Goiânia, 09 de setembro de 2010 (17:19)
De: 15 a 21 de novembro de 2009

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  Imprensa

Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br

Meio & Mensagem destaca os bons resultados da OJC

Com o título Organização de resultados, o presidente e sócio majoritário da Organização Jaime Câmara (OJC), Jaime Câmara Jr. é o entrevistado da edição desta segunda-feira (16) do jornal Meio & Mensagem, que tem como foco os mercados de comunicação e marketing. A matéria, assinada pelo jornalista Wellinton Moraes, enfoca os bons resultados obtidos pela empresa, que atualmente controla 26 veículos de comunicação em Goiás, Tocantins e Distrito Federal.

Esse “êxito operacional e financeiro da linha de gestão adotada pela OJC pode muito bem servir de referência para qualquer empresa de comunicação que ainda escorrega na geração de caixa, pena para reduzir o endividamento e patina para dar a seus acionistas um retorno mais relevante de seus investimentos”, relata o texto de abertura.

Ocupando as duas páginas centrais do jornal e com uma chamada na capa, o empresário Jaime Câmara Jr. é definido como um "case de sucesso" e a OJC, “um grupo de mídia que profissionalizou a gestão”, com a expectativa de fechar o ano com alta entre 10% e 12% em relação a 2008, uma projeção de lucro de R$ 55 milhões, ante os R$ 50 milhões registrados no ano passado. (Texto extraído do Pop Online)

O livro dos insultos inteligentes

O jornalista Nilson Gomes prepara o lançamento do livro “Resenhas no Fígado”. “Ao reuni-las e revisá-las para publicação em livro, descobri que nenhuma é a favor”, diz Nilson.

Trata-se de uma espécie de “livro dos insultos” com análises extremamente perspicazes e penetrantes. Muito superior, sem comparação, aos “livros” de Jorge Kajuru, que prometem “muito” e entregam “pouco”.

O bom resenhista só conquista o leitor se tiver informações que vão além do livro que está resenhando e, igualmente importante, se tiver uma gota de veneno no cérebro e nos dedos.

Lopes incomoda a concorrência na televisão

O jornalista Luiz Carlos Lopes diz que está satisfeito com a audiência do programa que apresenta na TV Goiânia, o “Acorda Goiás”. “Estamos crescendo em termos de audiência e incomodando a concorrência.”

Luiz Carlos é craque e merece maior espaço na televisão goiana.

A viabilidade de um jornal vespertino

Além de ter comprado mais uma rádio (no interior) — o sistema conta com quase dez rádios —, o grupo que dirige a TV Serra Dourada fez pesquisas de mercado para saber sobre a viabilidade de um jornal vespertino. Descobriu que a ideia é considerada “ótima”. Porque os diários estão chegando “envelhecidos” às mãos dos leitores, porque são superados pela internet, pelos canais de televisão abertos e fechados e mesmo pelos rádios. As notícias que merecem manchetes nos jornais já foram “mastigadas” dezenas de vezes durante o dia. Um jornal vespertino poderia condensar as informações do dia e antecipar os jornais matutinos.

Insisto numa questão: editores e proprietários de jornais diários parecem não ter entendido a força das novas mídias. Não percebem que, se já não têm muitos leitores, não estão conquistando novos leitores na proporção adequada.

Sonho de um jornal gratuito em Goiânia

Sonho do jornalista Iúri Rincon: lançar um jornal gratuito, mas de qualidade, em Goiânia. No Rio de Janeiro, ficou surpreso ao verificar que os jornais gratuitos são muito lidos.

Iúri tem cacife para lançar um jornal. Se conseguir um parceiro com coragem para investir, banca o jornal.

Seleção de masters do Corinthians

Do leitor Inácio Maranhão: “O Corinthians vai montar uma seleção de masters — Ronaldo, o fenômeno da gordura (cadê o doutor Áureo Ludovico?), Roberto Carlos, o velhinho das arábias, e, agora, Erasmo Carlos, ops, Iarley”.

Bicho e futebol pigmeu

Iarley, ótimo jogador, agora deu para falar em bicho em tempo integral. Futebol, que é bom, nada. O Goiás continua pagando em dia e bem, mas o futebol do time é pigmeu.

Outro excelente jogador, Fernandão, ganha, sozinho, o equivalente a todo o time do Atlético (400 mil para Fernandão e 450 mil para os jogadores do Atlético).

Observatório da Imprensa destaca resenha de José Maria

O Observatório da Imprensa publicou a competente análise que José Maria e Silva fez do livro “Uma Gota de Sangue”, de Demétrio Magnoli, para o Jornal Opção.

O que diferencia o texto de José Maria de outras resenhas é que, além de comentar e expor as principais ideias do livro, apresenta suas próprias ideias, confrontando Magnoli. Li várias resenhas sobre o livro, nenhuma com a qualidade do texto do mestre em ciências sociais.

Até tu, Belluzzo?

O futebol torna tudo igual? Pode não ser. Mas o cartola Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras e um economista do primeiro time, comportou-se como um dirigente qualquer, ao agredir verbalmente um árbitro de futebol. Se pudesse, Belluzzo provavelmente o espancaria.

Troféu Pinóquio

Quando o Jornal Opção publicou que o radialista Jorge Kajuru estava voltando para Goiás para apresentar um programa, Ulisses Aesse, acionado não se sabe por quem, escreveu uma nota na coluna “Café da Manhã”, do “Diário da Manhã”, garantindo que o polêmico profissional não trabalharia mais no Estado. Como a fonte do “DM” era o próprio Kajuru, a informação foi publicada com fanfarra.

Na coluna seguinte, publiquei uma nota sugerindo que, como se tratava de Kajuru, um pouco mais contraditório e controvertido do que nós, era preciso ter cautela. Não deu outra: Kajuru vai apresentar um programa na Rádio Sucesso, do empresário Gilson Almeida.

Jornalistas raramente entendem o regime totalitário de Cuba

Mes­mo re­pór­te­res ex­pe­ri­men­ta­dos têm di­fi­cul­da­de pa­ra ex­pli­car o re­gi­me to­ta­li­tá­rio de Cu­ba. O cor­res­pon­den­te do “El Pa­ís” em Ha­va­na, Mau­ri­cio Vi­cent, pu­bli­cou óti­ma re­por­ta­gem so­bre Fi­del Cas­tro no do­min­go, 8, mas, co­mo mui­tos ou­tros jor­na­lis­tas, não in­ter­pre­ta com pre­ci­são o fun­cio­na­men­to do sis­te­ma co­mu­nis­ta. Tra­du­zo e co­men­to al­guns tre­chos de seu tex­to, ex­pan­din­do aqui­lo que mos­tra e dis­cu­te de mo­do su­per­fi­ci­al.

Mau­ri­cio Vi­cent cons­tru­iu sua lon­ga re­por­ta­gem, “Vi­da se­cre­ta de Fi­del Cas­tro”, ba­se­a­do qua­se que ex­clu­si­va­men­te em fon­tes anô­ni­mas, o que é na­tu­ral, pois os cu­ba­nos, mes­mo au­to­ri­da­des gra­du­a­das, te­mem di­zer qual­quer coi­sa a res­pei­to do che­fão; o que pa­re­ce agra­dar po­de de­sa­gra­dar. A in­ti­mi­da­de e a sa­ú­de do Al Ca­po­ne da es­quer­da são se­gre­do de Es­ta­do. “Ho­je”, diz uma fon­te anô­ni­ma, Fi­del “ver­da­dei­ra­men­te es­tá fo­ra do po­der, de­di­ca­do às gran­des es­tra­té­gias e aos pro­ble­mas mun­di­ais”. Se es­tá fo­ra do po­der, co­mo acei­ta o re­pór­ter do prin­ci­pal jor­nal es­pa­nhol, co­mo po­de se de­di­car “às gran­des es­tra­té­gias”? Ela­bo­ra es­tra­té­gias pa­ra quem? Pa­ra o re­gi­me do qual é tu­tor. Na “au­sên­cia” do im­pe­ra­dor, Ra­úl Cas­tro, o ir­mão Dé­bil & Loi­de, é no má­xi­mo re­gen­te.

Em­bo­ra não te­nha con­se­gui­do en­trar na ca­sa de Fi­del, Mau­ri­cio Vi­cent co­lheu in­for­ma­ções de­ta­lha­das. “Pun­to Ce­ro [Pon­to Ze­ro] é o no­me pa­ra de­sig­nar o lu­gar da re­si­dên­cia de Fi­del.” O che­fão “apo­sen­ta­do” e sua mu­lher, Da­lia So­to del Val­le, com quem tem cin­co fi­lhos, mo­ram nu­ma ca­sa de qua­tro quar­tos, com pis­ci­na (lu­xo em Cu­ba) e am­plo jar­dim. Nas ca­sas pró­xi­mas mo­ram fi­lhos, no­ras e ne­tos. O “sul­tão co­mu­nis­ta” te­me ser mor­to e é pro­te­gi­do 24 ho­ras por dia. Pa­ra­noi­co, cos­tu­ma di­zer que é vi­gi­a­do, até quan­do vai ao jar­dim, por sa­té­li­tes es­pi­ões ame­ri­ca­nos.

An­tes de Fi­del fi­car do­en­te, “o lu­gar era re­ser­va­do ex­clu­si­va­men­te pa­ra a fa­mí­lia”. So­bri­nhos e ir­mãos eram man­ti­dos a dis­tân­cia. Hu­go Chá­vez é um dos pou­cos que vi­si­ta­ram o Che­fão nes­ta re­si­dên­cia. Por­que a Ve­ne­zu­e­la, sob Chá­vez, se tor­nou a no­va Uni­ão So­vi­é­ti­ca da ve­lha Cu­ba. O pe­tró­leo ve­ne­zu­e­la­no faz a eco­no­mia lo­cal fun­cio­nar — aos tran­cos e bar­ran­cos. Che­ga qua­se de gra­ça, sub­si­di­a­do po­li­ti­ca­men­te. Ga­bri­el Gar­cía Már­quez, em­bo­ra ín­ti­mo de Fi­del, não ti­nha as por­tas da mansarda aber­tas. “Tu­do co­me­çou a mu­dar de­pois da cri­se de di­ver­cu­li­te que o co­man­dan­te so­freu. Sa­be-se que, de­vi­do a er­ros mé­di­cos ini­ci­ais e a com­pli­ca­ções di­ver­sas, Cas­tro es­te­ve mes­es en­tre a vi­da e a mor­te.” Os er­ros mé­di­cos fo­ram co­me­ti­dos por es­pe­cia­lis­tas lo­ca­is. Mais tar­de, uma su­mi­da­de es­pa­nho­la te­ve de “lim­par” a su­jei­ra dos pro­fis­si­o­nais cu­ba­nos. É pro­vá­vel que te­nham er­ra­do por­que ope­rar um “san­to”, ain­da que ím­pio, é de uma res­pon­sa­bi­li­da­de (e ris­co) ater­ra­do­ra. Fi­del fi­cou dois anos hos­pi­ta­li­za­do, a mai­or par­te do tem­po em de­pen­dên­cias do Cen­tro de In­ves­ti­ga­ções Mé­di­co-Ci­rúr­gi­cas (Ci­mec), “um mo­der­no e bem equi­pa­do hos­pi­tal” — ve­da­do à mai­o­ria dos cu­ba­nos.

Sua Emi­nên­cia — Ao vol­tar pa­ra sua ca­sa, Fi­del de­ci­diu fle­xi­bi­li­zar as me­di­das de se­gu­ran­ça (te­me mais cu­ba­nos do que pos­sí­veis as­sas­si­nos da CIA, que não tem mais in­te­res­se em ma­tá-lo). Aos pou­cos, co­me­ça a re­ce­ber vi­si­tas es­tran­gei­ras, co­mo o so­ci­ó­lo­go ar­gen­ti­no Ati­lio Bo­rón, acó­li­to, o ci­ne­as­ta Oli­ver Sto­ne, que faz do­cu­men­tá­rios (sus­pei­tos) sob o di­ta­dor, e o do­cu­men­ta­ris­ta ame­ri­ca­no Sa­úl Lan­dau.

Lan­dau diz que Fi­del “se­gue com pai­xão as no­tí­cias da atu­a­li­da­de mun­di­al. Lê vo­raz­men­te, vê te­le­vi­são ‘de ma­nei­ra se­le­ti­va’ e es­tá con­ten­te por ha­ver aban­do­na­do a po­lí­ti­ca”. Aban­do­na­do? Quan­do? On­de?

Uma fon­te de Mau­ri­cio Vi­cent diz que “Fi­del re­ce­be em sua ca­sa mais do que sai na im­pren­sa”. O pre­si­den­te do Chi­pre, De­me­tris Chris­to­fi­as, es­te­ve em Cu­ba em se­tem­bro des­te ano. O lí­der chi­pri­a­no fa­lou com Ra­úl, es­pé­cie de in­ter­me­di­á­rio, mas não foi em­bo­ra sem di­a­lo­gar com o Che­fão. “As re­u­ni­ões de Cas­tro com dig­na­tá­rios e ami­gos es­tran­gei­ros são ca­da vez mais fre­quen­tes.” Mas, res­sal­va o jor­na­lis­ta, “Cas­tro pas­sa a mai­or par­te do tem­po ro­de­a­do de fa­mi­lia­res, de­di­ca­do à lei­tu­ra e to­man­do no­tas ou es­cre­ven­do su­as re­fle­xões”. Du­ran­te du­as ho­ras por dia, faz exer­cí­cios fí­si­cos. Po­de pa­re­cer que Fi­del te­nha se tor­na­do uma es­pé­cie de Lê­nin em­bal­sa­ma­do no mau­so­léu do Krem­lin, mas não é bem as­sim. Na ver­da­de, man­tém-se no cen­tro do po­der, acom­pa­nhan­do e pal­pi­tan­do em tu­do. Tan­to que, co­mo in­for­ma Mau­ri­cio Vi­cent, Ra­úl “o con­sul­ta a res­pei­to dos te­mas mais im­por­tan­tes”, in­clu­si­ve so­bre mu­dan­ça de qua­dros no go­ver­no. Se es­tá fo­ra do po­der, por que é con­sul­ta­do? A con­tra­di­ção não é en­fren­ta­da pe­lo “El Pa­ís” (a Es­pa­nha é parceira comercial de Cu­ba). Nu­ma fra­se, aban­do­na­da no fi­nal de um pa­rá­gra­fo, Mau­ri­cio Vi­cent, con­tra­ria qua­se to­da sua re­por­ta­gem, que in­sis­te que Fi­del es­tá fo­ra do po­der, ao es­cre­ver que “a exis­tên­cia” de Fi­del “con­di­cio­na tu­do”. Nou­tras pa­la­vras, en­quan­to es­ti­ver vi­vo, Fi­del man­da — sob o dis­far­ce de que es­tá ape­nas “ori­en­tan­do”. Mor­to Fi­del, o que de­ve acon­te­cer? O re­gi­me ten­de a ca­ir. A aber­tu­ra re­la­ti­va pro­mo­vi­da por Ra­úl não tem co­mo ob­je­ti­vo de­mo­cra­ti­zar Cu­ba, e sim é uma ten­ta­ti­va, ra­zo­a­vel­men­te in­te­li­gen­te, de su­ge­rir que, sen­do Ra­úl mais aber­to do que Fi­del, com es­te mor­to, não se­rá pre­ci­so der­ru­bar o re­gi­me. Ra­úl “se­rá” ca­paz de, ao lon­go do tem­po, abrir um pou­co mais o pa­ís. O que é fal­so: co­mu­nis­mo não se abre (nem a Chi­na é aber­ta, ex­ce­to, e em ter­mos re­la­ti­vos, na eco­no­mia). O Ra­úl me­nos es­ta­tis­ta é is­to: uma for­ma de, Fi­del na co­va, tentar im­pe­dir a que­da do co­mu­nis­mo. Por­que Fi­del é o to­tem que im­pe­de a que­da do re­gi­me. Fal­ta a Ra­ul — apre­sen­ta­do co­mo “mo­de­ra­do”, o que não é — a au­to­ri­da­de e o ca­ris­ma do ir­mão mais ve­lho.

Ao cúm­pli­ce Bo­rón, Fi­del dis­se que o ex-vi­ce-pre­si­den­te Car­los La­ge e o ex-chan­cel­ler Fe­li­pe Pé­rez fo­ram de­fe­nes­tra­dos por­que se “ilu­di­ram em re­la­ção ao ini­mi­go ex­ter­no” e co­me­te­ram “er­ros, às ve­zes pro­du­to de ex­ces­si­vas am­bi­ções po­lí­ti­cas ou im­pa­ci­ên­cia”. Em Cu­ba, di­an­te de fra­cas­sos co­los­sais, a cul­pa é sem­pre dos su­bal­ter­nos, co­mo se o sis­te­ma não fos­se ab­so­lu­ta­men­te cen­tra­li­za­do nas mãos da fa­mí­lia Cas­tro. Fi­del e Ra­úl sem­pre têm de cul­par al­guém pe­lo de­sas­tre do re­gi­me. Por­que, pa­ra os ve­lhos di­ta­do­res, fa­lí­veis são seus au­xi­li­a­res, não eles e o sis­te­ma in­vi­á­vel que cri­a­ram e só man­têm à for­ça. Há pou­co tem­po, quan­do a im­pren­sa in­ter­na­ci­o­nal des­co­briu que Cu­ba ha­via se tor­na­do en­tre­pos­to da co­ca­í­na co­lom­bi­a­na, Fi­del e Ra­úl man­da­ram ma­tar u­xi­li­a­res, co­mo o ge­ne­ral Ar­nal­do Ochoa, o “cul­pa­do”. O re­gi­me não in­cen­ti­va o trá­fi­co e o con­su­mo de co­ca­í­na di­re­ta­men­te, mas, co­mo pre­ci­sa de dó­la­res com pre­mên­cia, aca­ba por fa­zer qual­quer ne­gó­cio. A “sor­te” é que, co­mo apa­re­ceu um an­jo da guar­da, Chá­vez, Fi­del pô­de dis­pen­sar os nar­co­tra­fi­can­tes co­lom­bi­a­nos.

Os cu­ba­nos não po­dem ler pu­bli­ca­ções es­tran­gei­ras e o aces­so à in­ter­net é res­tri­to (re­cen­te­men­te a blo­guei­ra Yo­a­ni Sán­chez foi agre­di­da e detida pe­la po­lí­cia da di­nas­tia Cas­tro). Fi­del, pe­lo con­trá­rio, po­de ler tu­do. Se sai um li­vro que lhe in­te­res­sa, mas não há tra­du­ção pa­ra o es­pa­nhol, uma equi­pe de es­pe­cia­lis­tas, que fi­ca à sua dis­po­si­ção, põe-se a tra­du­zi-lo ime­di­a­ta­men­te. Tra­du­zi­do, o li­vro é li­do só por ele. Jor­na­lis­ta ri­go­ro­so, “in­de­pen­den­te”, “não en­ga­ja­do”, Mau­ri­cio Vi­cent não tri­pu­dia da in­for­ma­ção, mas Fi­del re­pe­te Stá­lin: tem o con­tro­le do fo­go, do co­nhe­ci­men­to. Oli­ver Sto­ne, a bes­ta qua­dra­da do ci­ne­ma ame­ri­ca­no, diz que fla­grou Fi­del len­do um li­vro de Pa­ul Krug­man, Prê­mio No­bel de Eco­no­mia. Cu­ba tra­duz li­vros de au­to­res es­tran­gei­ros e não pa­ga di­rei­tos au­to­ra­is, o que o re­pór­ter do “El Pa­ís” não diz. Se es­cre­ver, vi­ra per­so­na non gra­ta e tem de sa­ir de Cu­ba.

Aten­to, Fi­del leu os li­vros do pre­si­den­te dos Es­ta­dos Uni­dos, Ba­rack Oba­ma. Sa­úl Lan­dau viu um exem­plar de “Os So­nhos de Meu Pai” (1995) “su­bli­nha­do e com no­tas à mar­gem em qua­se to­das as pá­gi­nas”. Fi­del dis­se a Lan­dau que “Oba­ma, além de co­mo­ver, tam­bém po­de ser irô­ni­co. É um ho­mem que mos­tra gran­de in­te­li­gên­cia, tem o dom da es­cri­tu­ra e bons va­lo­res. Mas es­tá li­mi­ta­do no que po­de fa­zer. Es­tá ata­do pe­los in­te­res­ses” do Im­pé­rio.

Um dos tre­chos mais su­ges­ti­vos da en­tre­vis­ta é aque­le no qual Mau­ri­cio Vi­cent re­la­ta que Fi­del já não con­vo­ca mi­nis­tros em bus­ca de in­for­ma­ções. “Quem o faz em seu no­me é o che­fe do De­par­ta­men­to Ide­o­ló­gi­co do Par­ti­do Co­mu­nis­ta, Ro­lan­do Al­fon­so”, con­ta o cor­res­pon­den­te in­ter­na­ci­o­nal. Ob­ser­ve bem o que vou di­zer: aque­le que con­tro­la o se­tor ide­o­ló­gi­co do par­ti­do es­tá su­bor­di­na­do a Fi­del, co­mo seu “se­cre­tá­rio par­ti­cu­lar”. Em paí­ses co­mu­nis­tas, quem con­tro­la a ide­o­lo­gia, a ver­da­de que é im­pos­ta à so­ci­e­da­de, tem o con­tro­le do poder. Nou­tras pa­la­vras, por meio da he­ge­mo­nia ide­o­ló­gi­ca, Fi­del con­ti­nua man­dan­do. É o ver­da­dei­ro se­cre­tá­rio-ge­ral do PC Cu­ba­no.

"Ambientalista" é a faceta "moderna" de Fidel, o que dá razão ao sociólogo francês Guy Sorman, que diz que o ambientalismo é a nova estratégia da esquerda para tentar travar o capitalismo. O capitalismo agora não faz mal apenas aos traba-lhadores, mas ao meio ambiente, ou seja, a todos, portanto deve ser combatido e superado. O dia-gnóstico de Matusalém, mas politicamente simpático, de Fidel: "O problema da humanidade é sobreviver à sociedade de consumo". É óbvio que Fidel tem razão — ainda que sua sugestão, o socialismo, não tenha contribuído para melhorar a humanidade —, mas seus objetivos são outros. Meio desnorteado, Mauricio Vicent avalia como "fabuloso" o título de uma reportagem da "Paris Match" (ah, os franceses, não raro são beócios. O que seria da França sem Stendhal, Balzac, Flaubert e Proust?): "Castro, o inoxidável". Confesso: leio a imprensa brasileira e mundial com um sorriso nos lábios. É quase tudo uma piada. Sem graça, mas piada. Uma piada ideológica. No fim da reportagem, Mauricio Vicent diz que Fidel é chamado por todos de "O Chefe". Chamá-lo de poderoso chefão talvez seja mais apropriado, porque o regime comunista é uma máfia política.

A mídia e a quase-peladona

Os jor­nais bra­si­lei­ros são pre­vi­sí­veis: quan­do não têm uma pau­ta can­den­te, co­mo um as­sas­si­na­to ru­mo­ro­so, uma cor­rup­ção des­la­va­da ou um apa­gão, co­mo o re­cen­te, per­de-se no po­pu­les­co. Os jor­nais sé­rios, mais si­su­dos do que sé­rios, dis­far­çam o ape­lo à sen­sa­ção, ao bai­xo ins­tin­to, con­vo­can­do “es­pe­cia­lis­tas” pa­ra um de­ba­te qua­se “ci­en­tí­fi­co”, as­sép­ti­co, de al­gu­mas ques­tões me­no­rís­si­mas.

O ca­so da qua­se pe­la­do­na que foi ex­pul­sa de uma fa­cul­da­de (putz!: qual­quer es­pe­lun­ca é cha­ma­da de fa­cul­da­de, e nem es­tou fa­lan­do da fa­cul­da­de em ques­tão, por­que não a co­nhe­ço) ga­nhou des­ta­que em qua­se to­dos os jor­nais. O “Di­á­rio da Ma­nhã” le­vou a his­tó­ria pa­ra a pá­gi­na 2. Al­gu­res fa­lou-se em “di­ta­du­ra” (coi­ta­dos dos mi­li­ta­res) e em au­to­ri­ta­ris­mo. A ex­pul­são já foi re­ver­ti­da.

Se al­guém ga­nhou com a his­tó­ria não fo­ram os lei­to­res, que só per­de­ram tem­po en­chen­do o com­pu­ta­dor ce­re­bral com mais uma abo­bri­nha da Ba­bi­lô­nia, e sim a pró­pria qua­se-pe­la­do­na que, pa­ra po­sar nua, de mi­nissaia e com um ves­ti­do bem cur­to, que mal es­con­de as pu­den­das, de­ve ga­nhar uma gra­na pre­ta da “Playboy”, de­pois da “Sexy”. Se brin­car, vi­ra atriz ou apre­sen­ta­do­ra de te­le­vi­são.

Não di­go o no­me da qua­se-pe­la­do­na pa­ra não en­cher a mi­nha ca­cho­la e a dos lei­to­res com o no­me de uma pes­soa que ten­de a de­sa­pa­re­cer de­pois dos 45 mi­nu­tos de fa­ma (mul­ti­pli­quei os 15 mi­nu­tos tra­di­cio­nais).

No lu­gar de lu­ta pe­la li­ber­da­de e pe­la di­fe­ren­ça, co­mo en­ten­de­ram alu­nos da Uni­ver­si­da­de de Bra­sí­lia, a quase-pe­la­do­na re­for­ça a ima­gem de vul­ga­ri­da­de da mu­lher bra­si­lei­ra.

Sabrina Sato faz parte de um mundo circense

Leio num jor­nal que Sa­bri­nha Sa­to não é só be­le­za, que tem ta­len­to. Co­mo não a co­nhe­ço, per­gun­to a um jor­na­lis­ta que en­ten­de qua­se tu­do de te­le­vi­são: “Qual é seu ta­len­to es­pe­ci­al?” Mais rá­pi­do do que John Wayne, o re­pór­ter sa­cou o 38 e ati­rou: “Seu ta­len­to es­pe­ci­al é mes­mo a be­le­za. Fo­ra dis­so, o de­ser­to”.

An­te a res­pos­ta, tão fi­na quan­to a pro­sa de Henry Ja­mes, olhei al­gu­mas fo­to­gra­fi­as de miss Sa­to de­ti­da­men­te. Lem­brei-me das guei­xas e con­cluí: “Se ela for bo­ni­ta, eu sou Pa­ul Newman”. Sa­to não che­ga a ser feia, mas tem um jei­to, di­ga­mos as­sim, vul­gar. Se não fos­se ofen­si­vo, di­ria co­mo Nel­son Ro­dri­gues, es­te au­tor abo­mi­ná­vel (co­mo Aria­no Su­as­su­na, que vai aca­bar vi­ran­do ro­tei­ris­ta de Sylver­ter “Ram­bo” Sta­lo­ne), que a mo­ço­i­la, en­tra­da em anos, é bo­ni­ti­nha mas or­di­ná­ria. E não fa­lo de com­por­ta­men­to, por­que, co­mo dis­se, não sei de quem se tra­ta.

Ao con­trá­rio de Ho­rá­cio, que apro­vei­ta­va o dia, per­di o meu ao co­men­tar uma pe­ça, na­da ex­tra­or­di­ná­ria, do mun­do cir­cen­se que se tor­nou a te­le­vi­são bra­si­lei­ra.

Bernardo Sayão virou Saynha na revista Piauí

Sér­gio Sá es­cre­veu um tex­to me­di­a­no so­bre Ber­nar­do Sayão na re­vis­ta “Pi­auí” que es­tá nas ban­cas. O en­ge­nhei­ro que “abriu” a BR-153 qua­se vi­rou Ber­nar­do Saynha. O jor­na­lis­ta es­cre­ve “John dos Pas­sos”. De­ve­ria ser “dos”, mas, co­mo se sa­be fo­ra da “Pi­auí”, no ca­so es­pe­cí­fi­co do es­cri­tor ame­ri­ca­no, a for­ma de gra­far é ou­tra: John Dos Pas­sos. Sim, com “D” mai­ús­cu­lo. Tan­to que o au­tor era cha­ma­do pe­los ami­gos de “Dos” e pe­la mí­dia, pa­ra re­su­mir o no­me, de “Dos Pas­sos”.

A “Pi­auí” al­ter­na óti­mas e ra­zo­á­veis edi­ções. Sem con­tar que, no afã de pa­re­cer uni­ver­sal, às ve­zes per­de o sa­bor lo­cal, co­mo se jor­na­lis­mo li­te­rá­rio fos­se coi­sa dos “es­tran­jas” e, no Bra­sil, me­ra fic­ção.

Valdivino Oliveira é o diferencial no Atlético

Há quem di­ga que a cam­pa­nha do At­lé­ti­co na sé­rie B é ir­re­gu­lar. Po­de ser. Mas o ti­me es­tá jo­gan­do mui­to bem, go­le­an­do os ad­ver­sá­rios e, mais im­por­tan­te, se man­tém en­tre os qua­tro me­lho­res. De­ve mi­grar pa­ra a sé­rie A. O téc­ni­co do At­lé­ti­co, Ar­tur Ne­to, não é gran­de coi­sa. Mas o clu­be tem um di­ri­gen­te co­ra­jo­so, o eco­no­mis­ta Val­di­vi­no Oli­vei­ra, fu­tu­ro de­pu­ta­do fe­de­ral.

O Goiás conformou-se com o fato de que não vai cair para a série B e não tem coragem de ousar.

Técnico do Goiás teme apanhar nas ruas

Tí­tu­lo do “Pop” (quin­ta-fei­ra, 2): “Téc­ni­co do Go­i­ás diz ter ver­go­nha de sa­ir às ru­as”. Po­de ser que a ver­da­de se­ja ou­tra: Hé­lio dos An­jos, pro­fis­si­o­nal sé­rio, tal­vez te­nha me­do de sa­ir às ru­as, de­pois da pés­si­ma cam­pa­nha do ti­me no Bra­si­lei­rão, e apa­nhar dos tor­ce­do­res. Bo­qui­ro­to, Dos An­jos can­tou vi­tó­ria an­tes da ho­ra e deu de­cla­ra­ções in­tem­pes­ti­vas que o tor­na­ram im­po­pu­lar. No Go­i­ás, co­men­ta-se, do por­tei­ro ao pre­si­den­te, ao me­nos nos bas­ti­do­res, que o téc­ni­co per­deu o con­tro­le dos at­let­las e, em cam­po, to­dos es­tão jo­gan­do co­mo que­rem. As tá­ti­cas, se exis­ti­ram al­gum dia, fo­ram pa­ra o es­pa­ço.

Os jor­nais de­ci­di­ram não ir a fun­do no en­ten­di­men­to da cri­se do Go­i­ás, tan­to que não ex­plo­ra­ram o fa­to de Iar­ley, que po­de ren­der mui­to mais, ter su­ge­ri­do que, se o bi­cho fos­se mais pol­pu­do, a si­tu­a­ção do Go­i­ás po­de­ria ser di­fe­ren­te.

Com um “bi­cho mo­lha­do” (pa­go no ves­ti­á­rio) e mai­or, o Go­i­ás po­de­ria es­tar ga­nhan­do? É du­vi­do­so. Mas há in­dí­ci­os de que o ti­me es­tá per­den­do den­tro de cam­po por­que co­me­çou a per­der as par­ti­das fo­ra de cam­po.

Franz Kafka e Adolf Eichmann

Acu­sa­do in­jus­ta­men­te de rou­bo, o açou­guei­ro Wi­li­an Can­di­do de Je­sus, de 24 anos, fi­cou 27 di­as na Ca­sa de Pri­são Pro­vi­só­ria. Seus do­cu­men­tos fo­ram fal­si­fi­ca­dos por um cri­mi­no­so. O su­pe­rin­ten­den­te do Sis­te­ma de Exe­cu­ção Pe­nal, Edíl­son de Bri­to, deu uma res­pos­ta à im­pren­sa que se re­ti­ra­da de “O Pro­ces­so” ou de “O Cas­te­lo”, de Franz Kafka, nin­guém fa­ria qual­quer re­pa­ro: “Sa­bí­a­mos que não era a mes­ma pes­soa, mas ha­via um man­da­do em seu no­me, e não po­de­mos des­cum­prir uma or­dem ju­di­cial”. Edíl­son de Bri­to é uma pes­soa sé­ria, cum­pri­do­ra das leis, mas não per­ce­be que seu ar­gu­men­to é o mes­mo de Adolf Eichmann e de ou­tros na­zis­tas. Não há di­nhei­ro (e des­cul­pa) que pa­gue a hu­mi­lha­ção so­fri­da pe­lo jo­vem tra­ba­lha­dor.

Não se­ria mais in­te­li­gen­te se a po­lí­cia, no lu­gar de pren­der um ino­cen­te, sa­ben­do que é ino­cen­te, ca­ças­se os as­sas­si­nos das jo­vens Ca­mi­la La­ga­res e Polyan­na Bor­ges?

No caso de Polyanna, a polícia tem, aparentemente, pelo menos uma pista tida como quente.

O comum é incomum

A es­cri­to­ra Mar­ga­ret Atwo­od, no li­vro “Bus­cas Cu­ri­o­sas” (Roc­co, 432 pá­gi­nas, tra­du­ção de Ana Dei­ró), re­co­lhe uma frase de Ali­ce Mun­ro sobre a es­cri­to­ra ca­na­den­se Ca­rol Shi­elds: “Era uma pes­soa lu­mi­no­sa”. Atwo­od é pre­ci­sa: “A vi­da hu­ma­na é uma mas­sa de es­ta­tís­ti­ca, ape­nas pa­ra os es­ta­tís­ti­cos: o res­to de nós vi­ve em um mun­do de in­di­ví­duos, e a mai­o­ria de­les não é pro­e­mi­nen­te. Su­as ale­gri­as, en­tre­tan­to, são ple­na­men­te ju­bi­lo­sas, e su­as per­das e so­fri­men­tos são re­ais. O ca­rá­ter ex­tra­or­di­ná­rio de pes­so­as co­muns era o for­te de Shi­elds, que al­can­çou sua mais ple­na ex­pres­são nas no­ve­las ‘Swann’ [Re­cord, 384 pá­gi­nas], ‘The Re­pu­blic of Lo­ve’ e, es­pe­ci­al­men­te, ‘Os Di­á­rios de Pe­dra’ [Re­cord, 364 pá­gi­nas]. Ela da­va a seu ma­te­ri­al o ple­no be­ne­fí­cio de sua enor­me in­te­li­gên­cia, seus po­de­res de ob­ser­va­ção, sua ver­ve e agu­de­za de es­pí­ri­to hu­ma­no, e su­as am­plas e vas­tas lei­tu­ras. Seus li­vros são de­lei­tá­veis, no sen­ti­do ori­gi­nal da pa­la­vra: são chei­os de de­lei­te, de­lí­cias e pra­zer”. Com tan­ta re­co­men­da­ção, co­me­cei a ler “A Fes­ta de Larry” (Re­cord, 364 pá­gi­nas, tra­du­ção de Ana Lui­za Bor­ges), li­vro com o qual Shi­elds ga­nhou o Oran­ge Pri­ze. Mun­ro e Atwo­od têm ra­zão: a pro­sa de Shi­elds é lu­mi­no­sa. É um re­tra­to per­fei­to, ou qua­se, do ho­mem co­mum. Shi­elds é uma Ja­mes Joyce sem fi­ru­las lin­guís­ti­cas. Joyce le­vou o ho­mem co­mum pa­ra o cen­tro de “Ulysses”. A his­tó­ria é co­mum — in­co­mum é a for­ma (a lin­gua­gem) co­mo Joyce a nar­ra. Por ca­mi­nhos di­fe­ren­tes, o ir­lan­dês e a ca­na­den­se che­ga­ram a re­sul­ta­dos pa­re­ci­dos. Ain­da que a com­pa­ra­ção me­nos im­pre­ci­sa se­ja com John Up­dike.

O cheiro da língua

De Car­los Wil­son: “Na re­por­ta­gem so­bre a mor­te do mé­di­co e es­cri­tor Car­los Fer­nan­do Ma­ga­lhã­es, o ‘Di­á­rio da Ma­nhã’ es­cre­veu que o cor­po es­ta­va com ‘mal’ chei­ro. Se não se po­de di­zer que o cor­po es­ta­va com ‘bem’ chei­ro, é er­ra­do es­cre­ver ‘mal’ chei­ro. O cer­to é mau-chei­ro. Quem es­cre­veu o tex­to tem de dei­xar a lín­gua bem chei­ro­sa”.

Lula e Getúlio Vargas

A “Fo­lha de S. Pau­lo” pu­bli­cou no sá­ba­do, 7, re­por­ta­gem so­bre bi­lhe­tes do pre­si­den­te Ge­tú­lio Var­gas. O lí­der do PTB re­cla­ma da im­pren­sa e de­mons­tra que con­tro­la­va o “Úl­ti­ma Ho­ra”, de Sa­mu­el Wai­ner. Não é ape­nas Lu­la que re­cla­ma da im­pren­sa. To­dos os ho­mens do po­der re­cla­mam da im­pren­sa não ser­vil. “No­to que os jor­nais (...) não pu­bli­cam os nu­me­ro­sos atos (...) di­a­ria­men­te pra­ti­ca­dos pe­lo Po­der Exe­cu­ti­vo”, es­cre­veu Vargas.Pro­van­do que man­da­va no “Úl­ti­ma Ho­ra”, Var­gas es­cre­veu pa­ra Fon­tes: “Di­ga ao Wai­ner que a edi­ção de ho­je tem mui­to es­por­te”.



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