Edição 1998 de 20 a 26 de outubro de 2013
Conflito político entre o prefeito Paulo Garcia e o governador Marconi Perillo beneficia os goianienses
Longe de prejudicar, a oposição dura entre o governador Marconi Perillo e o prefeito Paulo Garcia tem beneficiado Goiânia, que está fazendo 80 anos e recebe obras consistentes
Wesley Costa
Marconi Perillo, governador de Goiás, e Paulo Garcia, prefeito de Goiânia: os dois são oposicionistas, não mantêm diálogo estreito, mas o resultado disso é que a capital tem sido beneficiada com obras de qualidade

Não há nada mais saudável do que o conflito entre  grupos políticos. A convergência de todas as forças políticas às vezes produz acomodação de variegada natureza. O PT tem o controle político do governo federal, há quase 11 anos, e o PSDB controla os governos dos dois Estados mais influentes e ricos do país — São Paulo e Minas Gerais — também há vários anos. Do ponto de vista da estrutura econômica, São Paulo e Minas são verdadeiros países — tão fortes quanto a nação chamada Brasil. Isto resulta num considerável equilíbrio de forças e contribui para o fortalecimento da democracia. A hegemonia de um único partido não raro incentiva governos a estabelecer políticas autoritárias, a tentar aprovar projetos — como o controle da imprensa e do Ministério Público — que, se são benéficos aos seus líderes, podem não ser para a sociedade. A moderação do governo da presidente Dilma Rousseff — política e gestora centrada e ética — resulta em larga medida do poder de pressão de Estados como São Paulo e Minas. Em Goiás, unidade da Federação mais pobre, há praticamente uma reprodução do cenário nacional.

O PSDB controla o governo, com o tucano Marconi Perillo, e o PT, em aliança com o PMDB, controla as duas principais prefeituras — Goiânia (equivalente a São Paulo, não em termos econômicos) e Anápolis (equivalente a Minas). A Prefeitura da capital é administrada pelo petista Paulo Garcia. A Prefeitura de Anápolis, segunda cidade mais importante de Goiás, é gerida pelo petista Antônio Gomide. A oposição entre as duas forças — PSDB versus PT — tem sido saudável para a vida pública do Estado e das duas cidades.

Há, evidentemente, a questão política. O governador Marconi Pe­rillo planeja ser candidato à reeleição. O tucano-chefe é forte, sabe fazer campanha e é um político dos mais profissionais. É uma espécie de Lula do Cerrado. Faz pesquisas com frequência, examina-as cuidadosamente e, a partir dos dados obtidos, deu uma reviravolta estrutural no seu governo. Com a coleta das opiniões sobre o que pensa a população, sobretudo como quer ou exige que o governo se comporte, Marconi deu uma guinada visceral — radicalizando a gestão e fazendo obras em quase todo o Estado. A era dos estadistas midiáticos, sensacionais, espetaculosos, que galvanizavam multidões, parece ter passado. O que a sociedade espera de um governante é que seja gestor eficiente, faça obras de qualidade, pague em dia os funcionários e os fornecedores e ofereça serviços públicos de qualidade. Marconi está seguindo esse “catecismo”, isto é, está “rezando” por aquilo que a sociedade cobra do homem público investido no cargo de administrador.

Como não se faz gestão separada da política, o governador Marconi, com a intenção de se firmar mais na Grande Goiânia, está fazendo obras de grande porte na capital. Acrescente-se, porém, que tratam-se de obras previstas no projeto de campanha e de governo de 2010. Projeto que está sendo cumprido. Um dos problemas de Goiânia são suas rodovias, porta-de-entradas que, em alguns trechos, já se tornaram verdadeiras ruas superlotadas. Por isso, num acerto administrativo, o governo Marconi decidiu duplicar as rodovias que saem de Goiânia. A GO-020, de Goiânia a Bela Vista, estava parcialmente duplicada (entre o Centro Cultural Oscar Niemeyer, nas proximidades do shopping Flamboyant, e o Autódromo Interna­cional de Goiânia). Agora, será duplicada integralmente e as obras estão adiantadas. Entre o Oscar Niemeyer e o Autódromo, a rodovia ganhou mais uma pista de cada lado e, do lado direito (para quem está saindo de Goiânia), recebeu uma ciclovia de qualidade, com proteção lateral para evitar acidentes com veículos. Dos dois lados da estrada, a Agetop plantou coqueiros e gramou o lado direito (o lado esquerdo já havia sido gramado pelos moradores do condomínio Alphaville). Com o ajardinamento e a ciclovia, a GO-020 ganhou ares de cartão postal. Antes dela, pode ser citada a chamada Rodovia dos Romeiros, entre Goiânia e Trindade. Esta estrada foi inteiramente recuperada. Pode-se dizer que se trata de uma nova rodovia, ou melhor, trata-se de um espaço que integra motoristas de veículos, ciclistas e pedestres. O governo está edificando dois viadutos.

No campo da saúde, ao mes­mo tempo que amplia o Crer — hospital de reabilitação que está se tornando referência nacional (alguns Estados estão copiando o modelo) —, o governo Marconi está construindo o Hospital de Urgências da região noroeste, chamado pela população de Hugo 2. O Hugo 1, embora tenha melhorado e am­pliado o atendimento, não comporta mais atender a Grande Goiânia, praticamente todo o interior e até pacientes de outros Estados.

O governo também está fazendo o Centro de Excelência, o que, junto com a Vila Cultural — que será inaugurada agora —, pode contribuir para revitalizar o Centro de Goiânia. Marconi está dando sua contribuição para melhorar a capital, com obras modernas e de ampla utilidade pública, e em várias áreas.

O prefeito Paulo Garcia é um gestor diferenciado. Ele também aposta em obras, porque a cidade precisa delas em várias áreas, inclusive infraestrutura básica. Porém, além da obras físicas em si, procura estabelecer o conceito de uma cidade prazerosa para se viver, criando espaços públicos agradáveis para a convivência social. Um dos locais mais procurados por pessoas que fazem caminhadas e corridas é a Avenida Ricardo Paranhos, onde a prefeitura fez uma pista adequada, atendendo os pedidos da sociedade. Entre a Praça Cívica e o Setor Universi­tário — na Avenida 10 ou Univer­sitária —, Paulo Garcia construiu outra ciclovia. Para melhorar o trânsito na capital, o prefeito está construindo novas ruas. Recen­temente, abriu duas avenidas.

Acredita-se, entre os aliados de Paulo Garcia, que ele ficará conhecido como o “prefeito da educação”. Ao final de sua gestão, terá inaugurado quase 100 centros municipais de educação infantil. Já fez vários. Agora, tem mais três cmeis para inaugurar, mas o prefeito não o faz porque falta contratar funcionários. Se fosse populista, faria a inauguração, mas sem a obra funcionar.

As praças da gestão do petista tem outro conceito. Além de mais bonitas, com mais variedade de plantas — além das pérgolas que possibilitam o crescimento e robustecimento das plantas trepadeiras, o que possibilita a criação de buquês múltiplos e gigantes —, as praças são centros de convivência. A Praça Léo Lynce (no Setor Oeste), que homenageia um grande poeta, cumpria o seu papel, se se pode assim, de ser praça: estava lá, como um grande espaço no qual predominavam dois pit dogs. Em pouco tempo, a equipe da prefeitura recuperou-a e tornou-a um belo espaço de convivência. A prefeitura também criou passagens-calçadas para tornar a vida do pedestre mais fácil e segura. A Praça Boaventura, na Vila Nova, foi inteiramente revitalizada. Fica-se com impressão de que se trata de outra praça e, ao mesmo tempo, tem-se a certeza de que a Vila Nova está mais moderna, bonita e, como diz seu nome, nova. Detalhe: as obras são de qualidade, portanto duradouras.

Iris Rezende construiu o Mutirama na década de 1960, quando administrou Goiânia pela primeira vez, e alguns prefeitos foram fazendo reformas cosméticas, sem nada acrescentar de novo. Paulo Garcia praticamente reconstruiu o Mutirama, com uma ampla revitalização. Mais: o Mutirama, principal centro de lazer dos goianienses — de todas as classes sociais —, será definitivamente integrado ao parque ambiental que o cerca. A construção do túnel na Avenida Araguaia, que será inaugurado nesta semana, agiliza o trânsito para os motoristas e permite que o bosque seja ampliado e que as crianças e seus pais tenham mais segurança.

Paulo Garcia não gosta de falar sobre o que vai fazer nem de di­vul­gar obras em andamento. Mas, breve, dará à capital um hospital municipal, uma reivindicação antiga tanto de seus moradores quanto dos médicos. Além do hospital, vai construir mais uma maternidade, na região Oeste da cidade.

Marconi e Paulo Garcia são gestores diferentes e não rezam pela mesma cartilha ideológica. Mas estão fazendo gestões eficientes. Quem mais ganha com as disputas entre o tucano e o petista para ver quem faz mais obras em Goiânia? Eles podem obter dividendos políticos, em 2014 e posteriormente. Mas eles passarão, como tantos passaram, mas as obras, as que tiverem consistência, ficarão e beneficiarão todos os moradores da capital e, mesmo, de outras cidades.

As melhorias para a cidade — com obras do mais alto interesse público, de caráter duradouro, portanto não meramente eleitoral — indicam que o fato de o prefeito e o governador serem de partidos diferentes, de se postarem como oposição um ao outro, no lugar de prejudicar, têm sido produtivo para os goianienses.