34 anos
Henrique Meirelles é modelo para alguns políticos goianos?
Fotos: Jornal Opção
Henrique Meirelles, rei da indecisão política: o engenheiro
desponta para o anonimato, depois dos 15 minutos de glória

O “banquista” Henrique Meirelles tem como herói d. Sebastião, o rei que, depois de uma batalha, desapareceu do mapa. Depois de perder o emprego no BankBoston, possivelmente por equívocos financeiros cometidos em negociações feitas no Brasil e na Argentina, o engenheiro decidiu que a volta por cima se daria por intermédio da política. Aproximou-se do presidente Fernando Henrique Cardoso, adulando-o como as vivandeiras fazem com os militares, e fez um pedido: queria ser senador por Goiás. Por certo, pensou que a época dos senadores biônicos havia voltado. Chegou, pressionou, mas descobriu, cedo, que, na fila, não havia vaga para paraquedistas. Os candidatos a senador em 2002 foram a tucana Lúcia Vânia e o democrata De­mós­tenes Torres. Com muito di­nheiro de sua aposentadora forçada no banco norte-americano e da “banca”, Meirelles decidiu que seria candidato a deputado federal. Fechou com vários prefeitos e vereadores, em conversas nada “católicas”, e foi eleito. Perguntado se iria agradecer aos seus apoiadores, respondeu, com o laconismo dos banqueiros: “Por qual motivo?” De fato, não havia nada a agradecer. Habilidoso com as palavras, o engenheiro, às vezes confundido com economista, concedeu uma entrevista ao Jornal Opção, na qual dizia, com todas as letras e vaidades, que tinha a solução para “consertar” o Brasil. Petistas leram a entrevista e a encaminharam ao presidente Lula da Silva e a Antônio Palocci. Até aquele momento, Lula e Palocci entendiam quase nada de economia e, como estavam meio perdidos, ficaram entusiasmados. O banquista esqueceu o mandato de deputado e migrou para a presidência do Banco Central.

Depois, ficou naquele chove-não-molha: será candidato a governador pelo PP? Será candidato a governador pelo PMDB? Não foi candidato a nada e desponta para o anonimato. Qualquer semelhança com a candidatura do senador democrata Demóstenes Tor­res a prefeito de Goiânia é mera coincidência?