Para o Cinquentão Tom Cruise, nenhuma missão é impossível em Nação Secreta

Quinto filme da franquia combina uma trama articulada com cenas de ação de tirar o fôlego

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Reprodução

Frederico Vitor

Ele não parece conhecer limites. Para materializar a cena que serve como cartão de visitas do filme, Tom Cruise, com mais de 50 anos, dispensou o dublê e dependurou do lado de fora do enorme avião cargueiro Airbus A400, em plena decolagem. Logo de cara, o expectador nota que esta etapa da franquia não está para brincadeira, dado o realismo alcançado graças ao esforço arriscado do ator que estrela pela quinta vez a bem-sucedida franquia de ação.

“Missão: Impossível – Nação Secreta” consegue se aproximar da trama envolvente de “Missão Impossível” (1996), o primeiro da série e dirigido por Brian De Palma. Porém peca por cometer os mesmos erros de “M:I-II”, do diretor chinês John Woo, que apela para exaustivas lutas coreografadas e tomadas de câmeras que remetem a um vídeo clip. Neste, pelo menos a vilania teve brilho e destaque, como foi em “Missão Impossível III”, em que o magistral e saudoso ator Philip Seymour Hoffman (achado morto em seu apartamento em Nova York em 2014), deixou sua marca ao viver um dos mais mordazes antagonistas da série.

Em Nação Secreta, a franquia volta a Londres, a capital mundial da espionagem. O agente Ethan Hunt, interpretado por Cruise, precisa correr contra o relógio para salvar sua agência – Impossible Missions Force (IMF), em inglês, que significa Força de Missões Impossíveis. O organismo secreto do governo americano corre o risco de ser absorvida pela CIA, em razão de suas últimas espetaculares ações, como a explosão do Kremlin, em Moscou, sede do governo russo. O feito desagradou os burocratas de Washington, que querem o fim da agência.

Ethan Hunt, agora um foragido da estrutura de espionagem americana, a princípio age sozinho para provar a existência de um esquadrão formado por ex-agentes secretos renegados de várias centrais de inteligência ao redor do mundo. O grupo, conhecido como Sindicato, na realidade é uma anti-IMF, ou seja, seus integrantes são treinados nas mesmas técnicas que moldaram o super espião vivido por Cruise.

Agindo nas sombras e sempre com o saldo de dezenas de vidas inocentes, o Sindicato é liderado por Solomon Lane, interpretado pelo excelente ator britânico Sean Herris. O personagem é um perturbado ex-agente do MI-6 (famoso serviço secreto inglês, o mesmo de James Bond), que arquiteta e executa eventos sinistros pelo mundo, em razão de interesses escusos.

Nesta caçada ao temível Sindicato, Hunt não estará sozinho. O herói terá a companhia da agente MI-6 Ilsa Faust, vivida pela magnífica e deslumbrante atriz sueca Rebecca Ferguson. A espiã, uma beldade fatal que sabe lutar, atirar e pilotar motocicletas esportivas, consegue o feito de puxar a atenção do espectador que põe em cheque sua lealdade. Paira sobre sua personagem a desconfiança se ela é ou não uma agente dupla; ou seja, uma integrante sem escrúpulos da gangue de Solomon Lane que se aproxima de Hunt e de sua equipe para sabotá-los.

O ator Simon Pegg mais uma vez se encarrega da parte cômica do longa, com seu personagem Benji Dun, o assistente desajeitado de Hunt. Jeremy Renner volta à franquia, mas desta vez, ao contrário de “M: IV – Protocolo Fantasma”, seu personagem (agente William Brandt) é encarregado da parte burocrática, isto é, precisa proteger a existência do IMF junto às Comissões do Senado americano.

O filme tem locações em Rabat (Marrocos), Viena (Áustria) e Londres (Inglaterra). Se os efeitos especiais em nada deixam a desejar, o mesmo não pode dizer do roteiro, apesar da trama ser original e muito bem trabalhada. O excesso de reviravoltas e as piadas sem graça e fora de hora são os pontos falhos do longa. Contudo o diretor Christopher McQuarrie (que trabalhou com Cruise em “Jack Reacher”) acertou a mão em legar a esta etapa da franquia um clima mais sombrio – afinal se é um embate de agentes secretos, nada mais justo que a batalha ocorra nas sombras e nas surdinas.

No mesmo ano em que será lançado o 24ª filme da franquia James Bond, em 007 – Contra Spectre, Cruise saiu na frente e agraciou os cinéfilos aficionados pelo tema de espionagem com o seu ótimo “Missão: Impossível – Nação Secreta”. As comparações serão inevitáveis, porém cada qual com seu espaço e simbolismo. Para quem aprecia um filme de ação bem feito e bem produzido, esta é a chance.

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