34 anos
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45 poemas de 140 caracteres

Car­los Wil­li­an Lei­te | car­loswil­li­an@uol.com.br | @revistabula

Pedi aos leitores, seguidores do Twitter e amigos do Facebook que enviassem poemas inéditos com temática livre e limite de 140 caracteres. Aproximadamente 650 poemas, de 522 participantes, foram inscritos. Desses, reuni os 35 melhores, que publico nesta edição. Além dos poemas escolhidos, dez autores foram convidados a publicar. Os poemas foram selecionados por colaboradores do Opção Cultural e da Revista Bula.

Poemas selecionados
 

bota fora:
os trapos esquecidos no armário,
os contatos desconhecidos no mensageiro,
os amores falecidos no calendário
do longínquo 2011
(Ana Carolina Moreno)


De dormir tenho antipatia
O sono: a morte por horas a fio
Que me vale morrer por horas
Se ressuscito vazio?
(Anne Viturino)


Morfina:
Se falo
Me calo
Ouço
Guardo palavras
No bolso
É verso
Averso
É livre
Com metro
Perverso
É frase
Sem crase
É rima
Estrofe
Morfina
(Brenno Sarques)


faço poesia
como quem tem corpo bonito
e faz sexo gostoso
a minha poesia
é um gozo
(Bruno Latorre)


Acordes dos tempos
No eco do mundo
Ressoam as batidas de corações amantes.
(Carlos Alves)


O tempo ainda flui da fonte, lentamente e defronte ao vento do esquecimento.
(Carlos Valverde)


Silêncio
verbo imprescindível
da boca aos ouvidos
(Cynthia Osório)


caminhando
pisando
sob declarações de amor
no asfalto
(Danilo Lovisi)


Diz o que mais queres — desatenta despedida — se minha vida ou tudo o que te fiz só se escreve, por um triz, em cento e quarenta caracteres.
(David Duarte)


Sou só / Eu, que brinco com os atributos do amor, / Sou só eu?
(Érika Gibaja)


a arma que ama
é aquela que faz
a corte e o corte
(Gabriela Moscardini)


Arte, voo lusório, cristal e sombra.
inútil a porfia e tão certo o engano,
o meu soluço não manche o poema.
(Gilberto Nable)


Aonde puseste as asas que antes guardavas no sótão de tua vida? Passaste por varias casas
Perdeste as chaves o rumo e os voos. Até as nuvens
(Graça Taguti)


Por ir me desfazendo aos poucos,
cheguei ao clímax,
sobremorri.
(Hélverton Baiano)


leve
como água
de pote
com gosto de barro
saudoso
vida, vida, vida
se assim a quiser
vivê-la é deixar ser.
(Henrique Cahet)


Tarde da noite. O sol se viu na obrigação de voltar por alguns instantes.
(Henrique Galli)


Na perfeição das tuas notas,
toco devagar a minha pauta.
Construo sinfonias que esgotas,
no teu corpo de flauta.
(Isa Silva)


Rasguei suas roupas mais caras, fez uma cara de pânico. Depois uma greve de sexo e destruiu o piano. Agora anda nua no quarto e eu solo.
(João Figuer)


—"Eu assopro mamãe e assopro,
e o ardor de dentro não passa...”
—“Calma filhinho não chora
antes de sarar você casa.”
(Jefferson Vasques)


Por que
ser canhoto
é estranho?
Se o coração
fica do lado
esquerdo do peito.
(Kaio Bruno)


Deixou um adeus e um coração naquela tarde.
(Marcio Carvalho)


esse rosto
que vestes
quando
te dispo?
(Otávio Campos)


Achavas graça da brincadeira do cachorro em esconder os ossos. Agora é tu quem cavas para esconder os dele.
(Noah Mera)


Veio aqui e implorou: — "Quero morrer de remorso!" — e não disse mais nada.
(Pablo Donne)


Pisando delicadezas de jardim, limo que acaba de nascer nas pedras, resto de orvalho que o sol não bebeu, achei agulha mais fina no palheiro
(Paula Morais)


Ele acordou e seus olhos encontraram os meus; depois a sua boca tocou a minha. E o seu corpo tornou-se o meu.
(Ricardo Archilha Martins)


vendo terreno
para me edificar
(Robson Ferreira Vilela)


Toc
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
Toc toc quem é?
(Rodrigo Pinto)


No caminho seus olhos brilharam. Borboleta azul. No beco do bairro a caminho ele viu a lâmina, o brilho, a morte. Voo rápido.
(Sueli Aduan)


Anúbis, pesai meu coração e verás que é leve. Pesai. Que eu veja para saber se fui correto. Pesai e será leve, pois não o te trago completo.
(Tavares Celestino)


O céu fica sob meus pés. Não há pensamento que furte meu carinho. Há tanto encantamento e qualquer outra razão pra gostar assim não há.
(Thaís Machado)


O coração palpita
Avisa:
— Alto lá!
Cuidado
para não quebrar
— Conteúdo frágil
Este lado para cima
Favor
não empilhar —
(Thayz Guimarães)


A compreensão
Essa domadora de sentidos
Evita assassinatos
Mas não poupa suicídios
(Tuca Rosa)


— Abre a boca e fecha os olhos.
Angelita sempre caía no imperativo do primo.
Sabe quantas sementes de dente-de-leão
Angelita engoliu?
(Vanusa Angelita)


Viver não é domar a vida
Deixei de ser a pedra no rio
Para ser a folha
(Vinícius Matioli Marconi)


Autores convidados


 não ouve voz onde não tem.
não vê o que não está lá.
não há coração, onde não há.
(Déborah Gouthier)


Pessoas vem e vão
Pessoas veem e vão
Pessoas veem em vão.
(Eddie Masses)


Oco
vi-me
bambu
(Edival Lourenço)


Uma noite é pequena
Pra saber o que se sente,
Mas é o suficiente
Pra saber se vale a pena
Buscar saber.
(Elder Dias)


Eu sou. O desamparo de Frida. O grito de Claudel. O corpo antropofágico de Tarsila. Tantas. E nenhuma. Nesse pequeno verso sem rima.
(Glória Diógenes)


A vida é eterna como um terno de tergal.
(Lula Falcão)


Vou moderar na linguagem. Falar só no teu ouvido.
(Nei Duclós)


toda eternidade
foi breve na infância.
(Octávio Scapin)


O tempo é um maestro de facas, e a vida o gemido rasgado de galos que morrem.
(Valdivino Braz)


Escrevo-te na pele de dentro, onde só quem lê sou eu.
(Van Luchiari)