Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br
Jornal Opção denunciou plágio em primeira mão
O Jornal Opção denunciou dois plágios pioneiramente. Mostrou que a Editora Germinal copiou uma antiga tradução do romance russo “Oblomov”, mudando apenas o nome do tradutor, e que a Martin Claret pirateou uma edição portuguesa de “A República”, de Platão. Na semana passada, a “Folha de S. Paulo” citou o Jornal Opção num quadro (que não é transcrito nesta página).
Ministério Público investiga plágios
MARCOS STRECKER - DA FOLHA DE S. PAULO
Quem entra em grandes livrarias de todo o país e é atraído por títulos clássicos -em geral de obras antigas, sob domínio público-, nem imagina que pode estar comprando gato por lebre. Traduções plagiadas são vendidas sem cerimônia por editoras conhecidas nacionalmente, sob pseudônimos falsos ou atribuição errônea.
Um dos casos mais conhecidos no meio editorial agora virou caso de polícia. A pedido do Ministério Público Estadual, a polícia instaurou na última sexta-feira um inquérito contra a editora Martin Claret, por violação de direitos autorais.
A investigação está a cargo do 23º Distrito Policial, cujo titular é o delegado Luiz Antonio Ribeiro Longo -para quem ainda é prematuro fazer comentários. Os crimes sob investigação nesse caso -identificados nos artigos 184 e 186 do Código Penal- prevêem desde detenção de três meses até reclusão de quatro anos, e multa.
Seria uma pena inusitada para uma prática que infelizmente ainda é mais comum do que os leitores imaginam. A partir de denúncias publicadas nesta Folha, profissionais identificaram dezenas de novos casos suspeitos ou comprovados.
Muitas vezes a ação é feita pela utilização do trabalho intelectual de tradutores mortos, o que favorece a falta de acompanhamento -ainda que vários tradutores sejam famosos e tenham seus direitos morais e patrimoniais ainda sob guarda profissional, como o poeta gaúcho Mario Quintana. Ou então contam com a falta de vigilância oficial.
Machado traduzido — Quem fizer consultas no site da Biblioteca Nacional (www.bn.br), instituição que abriga a Agência Brasileira do ISBN, que tem a atribuição legal de registrar todos os livros publicados no país (e que designa um código para cada um deles, o ISBN), vai encontrar descalabros.
Uma verificação rápida entre as edições registradas pela própria Martin Claret é um bom roteiro inicial. Pelo site, descobre-se que Machado de Assis teve seu "Quincas Borba" vertido para o português por Pietro Nassetti, tradutor prolífico da editora. Machado traduzido para o português?
Os dados são fornecidos pelas próprias editoras para a Agência, que faria apenas o trabalho de registro passivo.
As traduções pirateadas acabam se propagando. Por terem a aparência legal, os livros plagiados acabam citados até em teses acadêmicas. O plágio é feito pela cópia pura e simples ou pela troca eventual de palavras ou frases.
Monteiro Lobato —Monteiro Lobato, um dos fundadores da indústria editorial brasileira, é uma vítima da prática. Uma versão de Lobato do famoso "O Lobo do Mar", de Jack London, da década de 30, reapareceu "maquiada" pela Martin Claret 60 anos depois, sem o nome do criador de Emília e Visconde de Sabugosa.
Não é o único caso envolvendo Lobato. O Ministério Público Federal em São Paulo também está fazendo diligências contra a mesma editora em procedimento aberto pela procuradora da República Rosane Cima Campiotto sobre essa e outra tradução plagiada ("O Livro de Jângal", de Rudyard Kipling), o que pode eventualmente resultar em uma ação civil pública. Para isso, um antropólogo está avaliando se esse caso tem interesse nacional ou se atenta contra o patrimônio cultural do país.
Casos como esse, ainda que claramente contemplados pela Lei do Direito Autoral (nº 9.610, de 1998), podem ser considerados apenas de interesse particular dos autores ou seus sucessores, e portanto apenas eles seriam parte legítima para tomar medidas legais.
As duas ações do Ministério Público se seguiram a denúncias encaminhadas por tradutores como Joana Canêdo e Denise Bottmann. Esta última mantém um blog (naogostodeplagio.blogspot.com) em que aponta de forma minuciosa casos de plágio envolvendo outras editoras.
Outro lado — A Martin Claret, famosa pelos livros de bolso que vende em todo o país, admite que diversas traduções tem atribuição errada. Designada para responder pela editora, a advogada Maria Luiza de Freitas Valle Egea diz que a Martin Claret está "refazendo o seu catálogo, contratando tradutores para as novas publicações, e pagando os titulares dos direitos de todas as obras em que os problemas estão sendo detectados".
Segunda ela, a Martin Claret já reeditou mais de 80 títulos e fez acordos com as editoras Ediouro, 34, Hedra e com os tradutores Boris Schnaiderman e João Angelo Oliva.
Isso não impede que livros publicamente denunciados continuem sendo comercializados em grandes livrarias. A Livraria Cultura, por exemplo, uma das maiores de São Paulo, continua vendendo "As Flores do Mal", de Baudelaire, edição da Martin Claret que a Folha noticiou em 2007 ser uma tradução plagiada.
De prático, além de forçar as reedições, as denúncias abortaram a venda da Martin Claret para a editora Objetiva, associada ao grupo espanhol Prisa-Santillana, que havia anunciado sua aquisição em 2008.
Alvaro Gomes, agente que cuida dos licenciamentos da obra de Monteiro Lobato, diz que a IBEP/Companhia Editora Nacional, que detém os direitos sobre as traduções, já está negociando com a Martin Claret uma forma de ressarcimento. Há outros títulos da Companhia Editora Nacional que também teriam sido plagiados. (Texto da “Folha de S. Paulo”, de 26 de junho de 2009)
Nova Cultural pagou indenização
A Nova Cultural, que suspendeu a venda de 22 títulos apontados como plágio, pagou uma indenização pela tradução plagiada de "O Vermelho e o Negro", de Stendhal. A tradução do crítico Luiz Costa Lima, publicada pela ed. Brughera em 1969, foi reeditada pela Nova Cultural, que atribuiu a tradução a Maria Cristina F. da Silva.
A editora foi notificada extra-judicialmente por Costa Lima. Além de pagar indenização, em outubro passado, publicou uma nota apontando o erro.
A editora está relançando seus títulos com a correta atribuição dos autores. É o caso de "A Divina Comédia", que havia sido publicada com tradução atribuída a Fábio M. Alberti. Tratava-se de uma tradução de Hernani Donato. Uma nova edição acaba de ser lançada.
Editora Landmark — A tradutora Denise Bottmann aponta a prática em outras editoras. Uma delas é a Landmark, que teria atribuído uma tradução portuguesa de "Persuasão", de Jane Austen (de Isabel Sequeira e editada pela Publicações Europa-América), a Fábio Cyrino. A edição de "O Morro dos Ventos Uivantes" também teria omitido a tradução brasileira de Vera Pedroso, publicada pela Editorial Bruguera em 1971.
Jorge Cyrino, editor da Landmark, nega os plágios com veemência e diz que possui os contratos efetuados com os tradutores, que comprovariam o trabalho de tradução. Também diz que vai processar Bottmann pela acusação. (Texto da “Folha de S. Paulo”)
Conheça a PEC que torna obrigatório o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão
SÉRGIO MATSUURA - Do Comunique-se
A Proposta de Emenda Constitucional que o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) irá apresentar na quarta-feira, 1º, altera o artigo 220 da Constituição, que trata da livre manifestação do pensamento e da informação jornalística. Caso o texto seja aprovado, será acrescentado o artigo 220-A, que trata da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
“O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”, diz o texto.
A proposta, que já está sendo chamada de PEC dos jornalistas, abre duas exceções para a atividade jornalística sem a graduação na área. O colaborador, que, “sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural”; e o jornalista provisionado, que já possui registro profissional regular.
Na justificação, Valadares afirma que a “principal atividade desenvolvida por um jornalista, no sentido estrito do termo, é a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação. Isso, sim, exige formação, exige estudo, exige profissionalismo”.
Em entrevista ao Comunique-se na última quarta-feira (26/06), Valadares informou que havia coletado 30 assinaturas para a apresentação da proposta, três a mais que o mínimo necessário. "Eu estou coletando as assinaturas pessoalmente", afirmou.
Ontem, a assessoria do senador informou que o número de assinaturas chega a 50, "mas ele quer obter um respaldo ainda maior e continuará coletando até o dia da apresentação". (Texto do site www.comunique-se.com.br)
PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº , DE 2009
Acrescenta o art. 220-A à Constituição Federal, para dispor sobre a exigência do diploma de curso superior de comunicação social, habilitação jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista.
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do ' 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:
Art. 1º A Constituição Federal, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 220-A:
Art. 220-A O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei.
Parágrafo único. A exigência do diploma a que se refere o caput é facultativa:
I – ao colaborador, assim entendido aquele que, sem relação de emprego, produz trabalho de natureza técnica, científica ou cultural, relacionado com a sua especialização, para ser divulgado com o nome e qualificação do autor;
II – aos jornalistas provisionados que já tenham obtido registro profissional regular perante o Ministério do Trabalho e Emprego.
Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.
Em dupla, como sempre
William Bonner lança em setembro Jornal Nacional – Modo de Fazer, contando a história, os bastidores e o dia a dia do telejornal. Adivinhe quem fará o prefácio do livro, que comemorará os quarenta anos do JN. Fátima Bernardes. (Da coluna “Radar”, da “Veja”)
Diploma cai, mas empresas ainda querem profissionais formados
CÍNTHIA ALMEIDA - Do Comunique-se
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a exigência do diploma para o curso de jornalismo, dividiu a categoria e trouxe várias questões sobre a regulamentação da profissão. Jornalistas formados, não-formados, estudantes e professores querem saber, o que muda a partir de agora no mercado de trabalho?
Uma das principais portas de entrada na profissão é o programa de estágio. Três dos principais jornais do País usam deste meio para treinar futuros profissionais. Mesmo com a mudança na legislação, para alguns veículos de comunicação, ter curso superior ainda é um critério de seleção. Um exemplo é o jornal O Globo.
"Acreditamos no papel da escola" —
As organizações Globo respeitam a decisão do STF, mas acreditamos no papel da escola e na qualidade dos profissionais formados. Portanto, estar cursando ou ser formado em Comunicação Social continua sendo um dos critérios para a inscrição dos candidatos”, disse Luiza Correa, responsável pelo programa de estágio “Boa Chance” do jornal O Globo.
Por estar em andamento, o processo seletivo do Estadão não muda neste ano. Para o ano que vem ainda não se sabe se haverá alguma mudança.
“O processo seletivo para 2009 não terá mudanças porque já está na sua fase de encerramento das inscrições. Para 2010 não está nada decidido, pois a lei ainda é recente” informou Marisa Oliveira, responsável pelo “Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado” do jornal.
A Folha de S.Paulo não se preocupa com a decisão do STF. Mesmo antes dela, não exigia a graduação em Jornalismo.
“Nada mudou para o grupo Folha. O requisito principal para se inscrever no programa é o diploma. Qualquer pessoa que tenha curso superior concluído ou em curso, pode participar, basta que seja criativa, bem formada e julgue ter talento para jornalismo”, afirmou Ana Estela de Sousa Pinto, responsável pelo programa “Treinamento Folha” da Folha de S. Paulo. (Transcrito do site www.comunique-se.com.br)
Revista UFG
A maioridade de uma universidade não ocorre somente por conta dos formados que alcançam sucesso no mercado. Suas publicações são filhos igualmente importantes. A “Revista UFG” chega ao sexto número, mantendo a qualidade. Ao chegar à maturidade, ficou, graficamente, mais bonita.
A revista publica a última entrevista do governador Pedro Ludovico, dando o crédito ao Jornal Opção. O dossiê “cidades planejadas” é instigante. Amaury Menezes homenageia Gustav Ritter. Escrevem artigos João Alberto da Costa, Cileide Alves, Diane Valdez e Miriam Bianca.
O forte da edição é a entrevista que Gilberto Mendonça Teles concedeu a Wolney Unes. Cita Hugo de Carvalho Ramos como o primeiro do cânone goiano, seguido de Bernardo Élis, José J. Veiga, Eli Brasiliense e Carmo Bernardes (a quem critica com firmeza). O maior poeta? Antônio Félix de Bulhões. Outros poetas canônicos: Manuel Lopes de Carvalho Ramos (pai de Hugo), Leo Lynce, José Godoy Garcia, Afonso Félix de Sousa e Cora Coralina. Mais ninguém. “Entre os jovens poetas, não vejo grandes nomes. Vejo poetas que publicam doidamente, pensando em entrar para o ‘Guinness’ pelo número de livros publicados”.
A revista é dirigida por Anselmo Pessoa e editada por Wolney Unes. Nasr Chaul participou deste número como editor-adjunto.
A guerra dos poderosos chefinhos Puzo e Sinatra
Frank Sinatra é o cantor Johnny Fontane de “O Poderoso Chefão”, de Mario Puzo (livro) e de Francis Coppola (filme). Durante anos, a Máfia patrocinou o amigo Sinatra e, quando sua carreira caminhava para a decadência, mafiosos, como Sam Giancana, levantaram-na com elegância e, não menos importante, violência. Ao escrever o “Chefão”, Mario Puzo não hesitou e aproveitou a história de como Sinatra conseguiu um papel importante no filme “A Um Passo da Eternidade” (1953), dirigido por Fred Zinnemann. A Máfia “deu-lhe” o papel do simpático Angelo Maggio, um soldado rebelde. Sinatra ficou “p” da vida e prometeu vingança, a maior delas ignorar Puzo em encontros sociais.
O livro “Confissões de Mario Puzo e Revelações Sobre o Chefão” (Artenova, 271 páginas), do próprio Puzo, apesar do título estrambótico, conta os desencontros do escritor e do cantor-ator. A dona do Elaine’s de Nova York, Elaine, tentou apresentar Puzo para Sinatra. Perguntou se não havia problema, Puzo disse que não, mas Sinatra não quis conversa.
Noutra ocasião, ao participar do aniversário de um milionário, no Chasen’s, em Los Angeles, perguntaram a Puzo se queria ser apresentado a Sinatra. Escaldado, o escritor disse que não. Quando ia embora, o anfitrião e um “assecla” pegaram Puzo pelas mãos e o levaram para conhecer Sinatra.
O relato de Puzo: “O milionário fez a apresentação. Sinatra não ergueu os olhos do prato nem por um instante sequer.
— Gostaria de lhe apresentar o meu amigo Mario Puzo — disse o milionário.
— Pois eu não gostaria — retrucou Sinatra.
Diante disso comecei a me afastar. Aparentemente, contudo, o pobre milionário não havia percebido, continuando a insistir.
— Eu não quero ser apresentado a ele — repetiu Sinatra”.
Como Sinatra parece ter avaliado que Puzo pedira para ser apresentado, o autor de “O Poderoso Chefão” esclareceu: “Escute, a ideia não foi minha”. “Seguiu-se, então, a coisa mais espantosa”, relata Puzo. “Ele não entendeu nada. Imaginou que eu estaria me desculpando por causa de Johnny Fontane, o personagem do meu livro.” Sinatra perguntou: “‘Quem foi que lhe disse para botar aquilo no seu livro? O seu editor?’ — perguntou ele, com a voz quase amável”.
Puzo, que dizia não aceitar interferência de editores em seus livros, corrigiu: “Eu estava me referindo a nossa apresentação”. Ao perceber que a “arte” era mesmo de Puzo, “Sinatra pôs-se a vociferar. O pior termo que usou para me ofender foi cáften, o que de certa forma foi lisonjeiro para mim que jamais conseguira de uma namorada que aos menos espremesse os cravos das minhas costas, quanto mais que trabalhasse para mim. Lembro-me ter ele afirmado que, não fosse pelo fato de eu ser mais velho, me daria uma surra inesquecível. Acontece que eu era um garoto quando ele já cantava na Paramount. O que me magoou de verdade foi ver aquele italiano do Norte ameaçando a mim, um italiano do Sul, com violência física. Tipo da coisa que não se faz. Os italianos do Norte nunca se metem com os do Sul”. Quando Coppola foi escolhido para dirigir o filme, Sinatra disse-lhe: “Sabe, Francis, eu trabalharia em ‘O Chefão’ para você. Não o faria por aqueles caras da Paramount, mas por você, sim”. Muitos cantores foram sondados para fazer Johnny Fontane, mas a maioria não quis. O primeiro a se prontificar foi Al Martino, mas Vic Damone foi consultado primeiro. Aceitou e, depois, recusou, porque era “leal” a Sinatra ou porque a grana era curta. “Al Martino acabou conseguindo o papel e, na minha opinião, saiu-se muito bem”, conta Puzo.
O erro de John Ford
Recebo do goiano-brasiliense Herondes Cezar, crítico de cinema que realmente vê os filmes e não fica se baseando em comentários de outros para fazer o seu: “Sua observação sobre a cena de ‘Rastros de Ódio’ [de John Ford] em que um índio morto e enterrado respira é curiosa. Dentro da história, ou da diegese, como diria um crítico pedante, o índio está mesmo morto. Mas ocorre, como todos sabemos, que no lugar do índio morto está um ator vivinho da silva.
“O fato de um ‘morto’ respirar no cinema é considerado um erro, porque nega o ilusionismo que se espera do filme. Os norte-americanos chamam os erros desse tipo de ‘revealing mistake’ (erro revelador), porque ele denuncia a representação.
“No entanto, no caso específico dessa cena de ‘Rastros de Ódio’, há controvérsia. Segundo uma explicação, o índio teria sido enterrado imediatamente após a morte, quando a pedra foi colocada sobre ele. O peso da pedra teria forçado seus pulmões a expelirem todo o ar, criando um vácuo. Quando a pedra é retirada, o alívio do peso libera os pulmões, que recebem a corrente de ar puxada através das vias nasais, enchendo os pulmões e dando a impressão de que o morto respira. despeito de todo esse papo-de-cerca-Lourenço, de algum fanático pelo filme que não quer admitir a ‘falha’, minha opinião é que temos um ‘erro revelador’. Ponto final. É mais corriqueiro do que se pensa, e pode ser observado em muitos filmes. E é compreensível, porque os atores precisam respirar, mesmo se representam um defunto”.
Centro não agoniza
Jornais “mataram” o Centro de Goiânia mais de uma vez. No domingo, 21, foi a vez do “Hoje”, com um título explosivo na primeira página, “Sem estrutura centro agoniza”, e fotografias feitas, aparentemente, no domingo, quando as lojas estão fechadas.
A reportagem de Wanessa Rodrigues diagnostica um problema real, a escassez de estacionamento, e o presidente da Federação do Comércio, José Evaristo dos Santos, comete um erro e diz uma verdade. Santos diz que o sistema de transporte “não é satisfatório”. O transporte coletivo do Centro é o mais eficiente da cidade. Verdade dita pelo líder classista: “O Centro nunca acaba”. O Centro é mais pujante do que parece aos jornalistas. Comerciantes sempre reclamam das vendas. É o lenga-lenga de sempre. A pauta de que o Centro está morrendo é velha desde 1980. O jornal faria melhor se mostrasse, além das lojas que estão fechadas, as que resistem há vários anos.
Estadão inova e Folha vira Mausoléu
Não imaginava que “O Estado de S. Paulo” seria, um dia, mais ousado do que a “Folha de S. Paulo”. Pois no domingo, 21, o Brasil pôde verificar que o velho “Estadão” (melhor jornal dominical do país), chamado de mausoléu por Caio Túlio Costa, quando ombudsman, saiu na frente da novidadeira “Folha”. A “Folha” tinha uma excelente reportagem, bem-pesquisada, bem-escrita e, importante, nuançada, mas não teve ousadia de destacá-la de modo mais enfático na primeira página. Deu algum destaque, na parte superior da capa, com fotografia. Por que não a manchete (principal)? O assunto do momento é a questão do Senado. Mas a história dos senadores, por momentoso que seja, cansa, enjoa (mesmo quando exclusivo). No domingo, o jornal poderia ter investido, um pouco mais, na reportagem (exclusiva) sobre Wilson Simonal, pois tinha as informações mais precisas e reveladoras sobre o assunto. A chamada pá de cal. A reportagem de Mário Magalhães é perfeita: resta provado, por declarações do próprio Simonal, que o artista trabalhou como dedo-duro ou bate-pau da ditadura.
O “Estadão” tirou o Senado do destaque e deu manchete para a reportagem sobre a Guerrilha do Araguaia. Leonêncio Nossa entrevistou o coronel Sebastião Curió, que liberou seus arquivos, provando que, sim, o Exército matou vários guerrilheiros depois de aprisionados. O jornal publica os nomes dos guerrilheiros e acrescenta a informação de que mais camponeses atuaram ao lado dos comunistas, direta ou indiretamente.
Novo projeto do Correio
O “Correio Braziliense” circula com novo projeto gráfico. Bonito e colorido. A reforma editorial não mudou muito o jornal e talvez não haja mesmo muito o que mudar, exceto o acréscimo de mais opinião. O caderno “Superesportes”, parecido com o “Lance!”, indica que o “Correio” está se preparando para a cobertura da Copa do Mundo de 2014.
Ensaios competentes
A Editora da UFG lança “História Política de Goiás” (170 páginas), organizado por Nasr Chaul e Luiz Sérgio Duarte. O livro contém ensaios de intelectuais que fizeram mestrado na Universidade Federal de Goiás: Cileide Alves, Marcelo Benfica Marinho, Gleidson de Oliveira Moreira, Clever Luiz Fernandes, Reginaldo Lima de Aquino e Lindsay Borges.
Jornalistas e políticos não devem deixar de ler o livro.
Canal da UFG
O canal de televisão da UFG vai retransmitir, inicialmente, a programação da TV Brasil.
Jornalismo carece de mais humanismo e menos técnica
Não tive apenas uma posição a respeito da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A que mantive por mais tempo foi a de que diploma não deve ser garantia de reserva de mercado. Logo depois daquele período em que se permitiu que quem apresentasse cartas e artigos publicados em jornais pudesse obter o registro profissional de jornalista no Ministério do Trabalho, alterei, por um breve momento, minha opinião. Preocupou-me, então, o fato de que pessoas desqualificadas, inclusive moralmente, estivessem aproveitando brechas proporcionadas pelo caos institucional brasileiro para ocupar espaços nos meios de comunicação. No fundo, a preocupação era descabida, pois nenhuma redação séria contratou os “jornalistas de ocasião”. Pelo motivo óbvio: não estavam preparados para o trabalho técnico de reportagem e de análise. As redações continuaram contratando jornalistas (mais) qualificados, priorizado os formados nos diversos cursos de jornalismo, alguns, por sinal, muito ruins.
Agora, volto à minha primeira posição: respeito e acato a decisão do Supremo Tribunal Federal sem nenhuma perplexidade ou contrariedade, ao contrário de parte dos colegas de profissão. Esclareço que sou formado em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás e teoricamente teria de me alinhar com a posição corporativa. Mas penso diferente.
Não avalio que uma pessoa com diploma do curso de jornalismo mereça, só pelo fato de ser proprietária de um canudo, “ganhar” emprego numa redação. O mérito de um indivíduo não advém do fato de ter um diploma, e sim de, na universidade, independentemente do curso que tenha frequentado, ter adquirido a formação adequada e ter reforçado sua vocação. Quando digo formação esclareço que estou falando de maneira ampla. Porque o jornalista não pode transferir a responsabilidade por sua formação exclusivamente à universidade. Deve estudar por conta própria, deve se dedicar a alguma área pela qual julga ter mais aptidão, e não ter receio de conviver com outras formações profissionais na e fora da redação.
Jornalistas têm de aprender a se relacionar com profissionais formados em outras áreas, e dentro das redações, não apenas com colaboradores eventuais. Um economista com conhecimento de técnicas de redação jornalística pode contribuir para melhorar o produto final dos jornais, as reportagens, as análises, os comentários. Um biólogo pode adequar e tornar mais precisas as reportagens da área de saúde. Um historiador pode discutir política com mais profundidade, vasculhando o passado e conectando-o ao presente, especulando, com mais gravidade, sobre o futuro. Um filósofo pode refletir de modo mais amplo sobre questões que parecem absurdas mas são muito mais humanas do que um repórter apressado pode julgar. O adepto da obrigatoriedade do diploma poderá dizer: o jornalista pode fazer tudo o que você está dizendo. Tem razão. Mas aqui entra uma questão mais rica do que a discussão da obrigatoriedade do diploma: a da formação universitária.
Por experiência própria, por ter recebido recém-formados nas redações que dirigi, tanto no “Diário da Manhã” quanto no “Jornal Opção” (onde sou editor), sei que os repórteres chegam aos jornais com uma formação mais sociológica, ainda que incipiente, e a clássica “cabeça” ideológica esquerdista. Querem transformar o mundo, antes de conhecê-lo, e têm preconceitos contra políticos, empresários, enfim, contra os burgueses. Aos poucos acomodam-se e perdem o que tinham de melhor: a incipiente formação sociológica, mas de algum modo continuam “ideólogos”, avaliando, erradamente, que patrões e burgueses são monstros e que vale a pena mais demonizá-los que entendê-los. Se a formação sociológica fosse aprofundada, e com um estudo mais detido de história, para evidenciar que as coisas mudam e como mudam, e de literatura, para aprender que os manuais de redação são apenas guias de conduta, não camisas-de-força que matam estilos próprios de pensamento e escrita, os jornais estariam mais ricos e não estariam perdendo tantos leitores. Ampliar a formação humanística — com o reforço do ensino de história, filosofia (lógica, por exemplo), sociologia, economia, literatura e português, não para “amestrar” marxistas — talvez seja mais produtivo do que ensinar uma profusão de técnicas.
Se há algo errado com os jornais, com o fato de que o número de leitores não cresce, pelo contrário, cai, não se pode culpar apenas a crise, a internet e os donos de jornais. Nós, jornalistas, certamente estamos fazendo alguma coisa que não está agradando. O quê? É um assunto não para um artigo curto, e sim para estudos mais detalhados. Mas sugiro coisas óbvias: aumentar o espaço para a opinião qualificada, para a discussão “quente” de determinados assuntos, avalizar a reportagem com texto mais literário (não quero dizer romântica ou fantasiosa) e reduzir o espaço para tevês nas páginas dos jornais. A televisão está presente demais na casa das pessoas e a overdose talvez não agrade tanto quanto se pensa, pelo menos a determinados setores da sociedade. Claro que a televisão não é um adversário dos jornais, mas também não é uma grande aliada. Chamar a atenção dos leitores para mais tevê é um convite à não-leitura. O leitor já viu programas de tevê incentivando alguém a ler jornais? Os fazedores de imagens tratam o jornalismo escrito como subordinado da televisão, quando esta, inclusive nos telejornais, teria dificuldade com suas reportagens se não fossem os textos formadores dos jornais e das revistas.
Funcionários de tevê da OJC em Jataí são obrigados a capinar
Publico um e-mail (o autor existe, é jornalista e pede sigilo da fonte) espantoso, quase ficcional, mas confirmado por três pessoas diferentes, em circunstâncias diversas, é publicado: “Não trabalho na Organização Jaime Câmara, mas mantenho contato com seus funcionários. Recentemente, num bar de Jataí, ouvi uma história estarrecedora. O pessoal me relatou que a direção da empresa determinou a realização de um mutirão com os funcionários para limpar e capinar a área da emissora em um dia de feriado. Quem não quis participar, embora tenha trabalhado no dia, não recebeu pelo feriado trabalhado”. A própria fonte duvida que a cúpula de Goiânia saiba desta história.
Outra história: “Não existem mais copos de café e água descartáveis na empresa. O lanche da tarde foi cortado. A reunião com coquetel mensal com as agências de publicidade locais foi extinta e os publicitários estão reclamando muito, porque em Goiânia a empresa sempre realiza eventos com os publicitários e mídias e no interior não tem nada. Tem muita coisa nesse sentido acontecendo nas emissoras do interior e, especificamente em Jataí, os funcionários estão muito desmotivados e relatam que a qualidade caiu muito”.
A família Câmara mantém um padrão de qualidade e ética que é referência. O caso de Jataí, em que funcionários foram transformados em “roçadores” de “pasto”, merece ser apurado.
Pop demite Cecília Aires
O “Pop” demitiu, na semana passada, a repórter Cecília Aires.
Com 22 anos de “Pop”, Cecília é uma das mais experimentadas e corretas repórteres de política de Goiás.
Nos últimos anos, Cecília combinava a reportagem política com eventuais substituições do titular da coluna “Giro”, Jarbas Rodrigues Jr. É muito mais repórter do que Jarbas.
Problema é da Globo ou da TV Anhanguera?
Mauro Peixoto Alves (mmmppa@hotmail.com), sempre muito bem-informado, escreve: “Algo muito estranho está acontecendo nas transmissões dos jogos do Brasil na Copa das Confederações, na África do Sul. Por pelo menos duas vezes, em jogos diferentes, o último contra a Itália, ouvimos Galvão Bueno narrando o que seria o ‘replay’ de uma jogada, mas vendo a imagem na TV do jogo ao vivo. Isso sem contar com os inúmeros apagões durante o jogo, quando a tela fica escura por um ou dois segundos, antes de a imagem voltar ao normal.
“Seria problema na Globo ou na TV Anhanguera? Moro no Jardim Novo Mundo e fico pensando se esses problemas estão acontecendo em outros bairros da capital.”
Invicto há 38 anos
Adquiri "No Coração da Guerra" (Artenova, 175 páginas, tradução de Jurema Finamour), de Ambrose Bierce. A edição é de 1971, mas, para minha surpresa, algumas páginas estavam coladas, o que significa que seu proprietário (ou proprietários) a guardou durante 38 anos, sem jamais o ter lido ou, pelo menos, aberto as páginas.
O livro contém as célebres histórias sobre a Guerra Civil Americana.