“Último Retrato”, filme sobre o caótico Alberto Giacometti, é um dos melhores do Festival de Berlim

Longa biográfico dirigido pelo inglês Stanley Tucci agrada pela autenticidade da caótica vida do pintor e escultor italiano

Alberto Giacometti, no filme


Rui Martins

Especial para o Jornal Opção, de Berlim

Mais um filme biográfico em Berlim. Depois do biopic sobre o guitarrista Django Reinhardt, foi a vez do pintor e escultor suíço Alberto Giacometti. Dirigido pelo inglês Stanley Tucci, o filme “Último Retrato” (Final Portrait) é baseado num livro de depoimento pessoal do escritor e crítico de arte americano James Lord.

Foi o próprio Giacometti quem desejou fazer um retrato a óleo do escritor, que passou a frequentar o ateliê do pintor na expectativa de precisar posar no máximo uma semana. Entretanto, e foi isso que levou Stanley Tucci a fazer o filme, a pintura era sempre interrompida pelas razões mais diversas, obrigando James Lord a adiar seu retorno a Nova York e a ficar muito tempo em Paris.

Isso teve, porém, um resultado positivo, pois o escritor e crítico se tornou um assíduo frequentador do ateliê do artista, um hiperativo e excêntrico, além de fumante inveterado, que interrompia frequentemente suas atividades, não conseguia terminar suas obras por vício de perfeição, e não dava nenhum valor ao dinheiro recebido por seus desenhos, pinturas e esculturas, deixando somas importantes em qualquer lugar do ateliê dentro de simples envelopes. Nesse mesmo caos eram colocadas suas obras. Bem diferente, portanto, de Picasso e Salvador Dalí, conhecidos por catalogarem suas obras e saberem negociá-las por altos preços.

Admirador de mulheres, Giacometti mantinha uma relação tumultuosa com sua esposa e, nos seus últimos anos de vida, tinha uma relação afetiva com uma prostituta, Caroline, com a qual era pródigo em matéria de presentes, oferecendo mesmo um carro esporte, enquanto sua esposa se queixava de ter apenas um casaco. O artista tinha também o hábito de interromper subitamente seu trabalho para ir ao bordel, onde era conhecido e bem recebido.

“Último Retrato” é um dos melhores filmes do início do Festival, filmado com duas câmeras móveis e que contou com a colaboração de um pintor admirador de Giacometti para garantir o máximo de autenticidade na decoração do ateliê reconstituído.

Rui Martins está em Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema

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