Goiânia, 03 de setembro de 2010 (5:21)
De: 04 a 10 de dezembro de 2005

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  Rural Business

AGROPOLÍTICA
O homem: ser insaciável
 

O poder sobre os outros é uma droga que vicia, estimula o desejo por mais e mais. Esse desejo, porém, nunca é totalmente satisfeito; os homens, portanto, mesmo os mais poderosos, estão sempre insatisfeitos

Quando o empresário José Batista Júnior, concedeu entrevista ao Jornal Opção, como pré-candidato ao governo de Goiás, no início de novembro, a primeira pergunta que fiz ao presidente do Friboi foi como ele administraria a resistência de seu nome junto aos empresários do setor de gado de corte, tendo em vista que seu frigorífico, em parceria com outros, estava sendo denunciado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por cartelizar os preços da arroba de boi e vaca no mercado, causando sérios prejuízos ao setor. “Não existe cartelização. O mercado é soberano”, foi a resposta.

Mal terminou o mês, uma família que se sentiu lesada pelo Grupo Friboi “armou” uma arapuca contra o presidente, gravando conversas que comprovam o que aqui se denuncia a mais de seis anos: cartelização no preço pago na arroba de boi e da vaca no Brasil, praticada pelo Friboi em comum acordo com as principais indústrias frigoríficas.

Efeito cascata, semana passada, depois dessas saraivadas de denúncias publicas na imprensa, uma audiência pública realizada na Câmara Federal quis saber detalhes da compra do controle do frigorífico argentino Swift Armour S.A. por parte do Friboi; a formação de cartel e a manipulação de preços por parte das grandes indústrias frigoríficas do Brasil. Ao mesmo tempo, os empresários rurais exigiam que o Cade se pronuncie e que dê um parecer definitivo sobre o assunto.

E, sem querer tirar foto com a onça morta, é bom clarear a memória de alguns que não têm o hábito de ler assiduamente o rur@l business — o que só comprova que quem não o faz, além de ficar desinformado dos fatos mais importantes, pode, e vai, perder dinheiro. Sempre alertamos e propomos que houvesse uma integração entre os pecuaristas de gado de corte e as agroindústrias, visando ambos obterem melhor liquidez. Tanto na hora da venda (por parte do pecuarista) quanto por parte das agroindústrias, que passariam a obter matéria-prima de melhor qualidade. Proposta que não foi aceita pelas indústrias, que, após o pool das exportações, há menos de dez anos, não remuneram um tostão a mais no preço da arroba, “tabelado para baixo”, visando tão-somente aumentar o lucro com suas ganâncias.

Denúncia de que os frigoríficos seguem à risca a Lei de Gerson foram tripudiadas por “testas- de-ferro” dos frigoríficos. Muitos destes estão infiltrados em entidades de classe. Hoje eles estão pasmos. O gato subiu no telhado. E quem não levou ao bom termo os alertas aqui publicados (inclusive com relatos de empresários prejudicados que até já saíram da atividade), não pode alegar ignorância. Idem os investidores na Avestruz Master, e na Fazendas Reunidas Boi Gordo.

Maquiavel sempre preconizou que o “homem” é um ser insaciável. Quanto mais fortuna acumula, mais é o seu desejo de ampliá-la: “Primeiro vem a luta pela sobrevivência, ou para libertar-se da dominação, e depois vem a luta pela ambição, tão poderosa no coração humano que, por mais que este se eleve, ela nunca o abandona‘‘. (Discursos)

O frigorífico Friboi “esquentava” carne com SIF de outro frigorífico e comercializava carne de forma ilegal

Em que pese alguns acharem que estou repetindo a retórica, é bom salientar para os que hoje estão se incorporando aos milhares de leitores assíduos deste caderno o que o filósofo Maquiavel escreveu: “Se você vai liderar, terá de lutar. Quer esteja subindo a ladeira, batalhando para ganhar mais poder, ou já tenha se instalado no topo, lutando para manter e expandir o seu poder, você está envolvido numa batalha”. E já que, como diz Maquiavel, “os homens estão mais prontos para o mal do que para o bem”, não precisa ser inteligente para chegar à conclusão de que os líderes e candidatos a líder têm sede de sangue. E a sede de sangue que deriva da ambição humana é ilimitada, tanto a dos indivíduos quanto a das instituições que eles criam. A luta pelo poder começa com a tentativa de criar para si uma zona livre dos outros e continua com a extensão do domínio sobre os outros.

A luta pelo poder é incessante. E o poder sobre os outros é uma droga que vicia, estimula o desejo por mais e mais. Esse desejo, porém, nunca é totalmente satisfeito; os homens, portanto, mesmo os mais poderosos, estão sempre insatisfeitos. Eles querem tudo, mas não podem ter tudo. Já que o desejo de mais poder e riqueza — as armadilhas do poder — é sempre maior do que nossa capacidade de acumulá-los. Maquiavel observa francamente: “Daí resulta continuamente um descontentamento”.

Outra dica: não acreditem que os “que têm” (fortunas) sejam intrinsecamente diferentes dos “que não têm”, nem inatamente superiores a eles. Na verdade, eles agem de maneiras diferentes, mas isso é apenas o resultado das circunstâncias: os homens são “insolentes quando seus negócios estão prosperando e abjetamente servis quando a adversidade os fere”.

Essa analogia buscando teorias já comprovadas centenas de anos depois do filósofo italiano visa ilustrar o nascimento, reinado e queda de José Batista Júnior. E o objetivo não é criticar sua trajetória empresarial de sucesso e muito menos sua tentativa de se colocar como alternativa para governar Goiás, se fosse eleito, a partir de 2007. Se Júnior tiver boa memória, vai se lembrar que, no fim da entrevista ao jornal, perguntei-lhe se estava preparado, após ter se decidido por entrar na seara política partidária, para administrar o número de inimigos que a partir de então aumentariam: “Não terei inimigos, mais sim adversários”, respondeu de chofre.

Ledo engano. Em Goiás, o presidente do Friboi já estava sendo “utilizado” politicamente, até mesmo por “amigos” de seu partido que tentavam desestabilizar prováveis candidaturas. E, em algumas rodas de empresários rurais, chegou a ser motivo de chacotas. Maldades que, tenho certeza, são superadas quando ele conseguir ampliar seu leque de conversas com os vários segmentos da sociedade que não tiveram a oportunidade de conhecer o seu potencial empresarial. Mas, em que pese muitos acharem que a crise do Grupo Friboi ocorreu por causa de seu envolvimento na política partidária em Goiás, o fogo inimigo veio lá de Araputanga (MT). Os ex-donos do Frigorífico Frigoara S/A, insatisfeitos com a venda do mesmo, denunciaram recentemente à imprensa todo o esquema de cartelização da carne por parte do Friboi.

Máfia da carne — Diz o ditado: “Quem muito abaixa mostra suas abundâncias para o mundo”. O blábláblá do empresário aumentou as cobranças das sociedades rural e urbana, que — esta, por incrível que pareça — desconheciam esses problemas pontuais. As primeiras informações sobre a formação de cartel surgiram em janeiro, depois de uma reunião entre os principais donos de frigoríficos — em Ribeirão Preto, São Paulo —, em que ajustaram os mesmos valores para os preços pagos aos pecuaristas na compra de gado para o abate.

Em março, uma reunião histórica na Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) reuniu mais de 2 mil pecuaristas de todo Brasil. Transmitida ao vivo pelo Canal Rural e do Boi, o resultado da mesma foi o envio, por parte da Comissão de Agricultura e Pecuária da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, de requerimento de investigação à Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça.

Perguntado sobre como vê as denúncias de formação de cartel da carne, agravadas por novas informações na audiência Pública da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, que indicam que o Frigorífico Friboi “esquentava” carne com SIF de outro frigorífico e comercializava carne de forma ilegal, o parlamentar chamou de “máfia” o que considera o envolvimento dos proprietários dos frigoríficos.

A direção do Friboi, bem ao estilo do famoso desenho Pinóquio, de Walt Disney, informa que não há formação de cartel pelos cinco maiores frigoríficos exportadores. Afirma também que as denúncias estariam sendo feitas pelos sócios da empresa frigorífica de Araputanga, que estariam envolvidos em fraudes. E todos nós acreditamos.

A lição: “Devemos ter muito cuidado com os amigos. Estes conspiram contra você muito mais que seus próprios inimigos”. (Maquiavel)

ADAIR RIBEIRO é jornalista, presidente da Associação Goiana dos Criadores de Nelore (AGCN), diretor-editor do jornal e programa de televisão rur@l business.


 
PORTO $ECO – EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO

Tarifas (barreiras) de 150 por cento à carne bovina

A liberalização comercial agrícola pode resultar em conquistas expressivas de mercado para o setor agropecuário, que tem alta competitividade no cenário mundial. O ministro Luiz Furlan destaca que “o agronegócio é o setor mais aberto e mais internacionalizado da economia brasileira. As tarifas agrícolas são as mais baixas do universo tarifário, em torno de 10 por cento, e o setor responde pela maior fatia do quadro de exportações brasileiras, totalizando 17 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).”

Para o ministro, “há claro entendimento que o crescimento sustentável do setor depende cada vez mais de negociações que abram mercado para os produtos do agronegócio brasileiro. Acesso a mercados é a palavra-chave”.

Barreiras tarifárias praticadas por países como Estados Unidos e membros da União Européia limitam significativamente as exportações brasileiras. Tarifas que incidem, por exemplo, sobre as exportações brasileiras de açúcar e que, na maioria dos países, estão restritas às cotas, são superiores a 150 por cento. A tarifa de álcool etílico na Europa e nos EUA é de 50 por cento. No entanto, há situações piores. Se o Brasil quisesse exportar frango para o Canadá, a tarifa seria de 505 por cento; para a Noruega, 900 por cento, e para a Islândia, 400 por cento. A tarifa da União Européia para esse produto em pedaços é de 110 por cento.

“A carne bovina é outro produto bastante discriminado no comércio mundial. A União Européia aplica tarifa de 150 por cento sobre carne desossada congelada, e o Japão, 50 por cento. No caso da carne suína, a taxação varia entre 30 a 40 por cento na Europa e acima de 200 por cento no Japão. Além disso, o Brasil não pode exportar carne fresca para os EUA porque esse país não reconhece as zonas livres de aftosa, aprovadas pela Organização Internacional de Epizootias (OIE)”, diz Furlan.

MERCADO EMERGENTE
Soja é um bom negócio

A queda nos preços internacionais do grão provocou baixa de 20 por cento na receita cambial do preço no primeiro semestre de 2005. O complexo soja — farelo, óleo e grãos — registrou vendas externas de 10 bilhões de dólares, o equivalente a 10,4 do total das exportações do país, de 96,5 bilhões de dólares.

Considerando apenas o agronegócio, cujas vendas ao mercado externo somaram 39 bilhões de dólares, a soja respondeu por 25,6 por cento do total. Ou seja, de quatro dólares que entraram no Brasil por conta do setor, um dólar deve ser creditado à oleaginosa.

Se comparado o resultado de crescimento nas exportações do ano passado com o de 2001, o crescimento é de 89 por cento. Mas essa trajetória ascendente não se repetirá este ano, por inúmeros fatores. Entre esses, o já citado no início dessa nota e a grande safra nos EUA. Agregue a esses problemas, que já são pontuais, o alto custo dos fretes no Brasil.

LEI KANDIR
Fundo de Compensação

O governo federal deverá encaminhar ao Congresso ainda este ano o projeto de lei para regulamentar o Fundo de Compensação das Exportações. Criado na reforma tributária em 2003, o fundo substituirá a Lei Kandir, criada em 1996, e que já não corresponde mais à realidade dos Estados.

Como a tributação no Brasil está por volta de 35 por cento do PIB, uma das mais altas do mundo e a maior entre os países emergentes,  os empresários devem conhecer como ela incide sobre seus negócios, possibilitando um melhor acompanhamento e despertando o interesse pela sua redução legal.

RECORDE EM 2006
Carne industrializada

Já comprovada em números a importancia da carne bovina na economia doméstica, não menos diferentes são os números no mercado externo. Apenas para ficarmos no primeiro semestre deste ano, que se finda, o Brasil exportou 390,9 mil toneladas de carne bovina industrializada, com faturamento de 331,7 milhões de dólares: 29,92 por cento a mais em quantidade e 18,85 por cento em movimentação financeira, se comparado com igual período do ano passado.

A expectativa do setor é de fechar 2005 vendendo mais de 580 mil toneladas do produto, mesmo com os gargalos e problemas pontuais; entre esses, o vírus da aftosa no Mato Grosso do Sul.

DICA DA SEMANA
Preço da arroba

“Em outubro de 2004, a cotação da arroba em São Paulo [menos 3 reais em Goiás] passou de 60 para 62 reais em plena entressafra, saltando para 64 em dezembro. Para se ter uma idéia, a arroba, no início de outubro deste ano, estava em 58 reais no mercado físico, lastreados em Notas do Produtor Rural (NPR), antes de estourar a notícia do primeiro dos 11 focos identificados de aftosa em Mato Grosso do Sul, que ocorreu no início do mês de outubro”, explica Fabiano Rosa, da Scot Consultoria.

A BM&F estima que a arroba do boi feche dezembro em 54 reais.


 
AGENDA RURAL
A tribuna não pode virar palco
 

Assim que cheguei à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) encontrei funcionando na sede da entidade o Movimento Nacional dos Produtores (MNP). Tal movimento foi criado para defender os interesses dos produtores rurais frente ao Movimento dos Sem-Terra (MST), uma vez que a União Democrática Ruralista encontrava-se bastante desgastada e desacreditada. Desacreditada porque a proposta filosófica da organização não era lançar candidatos a cargos majoritários, principalmente à Presidência da República, o que acabou ocorrendo, e desgastada em função da posição assumida pela opinião pública com relação ao MST.

A sociedade achava que movimento era realmente em favor de uma reforma agrária para atender aos interesses daqueles que viviam no campo e não possuíam terra, mas o tempo foi passando e agora a CPMI da Terra mostra o MST como parte do projeto de poder elaborado pelo PT.

Deixem a parte teatral para os artistas de nossas redes de televisão

Na semana que passou, o Congresso Nacional, mais uma vez, foi palco de uma cena teatral digna de uma chanchada. Estou falando do encerramento da CPMI da Terra. Aliás, muito pouco divulgada.

Como resultado da quebra dos sigilos fiscal e bancário, a CPMI identificou a movimentação de 3,5 milhões de reais da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab), entidade vinculada ao MST, em nome de três supostos “laranjas”, e a transferência de 400 mil reais da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) para um plano de previdência privada de dois funcionários da entidade: José Trevisol, como beneficiário de um depósito de 200 mil reais em plano de previdência de um banco privado, feito em janeiro de 2003 e, no mesmo dia, 200 mil reais em plano semelhante, em nome de Selma Aparecida dos Santos, tesoureira da entidade que mais movimenta recursos públicos entre as ONGs ligadas ao MST.

As duas entidades tidas como principais braços financeiros do MST tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados pela CPMI da Terra. Anca e Concrab, à época, chegaram a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Todavia, não conseguiram impedir o rastreamento do dinheiro. Em seis anos, as duas entidades teriam movimentado pelo menos 29,9 milhões de reais.

Posteriormente, a CPMI também quebrou os sigilos de uma terceira entidade igualmente ligada ao MST — o Instituto de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária (Iterra), onde também ficaram constatadas irregularidades.

Mas voltando ao palco, de um lado deputados simpatizantes ao MST e de outro a bancada ruralista. O relator, deputado João Alfredo (Psol-CE), simpatizante do MST, na leitura de seu relatório, ao pedir o indiciamento do presidente da UDR, Luis Antonio Nabhan Garcia, foi interpelado pelo deputado Abelardo Lupion, da bancada ruralista, apresentando um relatório alternativo em que pedia o indiciamento dos líderes do MST João Pedro Stédile e José Rainha. Também propôs que sejam considerados crimes hediondos saques e incêndio em propriedades rurais, além de ser ’’nomenclaturado’’ como crime de terrorismo contra a nação as invasões de terras.

A senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) protestou contra a aprovação do relatório alternativo como texto final da CPMI da Terra rasgando o relatório em frente às câmaras de TV. Descontrolada, disse que o documento é um desrespeito à memória dos cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais assassinados nos últimos 20 anos. “Sou senadora de um Estado campeão em morte por violência no campo e não poderia ser cúmplice desses assassinatos votando no relatório alternativo do deputado Lupion, que resume a situação do Pará em 19 linhas. Esse documento é uma ode à violência”, acusou a senadora. Ela ainda tentou negociar com os parlamentares da Comissão a retirada de algumas partes do relatório inicial do deputado João Alfredo (PSOL-CE). “Eles não concordaram em negociar ou mesmo discutir a retirada de itens do relatório. A bancada ruralista queria deliberadamente rejeitar o relatório para aprovar outro, criminalizando o MST,”disse a senadora.

Diante dessa crise pela qual passa o país, mister se faz que os parlamentares contenham suas emoções. Não é democrático rasgar publicamente um documento por não concordar com ele. Não é admissível um senador da República usar a tribuna do Congresso para ameaçar o presidente da República de uma surra, bem como é também inadmissível um deputado pedir um aparte e congratular-se com o senador fazendo também sua ameaça. Um parlamento que tem como pedra filosofal a manutenção da democracia não pode aceitar passivamente que um “louco” escritor agrida com uma bengala um deputado federal, como foi agredido o deputado José Dirceu recentemente. Pode até ser que a democracia não seja o regime ideal para a organização das sociedades, mas é, sem dúvida, a melhor que encontramos ao longo da História.

A partir do momento em que os membros do parlamento não o respeitam, o que restará da tribuna do povo? O parlamento nada mais é do que o eco dos parlamentares que o compõe. E esse eco poderá sair de dentro das duas Casas e tomar as ruas por um ato de irresponsabilidade ou infantilidade, comprometendo o país.

Senhores parlamentares, deixem a parte teatral para os artistas de nossas redes de televisão. Pensem com muita seriedade o momento ora vivido pelo Brasil. Não é momento para exibicionismo, e sim de reflexão sobre os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de uma queda de 1,2 por cento do PIB neste terceiro trimestre, com todas as condições internacionais favoráveis ao Brasil. Questionem o senhor Meirelles e sua trupe de desqualificar a metodologia utilizada por um dos mais sérios institutos brasileiros, no intuito de mascarar aqueles dados. Sejam, verdadeiramente, representantes do povo.

LUIZ HUMBERTO CARRIÃO é jornalista, articulista deste caderno, diretor-tesoureiro da AGCN e presidente da Assogir. (www.assogir.com.br)


 
PONTO DE VISTA
Do Brasil à Doha
 

Em 2005, as exportações do agronegócio brasileiro devem alcançar a cifra de 42 bilhões de dólares, cerca de 8 por cento acima dos 39 bilhões de dólares de 2004. Como as importações devem atingir cerca de 5 bilhões de dólares, o superávit comercial do setor deve alcançar 37 bilhões de dólares.

Embora os números de 2005 ainda sejam recordes, é possível notar claramente uma redução do ritmo de crescimento das exportações quando comparado com o desempenho do ano anterior. Enquanto em 2004 as exportações cresceram 27,3 por cento em relação a 2003, o aumento atual é de apenas 8 por cento. Em termos de saldo, a ampliação prevista para 2005 é de 8,5 por cento. No ano anterior, o incremento do saldo foi de 32 por cento.

Nos últimos anos, o setor viveu um ciclo virtuoso de aumento das exportações e do saldo comercial. As vendas externas do agronegócio mais do que dobraram nos últimos cinco anos, passando de 20,6 bilhões de dólares em 2000 para 42 bilhões neste ano. Isso representa um incremento de 104 por cento no período. O saldo cresceu ainda mais. Em 2000, era de 14,8 bilhões de dólares, estando previsto para 2005 o superávit de 37 bilhões, ou seja, uma expansão de 150 por cento.

Nos últimos cinco anos, o agronegócio brasileiro viveu um ciclo virtuoso. Um novo fracasso na OMC seria negativo para o país

As exportações brasileiras de agronegócio devem bater novo recorde em 2005, somando 42 bilhões de dólares — um crescimento de 8 por cento em relação aos 39 bilhões de dólares do ano passado. As importações devem atingir cerca de 5 bilhões de dólares, totalizando um superávit de 37 bilhões. Apesar dos números positivos, é possível notar o agravamento da crise que atinge a atividade rural brasileira, com a desaceleração no ritmo de crescimento das vendas externas do país. Enquanto no ano passado as exportações cresceram 27,3 por cento, na comparação com 2003, neste ano a expansão é de apenas 8 por cento. O saldo da balança do agronegócio também sinaliza o cenário negativo. A estimativa prevista para fechar o ano é que haja um crescimento de 8,5 por cento ante os 32 por cento registrados em 2004.

Para o chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior (Decex) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, os números refletem diretamente a crise do setor agrícola, que promete piorar em 2006. “Com a continuidade de preços baixos para itens do complexo soja, já afetados neste ano em virtude da queda dos preços internacionais, aliados à supersafra mundial, a tendência é arrefecimento da perda de fôlego das exportações em 2006”, afirmou-me.

A safra mundial de soja deve alcançar um nível recorde de 221 milhões de toneladas, puxada principalmente pela grande safra americana, que deverá superar os 80 milhões de toneladas. Em 2004, o Brasil exportou cerca de 10 bilhões de dólares no complexo soja (grão, farelo e óleo). Neste ano, a exportação deve ficar em aproximadamente 8,8 bilhões de dólares, refletindo a queda de 15 por cento nos preços internacionais. Em virtude da baixa rentabilidade das exportações, deverá ocorrer uma queda de 7 por cento na área plantada de soja. É a primeira vez que ocorre uma redução tão drástica.

Em 2005, o preço médio de negociação do complexo soja foi de 238,2 dólares por tonelada, considerando a média entre janeiro e outubro deste ano, valor 15,3 por cento inferior aos 281,1 dólares por tonelada, de acordo com a média registrada nos dez primeiros meses do ano passado. Nos dez primeiros meses deste ano, o faturamento das exportações do setor caiu cerca de 1 bilhão de dólares, totalizando 8,2 bilhões, queda de 12 por cento em relação aos 9,3 bilhões de dólares em igual período de 2004.

Nos últimos cinco anos, o agronegócio brasileiro viveu um ciclo virtuoso, com o crescimento das exportações e do saldo do setor. As exportações mais do que duplicaram, passando de 20,6 bilhões de dólares, em 2000, para 42 bilhões neste ano, o que representa um crescimento de 104 por cento no período. O saldo na balança do agronegócio também registrou expansão. Enquanto em 2000 o saldo fechou em 14,8 bilhões de dólares, a estimativa para este ano é de 37 bilhões, o correspondente a um crescimento de 150 por cento .

Mas é bom observar que, embora este ano não tenha sido positivo para o complexo soja, outros itens da pauta exportadora do agronegócio tiveram um desempenho significativo. As remessas de carnes devem fechar em 8 bilhões de dólares, se posicionando como segundo item da pauta de exportação. A redução da oferta mundial e o aumento do consumo foram os fatores responsáveis pela recuperação do preço do café, que deverá registrar uma elevação de 49 por cento neste ano. A receita com exportações deve crescer 50 por cento em relação ao resultado de 2004.

Rodada de Doha — Outro tema de suma importância para o agronegócio brasileiro, aguardado com apreensão, é o resultado das negociações na Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que ocorre entre os dias 13 e 18 de dezembro em Hong Kong. O avanço na Rodada Doha é fundamental para destravar o impasse que envolve os três pilares das negociações agrícolas: acesso a mercados, apoio doméstico e subsídios às exportações.

Um novo fracasso na OMC seria negativo para o país. O Brasil teria muito a ganhar, se os países membros conseguirem afinar seus interesses em relação à redução de subsídios e corte de tarifas. E muito a perder, se a reunião ministerial fracassar.

A possibilidade de falta de consenso em Hong Kong poderá redundar na proliferação de acordos bilaterais e regionais, minando o sistema multilateral. Além disso, acabará erodindo as preferências comerciais de países como o Brasil, que não têm obtido sucesso em negociações comerciais com os principais parceiros comerciais do mundo, como Estados Unidos e União Européia.

Vale destacar que a evolução das negociações comerciais em geral, sejam multilaterais, regionais ou bilaterais, é extremamente importante para a agricultura do país, em virtude de sua representatividade para economia nacional. Neste ano, as exportações do agronegócio devem alcançar a cifra de 42 bilhões de dólares, cerca de 8 por cento acima dos 39 bilhões de dólares exportados em 2004. As importações devem somar, aproximadamente, 5 bilhões de dólares, totalizando um superávit de 37 bilhões de dólares.

Todos com os dedos cruzados: sucesso em Doha.

GILMAN VIANA RODRIGUES é vice-presidente de Assuntos Internacionais da CNA.


 
NEGÓCIOS E MERCADO

O mundo agrícola de Pipiripau

O Núcleo Rural do Pipiripau fica na área de Planaltina- DF. É uma região produtora de grãos e tem um grande incentivador, o ex- secretário de Agricultura e atual administrador da histórica cidade, Agnaldo Lélis. No Pipiripau, o empresário rural e também corretor de imóveis —principalmente rurais — Nicodemos Teixeira, na sua Quinta, abriu várias frentes agrícolas. Possui plantios de arroz, milho e feijão e vai começar uma vasta criação de codorna, voltada para o segmento do afamado ovo de codorna, que é bastante procurado.

Nicodemos Teixeira destaca que o setor rural de Planaltina sempre recebeu apoio governamental, sobretudo via o então secretário Agnaldo Lélis. Pede, no entanto, mais atenção com as estradas vicinais — secundárias —, de grande importância para o escoamento da colheita de milhares de pequenos produtores. Disse acreditar muito no futuro promissor que se desenha para a nossa região, onde já se planta até trigo.

A produção de feijão carioquinha é acentuada, e o milho é garantido em todos os seus rincões agrícolas. Na sua gleba no Pipiripau — para aproveitar todas os espaços — cultiva também um potentoso pomar, conforme gosta de falar, onde há tangerina, limão e laranja. Há também uma bem-cuidada horta, com muito alface, tomate, cenoura, beterraba, pimentão e maxixe. Tudo com um excelente tempero a base de pimenta. Observa-se ainda bastante batata-doce, cujo doce é uma delícia.”Delícia! Como é tudo que se produz no mundo agrícola do Pipiripau, com a graça de Deus”, explica.

De boa fonte

Nova soja de sabor suave — Uma cultivar de soja de sabor mais adocicado que as tradicionais é a novidade da Embrapa para mercado interessado em soja destinada à alimentação humana. A cultivar, que ainda está em fase de registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), estará disponível para a multiplicação de sementes na próxima safra.

Livro sobre pesquisa agropecuária — Demandas extremamente mais complexas, caras, e necessidade crescente de alianças com a pesquisa privada e órgãos financiadores. Este é o cenário descrito em O Futuro da Pesquisa Agropecuária Brasileira, livro lançado recentemente pela Embrapa. A obra tem coordenação de pesquisadores da empresa, conta com a participação de estudiosos das universidades de Michigan e Purdue e Universidade de Brasília.

Mais igualdade social — Benedito Domiengos, líder classista, ex-vice governador e ex-deputado federal é um arguto observador da questão social. Diz que evidentemente nem todos podem ser iguais, mas também não pode haver tanta desigualdade entre as classes que promovem o progresso do país.

CL, a mesma — A Câmara Legislativa do Distrito Federal continua a mesma. Mediocridade, escândalos e embromações para todos os lados. As CPIs da Saúde e da Educação parecem que vão acabar em cozidão, porque as pizzas já enjoaram.

Esplanada conturbada — Atualmente, todo protesto existente na cidade de Brasília é sinônimo de manifestação na Esplanada dos Ministérios. Ponto central da cidade, faz com que o trânsito daqueles que precisam passar da Asa Sul para Asa Norte, e vice-versa, usando aquele caminho, se sintam desrespeitados, pois, com tanta reivindicação, o atraso faz-se constante para os motoristas e transeuntes dessa localidade. Sem falar nos funcionários públicos, obrigados a trabalhar ao som daquela baderna! Isso é um desrespeito à nossa sociedade, que clama por providências.

ROSSINI FERRAZ, jornalista e profissional da área de seguros, é representante do rur@l business no Distrito Federal.


 
FISCALIZAÇÃO
A Sefaz alerta para a exigência da nota fiscal
 

Os pecuaristas goianos devem redobrar os cuidados com a emissão e exigência de nota fiscal no momento da compra ou venda de gado. É que a Secretaria da Fazenda desenvolveu, e já está colocando em prática, um aplicativo que permitirá o controle total das operações de entrada e saída do gado bovino e bubalino de qualquer fazenda do Estado.

A ferramenta eletrônica, desenvolvida pela gerência de informática em conjunto com a gerência de arrecadação e fiscalização da Sefaz, é complexa, segundo explica o coordenador de controle agropecuário da Geaf, Eugênio Benvindo. “O objetivo da Sefaz é desenvolver um acompanhamento seguro em comercializações de gado, considerando, inclusive, a evolução da idade do rebanho dentro da propriedade, as perdas de reses e o abate dentro de um determinado período fiscalizado.”

O secretário José Paulo diz: “Estamos buscando mais exatidão dentro do trabalho de fiscalização nesta área e esta ferramenta será positiva não só para a fiscalização, mas também para o pecuarista não ser injustiçado na hora da cobrança do imposto”.

Eugênio faz um alerta aos pecuaristas que emprestam o número da inscrição estadual para terceiros: “A partir de agora, o cruzamento de dados vai permitir a identificação desse tipo de transação ilegal”.


 
AGRONEGÓCIOS

Você sabia...

Que, numa economia globalizada, fica difícil para as empresas instaladas no país competirem com produtos provenientes de outros países em que a tributação é muito menor? Quem afirma é o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o advogado tributarista Gilberto Luiz do Amaral: “ Há 12 anos os pesquisadores do IBPT analisam a Carga Tributária Global das empresas brasileiras, que é a somatória de todos os tributos pagos por elas durante cada ano.

Segundo Amaral, “como a tributação no Brasil está por volta de 35 por cento do PIB, uma das mais altas do mundo e a maior entre os países emergentes, os empresários devem conhecer como ela incide sobre seus negócios, possibilitando um melhor acompanhamento e despertando o interesse pela sua redução legal”.

Além dessa dificuldade atual, o governo vem sistematicamente majorando alguns tributos, incidentes principalmente sobre o faturamento, o que certamente dificulta ainda mais a competitividade das empresas. “Novamente quem vai pagar pela má administração dos recursos públicos é o setor produtivo do país”, diz Gilberto.

AÇÃO GOVERNAMENTAL
Negócios da Perdigão são ampliados em Goiás

Quando a Perdigão optou por instalar a maior agroindústria da América do Sul em Rio Verde, localizado no Sudoeste do Estado, em 1996, dois segredos industriais não foram revelados. Em outubro do ano passado, quando comemorou seus 70 anos de existência com um jantar em Goiânia, a primeira boa notícia foi o anúncio da construção da segunda unidade agroindustrial em Mineiros, também no Sudoeste goiano. Na época, o presidente da Perdigão, Nildemar Secces, ouviu a sugestão do governador Marconi Perillo para que já pensassem em uma terceira unidade no Estado.

Menos de um ano depois, a empresa resgata um antigo sonho do povo de Jataí, que reclamava, até semana passada, dos motivos que levaram o ex-governador Maguito Vilela a não se empenhar para instalar uma unidade da empresa no município. O anúncio oficial de investimento na antiga sede da agroindústria FranGalle, feito por parte da Perdigão, ocorreu no dia 1º, quinta-feira, às 17 horas, no Palácio das Esmeraldas.

Na solenidade, todos fizeram questão de afirmar que o governador Marconi Perillo, juntamente com o secretário de Infra-Estrutura de Goiás, Leonardo Vilela, foram “peças” fundamentais nessa engrenagem política empresarial, tanto em Mineiros quanto em Jataí. Mérito também para Alcides Rodrigues, vice-governador, e José Mário Schreiner, ex-secretário de Agricultura e Pecuária, hoje presidente da Agenciarural, que estiveram em Brasília, São Paulo, Mineiros e Jataí com os mesmos propósitos: reforçar as ações de governo em prol da instalação das unidades da Perdigão em Goiás.

“Em menos de dez anos a Perdigão investiu bilhões de dólares em Goiás. É a maior geradora de emprego da iniciativa privada e responsável pelo aumento da renda per capita dos principais municípios do Sudoeste goiano. Outro detalhe: mês passado, a agroindústria iniciou suas atividades na pecuária de corte bovino em Goiás”, afirma José Mário Schreiner.

MERCADO DE SÊMEN
Bolsa Lagoa Leite

Lagoa, central de genética, lançou uma forma inédita de comercialização de sêmen no Brasil. Trata-se da Bolsa Lagoa Leite, campanha em que o preço das doses é cotado e determinado pela variação do preço do leite, assegurando a mesma relação de troca (litros de leite/dose de sêmen), independentemente das eventuais oscilações do mercado. “Desta forma, caso ocorra uma indesejável redução no preço recebido pelo leite, o valor do sêmen dos touros participantes da bolsa acompanhará essa variação na mesma proporção, procurando assegurar ao pecuarista de leite a mesma relação de troca e continuidade de utilização de genética de ponta no rebanho em situações de adversidades do preço”, ressalta um dos idealizadores da ferramenta, o gerente da empresa, William Tabchoury.

PONTO DE VISTA
Seguro e renegociações das dívidas rurais

A boa notícia em tempos de crise é que a Câmara analisa o Projeto de Lei 5507/05, do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), que prevê ampla renegociação das dívidas do setor agropecuário. O projeto autoriza o alongamento de contratos, vencidos ou a vencer neste ano, com todas as fontes financiadoras do campo, como os bancos do Brasil (BB) e do Nordeste (BNB). O texto beneficia empresários e cooperativas. O saldo a ser renegociado chega a 7 bilhões de reais.

A proposta prevê descontos de 6 e 12 por cento para a liquidação antecipada da dívida, dependendo da fonte de recursos, e a suspensão das cobranças e execuções judiciais durante o prazo de renegociação.

Um dos principais pontos do projeto é a prorrogação automática da data de vencimento das parcelas renegociadas no caso de o agricultorcomprovar que não pode pagá-las devido a dificuldades na comercialização dos produtos ou quebra da safra por fatores climáticos.

(Síntese de artigo publicado na coluna Ponto de Vista, na semana passada, de Antônio Ernesto presidente da CNA._–

AUDIÊNCIA PÚBLICA
ICMS do leite

Por iniciativa da deputada Cilene Guimarães (PL), será realizada na Assembléia, na terça-feira,13, uma audiência pública em que será tratada a questão da redução do ICMS do leite e seus derivados.

Foram convidados para participar do evento representantes do Sindicato do Leite de Goiás (Sindleite), Macel Caixeta da Faeg, estudantes e professores dos cursos de agronomia e veterinária da UFG, Roberto Balestra, secretário de Agricultura e Pecuária, o presidente da Agenciarural, José Mário Schereiner, da Agroefesa, Maurício Faria, o superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária, o presidente da Associação de Produtores de Leite, da SGPA, Adair Ribeiro, presidente da Associação Goiana dos Criadores de Nelore (AGCN), representante da Organização das Cooperativas do Brasil, senadores, deputados federais e estaduais.

A ressalva é se essa redução irá beneficiar tão-somente o laticínio em detrimentro ao pecuarista de leite.


 
MINUTO DE PROSA

Registro de defensivo genérico

É só no Brasil mesmo. Em uma reunião na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural presidida pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), o presidente da Câmara Setorial de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Cristiano Valter Simon, admitiu que o registro para um defensivo agrícola genérico pode custar até 4 milhões de reais. Ele explicou que o teste dos produtos, que analisa o impacto no meio ambiente e na saúde humana, é muito caro: “Com a simplificação do processo de registro, o custo cairia para 120 mil reais.”

Segundo Simon, atualmente 38 empresas aguardam registro de defensivos genéricos. Ele lembrou ainda que cada interessado tem de pagar taxas para os ministérios a fim de obter o registro.

Os deputados propõem que apenas o Mapa seja responsável pela emissão do registro de defensivos agrícolas.

Defesa sanitária animal, assunto de segurança nacional

Conselhos de veterinária de todo o país divulgam carta denunciando a fragilidade da defesa sanitária e sua influência na saúde pública e no agronegócio brasileiro. Segundo Wanderson Portugal Lemos, presidente do CRMV-GO, “que seja reconhecida a Defesa Sanitária Animal como assunto de segurança nacional”.

Considerando ainda as deficiências das estruturas funcionais e materiais dos serviços de defesa sanitária e vigilância do país, o conselho também propõe a reavaliação e atualização dos sistemas de vigilância e defesa sanitária vigentes, e a implementação de ações conjuntas e padronizadas em condutas sanitárias em toda a América do Sul.

“Também se quer ampliação do efetivo das estruturas funcionais, principalmente de médicos veterinários, por meio da realização de concursos públicos, com remuneração compatível com a importância da atividade, abolindo a prática de contratações temporárias e terceirizações, e, que sejam contemplados, no orçamento, os investimentos necessários para execução dos programas nacionais, estaduais, de sanidade, vigilância e inspeção de produtos de origem animal, além de que o mesmo seja disponibilizado a tempo para execução das atividades”, diz Wanderson.

Alta genética

Em projetos pecuários que trabalham com alta genética, uma das maiores preocupações é o tratamento das receptoras. Segundo um levantamento realizado pela Scot Consultoria, 56 por cento dos criadores utilizam centrais para alojamento de embriões. Ainda de acordo com os dados dessa pesquisa, 29 por cento dos pecuaristas definem a escolha de uma receptora de acordo com o manejo sanitário.

“Para alcançar o efetivo controle sanitário no rebanho sem acarretar custos elevados, as ações devem partir do conceito de controle integrado dos parasitas, conhecendo a epidemiologia e doenças, raças e categoria animal, levando em consideração a região da fazenda”, explica Julio Speriogin, coordenador da Merial Saúde Animal, responsável pela parceria.

Palocci: “Setor rural sofreu grandes perdas”

Em reunião realizada com empresários rurais e alguns deputados federais que trabalham em prol do segmento em Brasília, na semana passada, foi retirado do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o compromisso de alocar recursos para o seguro agrícola. Segundo o ministro, “esse é o principal desafio da área econômica em relação à agropecuária”.

O ministro admitiu que, “depois de segurar sozinho o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003, o setor agropecuário sofreu grandes perdas neste ano”. O cálculo do prejuízo do setor supera 21 bilhões de reais, sendo que nem todos os empresários rurais conseguiram reparação junto ao governo.

Em relação às acusações de negligência do governo no combate à febre aftosa, o ministro garantiu que não faltaram recursos para combater a doença no Brasil e apresentou relatório com as liberações de recursos para a segurança sanitária animal. “O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, já havia nos alertado no início do ano para que não faltassem esses recursos”. Segundo o ministro, eventuais problemas nesses repasses foram motivados pela falta de projetos dos Estados e por diversos entraves legais, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, no caso dos municípios.



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