Augusto Diniz
Augusto Diniz

Revolta contra opressão machista é retratada em videoclipe de Falo, da Carne Doce

Canção de letra mais forte do disco Princesa, música de 6 minutos e 38 segundos é representada em bom roteiro de Bruno Alves, Pedro Ferrarezzi e Salma Jô

Salma Jô e outras 11 mulheres se unem contra um homem no videoclipe de Falo | Foto: Reprodução/YouTube

Em imagens que abusam da cor vermelha, mesma da capa do disco Princesa, da menstruação de uma mulher e do sangue, o videoclipe da canção Falo, da banda goiana Carne Doce, foi lançado na manhã desta quarta-feira (15/2) pelas redes sociais do grupo. Como não poderia ser diferente, são 12 mulheres contra um homem as atrizes no clipe: a vocalista Sama Jô acompanhada de Gabriela Branco, Lydia Caldana, Elisa Campos, Lua Lima, Sarah Queiroz, Lidia Raizer, Ana Flávia Tatis, Paloma Cassari, Júlia Rocha de Souza, Gabriela Halter, Carla Valente e um amedrontado Marco Aurélio Caldana.

Dada a força da letra da canção, com versos como “E eu já não suporto te explicar o óbvio/Você finge me tratar como igual/Mas seu arroto é pura condescendência“, que retratam o cansaço de uma mulher em ver seu protagonismo ser questionado por uma lógica machista de enxergar o mundo, não causa estranhamento um clipe tão forte. Falo, no vídeo, começa com três mulheres que acordam e convocam as outras a se vingar de um homem, que parece – ou ao menos é o que sugerem as imagens do videoclipe – se satisfazer quando tem o feminino como objeto sexual ou em segundo plano.

Caras encapuzadas, foices, objetos perfurantes, tochas em punho e um alvo: o religioso representante do conservadorismo que objetifica e coloca a mulher como inferior. Dirigido por Bruno Alves, que divide o bom roteiro com a vocalista Salma Jô e Pedro Ferrarezzi, o videoclipe tem um final que é menos sanguinolento do que se imagina ao assistir pela primeira vez.

Gravado na Fazenda Santa Esther, na cidade paulista de Amparo, em outubro do ano passado, o clipe conta com direção de fotografia de Ferrarezzi, edição e cor por Alves e o mesmo Ferrarezi, iluminação de Hugo Aboud, Matteus Lopes e Nicolas Milanes, produção de Lydia Caldana, figurino por Lydia e Carolina Ancasy e direção de dança e coreografia de Gabriela Branco.

Seja interpretado como agressivo ou necessário, o videoclipe descreve bem a letra do casal formado pela vocalista Salma Jô e o guitarrista Macloys Aquino. Ela começa com os versos “Ja tá cansado da minha voz porque/O tempo todo um timbre feminino é/Pra maioria algo enjoativo” e seu desfecho chega nos impactantes “Que é modinha eu ser selvática, meu bem eu sempre fui selvática/E é bom que você se cuide, não vai ter quem lhe acude quando eu quiser te capar“.

A revolta feminina retratada pelo videoclipe se explica quando Salma canta “Você finge me tratar como igual/Mas seu arroto é pura condescendência/Não, eu não quero me acalmar/Eu não preciso de um tempo“. E continua: “Eu na verdade sei que não adianta esse lamento/Você não vai se apurar, não importa quanto tempo passe/Meu sexo sempre é um impasse“.

Falo foi lançado depois dos videoclipes de Artemísia, Açaí e Eu Te Odeio, os quatro do álbum Princesa.

Assista ao videoclipe da canção Falo, da Carne Doce:

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