Euler de França Belém
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Meio & Mensagem destaca os bons resultados da OJC
Com o título Organização de resultados, o presidente e sócio majoritário da Organização Jaime Câmara (OJC), Jaime Câmara Jr. é o entrevistado da edição desta segunda-feira (16) do jornal Meio & Mensagem, que tem como foco os mercados de comunicação e marketing. A matéria, assinada pelo jornalista Wellinton Moraes, enfoca os bons resultados obtidos pela empresa, que atualmente controla 26 veículos de comunicação em Goiás, Tocantins e Distrito Federal.
Esse “êxito operacional e financeiro da linha de gestão adotada pela OJC pode muito bem servir de referência para qualquer empresa de comunicação que ainda escorrega na geração de caixa, pena para reduzir o endividamento e patina para dar a seus acionistas um retorno mais relevante de seus investimentos”, relata o texto de abertura.
Ocupando as duas páginas centrais do jornal e com uma chamada na capa, o empresário Jaime Câmara Jr. é definido como um "case de sucesso" e a OJC, “um grupo de mídia que profissionalizou a gestão”, com a expectativa de fechar o ano com alta entre 10% e 12% em relação a 2008, uma projeção de lucro de R$ 55 milhões, ante os R$ 50 milhões registrados no ano passado. (Texto extraído do Pop Online)
O livro dos insultos inteligentes
O jornalista Nilson Gomes prepara o lançamento do livro “Resenhas no Fígado”. “Ao reuni-las e revisá-las para publicação em livro, descobri que nenhuma é a favor”, diz Nilson.
Trata-se de uma espécie de “livro dos insultos” com análises extremamente perspicazes e penetrantes. Muito superior, sem comparação, aos “livros” de Jorge Kajuru, que prometem “muito” e entregam “pouco”.
O bom resenhista só conquista o leitor se tiver informações que vão além do livro que está resenhando e, igualmente importante, se tiver uma gota de veneno no cérebro e nos dedos.
Lopes incomoda a concorrência na televisão
O jornalista Luiz Carlos Lopes diz que está satisfeito com a audiência do programa que apresenta na TV Goiânia, o “Acorda Goiás”. “Estamos crescendo em termos de audiência e incomodando a concorrência.”
Luiz Carlos é craque e merece maior espaço na televisão goiana.
A viabilidade de um jornal vespertino
Além de ter comprado mais uma rádio (no interior) — o sistema conta com quase dez rádios —, o grupo que dirige a TV Serra Dourada fez pesquisas de mercado para saber sobre a viabilidade de um jornal vespertino. Descobriu que a ideia é considerada “ótima”. Porque os diários estão chegando “envelhecidos” às mãos dos leitores, porque são superados pela internet, pelos canais de televisão abertos e fechados e mesmo pelos rádios. As notícias que merecem manchetes nos jornais já foram “mastigadas” dezenas de vezes durante o dia. Um jornal vespertino poderia condensar as informações do dia e antecipar os jornais matutinos.
Insisto numa questão: editores e proprietários de jornais diários parecem não ter entendido a força das novas mídias. Não percebem que, se já não têm muitos leitores, não estão conquistando novos leitores na proporção adequada.
Sonho de um jornal gratuito em Goiânia
Sonho do jornalista Iúri Rincon: lançar um jornal gratuito, mas de qualidade, em Goiânia. No Rio de Janeiro, ficou surpreso ao verificar que os jornais gratuitos são muito lidos.
Iúri tem cacife para lançar um jornal. Se conseguir um parceiro com coragem para investir, banca o jornal.
Seleção de masters do Corinthians
Do leitor Inácio Maranhão: “O Corinthians vai montar uma seleção de masters — Ronaldo, o fenômeno da gordura (cadê o doutor Áureo Ludovico?), Roberto Carlos, o velhinho das arábias, e, agora, Erasmo Carlos, ops, Iarley”.
Bicho e futebol pigmeu
Iarley, ótimo jogador, agora deu para falar em bicho em tempo integral. Futebol, que é bom, nada. O Goiás continua pagando em dia e bem, mas o futebol do time é pigmeu.
Outro excelente jogador, Fernandão, ganha, sozinho, o equivalente a todo o time do Atlético (400 mil para Fernandão e 450 mil para os jogadores do Atlético).
Observatório da Imprensa destaca resenha de José Maria
O Observatório da Imprensa publicou a competente análise que José Maria e Silva fez do livro “Uma Gota de Sangue”, de Demétrio Magnoli, para o Jornal Opção.
O que diferencia o texto de José Maria de outras resenhas é que, além de comentar e expor as principais ideias do livro, apresenta suas próprias ideias, confrontando Magnoli. Li várias resenhas sobre o livro, nenhuma com a qualidade do texto do mestre em ciências sociais.
Até tu, Belluzzo?
O futebol torna tudo igual? Pode não ser. Mas o cartola Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Palmeiras e um economista do primeiro time, comportou-se como um dirigente qualquer, ao agredir verbalmente um árbitro de futebol. Se pudesse, Belluzzo provavelmente o espancaria.
Troféu Pinóquio
Quando o Jornal Opção publicou que o radialista Jorge Kajuru estava voltando para Goiás para apresentar um programa, Ulisses Aesse, acionado não se sabe por quem, escreveu uma nota na coluna “Café da Manhã”, do “Diário da Manhã”, garantindo que o polêmico profissional não trabalharia mais no Estado. Como a fonte do “DM” era o próprio Kajuru, a informação foi publicada com fanfarra.
Na coluna seguinte, publiquei uma nota sugerindo que, como se tratava de Kajuru, um pouco mais contraditório e controvertido do que nós, era preciso ter cautela. Não deu outra: Kajuru vai apresentar um programa na Rádio Sucesso, do empresário Gilson Almeida.
Jornalistas raramente entendem o regime totalitário de Cuba
Mesmo repórteres experimentados têm dificuldade para explicar o regime totalitário de Cuba. O correspondente do “El País” em Havana, Mauricio Vicent, publicou ótima reportagem sobre Fidel Castro no domingo, 8, mas, como muitos outros jornalistas, não interpreta com precisão o funcionamento do sistema comunista. Traduzo e comento alguns trechos de seu texto, expandindo aquilo que mostra e discute de modo superficial.
Mauricio Vicent construiu sua longa reportagem, “Vida secreta de Fidel Castro”, baseado quase que exclusivamente em fontes anônimas, o que é natural, pois os cubanos, mesmo autoridades graduadas, temem dizer qualquer coisa a respeito do chefão; o que parece agradar pode desagradar. A intimidade e a saúde do Al Capone da esquerda são segredo de Estado. “Hoje”, diz uma fonte anônima, Fidel “verdadeiramente está fora do poder, dedicado às grandes estratégias e aos problemas mundiais”. Se está fora do poder, como aceita o repórter do principal jornal espanhol, como pode se dedicar “às grandes estratégias”? Elabora estratégias para quem? Para o regime do qual é tutor. Na “ausência” do imperador, Raúl Castro, o irmão Débil & Loide, é no máximo regente.
Embora não tenha conseguido entrar na casa de Fidel, Mauricio Vicent colheu informações detalhadas. “Punto Cero [Ponto Zero] é o nome para designar o lugar da residência de Fidel.” O chefão “aposentado” e sua mulher, Dalia Soto del Valle, com quem tem cinco filhos, moram numa casa de quatro quartos, com piscina (luxo em Cuba) e amplo jardim. Nas casas próximas moram filhos, noras e netos. O “sultão comunista” teme ser morto e é protegido 24 horas por dia. Paranoico, costuma dizer que é vigiado, até quando vai ao jardim, por satélites espiões americanos.
Antes de Fidel ficar doente, “o lugar era reservado exclusivamente para a família”. Sobrinhos e irmãos eram mantidos a distância. Hugo Chávez é um dos poucos que visitaram o Chefão nesta residência. Porque a Venezuela, sob Chávez, se tornou a nova União Soviética da velha Cuba. O petróleo venezuelano faz a economia local funcionar — aos trancos e barrancos. Chega quase de graça, subsidiado politicamente. Gabriel García Márquez, embora íntimo de Fidel, não tinha as portas da mansarda abertas. “Tudo começou a mudar depois da crise de diverculite que o comandante sofreu. Sabe-se que, devido a erros médicos iniciais e a complicações diversas, Castro esteve meses entre a vida e a morte.” Os erros médicos foram cometidos por especialistas locais. Mais tarde, uma sumidade espanhola teve de “limpar” a sujeira dos profissionais cubanos. É provável que tenham errado porque operar um “santo”, ainda que ímpio, é de uma responsabilidade (e risco) aterradora. Fidel ficou dois anos hospitalizado, a maior parte do tempo em dependências do Centro de Investigações Médico-Cirúrgicas (Cimec), “um moderno e bem equipado hospital” — vedado à maioria dos cubanos.
Sua Eminência — Ao voltar para sua casa, Fidel decidiu flexibilizar as medidas de segurança (teme mais cubanos do que possíveis assassinos da CIA, que não tem mais interesse em matá-lo). Aos poucos, começa a receber visitas estrangeiras, como o sociólogo argentino Atilio Borón, acólito, o cineasta Oliver Stone, que faz documentários (suspeitos) sob o ditador, e o documentarista americano Saúl Landau.
Landau diz que Fidel “segue com paixão as notícias da atualidade mundial. Lê vorazmente, vê televisão ‘de maneira seletiva’ e está contente por haver abandonado a política”. Abandonado? Quando? Onde?
Uma fonte de Mauricio Vicent diz que “Fidel recebe em sua casa mais do que sai na imprensa”. O presidente do Chipre, Demetris Christofias, esteve em Cuba em setembro deste ano. O líder chipriano falou com Raúl, espécie de intermediário, mas não foi embora sem dialogar com o Chefão. “As reuniões de Castro com dignatários e amigos estrangeiros são cada vez mais frequentes.” Mas, ressalva o jornalista, “Castro passa a maior parte do tempo rodeado de familiares, dedicado à leitura e tomando notas ou escrevendo suas reflexões”. Durante duas horas por dia, faz exercícios físicos. Pode parecer que Fidel tenha se tornado uma espécie de Lênin embalsamado no mausoléu do Kremlin, mas não é bem assim. Na verdade, mantém-se no centro do poder, acompanhando e palpitando em tudo. Tanto que, como informa Mauricio Vicent, Raúl “o consulta a respeito dos temas mais importantes”, inclusive sobre mudança de quadros no governo. Se está fora do poder, por que é consultado? A contradição não é enfrentada pelo “El País” (a Espanha é parceira comercial de Cuba). Numa frase, abandonada no final de um parágrafo, Mauricio Vicent, contraria quase toda sua reportagem, que insiste que Fidel está fora do poder, ao escrever que “a existência” de Fidel “condiciona tudo”. Noutras palavras, enquanto estiver vivo, Fidel manda — sob o disfarce de que está apenas “orientando”. Morto Fidel, o que deve acontecer? O regime tende a cair. A abertura relativa promovida por Raúl não tem como objetivo democratizar Cuba, e sim é uma tentativa, razoavelmente inteligente, de sugerir que, sendo Raúl mais aberto do que Fidel, com este morto, não será preciso derrubar o regime. Raúl “será” capaz de, ao longo do tempo, abrir um pouco mais o país. O que é falso: comunismo não se abre (nem a China é aberta, exceto, e em termos relativos, na economia). O Raúl menos estatista é isto: uma forma de, Fidel na cova, tentar impedir a queda do comunismo. Porque Fidel é o totem que impede a queda do regime. Falta a Raul — apresentado como “moderado”, o que não é — a autoridade e o carisma do irmão mais velho.
Ao cúmplice Borón, Fidel disse que o ex-vice-presidente Carlos Lage e o ex-chanceller Felipe Pérez foram defenestrados porque se “iludiram em relação ao inimigo externo” e cometeram “erros, às vezes produto de excessivas ambições políticas ou impaciência”. Em Cuba, diante de fracassos colossais, a culpa é sempre dos subalternos, como se o sistema não fosse absolutamente centralizado nas mãos da família Castro. Fidel e Raúl sempre têm de culpar alguém pelo desastre do regime. Porque, para os velhos ditadores, falíveis são seus auxiliares, não eles e o sistema inviável que criaram e só mantêm à força. Há pouco tempo, quando a imprensa internacional descobriu que Cuba havia se tornado entreposto da cocaína colombiana, Fidel e Raúl mandaram matar uxiliares, como o general Arnaldo Ochoa, o “culpado”. O regime não incentiva o tráfico e o consumo de cocaína diretamente, mas, como precisa de dólares com premência, acaba por fazer qualquer negócio. A “sorte” é que, como apareceu um anjo da guarda, Chávez, Fidel pôde dispensar os narcotraficantes colombianos.
Os cubanos não podem ler publicações estrangeiras e o acesso à internet é restrito (recentemente a blogueira Yoani Sánchez foi agredida e detida pela polícia da dinastia Castro). Fidel, pelo contrário, pode ler tudo. Se sai um livro que lhe interessa, mas não há tradução para o espanhol, uma equipe de especialistas, que fica à sua disposição, põe-se a traduzi-lo imediatamente. Traduzido, o livro é lido só por ele. Jornalista rigoroso, “independente”, “não engajado”, Mauricio Vicent não tripudia da informação, mas Fidel repete Stálin: tem o controle do fogo, do conhecimento. Oliver Stone, a besta quadrada do cinema americano, diz que flagrou Fidel lendo um livro de Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia. Cuba traduz livros de autores estrangeiros e não paga direitos autorais, o que o repórter do “El País” não diz. Se escrever, vira persona non grata e tem de sair de Cuba.
Atento, Fidel leu os livros do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Saúl Landau viu um exemplar de “Os Sonhos de Meu Pai” (1995) “sublinhado e com notas à margem em quase todas as páginas”. Fidel disse a Landau que “Obama, além de comover, também pode ser irônico. É um homem que mostra grande inteligência, tem o dom da escritura e bons valores. Mas está limitado no que pode fazer. Está atado pelos interesses” do Império.
Um dos trechos mais sugestivos da entrevista é aquele no qual Mauricio Vicent relata que Fidel já não convoca ministros em busca de informações. “Quem o faz em seu nome é o chefe do Departamento Ideológico do Partido Comunista, Rolando Alfonso”, conta o correspondente internacional. Observe bem o que vou dizer: aquele que controla o setor ideológico do partido está subordinado a Fidel, como seu “secretário particular”. Em países comunistas, quem controla a ideologia, a verdade que é imposta à sociedade, tem o controle do poder. Noutras palavras, por meio da hegemonia ideológica, Fidel continua mandando. É o verdadeiro secretário-geral do PC Cubano.
"Ambientalista" é a faceta "moderna" de Fidel, o que dá razão ao sociólogo francês Guy Sorman, que diz que o ambientalismo é a nova estratégia da esquerda para tentar travar o capitalismo. O capitalismo agora não faz mal apenas aos traba-lhadores, mas ao meio ambiente, ou seja, a todos, portanto deve ser combatido e superado. O dia-gnóstico de Matusalém, mas politicamente simpático, de Fidel: "O problema da humanidade é sobreviver à sociedade de consumo". É óbvio que Fidel tem razão — ainda que sua sugestão, o socialismo, não tenha contribuído para melhorar a humanidade —, mas seus objetivos são outros. Meio desnorteado, Mauricio Vicent avalia como "fabuloso" o título de uma reportagem da "Paris Match" (ah, os franceses, não raro são beócios. O que seria da França sem Stendhal, Balzac, Flaubert e Proust?): "Castro, o inoxidável". Confesso: leio a imprensa brasileira e mundial com um sorriso nos lábios. É quase tudo uma piada. Sem graça, mas piada. Uma piada ideológica. No fim da reportagem, Mauricio Vicent diz que Fidel é chamado por todos de "O Chefe". Chamá-lo de poderoso chefão talvez seja mais apropriado, porque o regime comunista é uma máfia política.
A mídia e a quase-peladona
Os jornais brasileiros são previsíveis: quando não têm uma pauta candente, como um assassinato rumoroso, uma corrupção deslavada ou um apagão, como o recente, perde-se no populesco. Os jornais sérios, mais sisudos do que sérios, disfarçam o apelo à sensação, ao baixo instinto, convocando “especialistas” para um debate quase “científico”, asséptico, de algumas questões menoríssimas.
O caso da quase peladona que foi expulsa de uma faculdade (putz!: qualquer espelunca é chamada de faculdade, e nem estou falando da faculdade em questão, porque não a conheço) ganhou destaque em quase todos os jornais. O “Diário da Manhã” levou a história para a página 2. Algures falou-se em “ditadura” (coitados dos militares) e em autoritarismo. A expulsão já foi revertida.
Se alguém ganhou com a história não foram os leitores, que só perderam tempo enchendo o computador cerebral com mais uma abobrinha da Babilônia, e sim a própria quase-peladona que, para posar nua, de minissaia e com um vestido bem curto, que mal esconde as pudendas, deve ganhar uma grana preta da “Playboy”, depois da “Sexy”. Se brincar, vira atriz ou apresentadora de televisão.
Não digo o nome da quase-peladona para não encher a minha cachola e a dos leitores com o nome de uma pessoa que tende a desaparecer depois dos 45 minutos de fama (multipliquei os 15 minutos tradicionais).
No lugar de luta pela liberdade e pela diferença, como entenderam alunos da Universidade de Brasília, a quase-peladona reforça a imagem de vulgaridade da mulher brasileira.
Sabrina Sato faz parte de um mundo circense
Leio num jornal que Sabrinha Sato não é só beleza, que tem talento. Como não a conheço, pergunto a um jornalista que entende quase tudo de televisão: “Qual é seu talento especial?” Mais rápido do que John Wayne, o repórter sacou o 38 e atirou: “Seu talento especial é mesmo a beleza. Fora disso, o deserto”.
Ante a resposta, tão fina quanto a prosa de Henry James, olhei algumas fotografias de miss Sato detidamente. Lembrei-me das gueixas e concluí: “Se ela for bonita, eu sou Paul Newman”. Sato não chega a ser feia, mas tem um jeito, digamos assim, vulgar. Se não fosse ofensivo, diria como Nelson Rodrigues, este autor abominável (como Ariano Suassuna, que vai acabar virando roteirista de Sylverter “Rambo” Stalone), que a moçoila, entrada em anos, é bonitinha mas ordinária. E não falo de comportamento, porque, como disse, não sei de quem se trata.
Ao contrário de Horácio, que aproveitava o dia, perdi o meu ao comentar uma peça, nada extraordinária, do mundo circense que se tornou a televisão brasileira.
Bernardo Sayão virou Saynha na revista Piauí
Sérgio Sá escreveu um texto mediano sobre Bernardo Sayão na revista “Piauí” que está nas bancas. O engenheiro que “abriu” a BR-153 quase virou Bernardo Saynha. O jornalista escreve “John dos Passos”. Deveria ser “dos”, mas, como se sabe fora da “Piauí”, no caso específico do escritor americano, a forma de grafar é outra: John Dos Passos. Sim, com “D” maiúsculo. Tanto que o autor era chamado pelos amigos de “Dos” e pela mídia, para resumir o nome, de “Dos Passos”.
A “Piauí” alterna ótimas e razoáveis edições. Sem contar que, no afã de parecer universal, às vezes perde o sabor local, como se jornalismo literário fosse coisa dos “estranjas” e, no Brasil, mera ficção.
Valdivino Oliveira é o diferencial no Atlético
Há quem diga que a campanha do Atlético na série B é irregular. Pode ser. Mas o time está jogando muito bem, goleando os adversários e, mais importante, se mantém entre os quatro melhores. Deve migrar para a série A. O técnico do Atlético, Artur Neto, não é grande coisa. Mas o clube tem um dirigente corajoso, o economista Valdivino Oliveira, futuro deputado federal.
O Goiás conformou-se com o fato de que não vai cair para a série B e não tem coragem de ousar.
Técnico do Goiás teme apanhar nas ruas
Título do “Pop” (quinta-feira, 2): “Técnico do Goiás diz ter vergonha de sair às ruas”. Pode ser que a verdade seja outra: Hélio dos Anjos, profissional sério, talvez tenha medo de sair às ruas, depois da péssima campanha do time no Brasileirão, e apanhar dos torcedores. Boquiroto, Dos Anjos cantou vitória antes da hora e deu declarações intempestivas que o tornaram impopular. No Goiás, comenta-se, do porteiro ao presidente, ao menos nos bastidores, que o técnico perdeu o controle dos atletlas e, em campo, todos estão jogando como querem. As táticas, se existiram algum dia, foram para o espaço.
Os jornais decidiram não ir a fundo no entendimento da crise do Goiás, tanto que não exploraram o fato de Iarley, que pode render muito mais, ter sugerido que, se o bicho fosse mais polpudo, a situação do Goiás poderia ser diferente.
Com um “bicho molhado” (pago no vestiário) e maior, o Goiás poderia estar ganhando? É duvidoso. Mas há indícios de que o time está perdendo dentro de campo porque começou a perder as partidas fora de campo.
Franz Kafka e Adolf Eichmann
Acusado injustamente de roubo, o açougueiro Wilian Candido de Jesus, de 24 anos, ficou 27 dias na Casa de Prisão Provisória. Seus documentos foram falsificados por um criminoso. O superintendente do Sistema de Execução Penal, Edílson de Brito, deu uma resposta à imprensa que se retirada de “O Processo” ou de “O Castelo”, de Franz Kafka, ninguém faria qualquer reparo: “Sabíamos que não era a mesma pessoa, mas havia um mandado em seu nome, e não podemos descumprir uma ordem judicial”. Edílson de Brito é uma pessoa séria, cumpridora das leis, mas não percebe que seu argumento é o mesmo de Adolf Eichmann e de outros nazistas. Não há dinheiro (e desculpa) que pague a humilhação sofrida pelo jovem trabalhador.
Não seria mais inteligente se a polícia, no lugar de prender um inocente, sabendo que é inocente, caçasse os assassinos das jovens Camila Lagares e Polyanna Borges?
No caso de Polyanna, a polícia tem, aparentemente, pelo menos uma pista tida como quente.
O comum é incomum
A escritora Margaret Atwood, no livro “Buscas Curiosas” (Rocco, 432 páginas, tradução de Ana Deiró), recolhe uma frase de Alice Munro sobre a escritora canadense Carol Shields: “Era uma pessoa luminosa”. Atwood é precisa: “A vida humana é uma massa de estatística, apenas para os estatísticos: o resto de nós vive em um mundo de indivíduos, e a maioria deles não é proeminente. Suas alegrias, entretanto, são plenamente jubilosas, e suas perdas e sofrimentos são reais. O caráter extraordinário de pessoas comuns era o forte de Shields, que alcançou sua mais plena expressão nas novelas ‘Swann’ [Record, 384 páginas], ‘The Republic of Love’ e, especialmente, ‘Os Diários de Pedra’ [Record, 364 páginas]. Ela dava a seu material o pleno benefício de sua enorme inteligência, seus poderes de observação, sua verve e agudeza de espírito humano, e suas amplas e vastas leituras. Seus livros são deleitáveis, no sentido original da palavra: são cheios de deleite, delícias e prazer”. Com tanta recomendação, comecei a ler “A Festa de Larry” (Record, 364 páginas, tradução de Ana Luiza Borges), livro com o qual Shields ganhou o Orange Prize. Munro e Atwood têm razão: a prosa de Shields é luminosa. É um retrato perfeito, ou quase, do homem comum. Shields é uma James Joyce sem firulas linguísticas. Joyce levou o homem comum para o centro de “Ulysses”. A história é comum — incomum é a forma (a linguagem) como Joyce a narra. Por caminhos diferentes, o irlandês e a canadense chegaram a resultados parecidos. Ainda que a comparação menos imprecisa seja com John Updike.
O cheiro da língua
De Carlos Wilson: “Na reportagem sobre a morte do médico e escritor Carlos Fernando Magalhães, o ‘Diário da Manhã’ escreveu que o corpo estava com ‘mal’ cheiro. Se não se pode dizer que o corpo estava com ‘bem’ cheiro, é errado escrever ‘mal’ cheiro. O certo é mau-cheiro. Quem escreveu o texto tem de deixar a língua bem cheirosa”.
Lula e Getúlio Vargas
A “Folha de S. Paulo” publicou no sábado, 7, reportagem sobre bilhetes do presidente Getúlio Vargas. O líder do PTB reclama da imprensa e demonstra que controlava o “Última Hora”, de Samuel Wainer. Não é apenas Lula que reclama da imprensa. Todos os homens do poder reclamam da imprensa não servil. “Noto que os jornais (...) não publicam os numerosos atos (...) diariamente praticados pelo Poder Executivo”, escreveu Vargas.Provando que mandava no “Última Hora”, Vargas escreveu para Fontes: “Diga ao Wainer que a edição de hoje tem muito esporte”.