
Mesmo em meio à crise mundial, com raízes na Europa, uma perspectiva de quebra na safra do Brasil deste ano e dificuldades econômicas do Estado, o agronegócio em Goiás parece buscar caminhos e se superar. A luta para isso se encontra na conscientização e na qualificação dos produtores, como ressalta o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Antônio Flávio Camilo de Lima. Formado em Agronomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ele é ex-presidente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) — no qual esteve por 19 anos — e comanda também o Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado de Goiás (Fundepec), além de ser produtor de gado de corte em Palmeiras e em Senador Canedo.
Pode se dizer que Lima seja daqueles nomes escolhidos a dedo pelo governador Marconi Perillo para sua função. Sem filiação política, tem perfil absolutamente técnico, até mesmo no discurso. Distribui críticas e elogios com parcimônia e sem denotar partidarismos e, por meio de suas ações à frente da secretaria, mostra que se preocupa mais em buscar satisfazer as necessidades e carências do interessado direto na pasta — o produtor — do que promover ações que seriam mais aparentes. Nesse sentido, por exemplo, pôs fim à prática de prioridade de recursos da pasta para shows artísticos e rodeios. Procura deixar claro que o foco é na qualificação do setor agrícola do Estado.
O titular da Seagro carrega no sangue e no nome a vocação para o cargo. Ele é filho de Antônio Flávio de Lima, titular da mesma pasta nos governos de Otávio Lage (de forma integral), Leonino di Ramos Caiado e Ary Valadão (durante parte das gestões). Nessas duas últimas, saiu por discordar de intervenções de militares. Em uma delas, insatisfeito com a indicação de um coronel para comandar a Defesa Sanitária, Antônio Flávio Lima pai disse que seria o mesmo que colocar um veterinário para comandar um batalhão. O atual secretário parece ter herdado do pai, já falecido, a austeridade no trato com a coisa pública — ele revela que a secretaria passou um ano sem usar verba para combustível nos carros oficiais nem telefone celular.
Cezar Santos — Goiás é um grande produtor agrícola e há uma perspectiva de quebra de safra, ainda que pequena. Como isso vai afetar a economia goiana?
Essa quebra está se concretizando em nível nacional e dentro de uma previsão, após o problema da seca na região Sul do País. De uma forma mais forte, isso vai ser sentido na cultura do milho, especialmente nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, grandes produtores desse item. Em Goiás, as primeiras projeções apontam para um incremento de safra, tanto do milho como da soja, entre outras que produzimos em menor quantidade. Há uma perspectiva favorável de produção e a questão climática, para nós em Goiás, tem se dado sem causar grandes preocupações até o momento para as principais culturas. Todavia, seremos afetados por essa quebra da safra no Sul, de alguma forma.
Cezar Santos — Com essa perspectiva, Goiás pode ser favorecido de alguma forma? E de que forma?
Pode, no sentido de que, por exemplo, teremos um incremento da produção de milho, a princípio de 16%. Por incrível que pareça, a grande produção de milho vem na segunda safra, a chamada safrinha. Dentro das projeções, correndo tudo conforme o previsto, inclusive em relação ao clima e com os produtores cumprindo as metas de plantio, teremos esse índice. A queda na região Sul nos dará condições favoráveis para suprir o abastecimento com esse excedente produzido. É, portanto, uma perspectiva bastante razoável. O mesmo podemos dizer em relação à soja, na qual tivemos um incremento de produção, embora vivamos um clima de crise no mundo, principalmente com os problemas sérios na Europa. Mas os preços em geral estão bons e devemos ter o cumprimento das previsões da época do início do plantio, o que não quer dizer que o produtor terá um lucro muito grande, até porque o custo de produção aumentou razoavelmente neste ano.
Cezar Santos — Há uma estimativa do aumento desse custo?
Isso é algo que precisa ser analisado sob alguns pontos interessantes. Quem fez venda e compra antecipadas entra em condições diferentes daqueles que compraram os insumos já na hora de fazer o plantio. Então, isso é muito relativo. Haverá produtores que conseguiram preços mais baixos, por exemplo, de fertilizantes e outros que, por problemas diversos, como um retardamento na liberação dos recursos de um financiamento, passam a comprar esses insumos em uma hora menos oportuna. É importante que o produtor tenha esse acompanhamento, mas fica muito relativa essa avaliação do custo de produção, pois é variável de acordo com o modo com o que ele fez sua compra.
Cezar Santos — E o que tem pesado mais nessas despesas do produtor?
Na verdade é uma mistura, cada um em sua proporção. O fertilizante acaba tendo um peso maior porque é um produto usado em quantidade maior. Se não analisarmos apenas a parte de custeio simplesmente, mas também os custos gerados pelos investimentos, nós vamos ver que no Brasil o produtor paga muito caro pelo maquinário adquirido. As máquinas que utilizamos em nossa produção agrícola e pecuária, em geral, são muito mais caras do que as de países que concorrem conosco. Isso traz uma desvantagem competitiva para o Brasil: se nós temos uma eficiência dentro da porteira, passamos a perdê-la à medida que o produtor encontra, por exemplos, insumos mais caros e uma variedade limitada deles -— muitas vezes temos uma limitação de insumos muito mais restrita, por conta de normas do Ministério da Agricultura. O que chama muito a atenção é também o tanto que o custo da mão de obra tem subido significativamente. Parte da remuneração dos trabalhadores rurais é feita com base no salário mínimo, apesar de praticamente mais ninguém apenas o mínimo na agricultura comercial. Mas como os pagamentos normalmente são indexados ao salário mínimo e este tem tido um aumento muito superior ao INPC ou a qualquer outro custo de produção ou preço de venda. Isso também acaba onerando nosso produto.
Elder Dias — O sr. falou no que teremos de incremento na produção. E do outro lado da balança? Que produtos com certeza vão ter queda na produção em Goiás?
Serão produtos que representam pouco no conjunto. Devemos ter mais de 15 milhões de toneladas de grãos, contra 13,5 milhões do ano passado. A soja deve sair de 7,3 milhões para 8 milhões de toneladas; o milho deve subir de 4,8 milhões para 5,6 milhões. Isso são só projeções, porque a colheita está apenas começando e tem muito milho que ainda vai ser plantado. O que deve cair é, por exemplo, a produção do girassol, que representa muito pouco no total; o arroz, que vem caindo ano a ano depois de o Estado ter sido um grande produtor dessa cultura, que hoje tem um preço muito baixo; o trigo, também pouco produzido por aqui, deve cair um pouco, o feijão deve se manter estável e o algodão e o sorgo devem aumentar razoavelmente sua produção. A perspectiva é de que a queda se dê em produtos com menor importância no conjunto dos produtos gerados no Estado. Ressalto que os dados que utilizamos são oficiais, gerados pelo IBGE em conjunto com as secretarias, entidades do setor e a Conab, entre outros.
Elder Dias — A área plantada permanece estável ou teve algum incremento?
O crescimento foi pequeno em termos de área plantada. Mas quando se aumenta, por exemplo, a área do milho, se aumenta a produção e a produtividade, já que é uma cultura que chega a 6 a 8 toneladas por hectare. Já a soja tem 3 toneladas por hectare. Ou seja o aumento de produção não é necessariamente caracterizado por um aumento muito expressivo de área plantada, depende do que está se plantando.
“Zoneamento agrícola, por si só, não resolve os problemas”
Cezar Santos - E a questão da cana-de-açúcar, que tem tido bons preços e avançado sobre áreas de cultura de grãos. Qual é a gravidade disso para a economia do Estado?
É um fato que não chega a preocupar, mas que não deixa de chamar a atenção, por se instalar em áreas de agricultura já consolidadas, principalmente na região Sudoeste, que já foram trabalhadas e melhoradas. Essa entrada da cana, que é bastante sentida pelos produtores, tem gerado uma mudança na estrutura local e nas relações comerciais entre eles. Parte razoável de nossa produção se dá em áreas arrendadas. Quando a cana se instala em uma região, ela põe um preço de arrendamento superior à capacidade de pagamento das culturas tradicionais. Isso tem gerado certo desconforto e uma preocupação de que uma eventual expansão muito forte da cana cause desestruturação do modelo de produção já existente. Estamos ainda em uma fase de análise e de estudos. Ainda não há um impacto real da cana na cadeia de produção de soja e de milho ou de produtos que são ligados nessa cadeia, como o frango ou a carne suína. Mas existe a preocupação dos produtores a respeito disso. Temos de ter o cuidado necessário para manter o equilíbrio nesse processo.
Cezar Santos — Em relação a esse cuidado, por exemplo, o ex-prefeito de Rio Verde Paulo Roberto Cunha chegou a instituir um zoneamento agrícola municipal limitando a plantação de cana no município. O sr. acha que isso seria viável ou possível em termo de Estado?
O prefeito Paulo Roberto se preocupava não exatamente com a entrada da cana, mas, sim, com a produção agrícola já existente no município. Ele tomou essa medida, que acabou se tornando de efeito relativo, porque ele acabou limitando a instalação de indústrias em Rio Verde, mas não necessariamente o plantio, porque isso, sendo de cana ou de qualquer outra cultura, é de deliberação do produtor em um país de economia livre. E tem funcionado bem dessa forma no Brasil, diga-se. O problema em relação ao caso de Rio Verde é que, com a limitação da instalação de indústrias no municípios, elas passaram a ocupar o espaço nos municípios vizinhos, logo depois da divisa. Ou seja, a medida acabou se tornando inóqua, porque os produtores de Rio Verde passaram a produzir cana em suas terras para fornecer para as usinas dos municípios vizinhos. O que houve de importante nessa medida foi chamar a atenção para uma preocupação que é justa e tem de existir. É um assunto que precisa ser mais bem discutido, porque o zoneamento em si não resolve o problema, já que pode permitir que a cana seja plantada em uma região em que as indústrias não vejam viabilidade logística ou nem tenha interesse de se instalar. É preciso discutir condições para que essas usinas sejam implantadas em regiões em que a agricultura não está muito desenvolvida e haja o interesse de prefeituras e produtores, que às vezes são ávidos por isso. Esse é o desafio.
Elder Dias — Que regiões seriam essas?
Especialmente no Nordeste e no Norte do Estado. Muitos prefeitos e produtores que nos visitam estão ávidos por investimentos. São regiões mais pobres, em que a instalação de usinas nessas regiões não refletiria desenvolvimento apenas pela produção de etanol, mas também geraria um bem-estar social e econômico bastante interessante, pois criaria condições de empregabilidade para milhares de pessoas que estão desempregadas ou subempregadas. Dentro de um ponto de vista social, levar usinas para outras regiões seria muito interessantes para o Estado.
Elder Dias — Isso passa necessariamente pelo subsídio do poder público, seja por parte do governo estadual, seja por parte das prefeituras. O Estado tem caixa hoje para bancar esse desenvolvimento nessas regiões?
O Estado já tem o Produzir, um programa que incentiva a implantação de indústrias de uma forma muito interessante. Nós poderíamos discutir isso também por meio de fóruns e dentro do conselho do Produzir para saber o que fazer especificamente para essas regiões. Acredito que o custo-benefício em uma região menos desenvolvida e mais carente seria ainda maior para o Estado de Goiás.
Cezar Santos — Mas o Produzir estimula o investimento em todo o território do Estado. As empresas, naturalmente, vão procurar os locais em que há naturalmente melhores condições. Não é o caso de se fazer uma reordenação do programa?
Creio que o Produzir possa ser estudado para que, nessas regiões, o incentivo seja mais interessante ainda. Tem de ser uma discussão técnica, para analisar a viabilidade para o Estado e para as indústrias. Por enquanto, temos apenas uma avaliação preliminar, mas a Secretaria da Agricultura já está discutindo com entidades a possibilidade de se permitir incentivos melhores em regiões mais carentes.
Elder Dias — Nesse sentido, não deve ser um trabalho isolado da Secretaria da Agricultura, já que há um trabalho logístico que precisa ser executado, seja em malha viária, energia etc. Seria preciso envolver outras áreas do governo. Há essa interação para favorecer esse desenvolvimento localizado?
Estamos com uma relação bastante estreita, por exemplo, com a Agetop, para identificar os pontos de estrangulamento para o escoamento da safra e transporte de insumos. É verdade que encontramos o Estado em uma situação bastante precária, não somente em termos de infraestrutura, mas também na estrutura da própria secretaria, que é muito aquém do necessário para que se desenvolva um trabalho ideal, principalmente em relação ao tamanho que o setor que ela representa tem em nossa economia. É uma secretaria que tem 0,15% do pessoal do Estado, um porcentual baixíssimo. Em nosso corpo funcional, temos uma estrutura de poucos técnicos. Encontramos uma secretaria que, pelo menos nos últimos anos, não foi moldada para fazer gestão do setor público agrícola. Os principais programas da secretaria eram realização de shows artísticos e rodeios. Não fui para lá para isso, até porque não entendo da área. Mas não considero que deva ser uma preocupação prioritária da pasta.
Elder Dias — Isso é um fato relativamente grave. A secretaria tinha um gasto expressivo com esse tipo de evento?
Bem expressivo. O apoio a exposições agropecuárias vinha sendo feito basicamente com atendimento de shows e com espetáculos de rodeios. A parte técnica e de discussão de desenvolvimento dos municípios não estava em primeiro plano na pasta. Era muito pouco para uma Secretaria de Agricultura. Identificamos poucos técnicos no quadro, muitos deles já aposentando, e muitos servidores de outros órgãos, o que gera um problema de gestão bastante sério, já que o órgão de origem pode solicitar a pessoa a qualquer momento, depois de preparada e capacitada em nosso sistema de trabalho. O fato é que pegamos uma secretaria que atendia somente a uma parte limitada dos anseios do setor, embora eu não esteja aqui para fazer críticas a ninguém ou para julgar alguém, até porque foi um processo que aconteceu ao longo dos anos e sobre o qual o próprio setor privado não se preocupou. O Estado reage a demandas. Foi o que aconteceu em relação à cana e à discussão da aftosa, assuntos que tiveram e têm a participação efetiva das entidades privadas, de papel fundamental nesse processo.
“Efetivo da Seagro não é 10% do pessoal”
Elder Dias — Os "clientes" da secretaria cobram pouco?
Deveriam cobrar mais. Vou dar um exemplo: a Emater, a Ceasa e a Agrodefesa são órgãos jurisdicionados à secretaria. Tive uma reunião sobre como reestruturar a Ceasa, sobre a forma de fazer com que ela mantenha seus princípios e sua missão básica, em moldes modernos e em cooperação maior ou menor com a iniciativa privada, fazendo com que ela garanta o abastecimento de outras regiões e não somente de Goiânia, sempre considerando que muitos de seus fornecedores são pequenos produtores. São assuntos como esse que foram deixados no decorrer dos anos e que estamos buscando retomar. Da mesma forma, a Emater, que foi sucateada, desestimulada e desestruturada, mas que prestou serviços imensos ao Estado e que agora está sendo recriada sob a forma de agência. A Emater teve um papel fundamental no desenvolvimento de Goiás, mas que agora passa por enormes dificuldades, que tem um quadro cheio de limitações estruturais e financeiras, com muitos de seus servidores, de excelente qualidade, chegando à idade de aposentadoria. Já a Agrodefesa foi bem estruturada nos últimos anos, até porque o setor produtivo teve participação importante em sua criação, no segundo governo de Marconi Perillo, que atendeu os pedidos e a formatou de forma moderna e eficiente, com agilidade. É um órgão que acabou fortalecido também por lidar com a questão sanitária do rebanho, cuja excelência é fundamental para a exportação, não apenas de carne, mas também de produtos agrícolas. Então, quando falamos em fragilidade do setor, há a cota de responsabilidade dos gestores, mas também é necessário que o setor privado participe apoiando as iniciativas, que nem sempre são coisas simples.
Márcia Abreu — Quais outros desafios tem a secretaria para este ano?
Um deles é a Superintendência de Irrigação. É uma superintendência de projetos muito grandes, mas com estrutura muito limitada. Temos recebido todo o apoio do governador para sua reestruturação e fazendo gestões na Segplan. Há projetos imensos, caros e muito complexos.
Cezar Santos — Pelo que o sr. falou a respeito de pessoal da Seagro, pelo jeito vai precisar fazer concursos. O governador acenou positivamente em relação a isso?
Em virtude das dificuldades por que o Estado passou em 2011, tentamos produzir o máximo com a equipe que temos, já que era o momento de dar fluxo às demandas então geradas, não havia como protelar. Eram inúmeros convênios, como por exemplo os que eram da Agenciarural, que foi absorvida pela Seagro. Em 2010, com a recriação da Emater, o pessoal da Agenciarural foi para o órgão e nós ficamos com a responsabilidade do convênio mas sem os recursos humanos para executá-los. Apesar de várias idas a Brasília, tivemos enormes dificuldades com isso. É o mesmo que ocorre agora com a Superintendência de Irrigação, para a qual precisaremos de uma equipe bem maior para desembaraçar os projetos que têm pendências mais complexas. Agora, neste momento, estamos em uma análise mais aprofundada das necessidades da secretaria em termos de pessoal. O número de servidores realmente efetivos da secretaria não deve chegar a 10% do quadro total; o restante são comissionados ou servidores de outros órgãos. É importante ressaltar, sobre os comissionados: todos os que estão lotados lá trabalham, sem exceção. Falo isso porque, quando cheguei, tive informações de que havia gente que não dava expediente. O quadro de comissionados, hoje, é necessário em função da falta de concursos para o setor, mas que não atende todos os serviços de que precisamos, por conta da remuneração mais limitada. Outro desafio em relação aos servidores é que há muita gente na ativa, mas em processo de aposentadoria.
Elder Dias — Dentro da Seagro há uma área hoje que seria mais carente de concurso público? Qual o sr. priorizaria, em termos de pessoal?
Na situação em que nos encontramos, temos carência tanto da área meio quanto da área fim. Temos problemas na áreas administrativa e jurídica, em que contamos com muita gente de outros órgãos, pessoas de muita competência, mas que não são do quadro efetivo. Na área técnica, perdemos praticamente todos os profissionais. Para um serviço de assistência no plantio de mudas em assentamentos, chegamos ao ponto de ter de identificar os agrônomos que haviam na secretaria para cumprir a tarefa. A começar do próprio secretário.
Elder Dias — O sr. então teve de botar a mão na massa?
Eu não precisei chegar a ir, para ser sincero. Mas, se não tivesse atingido a participação necessária, eu iria sem o menor problema. Se tem uma coisa da qual não tenho medo é de trabalhar. E como era uma tarefa extremamente simples, seria apenas questão de vestir a camisa. Temos técnicos que estão há muito afastados do campo, em áreas de planejamento ou levantamento de dados, mas todos com formação suficiente para esse tipo de serviço que se exigia.
Cezar Santos — Vou fazer agora uma pergunta mais ao produtor do que ao dirigente: como o sr. vê a questão do crédito e do seguro agrícola?
Deveria ser bem mais fácil se buscar por crédito agrícola, em um País que precisa tanto e tem tanto potencial para produzir alimentos. Costumo dizer que o setor agrícola não é o mais importante da economia; todos os setores são importantes, não existe mais a visão de que um setor possa se desenvolver de forma isolada. Mas, por outro lado, é um setor extremamente sensível a políticas do governo, especialmente o federal, que é o que detém os recursos, em sua maioria. Deveria haver uma política de garantia, não apenas de preço mínimo, mas de um seguro agrícola. Neste momento, vemos inúmeros produtores em uma situação muito precária no Sul do País. Sob o ponto de vista do Estado, quando este não cria as condições mínimas para o desenvolvimento de um setor, é natural que haja o deslocamento de seus empreendedores para outros ramos da economia. É um risco muito grande para o Brasil, que sustentou seus planos de inflação baixa por conta dos alimentos, que também têm sustentado sua balança comercial. Perder a condição de grande produtor de alimentos seria muito ruim ao País e ao mundo. Quem hoje pode produzir alimentos baratos e acessíveis, a não ser o Brasil? A China e a Índia já estão com 100% de sua exploração agrícola definidos. Não têm áreas para cultivar e terão dificuldades imensas para aumentar a produtividade. O processo de urbanização da China está entrando em locais onde se produzia alimentos. Há bairros e cidades sendo construídos da noite para o dia, em áreas onde antes se plantava. O Brasil, não. Por aqui, há uma condição muito favorável à produção de alimentos. Basta que o governo acene positivamente para um setor que não gera ônus para o Estado, porque, quando a União empresta dinheiro ao produtor, ela recebe de volta. Não é a fundo perdido. E outra, recebe também de forma indireta: cada família que está no campo é a certeza de que haverá mais empregos gerados e menos ruas a serem asfaltadas, menos habitações, menos obras de esgoto etc. O que o produtor pede é o mínimo, apenas uma condição razoável de crédito, com juros compatíveis, e o seguro agrícola, que é extremamente importante para a produção por ser uma atividade de risco diferenciado. É o mínimo que o governo federal poderia fazer pelos produtores.
Cezar Santos — Os produtores de leite reclamam do preço baixo, mas também da falta de estímulo. O que o governo estadual poderia fazer pelo setor?
É uma atividade importantíssima, que envolve, em todo o Estado, cerca de 200 mil pessoas, uma quantidade muito grande. Temos uma indústria de laticínios com capacidade bem expressiva já instalada e que está relativamente ociosa porque a produção caiu nos últimos anos. Também é verdade que o nosso produto, se comparado a outros países em termos de preço pago ao produtor, não está em desvantagem muito grande. Não nos preocupa muito a capacidade de produzir dentro da fazenda. O que realmente causa apreensão são os custos que temos no Brasil, que fazem com que, mesmo recebendo um preço bom, não vai conseguir auferir lucro. É o custo Brasil, que é muito alto: o maquinário e o custo dos insumos são dos mais caros do mundo. É o mesmo que ocorre em outros setores, como a indústria automobilística: o que onera a produção não é só o preço de venda, mas o custo de produção. Com o leite temos dificuldade de fazer a produção com a mesma tecnologia do exterior porque não consegue comprar as máquinas (ordenhadeiras, distribuidores de ração, máquinas de silagem etc.) e os implementos. Precisamos ter escala para viabilizar a produção e isso acaba prejudicando todo o processo.
Elder Dias — É uma tendência natural uma queda maior da produção de leite goiana no ranking nacional? Já fomos o 2º maior produtor do País e hoje estamos em 4º...
Há duas situações. Primeiramente a substituição de uma cultura por outra. Creio que parte da produção de leite esteja sendo trocada por lavouras, como a de soja ou a de cana. Outra razão é que há milhares de pequenos produtores que não se adaptaram à realidade de mercado que hoje nós temos. Então, é preciso identificar como atender melhor quais os programas de atendimento a essa pequena produção para que não caiamos ainda mais. Não nos preocupamos em ser o maior produtor de leite ou de soja, mas que os produtores estejam em situação de equilíbrio, tendo lucro em sua atividade. Muitas vezes ser o maior significa ter prejuízo, já que produzir muito significa dificuldade de comprar pela indústria. É uma atividade complexa, que precisa de gente qualificada. Quem produzia mil litros de leite há 30 anos era um grande produtor; hoje, podemos chamá-lo de pequeno produtor. As relações de troca mudaram e as escalas de produção são fundamentais.
Márcia Abreu — Há alguma novidade sobre a vinda dos chineses para produzir soja em Goiás?
Logo após o retorno da viagem à China, recebemos uma proposta para análise do Estado, com cinco itens. Envolvemos as entidades de classe, principalmente as cooperativas, e produtores rurais. O que se queria era algo inédito, que não existe no Brasil e não sei se existiria no mundo. Então, seria preciso primeiro identificar as possibilidades de uma relação comercial; em segundo lugar, uma mudança de comportamento, que afeta inclusive nossa cultura. Elaboramos uma proposta com base em uma intermediação por parte das cooperativas, que passariam a organizar a produção para o exterior. Estamos no momento aguardando uma posição dos chineses. É bom lembrar, no entanto, que há uma retração da economia mundial. O que era uma intenção há um ano pode não ser a mesma hoje. O consumo de soja da China foi algo fora do comum nos últimos dez anos, de uma quantidade muito baixa de importação para outra, extremamente alta. Uma informação que temos é de que no último ano não houve um crescimento na mesma velocidade anterior, o que pode ser em decorrência do problema econômico na Europa e em outros países. Se houver uma retração na China também, haverá um esfriamento natural nesse processo da negociação.

Márcia Abreu — O Estado contava com esse aporte financeiro dos chineses, o que ajudaria inclusive na infraestrutura de Goiás. Como fica isso a partir de agora?
A proposta dos chineses envolvia a compra de soja produzida no Norte do Estado, com financiamento da produção a taxas mais baixas, a construção de várias unidades armazenadoras, obras de modais próximos a ferrovias, outra obra no Porto de Itaqui (MA) e a ajuda na recuperação de estradas, para ajudar no escoamento da produção. Por isso tudo, a transação é muito complexa e construída com cooperativas e produtores. O Estado criou as condições de negociação; a partir daí, a relação tem de ser entre comprador e vendedor. O Estado não vende soja; quem vende é o produtor. A responsabilidade é dele.
Elder Dias — Nesta semana houve o anúncio da expansão do número de propriedades goianas aptas a exportar carne para a Comunidade Europeia. Até que ponto isso é uma tendência, apesar da retração do mercado mundial?
Não deixa de ser uma notícia boa para nós, porque mostra que muitos produtores estão se preparando. Não basta ter um rebanho muito grande; precisamos também de uma carne de qualidade. É o que vai assegurar o mercado para o Brasil em períodos de crise, como o atual. Se pensarmos por que a Austrália exporta uma quantidade de carne muito menor, mas recebe, em média, um valor muito mais alto do que o pago por nossa carne, vamos ver que isso ocorre porque eles atingem mercados mais exigentes. À medida que o Estado tenha mais propriedades aptas a vender carne para o mercado europeu, será maior a facilidade de acesso dessa carne a outros mercados, já que o nível de exigência dos europeus é maior do que a média dos demais. Dessa forma, torna-se uma espécie de certificação de qualidade conferida a esse produto. A expectativa de todos é de que a crise da Europa seja solucionada rapidamente.
Cezar Santos — Como estão as campanhas de vacinação para o rebanho goiano?
É um trabalho que já vem sendo feito pelo Estado ao longo de muitos anos. A Agrodefesa foi bem estruturada, recebeu mais de 700 técnicos, via concurso público, o que fortaleceu a entidade. A excelência de qualidade sanitária foi uma condição imposta pelos mercados compradores, especialmente a Europa. Então, houve de nossa parte uma reação rápida para vender nossa carne. Em 2011, a Agrodefesa conseguiu, no Ministério da Agricultura, uma autorização para reduzir a vacinação antiaftosa de animais acima de 24 meses na etapa de novembro, o que gerou uma economia de 12 milhões de doses a menos e de R$ 15 milhões aos produtores. Muito mais do que essa economia, foi um passo importante para que, em poucos anos, o Estado seja livre de aftosa sem vacinação. Mas há um caminho longo a percorrer ainda, que passa pela estruturação dos postos da Agrodefesa — o que já está sendo feito — e o avanço no processo de conscientização e participação dos produtores, que são os agentes principais. Não adianta ter o fiscal se o produtor não vacinar o rebanho. O Estado faz a fiscalização e as campanhas, mas manter o rebanho saudável é responsabilidade dos produtores. Por isso, estamos envolvendo as entidades que representam os grandes e os pequenos produtores rurais. Basta um animal com aftosa para perdemos todo o status que estamos conquistamos.
Márcia Abreu — Qual é a importância hoje do Fundepec no contexto do agronegócio em Goiás?
Sou presidente desse fundo em Goiás desde antes de assumir a Seagro. O Fundepec [Fundo de Desenvolvimento da Pecuária] foi criado a partir do momento em que o Estado recebeu o certificado de região livre de aftosa com vacinação. Houve, por parte das entidades internacionais que deliberam sobre o acesso de nossos produtos aos mercados, uma exigência de que fosse constituído um fundo indenizatório. A importância desse fundo, primeiramente, é indenizar os produtores no caso de uma emergência sanitária: se houver um foco de aftosa, é necessário abater todo o rebanho em um determinado raio e indenizar os produtores por conta desse prejuízo que terão. Isso aconteceu há alguns anos em Mato Grosso do Sul e naquele momento gastaram-se mais de R$ 200 milhões no pagamento do ressarcimento e também nas despesas operacionais para se fazer isso. Todos sabem que o Estado, em geral, é lento para ações como essa, porque há todo um trâmite, em que a demora é de dias ou semanas para serem atendidas. Se houver um foco de estomatite vesicular — doença com sintomas muito semelhantes aos da aftosa — em determinada região de Goiás, há uma suspeita de aftosa. Precisaremos então de uma ação imediata para identificar e cercar tal foco, para evitar que, em caso de ser algo mais grave, isso se espalhe. Nessa hora entra o Fundepec, que imediatamente disponibiliza dinheiro para material, diárias e sustentação de equipes de defesa sanitária. Tudo isso em poucas horas. Há muitos anos já, o Fundepec tem um termo de cooperação com a Agrodefesa. Há servidores que foram auxiliar no trabalho da fronteira de Mato Grosso na ocasião de um foco de aftosa no Paraguai. Auxiliamos com viaturas, combustível, comunicação, computadores de bordo e todo o pessoal foi remunerado pelo Fundepec. É uma instituição extremamente importante, com oito entidades participantes e contribuição voluntária por parte do produtor. O maior arrecadador é a pecuária de corte, que banca 80% do total do fundo.
Cezar Santos — O Brasil já está completamente livre da ameaça da doença da vaca louca? Aqui em Goiás já não se faz mais aquela chamada “cama de frango” [espécie de ração para alimentação de gado, mais barata que as tradicionais]?
Nosso País nunca teve problema com essa doença. Um risco de contaminação era por meio da cama de frango, uma vez que o frango poderia ser alimentado com ração de origem animal — farinha de carne ou farinha de sangue de bovinos, por exemplo. Ela pode ser vendida de um produtor, que produz a cama de frango, para outro, que compra para seu gado consumir. O que temos feito junto com o Ministério da Agricultura é orientar os produtores a utilizar essa cama não na alimentação animal, o que geraria riscos sérios e limitações sanitárias por parte de importadores, mas na fertilização das pastagens e de áreas em que se vai plantar milho para silagem. Ultimamente, ocorreram pouquíssimos casos e o Ministério da Agricultura tomou providências bastante severas: uma fazenda que tenha animais alimentados dessa forma pode ter todo o rebanho abatido. Acredito que seja algo praticamente não existente mais no Estado.
Cezar Santos — Em relação à questão ideológica do campo, como o sr. tem visto a atuação do MST, por exemplo, em Goiás?
O tempo para esses movimentos radicais já passou. A sociedade não aceita mais qualquer tipo de radicalismo, principalmente o que preconizava não o benefício do assentado, mas ações de efeito político, que criassem dificuldades para os governos. É preciso que os movimentos sejam feitos por entidades legalmente constituídas. Isso é importante, porque vivemos em um País no qual todos devem respeitar sua Constituição. As pessoas precisam ter sua cota de responsabilidade e as entidades que não têm ainda uma organização jurídica nem um CNPJ não podem ter um papel de destaque.
Cezar Santos — O MST, que não tem essa existência jurídica, recebe apoio do governo federal. O ex-presidente Lula colocava boné do MST e desfilava com seus integrantes. Como o sr. vê esse tipo de situação?
É um modo de agir diferente do que penso para um País que precisa fortalecer suas instituições. O Brasil perde muito à medida em que os indivíduos passam a ser maiores do que as instituições. Quando há entidades devidamente constituídas, é preciso que o governo, seja ele de qual esfera for, apoie o processo de aproximação e de negociação com essas entidades. Temos um País imenso, em que governantes não poderiam ser levados por suas simpatias. Ressalto, porém, que é justo que os produtores e as categorias se organizem e façam pleitos. Eu mesmo já recebi movimentos sociais e dei encaminhamento a suas demandas, nas condições que temos. Seria muito bom um governo que pudesse melhorar tudo e resolver tudo da noite para o dia, mas não é assim que acontece. A burocracia no Brasil é algo muito sério. O que vemos com muita preocupação é que os assentamentos estão, em grande parte, em situações precárias. As pessoas que lideram esses movimentos precisam estivar preocupadas com a condição de quem está assentado, para criar gestões e também responsabilidades. É uma via de mão dupla: o governo tem de ajudar, mas o assentado precisa fazer seu papel. Não basta assentar e trazer mais gente que às vezes não tenha nem aptidão nem qualificação para a atividade, largando esse pessoal em um pedaço de terra sem a menor assistência, sem a menor condição para que se desenvolva. Ainda não temos políticas efetivas para os assentamentos e o que se pode criar, se não tivermos cuidado, é um favelamento rural. E o pior desse fenômeno é que ninguém que more em grandes centros o verá: ninguém vai a um assentamento a 200 ou a 500 quilômetros para ver em que condições vivem as pessoas que estão lá. Existe uma política de assentamento que não contempla os requisitos necessários: não há qualificação, não há identificação de quem tem ou não aptidão. A aptidão é essencial, porque a partir do momento em que alguém se torna um pequeno proprietário ele é um empresário, com deveres e direitos. E nesse sentido, há pessoas preparadas, mas também muitas que não estão preparadas.
Cezar Santos - Há uma preocupação em fomentar o cultivo de culturas não tradicionais, como uva ou outros tipos de frutas?
Desde o início tivemos uma preocupação e um cuidado grande com novas culturas, não para inibir iniciativas, mas para criar condições para seu desenvolvimento sustentável. Não há hoje possibilidade de se colocar produtos de qualidade inferior para venda. A dona de casa é extremamente sábia ao fazer as compras, vai à feira ou ao supermercado e conhece a uva, a laranja que tem boa qualidade. O produto de baixa qualidade só engana uma vez, ninguém vai comprar novamente algo assim. Como a população teve sua renda aumentada, ela também evoluiu em termos de exigência, passou a escolher produtos de melhor qualidade. Nossa preocupação, então, é fazer com que tais atividades se sustentem pela qualidade, mas também sejam sustentáveis no modelo de produção. É preciso lembrar que o Brasil tem produção tradicional de uva no Sul e tem uma região com projetos de irrigação e de uva de boa qualidade , que é o Vale do Rio São Francisco, inclusive com exportação de outras frutas. Os produtores precisam estar atentos a essas questões. Vamos discutir em breve, em um workshop, a cultura da uva em Goiás. Vamos analisar se o produto é tão bom quanto o de outros Estados e o que é preciso fazer que ele se torne tão bom ou melhor do que o que compramos de fora. Também vamos ter de preparar técnicos e qualificar produtores. Ou seja, é preciso ter cautela com essas culturas. Projetos que foram feitos sem esse cuidado foram malsucedidos, como um que foi feito em Iporá, com incentivo de frutíferas, que não foi adiante porque não foi sustentável. Hoje não há mais nada do projeto e a conta ficou para o agricultor pagar. Em uma Festa da Uva, ao longo de alguns anos, a preocupação de alguns era a festa em si. Eu não penso assim: nossa preocupação tem de ser fazer a uva virar motivo de festa.
Márcia Abreu — Como o sr. avalia o contato com as secretarias municipais de Agricultura?
No ano passado, identificamos que uma parte dos municípios não se conhecia muito bem. Vinham até a Seagro para demandar soluções que eles mesmos poderiam resolver. A partir disso, fizemos um seminário com praticamente todos os secretários e grande parte dos prefeitos, abrindo oportunidade para que eles pudessem conhecer nossa estrutura como um todo — além da secretaria, também a Emater, a Ceasa, a Agrodefesa. A partir desse conhecimento, nossa intenção é de que eles passem a identificar as diversas políticas públicas existentes para que busquem soluções para seus problemas e se adequem da melhor forma a essas políticas. Como exemplo, um dos acessos que propomos é por meio dos territórios: o Estado é dividido em territórios, mas muitos municípios nem sabiam da existência dessas estruturas. E a forma de obter produtos que venham do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) — que ajuda o pequeno produtor em ações em conjunto com os governos estaduais — é por meio desses territórios. Deduzimos que esse desconhecimento estava criando uma falta de acesso às políticas públicas existentes. A partir de 1º de março, vamos desenvolver 11 seminários em 11 regiões distintas do Estado, cada uma com características econômicas e sociais específicas, levando informações relativas a cada um dos municípios de tal região, de modo a que todos saibam o que está sendo produzindo, quais as oportunidades que podem ser buscadas e de que forma poderemos acelerar o processo de desenvolvimento. Independentemente de sigla partidária, todos os municípios serão atendidos. Muitos municípios que não queriam participar dos territórios agora estão buscando se inserir e cabe a eles acelerarem esse processo de inserção. À medida que isso for acelerado, com validação desses territórios pelo MDA, há recursos do governo federal à disposição. Vamos fazer a entrega, em alguns dias, de dezenas de distribuidores de calcário, pás de carregamento desses distribuidores, computadores, veículos etc., tudo por meio desses convênios. Quem não sabe disso não vai ter acesso, porque as políticas têm normas que precisam ser obedecidas. Um dos principais motivos é levar para esses municípios essas informações, para a secretaria ou a pessoa responsável pelo setor onde não haja a secretaria. Todos os municípios em Goiás, sem exceção, desenvolvem atividade agropecuária. Quanto menor sua população e maior a distância da capital, mais importante é essa atividade. Muitos municípios vivem quase que totalmente de atividades ligadas ao setor agropecuário e muitos desses não têm um foco voltado à incrementação dessa produção.