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ELEIÇÕES 2004
Rachel e Iris desenham os contornos da sucessão
Os convencionais PMDB e PFL têm, na sucessão municipal, a oportunidade de se consolidarem como a grande força de oposição governista e petista no Estado
ANDRÉIA BAHIA
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Silvana Krause: “O PFL saiu fragilizado do processo de escolha do candidato”
| Ao definir sobre sua pré-candidatura em Goiânia, o PFL fez com que o processo sucessório na capital desse um pequeno salto, saindo daquela situação de aparente inércia que se encontrava. A definição no PFL se deu no momento em que, surpreendentemente, Iris Rezende se afirma como líder nas pesquisas de intenção de voto, e sua rejeição sofre ligeira queda. Mesmo sem se apresentar como candidato a Prefeitura de Goiânia, o ex-senador atropelou candidaturas mais consolidadas, como a de Pedro Wilson, Darci Accorsi, Sandes Júnior e Barbosa Neto.
Entretanto, as pesquisas ainda não revelam o que realmente pensa o eleitor, porque o quadro continua muito instável, na opinião de Denise Paiva, professora do departamento de Ciências Sociais da UFG. “O eleitor ainda não começou a discutir o processo eleitoral. O tema ainda está restrito aos partidos.” A professora do departamento de Ciências Sociais da UFG Silvana Krause avalia que a redução nos índices de rejeição de Iris Rezende pode ser uma resposta à propaganda eleitoral do partido. “O bom discurso de Iris Rezende me chamou atenção”, conta. Para Denise Paiva, a liderança do ex-senador é bastante natural, visto que é um político importante em Goiás. “Apesar de ter perdido duas eleições, é natural que ele seja lembrado.” O professor de Ciências Políticas da UFG Robinson de Sá Almeida ressalta que os votos registrados nas pesquisas podem representar os eleitores cativos de Iris Rezende. “E o mais provável é que ele não suba mais nas pesquisas”, afirma.
Alianças — O fato é que a escolha da pré-candidata Rachel Azeredo, e a descoberta do potencial eleitoral de Iris Rezende deram um pouco mais de definição aos contornos do quadro político da capital, possibilitando uma leitura mais clara desse momento. A primeira conclusão a que se pode chegar, de acordo com o professor Robinson de Sá Almeida, é que a indicação da deputada Rachel Azeredo fortaleceu o PFL do deputado Ronaldo Caiado, e que a tendência é esse grupo vir a se consolidar como uma nova força política no Estado. “É o primeiro passo rumo à construção de uma força alternativa ao grupo de Marconi Perillo.” A continuidade desse processo, segundo o professor, vai depender de como o grupo derrotado, o do deputado Vilmar Rocha, vai se posicionar, e também das alianças que o PFL vai conseguir viabilizar.
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Denise Paiva: “A aliança entre PT e PSDB nunca foi factível”
| A cientista política Silvana Krause discorda da análise de Robinson. Segundo ela, o procedimento de escolha do pré-candidato foi muito desgastante para o partido, que saiu fragilizado do processo. “O lançamento de um político que não era da legenda, em detrimento de uma figura histórica do partido, tende a enfraquecer o grupo a médio e longo prazo.
No arranjo das coligações, o PFL tem preferência pelo PMDB, uma aliança que encontra dificuldades no fato de Ronaldo Caiado ser uma liderança destacada, com uma história consistente. “Esse seu perfil dificulta alianças com setores que têm grandes lideranças com pretensões futuras, como é o caso do PMDB”, analisa o cientista. Tanto o PFL como o PMDB têm, em seus projetos políticos, o governo do Estado em 2006, e, para construírem uma força que venha a ser uma alternativa ao governismo e ao petismo no Estado, os dois partidos teriam que ceder.
O PFL também encontra obstáculos para se aliar ao PMDB, por causa dos altos índices de Iris Rezende nas pesquisas, que podem, inclusive, levar o PMDB a arriscar um vôo solo em Goiânia. Não com o próprio Iris Rezende, mas com um candidato que seja afinado com ele. Primeiro porque “o horizonte de um político da estatura de Iris Rezende está voltado para a disputa pelo governo do Estado”, explica Robinson. Mas uma eventual renúncia à administração municipal para concorrer ao governo do Estado em 2006 seria extremamente negativa para sua imagem. Em segundo lugar, porque mais uma derrota eleitoral — Iris vem de duas, uma para governador em 1998 e outra para senador em 2002 — poria fim na sua carreira. É um risco que, diante da complexidade da eleição que está colocada, Iris Rezende precisa considerar. O ideal, segundo Robinson Almeida, é que o PMDB lance um candidato próprio, alinhado a Iris Rezende, com grande visibilidade eleitoral, e que, mesmo derrotado nas eleições municipais, possa fortalecer o nome do ex-senador.
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Robinson de Sá Almeida: “O PT está em um beco sem saída”
| O PMDB trabalha também com a possibilidade de uma coligação com o PT, o que não favorece o projeto futuro da legenda, porque o PT já tem seu candidato nesta sucessão: o prefeito Pedro Wilson. O PMDB teria que compor com o PT, ocupando uma posição subalterna. E indicar o vice numa chapa com PT é algo que “não beneficia as aspirações do PMDB em Goiás”, afirma o cientista. Na avaliação de Robinson Almeida, caso o PMDB opte por participar de uma coligação, terá que escolher a estratégia menos pior: se aliar ao PFL e colocar em risco seu projeto de 2006, ou ficar em segundo plano em uma aliança com o PT, o que não daria visibilidade ao partido. A professora Silvana Krause lembra que a aproximação entre PT e PMDB não é recente. Os dois partidos não se coligaram, mas caminharam juntos em 2002 e, em 2000, o PMDB apoiou o PT na capital, no segundo turno.
Sem Rumo — A situação mais desanimadora, segundo Almeida, é do PT. O partido não consegue ampliar seu leque de alianças, o acordo com o PSDB não avança, com o PMDB está difícil, a coligação com o PPS está desgastada, e Pedro Wilson apresenta um alto nível de rejeição. “O PT está em um beco sem saída, porque seu candidato vai mal e o partido não tem perspectiva de uma aliança que possa dar um novo rumo a essa trajetória complicada.” Além disso, há o risco de nacionalização das eleições municipais, o que faria com que a candidatura de Pedro Wilson carregasse também o ônus do governo Lula. Para Denise Paiva, a aliança entre PT e PSDB nunca foi factível. “O custo para o PT era muito alto, teria que atender um opositor.”
Já o PSDB e os partidos aliados enfrentam dificuldades de outra natureza: “É como um técnico que tem muitas opções de jogadores a sua disposição. Se ele não fizer uma costura habilidosa, o resultado pode ter um efeito desfavorável”, compara Almeida. Essa situação só demonstra a falta de visão do próprio PSDB, que não permitiu o surgimento de novas lideranças e se vê diante de um quadro de pré-candidatos de partidos aliados que não representam a continuidade do governo tucano. “Será que essa situação não foi premeditada”, questiona Almeida.
Do desenrolar desse quadro sairá o desenho de 2006. Se o PT conseguir crescer no interior do Estado, reduzindo o espaço do PMDB, pode se apresentar como um força política com chances em 2006. Caso contrário, nem mesmo um eventual sucesso do governo Lula alavanca uma candidatura petista no Estado. O PL, assim como ocorreu com o PFL, tende a buscar mais autonomia, com relação ao grupo do governador, para também ser uma alternativa na eleição estadual. Já o PSDB, só se manterá no poder, se conseguir, nos próximos dois anos, transferir para novas lideranças do partido as características que mantiveram Marconi Perillo no poder. “Mas o grande desafio do governador será manter a unidade do seu grupo”, afirma Silvana Krause.
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