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| Opção Cultural |
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| Americano plagiou brasileiro? |
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O brasileiro Hermes Leal, formado em jornalismo pela UFG, anuncia que vai processar o americano David Grann, da prestigiosa “New Yorker”. O motivo da guerra jurídica é o explorador inglês Percy Fawcett. “O que estou analisando ainda são outras formas de mostrar que alguém copia um livro para fazer outro — sem necessariamente fazer um plágio”, diz Hermes
SARAH MOHN
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, o jornalista e escritor Hermes Leal, 50 anos, trabalhou nas principais redações das redes de televisão do País — Manchete (repórter do “Documento Especial”, documentarista do “Câmera Manchete”, “24 Horas” e “Na Rota do Crime”, e diretor-geral de todos programas jornalísticos da rede), SBT e Record —, em São Paulo. As revistas “Cisco” e “Cinema” (em português e inglês) são duas de suas mais importantes criações. Dirigiu documentários e escreveu um best seller, “O Enigma do Coronel Fawcett — O Verdadeiro Indiana Jones” (Geração Editorial, já na quarta edição), também publicado no Japão. O livro voltou à baila porque o jornalista norte-americano David Grann lançou “Z, a Cidade Perdida — A Obsessão Mortal do Coronel Fawcett em Busca do Eldorado Brasileiro” (Editora Companhia das Letras, 405 páginas), supostamente calcado na pesquisa do jornalista tocantinense (nascido em Araguaína) radicado em São Paulo. Não se trata de um plágio explícito, com trechos copiados literalmente, mas a pesquisa, em tese, teria sido calcada nos levantamentos de Hermes. Por isso seus advogados estão estudando como vão processar David Grann. A Companhia das Letras divulgou, no jornal “O Globo”, a informação de que notificou Hermes para que deixe de falar que o trabalho de Grann é plágio de sua obra. Hermes não se intimidou e insiste que não tem falado de plágio. Trata-se, diz ele, de um nova modalidade de “angústia da influência”. De um trabalho que, se não existisse o de Hermes, provavelmente não existiria. Porque a pesquisa básica, os levantamentos publicados em 1996, há 13 anos, é de Hermes, não de Grann. No seu livro, Grann diz que conversou com Hermes, o agradece e elogia, mas não o cita, nenhuma vez, no corpo do texto. Nem mesmo quando cita James Lynch, que, em 1996, buscou a cidade perdida, Grann menciona Hermes. Este participou do grupo de Lynch.
Insistamos: houve realmente plágio? Hermes sugere que não, ou melhor, que, se houve plágio, trata-se de uma nova modalidade de plágio. O fato é que, de algum modo Hermes, por ter feito a primeira pesquisa, o levantamento basilar, pode ser chamado de Golias. Seu trabalho é gigantesco. Do ponto de vista de marketing e grana, venceu o “pequeno” David. Grann vendeu sua história para o ator Brad Pitt.
Hermes lançou em 2008 o livro “O Homem da Montanha”, biografia do cineasta Orlando Senna, e prepara o romance “As Horas Em Que Deus Dormiu”. O jornalista planeja também a produção de seu primeiro filme de ficção, “Cide e Alice”. O filme é baseado no livro “Faca na Garganta”, de Hermes, já na segunda edição.
Como descobriu a história do Coronel Fawcett?
Descobri essa história quando estudava jornalismo em Goiânia e pensava fazer cinema quando estivesse em São Paulo. Comecei a pesquisar o assunto para escrever um roteiro quando descobri que não havia um livro sobre o assunto. Aí a pesquisa mudou e eu comecei a montar primeiro essa grande história, publicar em um livro e depois fazer um roteiro.
Quanto tempo durou sua pesquisa?
Passei meses enfiado nos arquivos dos jornais dos anos 20 a 50 no Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso e li cerca de 20 livros relacionados ao assunto. Incluindo pesquisas nos museus de Londres. A pesquisa de campo foi a melhor parte. Andei pelas trilhas do explorador por mais de 5 mil quilômetros, no MT e na BA. Ao todo eu levei mais de cinco anos pesquisando.
Que documentos pesquisou, quem utilizou como fonte e como obteve informações detalhadas para redigir a história?
A principal fonte foram os diários do Fawcett. Suas cartas, dirigidas à sua mulher e à imprensa, foram publicados nos anos 50 e consegui um exemplar publicado no Peru que tinha mais informações que os publicados no Brasil, Inglaterra e França. Peguei esse diário e comecei a levantar cada ponte ali existente, colocando o ponto de vista de outras pessoas, inclusive de pessoas que conviveram com ele nas expedições. Encontrei cartas escritas de próprio punho no interior da Bahia onde ele tinha interesse em adquirir terras próximas à Chapada Diamantina. Se tivessem sido encontradas quando ele estava vivo, as cartas teriam sido um escândalo. Para Rondon, seu principal desafeto na época, essas cartas mostrariam que ele (Rondon) estava certo. Que o explorador queria mesmo era encontrar minas de pedras preciosas e não a tal cidade da qual falava.
Quem acompanhou o sr. na trajetória de pesquisa?
A pesquisa eu fiz sozinho. Tive ajuda de amigos na Europa e na Ásia, mas foi muito pouco em vista os anos de trabalho. Também fiz uma grande expedição para poder escrever melhor o livro e para isso procurei um grupo de jipeiros que se interessaram pela história e montamos uma expedição com o objetivo de fazer uma pesquisa in loco onde Orlando Villas Boas afirmou ter encontrado um esqueleto que poderia ser do Fawcett [Nota da redação: a pesquisa de Grann conclui que os índios enganaram Villas Boas. O crânio era de um índio, não de Fawcett]. A expedição teve problemas com os índios do Xingu, fomos sequestrados pelos mesmos índios que teriam matado Fawcett, os Kalapalos, e a nossa viagem virou uma grande aventura.
Qual o percurso percorrido para a coleta de informações?
Primeiro examinei os diários, depois mapas e tive acesso a gravações de índios dos anos 1950. Não houve uma metodologia, era como uma grande exploração de um assunto acontecido em 1925.
No livro, o sr. considera a aventura do Coronel Fawcett uma “missão suicida”. Acredita que o Coronel Fawcett ingressou na última expedição sabendo que dela não sairia vivo, mesmo que encontrasse a Cidade Abandonada?
Foi missão suicida porque Fawcett estava disposto a virar mito de qualquer forma, mesmo que isso lhe custasse a vida. Escreveu de dentro da floresta para sua mulher, Nina, que, se não voltasse, ninguém deveria lhe procurar, porque tinha experiência de muitos anos na floresta e, se não voltasse, ninguém voltaria. Enfim ele se escondeu de todos, para que não fosse realmente descoberto, criando para si mesmo uma armadilha e dificuldades para dar maior importância à descoberta da sua cidade Z.
Fawcett foi sempre criticado pelos que consideravam seu verdadeiro intuito a descoberta de tesouro, riqueza, fortuna. O sr. acredita que a ambição do coronel se restringia mesmo ao desejo de encontrar a cidade perdida?
Não acredito nesta ambição, apesar de seu interesse em algum momento pelas terras na Bahia. A sua obsessão era ficar famoso encontrando algo único no mundo. Era entrar para história com uma grande descoberta. Isso, sim, era muito mais importante.
Fawcett era mais explorador, ou aventureiro, do que cientista? Ele deixou alguma contribuição relevante?
Fawcett era, na verdade, um agrimensor. Era um oficial do exército inglês, mas sua especialidade era essa. Ele foi para a Bolívia em 1906 para demarcar as fronteiras litigiosas com o Peru e o Brasil, onde ficou por mais de cinco anos. Quando se aposentou como coronel é que resolveu procurar sua cidade perdida, fruto de sua própria crença.
No decorrer da obra, o sr. chega a criticar a colonização europeia como responsável pela pobreza nos países da América Latina. A crítica é estendida a aventureiros exploradores, até mesmo como Fawcett, desbravadores do final do século 19 e início do 20?
A pobreza na América Latina é culpa mais das classes dominantes sobre o poder político e econômico do que de causas históricas. O colonialismo age em nossa cultura até hoje de outra forma. Principalmente não reconhecendo a nossa cultura. Agora o fato de um americano [David Grann, autor de “Z, A Cidade Perdida”] pegar sua história e dizer que foi ele quem descobriu tudo isso é uma forma de não reconhecer um trabalho já feito. Essa posição é colonialista. Só tem valor se for feito por eles, nada que temos tem importância para o lado de cinema do planeta. Dias atrás vi um documentário sobre o problema da água no planeta, com problemas no mundo todo, quando chega no Brasil, aparece a viúva do ex-presidente francês François Mitterrand na nascente do Rio São Francisco dizendo que o maior lençol de água do Nordeste estava sendo preservado por ela. Como se o filme nem fosse feito no Brasil. Isso é a forma colonialista que enxergamos até hoje.
David Grann, jornalista e escritor norte-americano, autor do livro “Z, A Cidade Perdida”, diz que encontrou correspondência e diários de membros da família de Fawcett e de amigos nunca antes pesquisados. Trata-se realmente de material inédito?
Ele teve acesso aos mesmos diários que eu tive, não existem outras cartas escondidas em algum lugar. Os integrantes da família do Fawcett, que eram poucos, nunca apareceram. Quem apareceu foram membros da família da mulher do Fawcett, que são místicos, e querem preservar a história do mito de forma como ela achava que fosse acontecer. Um deles inclusive vinha muito ao Brasil até pouco tempo atrás. Mas não tinha uma informação relevante.
O escritor norte-americano diz, no livro, que entrou em contato com o sr. Como foi a conversa?
Ele me entrevistou para uma grande matéria na revista “The New Yorker” há uns três anos. Enquanto a entrevista não saía, David Grann pegava minhas fontes. Desconfiado, comecei a segurar o que já tinha passado das minhas pesquisas, quando ele começou a me dizer que iria promover meu livro nos EUA, caso eu cooperasse, pois seu interesse era somente para a reportagem. Tenho vários desses e-mails até hoje. De repente, o Amaury Soares, que era diretor da Globo Internacional em Nova York, me liga para dizer que tinha um americano pedindo para traduzir meu livro para ele, o que foi feito, e eu comecei acreditar que Grann iria realmente escrever um livro. E, como não pesquisou no Brasil, iria chupar boa parte das minhas pesquisas.
David Grann entrevistou suas principais fontes? Ou, na verdade, usou suas informações e sua pesquisa como base? Mais: usou suas informações como uma espécie de pauta?
Grann não entrevistou fontes minhas porque não existe mais ninguém vivo que possa falar sobre Fawcett. Encontrei entrevistas feitas no passado, inclusive gravações. Ele entrevistou o personagem da nossa expedição James Lynch, mas não tirou nada que fosse realmente substancial. O que tinha de importante eu já tinha escrito. [Nota da redação: na página 274 de seu livro, Grann publica entrevista com a índia Comaeda Bakairi, ou Laurinda, que diz ter nascido “por volta de 1910”. Ela diz ter conhecido Fawcett e suas informações parecem procedentes.]
Quando o sr. notou a possibilidade de ter seu livro plagiado? Em quais partes pode-se falar em plágio? Se ele cita o senhor, inclusive com deferência, pode-se falar em plágio?
Nunca achei que meu livro tivesse sido plagiado. Vi minhas pesquisas no livro de Grann, pois tive acesso ao texto antes mesmo de ele publicá-lo, porque Brad Pitt comprou os direitos e enviou o material para um cineasta famoso, que, sendo meu amigo, imediatamente me encaminhou o livro e a carta do ator americano. O que estou analisando ainda são as outras formas de mostrar que alguém copia um livro para fazer outro — sem necessariamente fazer um plágio. O problema é que, na lei, só existe o plágio, e cai melhor na música e não serve muito para a literatura.
Reportagem publicada na “Folha de S. Paulo” indica que pretende processar David Grann. O sr. chegou a contratar advogado especializado em direitos autorais. Em que fase está?
Meus advogados ainda estão analisando outras formas de agir, especialmente no exterior, pois tenho um bom corpo de advogados, os melhores na área de direito autoral no Brasil. Mas não guardo esperanças de ganhar esta causa. Ao menos com o argumento de que o jornalista plagiou, porque isso a gente sabe que não consegue nada. Tanto que nunca disse que o Grann plagiou o meu livro.
O suplemento “Prosa & Verso”, de “O Globo, entrevistou David Grann. Numa nota, publicada com destaque, a Companhia das Letras diz que notificou o sr. para deixar de falar que David Grann o plagiou? O que tem a dizer sobre a reação da Companhia das Letras? Trata-se uma ameaça, de uma tentativa de intimidação?
Foi uma ameaça explícita da editora, mas a gente já esperava por isso. Respondemos a eles e, por enquanto, acho que isso não vai andar muito. Não há necessidade. Não demos prejuízo à editora e a Grann. Se formos entrar nesse mérito, aí a coisa pega, porque vamos provar como o carinha [David Grann] fez as pesquisas dele conversando comigo, sem eu saber que estava planejando escrever um livro.
O livro foi traduzido apenas para o japonês. Não houve interesse por parte de outros países ou o sr. não investiu na publicação do livro em outras línguas?
Meu editor [Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial] nunca batalhou pelo livro. E eu nunca tive como ir a feiras internacionais para vender o livro como fazem os editores e agentes. Saiu no Japão porque os japoneses são loucos pelo Fawcett e me procuraram pessoalmente.
O ator hollywoodiano Brad Pitt comprou os direitos autorais do livro “Z, A Cidade Perdida”, de David Grann, para filmá-lo. Por que, em sua opinião, desde o lançamento de “O Enigma do Coronel Fawcett — O Verdadeiro Indiana Jones”, nunca houve interesse da indústria de cinema pela obra?
Meu livro sempre despertou o interesse de produtores. Inclusive vendi os direitos para um produtor no Brasil. Mas os projetos nunca foram para frente. No Brasil não existe cinema comercial como o americano e o europeu e esse era um projeto internacional, falado em inglês, para dar bilheteria.
James Truston Linch escreveu que a “Expedição Autan, nas Trilhas do Coronel Fawcett” “colheu muito mais informações do que a mais louca imaginação poderia prever”. Qual sua constatação sobre a aventura em busca dos passos de Fawcett?
Repito suas palavras: nunca imaginamos viver na pele uma experiência como aquele sequestro e as pessoas e situações que encontramos na viagem.
O que aconteceu a Fawcett? Foi morto pelos índios?
Ninguém nunca vai saber o que aconteceu ao Fawcett. Mas acho difícil índios o terem matado. Os índios são receosos e não agridem se não for para se defender. Se eles matassem Fawcett alguém apareceria para vingar, ou algo assim. Fawcett era pacífico, sabia lidar com esse tipo de povos e não causaria uma agressão a ponto de eles matarem os três integrantes da expedição.
O que a experiência que o fez produzir o livro alterou em sua vida?
Eu sou escritor. Um livro, dois livros ou mais, não altera a minha vida. Escrever para mim é como andar na praia, é prazeroso. Mas eu fui atrás da boa escrita, estudei muito, me especializei em narrativa, semiótica narrativa, que é a base do texto de ficção. Tanto que ano que vem implanto um curso de pós graduação em São Paulo em cima do meu trabalho de pesquisa com o texto, tanto para a área de literatura como o do cinema através do roteiro. Não adianta vontade e inspiração, temos de ser menos amador possível se quisermos ter leitores nesse país de pessoas que não gostam de livros.
Quais seus novos projetos de pesquisa e literários?
Neste momento estou ainda lançando a biografia do Orlando Senna [roteirista, diretor de cinema e escritor), mas já terminei um novo romance que se chama “Em Pé de Guerra”. Foram dois anos de escrita e reescrita, o equivalente a uns três livros de 350 páginas e finalmente está destilado e pronto. Mas acho que não sai antes do final do ano. Trata-se de uma história de um garoto de 15 anos nos anos 70, vivendo nas margens do Rio Tocantins, no Bico do papagaio. O garoto vive sob grande opressão até que se inspira na campanha de John Lennon para o fim da guerra do Vietnã para fazer sua guerra aqui no Brasil também parar. Pois ele vivia dentro do inferno da guerra entre o Exército e os guerrilheiros comunistas que ficou conhecida como Guerrilha do Araguaia.
Além do seu livro, qual outro indica para entender Fawcett?
Não temos outros livros sobre Fawcett, além do meu e o do Grann. Há muitas referências a Fawcett em vários livros, todos escritos há no mínimo quarenta anos, como o do Antônio Callado, sobre o “Esqueleto da Lagoa Verde”, sobre a ossada achada por Orlando Villas Boas nos anos 50.
A ficção tratou bem da figura de Fawcett? Quais autores levaram Fawcett para a ficção? Conan Doyle e Evelyn Waugh?
Ele foi inspiração para muita gente, mas nunca vamos ter certeza disso, pois só temos suas cartas para comprovar que manteve relações com os escritores ingleses. Não há como provar nem desaprovar o que ele disse nos dias de hoje. Já que tudo não passou de inspirações.
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LIVROS - O QUE
VOCÊ
ESTÁ
LENDO? |
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Jordane Condé
Especialista em marketing
“Estou lendo ´Os Segredos da Mente dos Consumidores´ de Michael Solomon, que fala sobre a importância de compreender o comportamento dos consumidores segmentados: o que escolhem, compram, usam e as ferramentas para facilitar essa compreensão. São 50 ´verdades´ divididas em capítulos que nos fazem refletir sobre os diferentes tipos de percepção das pessoas em relação aos mesmos produtos/serviços e o que fazer com essas percepções/reações para identificar e fidelizar esses consumidores.”
Rafael Rodrigues
Jornalista cultural
“Terminei de ler há poucos dias o livro de contos ´Cine Privê´, de Antonio Carlos Viana. Um livro exemplar: além de ter qualidade de sobra, pode servir mesmo de exemplo para os novos autores. Sexo, violência e palavrão não precisam ocupar 90% do texto, como pensam os autores ´jovens´ — já não tão jovens assim. E comecei, antes mesmo de terminar o ´Cine Privê´, a ler ´Suíte Dama da Noite´, de Manoela Sawitzki. O início é fabuloso, fantástico, mesmo, sensacional. Estou deslumbrado com ele.”
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PROGRAMAÇÃO - CIRCUITO CULTURAL |
| Flamboyant In Concert recebe Amelinha |
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No dia 22 de setembro, a partir das 19 horas, o Flamboyant In Concert traz aos palcos a cantora e compositora Amelinha, uma das grandes intérpretes da música popular brasileira.
Sobre Amelinha — A cearense Amélia Claudia Garcia Colares, conhecida como Amelinha, faz parte de uma geração de cantores conhecidos no meio artístico como “o pessoal do Ceará”. No show no “Flamboyant In Concert”, a cantora vai mostrar as músicas de seu novo trabalho. Amelinha começou sua carreira em 1970 ao lado de cantores cearenses como Fagner, Belchior e Ednardo e em 1980 ganhou o 2° prêmio do Festival da Rede Globo (MPB-80) com a música “Foi Deus que fez você”. A música acabou sendo a mais executada nas emissoras de todo o País. De voz forte e afinada, em 1975 o jornalista Tárik de Souza a chamou de “a Gal Costa dos cearenses”.
Ingressos — Para assistir ao show da área com cadeiras, o público poderá retirar seus ingressos no balcão de informações (térreo 2), mediante a doação de dois quilos de alimentos não-perecíveis. Cada pessoa poderá retirar até dois convites.
Hamilton de Holanda Quinteto
O centro de cultura e eventos da UFG — Campus Samambaia, dentro do projeto Música no Campus, recebe na terça-feira, 22, às 20 horas, o Hamilton de Holanda Quinteto, grupo liderado pelo virtuose Hamilton de Holanda, reconhecido por inovar o choro com sua técnica ao bandolim. No repertório, o quinteto toca composições instrumentais modernas, com espaço para inserções de jazz, bossa nova e até rock. Também compõem o quinteto André Vasconcellos, Daniel Santiago, Gabriel Grossi e Márcio Bahia.
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MÚSICA - KAMILLA ABRÃO |
| De volta para casa |
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INÃ ZOÉ
A energia contagiante no palco e a euforia de quem fez carreira em cima de trios elétricos continuam a mesma. O que mudou, quase radicalmente, foi o estilo musical da cantora e compositora Kamilla Abrão, 26, que do Axé, dando uma reviravolta, embarca por inteira no universo Sertanejo Universitário.
Com CD em fase de finalização, ela não esconde a alegria de voltar às raízes. Kamilla conta que nasceu em Goiânia, mas ainda criança se mudou com a família para a Bahia onde teve a oportunidade de conhecer e aprofundar o gosto musical. De volta a Goiás, a cantora diz ter batalhado para consolidar o ritmo no Estado, mas que com o tempo pode perceber que melhor seria se entregar a uma velha paixão: a música sertaneja.
Precavida, inicialmente compôs sem muitas expectativas algumas canções, inspirada em duplas como Bruno e Marrone e Jorge e Mateus, e apresentou a Guilherme Bicalho — produtor musical de duplas como João Neto e Frederico, Marcos e Fernando, Franco Levine, Henrique e Hernane —. “Felizmente ele gostou muito das composições. Quando fui gravar senti uma energia muito boa, como a muito não sentia, algo verdadeiro. Acabei voltando para casa”, diz com voz de satisfação.
A receptividade dos fãs, que estavam acostumados a ver a jovem nos trios elétricos Brasil a fora, proporcionou resultado melhor do que o esperado. “Eles adoraram, me deram o maior apoio e muitos já cantam junto com a gente as novas musicas de trabalho que apresentamos nos shows”.
O CD, com 14 faixas, deve ser lançado em outubro, e a cantora já pensa na gravação de um DVD ainda este ano. Segundo ela, o álbum apesar de ser uma mídia bastante conhecida e importante para a divulgação não tem o recurso de imagem, o que na visão de Kamilla é fundamental. Quando o assunto é desafiar as centenas de duplas que disputam o mercado fonográfico ela é enfática. “Estou confiante. Acabaram os preconceitos, as pessoas querem música boa, que agrade aos ouvidos”, ressalta.
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| História que poucos conhecem |
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Livro de escritor brasileiro narra a história verídica do militar aventureiro que influenciou a criação do personagem Indiana Jones. Sonho era encontrar cidade perdida no interior do Brasil
SARAH MOHN
Poderia apostar que o interesse pelo desbravamento do desconhecido floresce em qualquer leitor de “O Enigma do Coronel Fawcett — O Verdadeiro Indiana Jones”, escrito pelo jornalista Hermes Leal, com primeira edição publicada em 1996 pela Geração Editorial. Em 270 páginas de narrativa, não é complicado se perder entre terras inexploradas por que passou o protagonista da história ou ficar sem fôlego ao acompanhar suas caminhadas ininterruptas. A precisão com que Leal organiza os fatos do livro leva o leitor a se perguntar em vários momentos se está dentro de um conto narrado em terceira pessoa ou dos próprios diários escritos por Fawcett.
O livro divulga com detalhes expedições do militar britânico Percy Harrison Fawcett ao realizar trabalhos de delimitação das fronteiras entre os territórios de Bolívia e Peru, mas oferece com maior precisão ainda o passo a passo das aventuras do coronel obcecado pela descoberta da Cidade Abandonada — ou Cidade de Z — no interior do Brasil. Já na quarta edição no Brasil e segunda no Japão, a obra relata as buscas do coronel Fawcett para localizar vestígios de alguma civilização antiga e com desenvolvimento avançado que teria vivido em algum ponto do País ainda não descoberto e ali mesmo desaparecido sem entrar nos registros da História da Humanidade.
Junto ao filho, Jack Fawcett, e ao amigo de Jack, Raleigh Rimell, Percy Fawcett planeja com cuidado e ingressa, em 1925, numa missão ao Mato Grosso determinado a encontrar a cidade perdida oriunda da Atlântida nas selvas da Amazônia, conforme conta a lenda. Não era a primeira viagem que fazia ao interior do desconhecido, mas seria a última do explorador.
Como o próprio Hermes Leal descreve em entrevista concedida ao Jornal Opção, o livro é resultado de cinco anos de pesquisa, mas, principalmente, da “grande aventura” vivida pelo grupo que o acompanhou na expedição com o intuito de trilhar o mesmo caminho que levou ao desaparecimento de Fawcett. Em 1996, ao seguir os passos do inglês, tiveram problemas com índios do Xingu e acabaram sendo sequestrados pelos Kalapalos, supostos assassinos de Fawcett, segundo pesquisa de Orlando Villas Boas. O sertanista pode ter sido enganado pelos kuikuros.
Foram mais de 5 mil quilômetros percorridos pelo escritor entre Mato Grosso e Bahia e leituras incessantes dos diários de Fawcett, cartas dirigidas à esposa, Nina Paterson Fawcett, e à imprensa, além de jornais publicados nos anos seguintes. Todavia, nas palavras de Leal, não houve metodologia para a coleta de informação, a obtenção de dados era resultado do que o autor considera uma “grande exploração” de um fato ocorrido nas primeiras décadas do século XX.
Além da narrativa de fatos reais, a obra enriquece ao situar o leitor com dados históricos da época, oferecendo uma verdadeira aula de história nada monótona, como ao citar a passagem de Fawcett por uma região de fronteira com o Estado do Acre e lembrar — ou informar — que o Brasil tinha adquirido aquele território da Bolívia por 2 milhões de libras esterlinas. Não só descreve, como faz crítica indireta ao relatar que o Brasil produzira tanta borracha que repôs em três anos com lucro o dinheiro investido.
Por intermédio dos olhos de Fawcett, Hermes Leal mostra os desgastes provocados nos países sulistas alguns séculos após as colonizações europeias. Relata, em determinado momento da narrativa, a primeira impressão de Fawcett da América do Sul, quando o coronel tem de fazer uma viagem de barco pelo Rio Amazonas e se depara com situações de extrema pobreza e desespero, realidades nunca antes vivenciadas. Pela mente do explorador inglês dentro do Vapor Panamá, o escritor faz sua crítica à colonização europeia. Associa corretamente pobreza ao resultado da exploração de europeus.
A determinação e força de Fawcett espantam, mas explicam porque encantam. Hermes Leal foi o primeiro escritor a trazer à tona com precisão e veracidade a história desse respeitado explorador, capaz de marcar seu nome na história contemporânea não só pelos trabalhos desbravadores, mas também por ter influenciado futuras obras ficcionais, como o livro de Conan Doyle “O Mundo Perdido” e o personagem Indiana Jones, dos filmes dirigidos pelo cineasta Steven Spielberg.
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LANÇAMENTOS - LIVROS, CDS E DVDS |
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MARCADOS
Claudia Andujar
Editora: Cosac Naify
Preço: 79,00 reais.
A série “Marcados” é formada por 85 fotos de índios Yanomami realizadas entre 1981 e 1983, durante uma viagem de levantamento da situação e saúde dos grupos em contato com o branco. Como os Yanomami não respondem a nome próprio, foi adotado o método consagrado desde o século XIX para a identificação dos povos nativos: uma fotografia do indivíduo com um número preso ao corpo. Os registros incluem, além das fotos, um roteiro das visitas e trechos do relatório da fotógrafa sobre as comunidades estudadas.
COMPAIXÃO
Toni Morrison
Editora: Companhia das Letras
Preço: 36,50 reais.
“Compaixão” é a história de Florens, que a própria mãe entrega como pagamento da dívida de seu senhor, na esperança de que possa ter uma vida melhor numa fazenda remota, ao lado de três outras mulheres. Em meio às asperezas da vida rural desse período, ameaçada pela varíola, numa terra sem lei, dividida entre o puritanismo religioso das seitas protestantes dos brancos e a tolerância e liberdade do indígena e do negro, Florens descobre o amor e o sexo. Sempre em busca de um amor perdido: o de sua mãe e o de sua pátria.
TUA
Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Preço: 34,90 reais.
Tem como faixa-título música e letra de Adriana Calcanhoto, traz um repertório de canções de amor. Gravado entre março e junho de 2009, o álbum traz no total 11 músicas, todas inéditas. Lenine gravou Saudade, primeira parceira de Chico César e Moska, feita especialmente para ela. Além da participação especial dos instrumentistas Hamilton de Holanda, Toninho Ferragutti e João Carlos Assis Brasil.
BADEN POWELL AO VIVO - NO TEATRO SANTA ROSA
Baden Powell
Gravadora: Biscoito Fino
Preço: 33,90 reais.
Em 1966 um espetáculo musical apresentado num teatro fez um enorme sucesso no Rio de Janeiro. Ficou cinco meses em cartaz com casa lotada e tinha como chamariz o genial violão de Baden Powell. Acompanhado por um trio liderado por Oscar Castro Neves, o show virou disco pela mãos de Aloísio de Oliveira e chega agora, mais de quarenta anos depois, ao CD.
UM HOMEM DE MORAL
Direção: Ricardo Dias
Distribuição: Biscoito Fino
Preço: 41,50 reais.
“Um Homem de Moral” é um filme musical sobre Paulo Vanzolini, compositor. Ricardo Dias que dirigiu os filmes “Os Calangos do Boiaçu” e “No Rio das Amazonas” que contaram com a participação de Paulo Vanzolini, cientista, apresenta desta vez um outro Vanzolini: seus sambas, seus amigos e a cidade de São Paulo, tema permanente de sua obra musical.
A BESTA HUMANA
Direção: Jean Renoir
Distribuição: Cult Classic
Preço: 29,90 reais.
O filme lançado em 1938 e dirigido por Jean Renoir é baseado no romance homônimo e Émile Zola. Jacques Lantier é maquinista na linha Paris-le Havre. Sofre de enxaquecas e tem fortes impulsos assassinos. Por infelicidade, conhece Séverine, cujo marido Roubaud, subchefe da estação de Le Havre, acaba de matar um homem que a havia seduzido, e tornaram-se amantes. Séverine sugere a Jacques eliminar o seu marido.
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