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Jornal Opção Tocantins
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ENTREVISTA — ALAN BARBIEIRO |
| “Ainda falta um projeto de desenvolvimento para o Tocantins” |
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Sociólogo reitor da UFT cobra mais investimento em ciência e tecnologia, nota
que há uma forte coalizão em torno do governador Carlos Henrique Gaguim e
observa que esse bloco político vai buscar a sua manutenção no poder
RUY BUCAR
O sociólogo Alan Barbieiro, reitor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), observa que o Tocantins sofreu uma ruptura importante, mas apenas no plano político já que mantém um modelo de desenvolvimento ultrapassado. “Hoje se mede o nível de desenvolvimento de uma nação, de um Estado, pela quantidade de doutores, pessoas que têm patentes, que fazem inovação, empresas inovadoras. E nós estamos ainda num modelo do século passado, de vinte 20 anos atrás, sem ter jogado à luz do que hoje o mundo está procurando e onde nós temos condições de acumular riqueza”, declara o professor, chamando atenção para a necessidade do governo de promover este debate de forma mais sistemática.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, concedida na quinta-feira, 12, em seu gabinete na reitoria da UFT, Alan Barbieiro defendeu que cabe ao Estado e não à iniciativa privada o papel de indutor do desenvolvimento. Falou também sobre o crescimento do ensino superior no Estado e defendeu que a Escola de Tempo Integral implantada em Palmas é o modelo ideal. Barbieiro discorreu ainda sobre a crise do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e da sua atuação à frente da Andifes. Doutor em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) em convênio com a Universidade de Montreal, no Canadá, Alan Barbieiro é um estudioso e crítico do modelo do desenvolvimento do Tocantins.
Como o sr. vê o cenário político do Tocantins, sobretudo com essa ruptura que deu lugar a uma nova configuração de poder, qual a leitura que se pode fazer deste momento?
Há uma rearticulação das forças políticas no Tocantins. A gente percebe uma movimentação, uma migração de partidos, de setores, de lideranças que estavam numa situação de oposição ao governo e hoje fazem parte do atual governo. Ao mesmo tempo outras que estavam no governo e que hoje estão na oposição. E a possibilidade de quem era governo e quem era oposição até de estarem juntos em 2010. É um momento importante na política do Estado. Percebe-se que há uma forte coalizão em torno do governador, que conseguiu reunir partidos que estavam na oposição e que estavam na situação. Ele fez uma forte base política, mas essa base tanto pode se manter unida como pode cindir porque é uma base também muito heterogênea, que têm lideranças importantes que pretendem disputar as eleições. É?claro que irá sobressair aquele que estiver em melhores condições de disputar e eu acredito que esse bloco vai buscar a sua manutenção no poder. Ao mesmo tempo nós temos alguns partidos que estão apoiando, mas não fazem parte do governo e ensaiam também uma candidatura, e aí eu posso falar sobre o movimento do Partido dos Trabalhadores, o próprio PSB e outros que estão apoiando o atual governo, mas que podem também construir outra candidatura. A situação do DEM e do PSDB é diferente. O?PSDB — embora tenha algumas lideranças, como o próprio Eduardo Gomes, que dialoga bem com o atual governo — em si tem uma posição de não fazer parte do governo, enquanto o Democratas tomou a decisão, talvez o único, de se declarar oposição e encaminhou um RCED (Recurso Contra Expedição de Diploma) contra esse novo governo.
Dentro dessa configuração, qual o cenário para 2010?
Temos um cenário para 2010 que pode fazer com que esse bloco que está no governo hoje se mantenha e, dependendo das eleições presidenciais, ele pode ser ampliado com a inclusão de partidos como o próprio PT, o PSB, o PC do B. Isso porque o objetivo do presidente Lula é garantir a sua sucessão e ele faz todo empenho. Para ele é mais importante a eleição da Dilma Roussef do que a eleição de um governo estadual. E para formar um forte palanque para a Dilma em alguns Estados o PT vai ter que abrir mão de algumas candidaturas, ainda mais o governador sendo do PMDB, que apoia nacionalmente o PT. Dependendo da coligação em nível nacional, essa possibilidade de candidatura já colocada, principalmente no caso do PT no Tocantins, poderia dividir o palanque da Dilma no Estado, e talvez um palanque mais fortalecido teria de ter PMDB, PR, PT, PSB, PC do C numa única candidatura se a candidata da base atual do governo for a Dilma.
Mas o PSB já está trabalhando candidatura própria com o deputado Ciro Gomes, como ficaria inserido nessa situação?
No caso do específico do PSB existe a pré-candidatura do deputado federal Ciro Gomes, a gente percebe as suas movimentações e isso poderia ter impacto em nível local. Nós temos um cenário em construção que pode consolidar em dois grandes blocos, mas que pode se desdobrar em três blocos, dependendo do contexto nacional. Em nível nacional a aproximação do PSDB com o DEM é algo consolidado, resta saber se essa aliança já estabelecida há vários anos em nível nacional será reproduzida em nível estadual nas eleições de 2010. Mas o fato é que eu acredito que todo momento de crise e todo momento de transição, de mudanças, são momentos também de oportunidades. Eu acredito que o Estado do Tocantins poderá também se beneficiar dessa transição e se criar uma coalizão forte para alavancar ainda mais o desenvolvimento do Estado, porque o que é mais importante é que se tenha um grupo político unido com um bom propósito, com um bom projeto e que consiga colocar o Estado do Tocantins realmente num processo mais agressivo de desenvolvimento.
Essa ruptura política pode ser o início de um novo processo de desenvolvimento?
Tivemos algumas rupturas. Quando o governador Marcelo Miranda e o ex-governador Siqueira Campos fizeram o rompimento foi uma ruptura importante na história política do Tocantins. O resultado das eleições subsequentes da disputa entre Marcelo e Siqueira foi um resultado que expressou essa ruptura de uma hegemonia muito grande que existia em torno da liderança de Siqueira Campos. Agora há um novo momento na política, de reorganização dessas forças políticas. O?que eu não posso dizer é que há uma ruptura no projeto de desenvolvimento do Estado, porque não consigo visualizar e perceber esse projeto apresentado para a sociedade que possa pensar e projetar o Estado do Tocantins para os próximos 50 anos. Onde queremos chegar nos próximos 50 anos? Quais são as nossas prioridades? Quais são os nossos programas estruturantes em diversas áreas? Então não vejo uma ruptura nesse sentido. Vejo ainda a falta de um projeto de desenvolvimento para o Estado do Tocantins.
Há um discurso bem elaborado de que o Tocantins constitui numa nova fronteira de desenvolvimento do País, mas não há políticas consistentes para o Estado explorar este potencial. Falta visão ou compromisso?
Todo Estado que quer chegar a algum lugar tem que ter um bom planejamento estratégico. Num planejamento estratégico você tem que definir qual a visão de futuro que você tem do Estado. Você tem que ter análise de cenários. Por exemplo, se o Brasil vir a se tornar a quinta economia mundial nos próximos 20 anos qual vai ser a inserção do Tocantins nesse contexto? Vai ser exportador de commodity ou quer ser exportador de outros produtos? Nós vamos atuar mais para o mercado interno nacional ou para o mercado internacional? Se esse crescimento nacional não vigorar e o País continuar fora dos cinco países mais ricos, como o Tocantins vai se posicionar? Ou seja, precisamos ter um planejamento estratégico com análise de cenários. O que vamos fazer com a Ferrovia Norte-Sul? Poucas pessoas sabem que na Norte-Sul nós não podemos escoar minérios — podemos até ter uma riqueza mineral no Estado do Tocantins —, ela não comporta esta estrutura. No vamos poder exportar grãos, exportar líquidos, mas quais são essas possibilidades, o que nós estamos fazendo para nos preparar? Vejo com muita frequência empresários vindo ao Tocantins, mas quantos se instalaram aqui no setor industrial? Há algo faltando para termos o que acontece em Mato Grosso e em Goiás. Nós estamos numa posição estratégica importante, mas às vezes isso não está bem articulado num pensamento de curto, médio e longo prazo. E aí você tem que alinhar todas as políticas públicas para aquele sentido. As secretarias vão ter que trabalhar de forma articulada na orientação de seu planejamento estratégico. Nós tivemos um planejamento estratégico no Estado do Tocantins, o Plano Plurianual (PPA), mas esse planejamento que define uma série de coisas é para quatro anos. O que estou falando é um planejamento para 20 anos, e para isso precisamos investir mais, fazer mais, isso como uma política de Estado, não como política de governo. Sai um governo, entra outro e dá continuidade ao projeto e isso não é no gabinete que se constroi, é no envolvimento, porque quem tem que defender esse projeto é a sociedade com a sua política de Estado. Acredito que falta isso no Tocantins dentro de uma perspectiva mais moderna.
“Nosso modelo de desenvolvimento é do século passado, de 20 anos atrás”
Há 20 anos o Tocantins toca o mesmo modelo de desenvolvimento baseado apenas na construção da infraestrutura. Está na hora de se pensar num novo modelo?
Hoje mede-se o nível de desenvolvimento de um país, de uma nação, de um Estado, pela quantidade de doutores, pessoas que têm patentes, que fazem inovação, empresas inovadoras. Estamos ainda num modelo do século passado, de 20 anos atrás, sem ter jogado à luz do que hoje o mundo está procurando e onde nós temos condições de acumular riqueza. Falta esse debate de forma sistemática. Você pode ter uma ação na Secretaria de Planejamento, ou na Secretaria da Indústria e Comércio, que tem a sua proposição, mas no conjunto o Estado necessita trabalhar mais com essa visão clara de para onde estamos indo e aonde queremos chegar.
Como priorizar investimento em ciência e tecnologia sem deixar de priorizar outros setores?
Quando os Estados Unidos entraram em crise o Obama disse que iria tirar o país da crise. Anunciou que iria aumentar de 2,5% para 3% do PIB americano nos investimentos em ciência e tecnologia. Não é à toa que os Estados Unidos são o país mais rico do mundo. Eles entendem que no GPS, que hoje serve para você se localizar em qualquer lugar do mundo, existe uma tecnologia que foi patenteada, que gera riqueza a partir de uma pesquisa científica. Essa pesquisacientífica, por exemplo, na consulta que pagamos para um médico não é a consulta em si que é cara, mas ali tem equipamentos que muitas vezes são produzidos na Alemanha, na Suíça, que custam mais de R$?100 mil. No remédio que você compra só 10%o fica em Anápolis, no polo fármaco de Anápolis, 90% ficam para o dono da fórmula, que está no Japão, nos Estados Unidos ou em outro país. Então, eu acho que falta compreensão no Estado do Tocantins porque a ciência é pouco visível. Uma ponte é mais fácil de enxergar, agora as pessoas não entendem que para chegar àquela ponte não foi somente na base empírica, as pessoas estudaram estrutura, estudaram argamassa, cimento, ferro, designer, estudaram uma série de coisas para fazer aquela ponte. Temos que entender que nós precisamos — e todos os Estados da federação têm Fundação de Amparo a Pesquisa — e temos falado já há muitos anos, da necessidade de criar uma fundação para fazer a captação de recursos. Foi uma insistência nossa a criação da Secretaria da Ciência e Tecnologia, sugerimos para a Prefeitura de Palmas a criação da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, já foi um avanço. Mas não podemos pegar recurso da ciência e tecnologia para pagar bolsa nas escolas particulares. Por mais importante que seja o programa, e isso tem que continuar, mas não pode ser tirado do porcentual constitucional para ser aplicado em ciência e tecnologia. Ter um profissional formado em direito, em contabilidade, em administração, em várias áreas é importante para o Estado, mas não está vinculado ao desenvolvimento tecnológico do Estado. É preciso pegar esse recurso e aplicar na pesquisa tecnológica adaptada às condições do Tocantins. Talvez esteja faltando isso para garantir a permanência aqui daquele empresário que vem ao Tocantins e quer fazer investimento. A primeira coisa que ele pergunta são os dados, se produz bem aqui. Se não temos esses dados, ele vai para um lugar que tem. O?Estado precisa compreender a importância da ciência e tecnologia. Eu posso dar um exemplo do que uma cidade muda com uma universidade, o que era Araguaína, o que era Gurupi? O que está sendo Palmas por força da presença de uma universidade, isso só numa leitura rasa, só de ter chegado estudantes, professores, já movimenta a economia. Imagine tendo laboratórios de pesquisa, centros tecnológicos, produção de conhecimento, pessoas de fora do País vindo visitar pela excelência científica que nós adquirimos. Os empresários vão sentir segurança, eles precisam ter estabilidade política, precisam ter um espaço democrático em que ele saiba que se desagradar o governador a empresa dele não vai ser fechada. E?precisa ter um forte sistema estadual de ciência e tecnologia para dar base à inovação da empresa deles. Não temos isso ainda consolidado no Tocantins.
Como o sr. vê o avanço do ensino superior no Estado ao mesmo tempo em que o ensino fundamental alcança índices baixos quanto à avaliação da qualidade??Há falta de sintonia entre a base e a ponta, que é o ensino superior?
Esse é um debate complexo porque houve uma estratificação ao longo da história do Brasil definindo as responsabilidades. O ensino fundamental é de responsabilidade dos municípios, o ensino médio do Estado e o ensino superior do governo federal e aí há uma contradição. Geralmente as escolas públicas da educação básica não são as melhores escolas, o setor privado geralmente está à frente na educação básica no quesito qualidade. No ensino superior isso se inverte, as universidades públicas, as federais e principalmente as estaduais de São Paulo e do Rio de Janeiro são as melhores do Brasil, não são as particulares. Então o Estado é eficiente para oferecer o ensino superior público, nós temos 90% de pós-graduação, de mestrados e doutorados do Brasil nas universidades federais e nas estaduais desses dois Estados. Na produção científica também mais de 80% vêm dessas instituições. Por que não conseguimos fazer isso no ensino fundamental? Eu acredito que agora com a aprovação do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), que estipula um piso salarial, porque nós temos uma situação grave, muitos municípios não têm condição de pagar um bom salário para o professor. E?o primeiro incentivo é uma boa remuneração para o professor. Deixar a responsabilidade do ensino fundamental aos municípios é complicado. Uma cidade como Palmas tem estrutura, tem quadros técnicos para conduzir bem a educação, mas às vezes você vai a outro município e há insuficiência de recursos, há insuficiência de técnicos. E?quando se faz a avaliação do ensino básico, está se envolvendo o conjunto dos municípios, e pode ter uma discrepância muito grande, um está muito bem e o outro muito ruim. E um fator muito importante, a educação básica, o ensino fundamental principalmente exige um forte envolvimento da família, dos pais e, infelizmente, a gente tem perdido isso. Muitas famílias de baixa renda, em que pai e mãe trabalham fora, não tem condições de acompanhar seus filhos. E?isso acontece até com famílias de classe média. Muitas vezes, mesmo a escola tendo boa condição, não se tem ensino de qualidade. É uma situação complexa, mas acredito que comece a melhorar agora com o Fundeb, em que haverá maior investimento na educação básica, com a formação de professores que o governo federal e a UFT estão implantando aqui no Estado. Estamos oferecendo 1.200 vagas para a formação de professores e vamos formar nos próximos oito anos 12 mil professores na primeira e segunda licenciatura. São ações que terão impactos num grande prazo na melhoria da educação, ou seja, formar mais professores na área adequada, melhorar os seus salários e investir na estrutura e na recuperação das estruturas físicas das escolas.
A Escola de Tempo Integral de Palmas é um bom exemplo do que o governo municipal pode fazer pela educação. O?governo estadual acena com a possibilidade de implantá-la em todas as unidades do Estado. É?uma solução também?
Acho que é a escola ideal, principalmente nos tempos modernos. É uma proposta que vem de longa data. Quem se lembra da proposta do Brizola? É?claro que o projeto pedagógico avançou muito, mas a ideia da escola de tempo integral é uma coisa que se pratica na Europa, em vários outros países de forma muito bem sucedida, porque se busca uma formação mais integral do estudante. Ele tem não somente atividades tradicionais, mas atividades lúdicas, esportivas, tem uma formação complementar e vai conviver num ambiente saudável, em vez de muitas vezes estar nas ruas e suscetível a práticas não desejáveis a uma sociedade que quer formar bem o seu cidadão. Ele estará num ambiente onde professores, pedagogos, pessoas qualificadas vão estar acompanhando a evolução e a formação daquela criança. Então, é uma grande proposição. Eu acredito que o projeto de Palmas é muito bem sucedido, como também algumas experiências no Estado e se isso for adotado como uma prática generalizada acredito que contribuirá muito para a melhoria da formação das nossas crianças e adolescentes.
Como presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) sr. esteve no centro dessa crise do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Que lição pode tirar, há uma resistência em avaliar a qualidade da educação brasileira?
O Enem, até o momento que servia só para avaliar o ensino médio, era uma situação relativamente simples. A partir do momento que ele serve também para selecionar estudantes para se ingressar nas universidades, e principalmente nas universidades federais, ele passa a ter outra dimensão, passa a ser algo também de gangues. Nós que fazemos vestibulares sabemos do aparato de segurança e toda logística que se tem de montar para garantir a segurança, e isso porque atuamos somente num Estado. Quando você pensa em um exame para ser aplicado em mais de mil municípios, só para rodar e embalar as provas são 30 dias, são quase 5 milhões de estudantes que vão participar da prova e há cidades do interior do Amazonas onde se tem de ir de barcos. Há cidades que tem que ir de avião; em outros, de estrada de chão, com buracos, o carro pode furar um pneu, pode estragar, pode não chegar o malote, então é uma complexidade muito grande. Como presidente da Andifes nós acompanhamos todo esse processo. Demos sugestões ao ministro, apoiamos o Ministério da Educação. Estamos fazendo todo esforço para que esse processo seja bem sucedido, porque ele tem um conceito interessante. A importância do Enem é mais no sentido de induzir o ensino médio para uma formação mais reflexiva e não de decoração. Por que o vestibular pauta o ensino médio, tanto é que nas escolas privadas, a propaganda de ser uma escola boa é ser bem-sucedida no vestibular. Ela prepara o aluno do ensino médio para passar no vestibular e às vezes a prova do vestibular não está bem construída para fazer com que o aluno busque mais capacidade analítica.
O que é a Andifes, qual o seu papel e como o reitor de uma universidade nova venceu a disputa com dirigentes de instituições tradicionais?
A Andifes é uma associação muito respeitada, muito forte. Ela representa os dirigentes de 58 universidades, temos no sistema quase 1 milhão de estudantes, são 38 hospitais universitários, milhares de professores, técnicos, os mestrados, os doutorados. E é uma forte interlocutora com o Congresso Nacional, com os Ministérios da Educação e do Planejamento. Foi uma grande honra para o reitor da Universidade Federal do Tocantins, uma das mais novas universidades, presidir essa associação numa eleição em que disputei com reitores das Universidades Federais do Rio de Janeiro e da Bahia, instituições praticamente centenárias, que têm faculdades com mais de cem anos. E foi no debate, nós tivemos vários debates e eu tive uma vitória bem folgada. Somando os outros candidatos ao todo eu tive bem mais votos que a soma dos outros e isso tem projetado o Estado do Tocantins. Fui, em agosto, representar todas as Universidades Federais em Paris, na sede da Unesco, na Conferência Mundial sobre Ensino Superior. Quem estava lá era o presidente da Andifes, mas anunciado como reitor da Universidade Federal do Tocantins. Recentemente fui à Universidade Federal de Ouro Preto para participar de um congresso e fazer a palestra inaugural daquele encontro e lá fui apresentado como presidente da Andifes e reitor da UFT. Isso projeta a UFT, que se torna mais conhecida. Para nós também é uma experiência fantástica de conhecer todo o sistema, ter a possibilidade de discutir a educação no seu conjunto com as principais autoridades do Brasil, isso também nos dá uma experiência de gestão muito importante que aplicamos na nossa instituição. Então é um crescimento em termo de representação da UFT em nível nacional e internacional por força do fato de seu reitor ser o presidente da Andifes. A Andifes tem 20 anos e nenhum reitor da região norte conseguiu ser eleito até então. Sempre foram os reitores das universidades consolidadas, e conseguimos esse feito, acho que graças também à credibilidade do trabalho que estamos fazendo no Tocantins.
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Aquecimento global
Dona Raimunda Quebradeira, líder das quebradeiras de coco do Bico do Papagaio, é palestrante na conferência de meio ambiente que será realizada em Belém (PA) no final do mês. Dona Raimunda foi convidada para falar sobre o impacto do aquecimento global nas atividades das mulheres do campo. “As mulheres estão sentido muito mais calor”, resume a líder rural sobre o que pretende mostrar na palestra. “As mulheres do campo são as que sofrem mais com o aumento do calor. Vocês aqui no ar-condicionado não sentem nada, mas lá no campo é bem diferente”, ressalta.
Deslize 1
Mas a maior mancada da eleição ficou por conta do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB), que não calculou bem os riscos de entrar numa eleição classista e colecionou uma derrota monumental, comprometendo a sua imagem de bem-articulado e vitorioso. Nos últimos momentos da campanha o governador resolveu tomar posição contrária à candidatura de Ercílio Bezerra e viu o presidente ser reeleito com folga e ainda fazer discurso duro contra a ingerência do Palácio Araguaia.
Deslize 2
A decisão do governador de apoiar um candidato e recomendar a auxiliares pedir voto pode ter sido motivada por um equívoco. Faixas espalhadas pela cidade dando conta que Ercílio contava com apoio da senadora Kátia Abreu (DEM) provocou a ira dos governistas, que decidiram lançar apoio ao seu adversário Júlio Solimar. Ercílio negou apoio da senadora e classificou o fato de guerra eleitoral. Nessa Gaguim só não foi pior do que o velho Siqueira, que disputava até eleição do Lyons.
Deslize 3
Os deputados também entraram na onda e ampliaram o significado da vitória de Ercílio Bezerra. Um dia antes, o candidato em visita a Assembleia Legislativa presenciou uma manobra para não ser recebido pelos deputados. No momento em que o candidato visitava o Parlamento os deputados estavam reunidos com o governador e decidiram esvaziar a Casa, criando não apenas constrangimento, mas um desconforto para o Parlamento.
Censo 2010
O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), espera que o Censo 2010 possa corrigir a perda de recursos que a cidade sofreu em função da queda da população verificada no último censo. “Hoje recebemos recurso bem inferior à população que assistimos”, declarou o prefeito durante debate com técnicos do IBGE na Câmara de Vereadores. O prefeito cobrou ainda que é preciso buscar entendimento quanto a contagem dos universitários dependentes da família e que não são contados como habitantes da Capital e sim das cidades de seus pais. Cidade universitária, Palmas fica prejudicada com esta metodologia.
Chocolate
O humorista Arnaud Rodrigues está de volta à televisão tocantinense. Ele estreia na primeira semana de dezembro um programa de variedades com o sugestivo nome de “Chocolate”, que pretende misturar jornalismo, humor e entretenimento. Arnaud informa que o programa terá elenco formado por humoristas consagrados e novos talentos. O programa vai ao ar na Rede Sat/Rede Brasil.
Deu Bezerra
A eleição da OAB seccional Tocantins, uma das mais disputadas de sua história, terminou confirmando o resultado esperado: a reeleição com folga do presidente Ercílio Bezerra, que obteve 1.060 votos contra 702 do concorrente Júlio Solimar. Bezerra teve 358 votos de frente.
Partidarização
O processo eleitoral que extrapolou os limites da categoria movimentou profissionais de todo o Estado, mas terminou chamando atenção pelo alto índice de abstenção, em torno de 40%. Advogados condenaram a excessiva partidarização da eleição promovida pelas duas chapas, o que talvez tenha contribuído para afastar os eleitores.
Alívio
Depois da dor de cabeça com o equívoco na eleição da OAB, o governador Carlos Gaguim (PMDB) respira aliviado. Ganhou o primeiro round do Recurso Contra Expedição de Diploma (RCED) movido contra ele pelo DEM. A Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) deu parecer contrário a cassação do diploma. No caso da cassação do governador Marcelo Miranda a PGE deu parecer favorável.
Casa Branca
E a tão propalada doação da Residência Oficial do Governador (chamada de a Casa Branca do Cerrado) para a Prefeitura de Palmas parou no meio do caminho. O negócio poderia ser bom para ambos se não fosse o gasto de R$ 3,5 milhões que a prefeitura terá que fazer para concluir a obra. O prefeito Raul Filho pediu doação definitiva da Casa e toda a área que compreende o Palacinho. O governador, que sugeriu uma doação para uso durante cinco anos, pediu prazo para estudar o pleito do prefeito.
Troca de partido
O ex-prefeito de Riachinho e de Ananás Valdemar Nepomuceno trocou o DEM pelo PMDB e articula candidatura a deputado estadual com aval do presidente do partido, deputado Osvaldo Reis, e do governador Carlos Gaguim. Valdemar ainda levou a sua esposa, Glória Maria Nepomuceno, candidata derrotada à Prefeitura de Riachinho, para engrossar as fileiras do PMDB.
Fotografia do Brasil
“Se uma região não sai bem na foto, dificilmente o IBGE volta para corrigir”, alertou o coordenador estadual das Comissões Censitárias de Geografia e Estatística, Geraldo Junqueira Filho, falando sobre a importância do envolvimento das autoridades na realização do censo 2010, que promete fazer uma fotografia bem nítida do Brasil e que pode ajudar os municípios.
Cidadãos palmenses
O senador Sadi Cassol (PT) e o desembargador Marco Antony Vilas Boas foram homenageados na quinta-feira, 19, na Câmara de Vereadores de Palmas com o título de Cidadão Palmense. O presidente da Casa, Wanderlei Barbosa (PSB), ponderou que os dois homenageados têm história de luta e participação na construção da cidade. Os títulos foram propostos pelos ex-vereadores Juscelino Rodrigues (Cassol) e Eduardo Gomes (Vilas Boas).
Pierre no Senado
O artista plástico Pierre de Freitas representa o Tocantins na exposição “Artistas Brasileiros”, que está sendo realizado no Salão Branco do Senado Federal. A exposição que conta com representantes de todos os Estados foi aberta esta semana. Por indicação do senador João Ribeiro (PR) o artista conta que pintou um quadro especialmente para a exposição. O quadro retrata a relação do homem com o meio ambiente, abordando mais especificamente Palmas, que cresce entre duas forças naturais, o Rio Tocantins e a Serra do Lajeado.
Clássicos caipiras
O cantor e compositor Genésio Tocantins está participando do projeto Brasil Clássicos Caipiras, que comemora os 80 anos da gravação do primeiro disco de moda caipira no Brasil. O projeto já se apresentou em Porto Alegre (RS) e Vitória e segue para Belém (PA). Além de Genésio também sobem ao palco os músicos As Galvão, Pena Branca, Dércio Marques e Maestro Joaquim França, dentre outros.
Festa da Manga
Tupirama se prepara para realizar mais uma edição da Festa da Manga, que atrai gente de todos os lugares. A festa, que já virou tradição, é uma iniciativa da prefeitura que busca incentivar a comunidade a aproveitar melhor o fruto que serve para várias utilidades. Ao todo serão apresentadas 80 espécies de manga que são produzidas na região.
Além de saber tudo sobre a cultura da manga os visitantes ainda têm direito saborear diversos pratos derivados do fruto. Tupirama fica às margens do Rio Tocantins, na região Centro-Norte do Estado.
Entre aspas
"Tenho orgulho de ter acompanhado esta movimentação, certamente a maior depois da construção de Brasília."
SENADOR SADI CASSOL (PT), em pronunciamento durante cerimônia de entrega do título de cidadão palmense, sobre a construção de Palmas, lembrando que acompanhou de perto não como espectador, mas protagonista.
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