 de 21 a 27 de novembro de 2010
História
Museu Pedro Ludovico reabre depois de obras de restauro e revitalização
As obras abrangeram desde o prédio, com o restauro de paredes, telhados, piso, até a exposição de longa duração que ganhou novos painéis informativos e novos recursos para estudo e pesquisa
A presidente da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel), Linda Monteiro, e o governador Alcides Rodrigues reabrem na, quinta-feira, 25, o Museu Pedro Ludovico, unidade da agência, criado em maio de 1987 pelo governo de Goiás. O evento será  às 20 horas, no hall de entrada do Museu, que fica na Rua Dona Gercina Borges, 133, Centro. 
 
A casa foi construída de 1935 a 1937 para ser residência da família Ludovico. Nos períodos que Pedro Ludovico foi governador e senador, a família transferiu-se para o Palácio das Esmeraldas e para a cidade do Rio de Janeiro, respectivamente. Em 1969, depois de passar por temporadas arrendada e alugada, a casa recebeu novamente a família, que nela permaneceu até a morte de Pedro Ludovico, em 1979. Em 25 de setembro de 1979, a Lei 8.690 autorizou o governo de Goiás a desapropriar o imóvel para implantar o museu, que entrou em funcionamento oito anos depois, em 1987.
 
O Projeto de Revitalização da Exposição de Longa Duração do Museu Pedro Ludovico integra as ações de revitalização das exposições de longa duração dos museus estaduais goianos realizadas desde o ano passado pela Agência Goiana de Cultura. Além do Museu Pedro Ludovico, os trabalhos envolveram o Museu Ferroviário de Pires do Rio (que vai ser reinaugurado em dezembro) e o Museu da Imagem e do Som (que foi reaberto em agosto do ano passado). 
 
No caso do Museu Pedro Ludovico, o Projeto manteve a proposta original de 1987, que definia o Museu sob duas vertentes: a figura de Pedro Ludovico Teixeira e a história de Goiás. A preservação da memória do fundador de Goiânia foi efetivada através da musealização do acervo deixado pela família — textual, mobiliário, prataria, porcelana, cristais e indumentária. A casa e seus elementos constitutivos e estilísticos também foram submetidos ao tratamento museológico.  
 
O centro de pesquisa sobre a construção e o desenvolvimento de Goiás foi constituído a partir dos documentos textuais produzidos e colecionados ao longo dos 40 anos de vida pública de Ludovico.  
 
Foi mantida também a concepção museográfica do projeto original, que conduz o visitante a vivenciar a figura de Pedro Ludovico em diferentes relações: Pedro Ludovico, o político; Pedro Ludovico, o homem; Pedro Ludovico, a família; Pedro Ludovico, a mudança da capital. 
 
Na proposta expositiva atual, foram acrescentados dois novos ambientes temáticos: um deles reservado para Gercina Borges Teixeira, que será apresentada por meio de sua obra pioneira de assistência social e da presença determinante na família e nas ações políticas do marido. O outro ambiente, também composto de painéis fotográficos e textuais, apresenta a construção de Goiânia e o seu processo de desenvolvimento, tema que era previsto na proposta original, mas que não foi satisfatoriamente trabalhado no decorrer da trajetória do Museu. 
 
As obras de restauro e revitalização abrangeram desde o prédio, com o restauro de paredes, telhados, piso, até a exposição de longa duração que ganhou novos painéis informativos e novos recursos para estudo e pesquisa. O projeto contou com um trabalho de pesquisa criteriosa em fontes bibliográficas — livros publicados, teses, dissertações e monografias de autores que estudaram a vida e a obra do fundador de Goiânia e a sua importância para a história de Goiás.  
 
A pesquisa foi feita também através de fontes orais — dezenas de pioneiros, estudiosos, profissionais que participaram da criação do Museu e familiares de Pedro Ludovico foram ouvidos. São mais de 50 horas de depoimentos gravados em áudio e em vídeo, que estarão disponibilizados, a partir de agora, num espaço reservado para a consulta no piso superior do Museu. Dentre os depoimentos expressivos estão o do filho de Pedro Ludovico, Goianio Borges Teixeira, das profissionais responsáveis pelo projeto de criação do Museu, museóloga Edna Taveira e especialista em museologia, Maria Terezinha Campos Santana (primeira diretora do Museu). Foi ouvido também o escritor Adovaldo Fernandes Sampaio, que coordenou os trabalhos de implantação do Museu, na época como diretor da Fundação Cultural Pedro Ludovico. Os técnicos responsáveis pelo projeto contaram com a colaboração de Maria Dulce Loyola Teixeira, representante da família, que contribuiu na seleção, identificação e seção de imagens e na indicação e contatos com parentes e amigos de Pedro Ludovico e de dona Gercina.   
 
Com a exposição de longa duração revitalizada, a ação de comunicação do Museu poderá ser aperfeiçoada e não ficará restrita somente à exposição, mas será estabelecida sistematicamente durante todo o processo museológico, desde a pesquisa e preservação até os eventos, reuniões, oficinas e ações educativas.  
 
A equipe responsável pelo projeto de revitalização da exposição é composta pelos conservadores de bens culturais, Alba Tânia Rosauro Macedo, João Rosa e Deolinda Taveira, pelo mestre em história Guilherme Talarico, pelos arquitetos Marcílio Lemos e Solange Maria de Santana e Silva, além da chefe do Museu, Alenita Toledo, e equipe de funcionários. A coordenação técnica é da especialista e doutoranda em museologia Tânia Mendonça. 
 
A partir de sexta-feira, 26, o Museu voltará ao horário de atendimento regular: de terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas e nos sábados, domingos e feriados, das 9 às 15 horas. Os agendamentos de escolas poderão ser feitos pelos telefones (62) 3201-4678 e 3201-4680.