37 anos
Edição 1896 de 6 a 12 de novembro de 2011
En­tre­vis­ta|Luciano Henrique de Castro
“Goiânia está bem cuidada em cada um de seus bairros”
Presidente da Comurg destaca avanços na coleta seletiva e avalia que a cidade tem avançado em qualidade de vida na gestão de Paulo Garcia

Desde março do ano passado, o economista Luciano Henrique de Castro encara o desafio de presidir aquele que é, certamente, o órgão mais acionado da Prefeitura: a Companhia Municipal de Urbanização de Goiânia, a Comurg. Como ele mesmo ressalta, não tem como deixar a empresa de fora de qualquer ação da gestão municipal na cidade. “Mesmo que não atuemos diretamente, pode ter certeza de que estaremos presentes em algum momento na obra, seja em sua execução ou na manutenção do que foi feito.”

Por ser titular de um órgão tão participativo na administração, o economista, de 42 anos, Luciano é um dos auxiliares com mais capacidade de avaliar como tem sido a atuação prática da Prefeitura nas mãos do prefeito Paulo Garcia — e como a população tem percebido sua gestão. E ele garante: mesmo sem precisar se descolar da imagem de Iris, por não ter necessidade de fazer isso, o petista vai imprimindo sua marca própria no Paço, principalmente ao centrar ações em obras pontuais e priorizar a qualidade de vida do goianiense.

Luciano Henrique herdou o comando da Comurg das mãos de Wagner Siqueira Filho, o Waguinho, hoje deputado estadual pelo PMDB. Entre os vários desafios, um era o de popularizar a coleta seletiva. De ínfimas 50 toneladas mensais no início, hoje são recolhidas 2 mil a cada 30 dias. Um grande salto, embora ainda seja um volume relativamente pequeno em vista dos 33 milhões de quilos de lixo que os goianienses produzem no mesmo período. Maus hábitos da população local, como jogar entulho em vias públicas e varrer a sujeira da porta das casas e comércios para as calçadas, acabam por merecer um puxão de orelhas do presidente da Comurg, ainda que discreto. “Mas a coisa está melhorando, aos poucos”, observa.

Cezar Santos — Como o sr. avalia, hoje, o nível de conscientização do goianiense em relação à coleta seletiva?

A coleta seletiva tem apenas três anos e começou do zero. Hoje estamos coletando quase 2 mil toneladas por mês. A população não era acostumada em coleta seletiva e nunca havia ouvido falar nisso. Todo mundo achava que era um desafio muito grande. Então, iniciamos com um projeto piloto em metade do Jardim América. Hoje, toda a capital recebe o serviço. Somos modelo para o Brasil, vários prefeitos vêm a Goiânia para ver e copiar nosso projeto, que é simples, barato e eficiente, atendendo principalmente aquelas pessoas que vivem de recolher material. O grande sucesso é esse. Hoje as pessoas cobram a passagem do caminhão da coleta, separam o lixo do material reciclável, enfim, há uma mudança de cultura. A cada item que acrescentamos, a gente percebe uma grande satisfação por parte da população, como aconteceu com a implementação do recolhimento de óleo e do Cata-Treco. São coisas que vão agregando valor ao nosso trabalho.

Euler de França Belém — E do ponto de vista econômico, como está a coleta?

A grande preocupação do prefeito Paulo Garcia, seguindo o que pensava seu antecessor, Iris Rezende, é dar dignidade a quem vive da coleta. Eles trabalhavam em condições desumanas, sob chuva, explorados pela iniciativa privada. A Prefeitura criou condições adequadas para que eles trabalhassem. Hoje, os coletores têm um local deles, em que recebem a matéria prima e, com uma ajuda financeira do poder público, podem pagar água, luz, telefone, aluguel etc. No início do projeto de coleta seletiva, havia apenas uma cooperativa, com cerca de 15 a 20 cooperados. Hoje são mais de 300 famílias em 12 cooperativas, vivendo do material coletado de casa em casa. É um trabalho de cunho social muito forte.

Elder Dias — Como é esse processo?

Coletamos o material e levamos à cooperativa. Lá, eles separam os material, prensam e vendem para as indústrias, que são, na maioria, de fora. Da parte da Comurg, levamos para o aterro o resíduo da operação, aquilo que não é aproveitado depois da separação. Goiânia, hoje, virou um grande centro de matéria-prima para essas indústrias, porque ainda são poucas as cidades que fazem esse tipo de trabalho.

Elder Dias — Quais os materiais reciclados?

Temos o alumínio, que já é bem conhecido; o óleo, que serve para fazer massa de vidraçaria, por exemplo; o papelão, que dá origem a, por exemplo, telhas; os plásticos e materiais emborrachados, com os quais se fazem mangueiras; a embalagem tetrapak, que é uma das que têm mais valor e há a separação do alumínio, do plástico e do papel que há nela; isopor, que tem menos valor, mas O objetivo é que cada cooperativa se especialize em uma indústria, tornando-se cada uma independente, mas tendo a ajuda de todas as outras. Um exemplo prático: a indústria da telha, feita de papelão. Todos coletariam papelão, mas encaminhariam para uma cooperativa específica, a que fabrica a telha. O mesmo se daria com a cooperativa que faria as mangueiras e os demais materiais. Com isso, tiraríamos o intermediário, industrializaríamos aqui e comercializaríamos aqui. Cada cooperativa teria maior receita, com a ajuda de todas as demais.

Euler de França Belém — Então já há em Goiânia indústrias especializadas em pegar material coletado?

Sim, daqui mesmo de Goiânia, de Senador Canedo e de todo o Brasil, para praticamente todos os materiais. Já têm empresas que vêm aqui comprar isopor, que é um dos materiais de menor valor. A embalagem de ovo, até poucos dias, não tinha nenhum valor, mas já tem procura. É um material que, derretido, é misturado à água, vira uma massa e serve para fabricação de telhas.

Cezar Santos — Como está a questão da frequência da coleta nos bairros?

No mínimo, o caminhão passa semanalmente em cada setor, em 100% da cidade. A estratégia adotada é a seguinte: onde há prédios, com volume maior de material, a frequência é diária; conforme a densidade vai diminuindo também o número de passagem, com esse mínimo de uma vez por semana.

Euler de França Belém — O Alphaville faz a coleta interna, inclusive com veículo adquirido para isso. Por abrigarem geralmente pessoas instruídas, isso não deveria ser a regra entre os condomínios fechados, em vez de exceção?

Nesse assunto, falando um pouco fora da coleta seletiva, vocês já repararam que todo condomínio tem espaço para piscina, quadra de tênis, academia etc., mas não tem espaço para armazenar o lixo? No Portal do Sol há uma grande dificuldade, porque não há espaço para armazenar o lixo que produzem. Temos de mudar essa cultura. Não adianta passar para a coleta seletiva se não se souber, primeiro, cuidar do lixo no dia a dia. Mas isso está mudando. Sobre a coleta seletiva, recentemente nos reunimos com representantes dos condomínios horizontais e temos um projeto para absorver o material recolhido por deles.

Elder Dias — Quanto da população está estatisticamente envolvida com a coleta?

O maior índice que temos é o da participação que a população está passando a ter. Se começamos com 50 toneladas e hoje chegamos a 2 mil toneladas, é sinal de que há um aumento desse envolvimento.

Cezar Santos — Há ações educativas?

Sim, por meio da Comurg e da Prefeitura em geral, mas também com várias entidades. Nesta última Campanha da Fraternidade [organizada anualmente no Brasil pela Igreja Católica, e que teve a preservação do planeta como tema de 2011] fizemos uma ótima parceria com a Arquidiocese de Goiânia, com atividades diversas, inclusive na Assembleia Legislativa. Também atuamos com o Sest Senat [Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte] e na ExpoPesca, no Shopping Flamboyant. Estamos com um trabalho educativo permanente nas escolas municipais e com a conscientização de porta em porta nas casas, além de outras parcerias, com órgãos como o Secovi [Sindicato dos Condomínios e Imobiliárias de Goiás], a Acieg [Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás], as indústrias e shoppings de Goiânia. Resistências a esse processo existem em todas as áreas, mas estamos buscando avançar. Estamos também multiplicando o número de PEVs [pontos de entrega voluntária], que hoje são de 125 em toda a cidade e foi uma coisa que pegou em Goiânia. Com uma parceria com a Acieg, vamos reformas esses 125 PEVs existentes e vamos acrescentar mais 250, já para implementação nos próximos meses.

Elder Dias — E o pessoal parou de jogar lixo comum nos PEVs, como costumava ocorrer?

Tem melhorado muito nesse aspecto, muito mesmo.

Euler de França Belém — E sobre a coleta do óleo comestível? Ainda há dificuldades?
Um litro de óleo contamina 1 milhão de litros de água. Adaptamos nossos caminhões para pegar de casa em casa esse óleo que as pessoas guardam em garrafas PET. O cidadão pode ir guardando o óleo que consumir, pode armazenar que o caminhão vai passar na porta de sua residência. Além disso, o uso doméstico não é tão volumoso assim. Uma empresa como a QG Pastéis gasta 40 litros de óleo por semana.

Elder Dias — Como é que surgiu a ideia da implantação do Cata Treco em Goiânia?

O que ocorreu foi que o prefeito Paulo Garcia viu um sofá no meio da ilha de uma avenida. Ele, então, me ligou e perguntou se eu não poderia buscar o sofá antes de ele ser jogado em outro local. Foi daí que surgiu a ideia de iniciar o programa Cata-Treco. As pessoas, infelizmente, ainda têm o costume de jogar armário, geladeira, fogão velho, móveis em geral, na rua, em lotes ou até em córregos. Nosso objetivo é fazer com que as pessoas se conscientizem, nos procurem pelo telefone 3524-8555 — que funciona 24 horas por dia —, agendem a visita do caminhão e só coloquem o item a ser descartado quando isso for acontecer. Assim, o material pode ser mais bem aproveitado pelas cooperativas. Depois de agendada, a passagem do Cata-Treco ocorre em até uma semana. Além do Cata-Treco, temos também o recolhimento de entulho, a poda de jardim, o recolhimento de animais mortos, tudo isso pelo mesmo telefone. É importante que as pessoas entendam que uma poda de jardim, por exemplo, gera vários sacos de folhas e galhos e a pessoa acha que o caminhão da coleta convencional vai recolher. Não é assim. Cada coleta tem suas características.

Euler de França Belém — Nota-se que a Prefeitura não está apenas fazendo praças, mas que também há uma mão para fazer com que haja um trabalho bonito. Foi o que aconteceu, por exemplo, no entorno do Estádio Serra Dourada. É essa uma preocupação da Prefeitura?

O prefeito sempre pautou seu trabalho na qualidade de vida. Sempre se mostrou preocupado em dar uma condição melhor para a população utilizar os espaços públicos, com revitalização, bancos, jardinagem e outras coisas. São lugares, na verdade, que não estavam sendo aproveitados, os locais que "sobraram" em Goiânia, que não foram ocupados por prédios e casas e que estavam sendo vistos como espaços que não tinham utilidade. Essa forma de aproveitamento espacial foi idealizada e sugerida pelo próprio Paulo Garcia. Um exemplo é a Avenida Coronel Joaquim Bastos (Setor Marista), próxima ao Parque Areião. É uma avenida cercada por clínicas. Lá virou um espaço com conforto, onde há bancos e sombra para as pessoas descansarem, se arejarem, enquanto esperam suas consultas. Foi uma atitude inteligente e cheia de carinho para a população goianiense.

Elder Dias — Na Avenida Universitária, a antiga Rua 10, está havendo o corte de várias árvores frondosas, o que tem levado muitos moradores e pessoas em geral a protestarem contra a Prefeitura. O que está havendo ali, realmente, tem a ver com a obra de mobilidade que será feita ali?

A retirada das árvores não tem nada a ver com obra alguma. Elas estão sendo retiradas porque são espécimes condenados. As árvores que não estão condenadas serão contempladas no projeto. Em relação a isso tivemos o exemplo recente da Praça Tamandaré. Fizemos um novo desenho paisagístico para o local, que, considero, ficou mais bonito. Mas fui impedido de retirar três árvores de lá. Uma delas caiu sobre um motoqueiro. A responsabilidade, agora, é de quem? Da Prefeitura ou dos órgãos que proibiram a retirada? Não adianta, é da Prefeitura. Se tivesse retirado, a culpa seria nossa também. Então, não tem jeito, às vezes é preciso optar ou pelas árvores ou pela vida. Eu prefiro optar pela vida. Vamos retirar todas as árvores condenadas em Goiânia (a seguir, sua assessoria apresenta aos entrevistadores fotos de árvores retiradas da Avenida Universitária, aparentemente saudáveis, mas ocas por dentro). Infelizmente, somos obrigados a retirar algumas árvores saudáveis que se tornam condenáveis por serem “solteiras” [sem árvores ao seu redor]. Isso porque ela não dividirá mais a força que recebe do vento com outras árvores. Assim, não suportará esse impacto e cairá. Por outro lado, fizemos um levantamento esta semana e podemos dizer: só a Comurg plantou, neste ano, oito árvores para cada uma que foi retirada. Não vamos, então, tirar árvores irresponsavelmente, até porque almejamos ser a cidade mais arborizada do mundo. Estamos plantando muito e procurando adequar as espécies.

Cezar Santos — Ainda há uma concentração desse trabalho no Centro da cidade?

Apenas 10% é feito no Centro. O restante de nossa atuação é pelos bairros da capital. Em bairros como Vila Mutirão, São Carlos, Jardim Guanabara, Parque Atheneu, Jardim Liberdade, Conjunto Riviera e Jardim Novo Mundo, entre muitos outros, executamos projetos com a mesma qualidade do que é feito na região central. Só na gestão do prefeito Paulo Garcia, foram feitas 68 praças, além de 6 reurbanizações de trechos de avenidas. Além de construirmos, estamos mantendo e refazendo outros trechos.

“A cidade mais limpa não é a mais varrida; é a mais bem cuidada por sua população”

Euler de França Belém — E aquela ideia de capital das flores, permanece atual?

Fui a um programa de TV recentemente e fizeram esse questionamento, comparando a Goiânia de hoje à de antigamente. Não se pode compara a cidade nem ao que era um mês atrás, quanto mais em relação a 15, 20 anos. Hoje, Goiânia tem quase mil bairros, quase mil praças, mais de 1 milhão de carros, mais de 2 milhões de pessoas que passam por ela durante o dia; mais de 140 mil pontos de iluminação; mais de 33 mil toneladas de lixo por mês; há a coleta de 270 mil quilos de lixo hospitalar e mais de 100 mil toneladas de resíduos de construção, todo mês. Goiânia não é mais só Setor Marista e Setor Sul. Para atravessar a cidade de um ponto a outro são 45 quilômetros. E toda a cidade é servida com todos os equipamentos, é totalmente cuidada: toda a Goiânia é varrida, têm escolas e CMEIs em toda a Goiânia, tem postos de saúde em toda a Goiânia e tem iluminação em toda a Goiânia. Somos referência em limpeza, considerada a terceira cidade mais limpa do País, salvo engano.

Elder Dias — Mas ainda há problemas sérios de limpeza em alguns locais. Um deles é nas imediações da Estação Goiânia, perto da Rodoviária. Parece que há uma reação em cadeia quando alguém joga um papel no chão: todos se acham no direito de fazer o mesmo. Existe algum projeto de conscientização da população? A Comurg sente isso?

Muito. Vou dar um exemplo: às 6 horas da manhã, você pode passar em uma rua limpinha e, aos poucos, vai ver uma sujeira aqui e outra ali, até aumentar a concentração. Você observa bem de onde parte esse acúmulo e percebe que vem de um restaurante ou um bar ou, ainda, um pit dog. É onde as pessoas se alimentam durante a noite. Não temos gente para varrer a noite inteira. A cidade mais limpa não é a cidade mais varrida; é aquela que é mais bem cuidada pela própria população. Juntamente com a comitiva do prefeito Paulo, tive a oportunidade de conhecer várias cidades da Europa, como Madri, Bruxelas e outras. Fiquei encantado com a limpeza e cheguei a pensar que a gente era ineficiente em nosso trabalho. Mas descobri que as cidades lá são limpas porque as pessoas cuidam. São limpas porque o sujeito sai da casa dele e anda 100 metros para juntar o papelão em um lugar só; são limpas porque esse sujeito pega seu material e o coloca pouco tempo antes da hora de o caminhão coletor passar.

Euler de França Belém — Madri tem recipientes grandes para se colocar o lixo, o que não há aqui.

Vamos ver uma situação de Goiânia. Na porta do Fórum, o contâiner tem uma pilha de lixo. Ninguém se preocupa com a hora de passagem do caminhão da coleta, mas com a hora que lhe convém levar o lixo. Se se preocupassem em colocar o lixo perto do período em que o caminhão fosse passar, estaria aquele lixo ali. Há outro péssimo hábito também: a lixeira está a dez metros de distância, mas a pessoa joga o lixo no chão. A Avenida Goiás é varrida seis vezes por dia. A Avenida 24 de Outubro serve para um teste: passando lá às 19 horas, ela está limpinha; às 8 horas da manhã, está suja. Por quê? É que as pessoas lavam as lojas e jogam a sujeira na calçada, em vez de varrer para dentro. Goiânia é a única cidade do Brasil em que se varre calçada! Não porque a Prefeitura seja boazinha, mas porque a sujeira iria para a rua de qualquer jeito. Os contâineres que você viu em Madri são para coleta seletiva, semelhantes aos PEVs que temos aqui. De um lado pegam vidro, de outro, metal. São esvaziados poucas vezes por semana. Um recipiente lá tem somente o que é recomendado de se colocar lá. Se for vidro, é só vidro. Aqui em Goiânia, nas unidade de coleta seletiva de vidro, você vai encontrar vidro, papelão, metal, plástico, tudo o que pensar.

Euler de França Belém — Aproveitando o ensejo, vão ser colocadas novas lixeiras em Goiânia?

A gente faz isso permanentemente. São cerca de 400 todo mês. Isso porque as pessoas queimam, quebram, destroem, infelizmente.

Elder Dias — As sacolas plásticas, por entupirem bueiros e causarem problemas estruturais a partir daí, podem ser consideradas o maior problema com o lixo na cidade?

Não, o maior problema somos nós. Se o lixo fosse colocado da forma determinada pelo Código de Posturas não haveria problema. Como é isso? Dentro de uma lixeira suspensa. Quantos de nós aqui temos uma lixeira assim na porta de casa? Se isso fosse respeitado, o lixo poderia estar dentro de sacolinha, de uma caixa de papelão, do que fosse, que não teria como ir para bocas-de-lobo.

Euler de França Belém — Quem vê propagandas em jornais da cidade pensa que a revitalização da Avenida Ricardo Paranhos foi feita pela iniciativa privada. Foi obra da prefeitura ou de empresas particulares?

Ninguém faz nada de graça. A obra foi feita pelos trabalhadores da Comurg, sob determinação do prefeito Paulo Garcia. O que houve foi algo semelhante a uma PPP [parceria público-privada]: as empresas deram o material e, em troca disso, fazem o chamado adiantamento de licença onerosa para a construção de determinado empreendimento. Para construir um prédio, a empresa precisa pagar um valor “x” para a Prefeitura a cada metro para cima. O que ela faz é repassar uma certa quantidade material para a Prefeitura e passam a ter um crédito naquele valor. Então, em vez de pagar em espécie para a administração, fazem isso dessa forma. No caso da Ricardo Paranhos, a empresa gastou pouco mais de R$ 300 mil, gerados em crédito.

Elder Dias — Não é um valor pequeno? Isso seria praticamente o preço de um apartamento.

A contrapartida é fixa, de acordo com o gasto que será gasto na obra, no caso, a revitalização da Ricardo Paranhos.

Euler de França Belém — A Prefeitura fez uma parceria com a Celg, em relação à manutenção da rede elétrica? Como é isso?

O prefeito é uma pessoa que não se preocupa em ter a obra como dele. Preocupa, sim, com o bem da cidade e da sociedade. E a falta de energia é preocupante para a cidade. A Comurg não pode mexer em árvores que estão debaixo da rede de alta tensão, por um motivo simples: nosso pessoal não é qualificado para esse tipo de serviço, não tem a tecnologia nem o preparo para tanto. Não sei por que razão, mas não podaram as árvores durante os últimos tempos e estamos sofrendo as consequências agora. A Celg não tem tido a estrutura para fazer todo o serviço de emergência de uma vez só e o prefeito Paulo Garcia ofereceu essa ajuda, para que fosse feito um trabalho em conjunto, com a gente retirando troncos e galhos daquilo que a Celg fosse podando.

Elder Dias — Isso não seria obrigação da Comurg, a princípio?

Não, o processo todo seria obrigação da Celg, mas houve essa parceria, dando esse suporte a partir da Comurg, o que considero que foi um ato de grandeza do prefeito, sem se preocupar com a questão partidária, mas visando o bem da cidade e de seus moradores.

Euler de França Belém — Vocês também estão fazendo uma outra função da Celg, que é a instalação de redes pela cidade.

É verdade. Também seria um trabalho a ser executado pela Celg, tanto a iluminação quanto a rede. Só que existem moradores que estão sofrendo há muito tempo e há a preocupação de levar uma condição melhor para eles, levando mais segurança e bem-estar.

Euler de França Belém — Qual é a extensão desse trabalho?

Temos 3,7 mil metros de rede, realizados em mais de 30 bairros e regiões, como a Avenida Leste-Oeste, Conjunto Vera Cruz, Santa Fé, Conjunto Itatiaia, entre muitos outros.

Euler de França Belém — Outro trabalho que a Comurg tem feito é a limpeza de lotes baldios, para conter a dengue.

Essa estratégia de multar os proprietários vai melhorar o quadro?

Elder Dias — Está sendo um trabalho de avisar esses proprietários de lotes que precisam de limpeza?

Têm certas coisas com as quais não concordo muito. Esses dias me perguntaram em uma rádio se eu não achava que deveria ser feita uma campanha para as pessoas que não estão dirigindo corretamente. Eu perguntei: “Mas quando as pessoas tiram a CNH se explica a forma de dirigir?” É o mesmo caso, acho que não é preciso explicar o que é certo ou o que está errado. Ou é preciso avisar que é errado jogar lixo na rua? Então, da mesma forma, quando sou questionado sobre essa comunicação a proprietários de lotes. Será que é preciso mesmo avisar? Se a pessoa não cuida do que é dela, quem vai cuidar?

Elder Dias — A Prefeitura...

(risos) A coisa piora com os lotes fechados, porque é preciso avisar a Secretaria da Saúde sobre o risco de dengue, conseguir uma ordem judicial para só depois poder fazer o serviço. Fica a questão: é justo a gente pagar o IPTU para fazer isso em propriedades de quem não se preocupa com o que é seu? São coisas que precisam ser trabalhadas de tal forma que se mostre que o poder público já tem muitas obrigações.

Elder Dias — Com relação a obras em conjunto com a Amma, o que tem sido feito?

Estamos fazendo o Parque Campininha das Flores (Setor Campinas), o Parque Bernardo Élis, o Parque Itatiaia e o Parque Jardim Nova Esperança. Mas o que eu queria que ficasse bem claro é que não existe obra em parceria entre órgãos, como Comurg e Amma, Amob e Saúde, AMT e Comurg etc. Na Prefeitura existe um único comando. Tudo é obra da Prefeitura. A Comurg participa de praticamente todas. Se não ajuda a construir, faz a limpeza, cuida do paisagismo, faz canteiros etc. Por exemplo, depois da reforma do Serra Dourada, você não viu mais a Amob, a AMT ou a Seinfra por lá. Mas a Comurg está lá todo dia. Temos de estar em toda a Goiânia o tempo todo. Em algum momento, vamos participar do processo. A Comurg é tão presente que, quando acontece algum problema, mesmo que não tenha nada a ver com a gente, acabamos levando a culpa. (risos) Mas o que quero ressaltar é que não existe uma separação de secretarias na Prefeitura. Tudo está sob um comando único e esse comando é do prefeito Paulo Garcia. A obra em execução na Rua 10, por exemplo, não é da Amob, da Comurg ou da AMT, é da Prefeitura de Goiânia. Cada um tem sua função, mas sob esse comando. Não existem dois que mandam, existe o prefeito Paulo.

“A prioridade número 2 de Paulo Garcia é a obra; a de número 1 é sempre dar melhor condição de vida”

Elder Dias — Dentro desse conjunto todo, qual tem sido a direção prioritária? Quais são as principais ações, no sentido macro?

É simples. O prefeito sempre chega a nós e diz: “A prioridade número 2 é a obra. A prioridade número 1 é dar uma condição melhor para as pessoas viverem em nossa cidade.” Então, tudo o que for para melhorar a qualidade de vida da população é nossa prioridade e prioridade do prefeito: seja uma iluminação, uma pavimentação, seja um CMEI, tudo isso é prioridade, mas dentro dos aspectos que afetam a qualidade de vida do cidadão.

Elder Dias — O prefeito Paulo Garcia já conseguiu descolar sua imagem da do ex-prefeito Iris Rezende?

Falando com uma opinião pessoal, minha, acho que o prefeito Paulo Garcia não mudaria, para adequar a seu estilo, algo que está dando certo. Ele não tem motivo para descolar-se da imagem de Iris, simplesmente porque o ex-prefeito é uma referência do que dá certo: foi um excelente prefeito, é um excelente político e um exemplo de administrador não para Goiânia ou Goiás, mas para o Brasil. Eu, pessoalmente, jamais gostaria de descolar minha imagem da de Iris. É uma referência do que é certo, do que é correto, de alguém que realmente se dedica a uma causa, a uma cidade.

Cezar Santos — E o que, dentro desse contexto, o que Paulo Garcia acrescentou como marca pessoal em relação ao que Iris fazia?

O prefeito é alguém que se preocupa em solucionar as coisas mais pontuais. Uma obra de Iris é sempre uma obra macro. Por exemplo, Iris fez grandes viadutos, mil casas em um dia; já Paulo Garcia é aquele gestor que arruma aquela rua que está com problemas, faz aquele desvio necessário, aquela mudança localizada no trânsito, ações realmente mais pontuais. Ele ataca ali, “na veia”: não faz uma avenida com 20 quilômetros de iluminação, mas, sim, para atender aquela determinada população, carente do serviço. O que ele fez em termos de pequenas intervenções é muita coisa! Quem está vendo essas pequenas obras pela cidade inteira entende que isso vai refletir em ganho de qualidade de vida para elas. Um bom exemplo é a mudança que foi feita na Avenida Bernardo Sayão. Pesquise lá e você vai saber o quanto aquelas pessoas, que moram ou trabalham ali naquela região, ficaram satisfeitas. Mas ele também está fazendo ações grandiosas. A maior delas é o Parque Mutirama, uma obra de enorme porte. E está preocupado também com o projeto Macam-bira-Anicuns, que é uma obra fantástica; com os viadutos, como os da Perimetral, da BR-153, da saída para Guapó, que são obras grandes. Além de tudo, Paulo Garcia é também um político dinâmico, moderno, futurista, sempre antenado, se envolvendo com as coisas que o mundo viverá de agora em diante.

Elder Dias — E a relação direta dele, Paulo Garcia, com a população nas ações da Prefeitura, nas inaugurações, como o sr. avalia?

Eu reparo, por exemplo, nos discursos que ele faz quando vai inaugurar uma obra, em qualquer lugar da cidade. Paulo Garcia é o primeiro político que ouve as pessoas durante o próprio discurso. A pessoa, no meio da plateia, questiona alguma coisa e ele responde. Esses dias, um menininho pediu a ele um campo de futebol. O prefeito chegou a mim e falou “Luciano, resolve essa questão do campo para o garoto”. E pediu o telefone do menino. Eu tinha certeza de que depois ele ligaria para perguntar ao garoto se o campo estava feito. E ele ligou. Ainda bem que eu já tinha mandado fazer o campo do menino, graças a Deus! (risos) Uma coisa que acho interessante é que o prefeito não tem a vaidade de dizer que foi ele quem fez tal coisa, quem pensou tal ideia etc. Paulo Garcia simplesmente quer administrar a cidade para o bem das pessoas que moram aqui.