Euler de França Belém
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Machado de Assis "é" pai de Mário de Alancar
Transcrevo parte da entrevista do escritor e crítico literário Gustavo Bernardo ao "Jornal do Brasil", na qual sugere que o escritor Machado de Assis pode ter sido pai de Mário de Alencar, filho de José Alencar. É raro, muito raro, um acadêmico de sua importância aceitar a informação.
Jornal do Brasil — Por que o senhor escolheu o boato sobre o filho bastardo de Machado de Assis como ponto de partida para o romance?
Gustavo Bernardo — À medida que estudo o tema, mais me convenço de que não é um mero boato. Só há uma foto de Mário de Alencar [o filho em questão]. E, nela, fica claro que ele tem o nariz do Machado, adunco, e não o do José de Alencar. A cor da pele, infelizmente, não dá para ver. Mas Mário tinha epilepsia, como Machado, e nem José ou sua mulher eram epiléticos. De qualquer forma, esse boato é interessante porque tira Machado do pedestal, joga-o em uma situação bem humana, sobretudo considerando que ele foi muito amigo de José de Alencar. Foi talvez uma das poucas pessoas do século 19 com quem Alencar não brigou. E talvez aquela com quem tivesse mais motivos para brigar.
Gustavo Bernardo é autor do romance "A Filha do Escritor".
Blog de Lisandro Nogueira
O professor Lisandro Nogueira entrou definitivamente para o mundo dos blogs (www.lisandronogueira.blogspot.com). Sua intenção inicial era usá-lo para se comunicar com seus alunos (é professor de cinema na Universidade Federal de Goiás). Mas o blog cresceu e contém informações e discussões interessantes. Lisandro discutiu, recentemente, com Jorge Coli, professor universitário e colunista da "Folha de S. Paulo", sobre cinema de arte e cinema cult. Pode parecer uma discussão bizantina, mas é instrutiva.
Dedicação médica e vitória contra o câncer
Recebo um interessantíssimo comentário da ilustradora Naomy Kuroda:
"Tenho lido com muito gosto a sua coluna do Jornal Opção pois a sua forma de escrever e a sua forma de se expor me faz entender que é uma pessoa corajosa e muito interessante.
Ao ler sua matéria ´Quando chegar o meu dia´ li com especial interesse pois igualmente a você, independentemente da política, admiro muito a força, o bom humor, a alegria de viver, a fé e a coragem deste homem chamado José Alencar (vice-presidente). E torço muito pela sua recuperação.
Para mim pessoalmente ´câncer´ foi uma doença que sempre temi pois perdi muitas pessoas queridas que foram acometidas por este mal. Eu não conseguia se quer pronunciar tal palavra sem temer, até temia passar pelas calçadas do Hospital do Câncer.
Porém, feliz ou infelizmente, recentemente engrossei a estatística dos que receberam o diagnóstico de câncer em São Paulo. (Digo feliz ou infelizmente pois este fato, embora triste, me acordou também para a vida.)
Evidentemente me chocou, me desesperou, saí do equilíbrio, não conseguia acreditar que, me sentindo tão bem e tão jovem, poderia ter dentro de mim este mal.
Mas em nenhum momento me revoltei, aceitei como algo que vem para me acordar, me fazer refletir, cuidar do meu corpo, me dar mais uma chance.
O meu médico me encaminhou para o Hospital A.C.Camargo (Hospital do Câncer-São Paulo) e aí vem uma única coisa que hoje não concordo com você quando você diz que teme os médicos como o diabo a cruz.
Encontrei neste hospital, ao qual eu tanto temia, um lugar supercaloroso e um médico (filho desta terra, Goiânia), um jovem carismático, generoso, muito dedicado e, antes de tudo, muito humano, o Dr. Glauco Baiocchi Neto. Após fazer exames pré-operatórios ao constatar que o meu problema poderia ter bons prognósticos o que vi no seu olhar foi uma grande alegria tanto quanto a minha própria. Ele me colocou a par de tudo, me explicou com muita clareza sobre a doença e me fez sentir forte, consciente e acolhida. Apesar de ter sido uma grande cirurgia, foi um sucesso. Me recuperei muito bem e rapidamente.
Toda a equipe de fisioterapeutas, enfermeiros e assistentes também foi de um carinho e amor à profissão admiráveis e respeitáveis.
Hoje, após 100 dias da cirurgia, graças ao Dr. Glauco Baiocchi Neto e sua equipe (todos igualmente eficientes dedicados e calorosos), e a todos os enfermeiros, assistentes, fisioterapeutas, copeiras e faxineiras que sempre tinham uma palavra de carinho, estou muito bem e com esperança de continuar produzindo pela vida, agora munida de maior entusiasmo, influenciada pela força destas pessoas que lá conheci.
Portanto, Euler, não tema os médicos, eles são os nossos grandes amigos e heróis, que dedicam suas vidas em prol das nossas e muito obrigada pelas matérias sempre muito interessantes."
Sensacionalista e popularesco
Dois estudantes da Alfa me perguntam se o "Daqui" é sensacionalista ou popular.
Digo que é mais popularesco do que sensacionalista. Porque o jornal não prioriza a publicação de fotografias de pessoas com cabeças ou braços e pernas cortados e informações excessivas (misturando realidade e invenção). Mas, dias depois da conversa com os estudantes, o "Daqui", num tom tipicamente sensacionalista, publicou uma reportagem sobre o homem que, após broxar, espancou sua parceira. O texto tem uma conotação claramente sensacionalista.
Outra questão que impressiona é a má qualidade do jornal. Quase toda reportagem, mesmo as mais curtas, tem vários erros.
Pop é um jornal confiável
Estudantes de jornalismo me perguntam se o "Pop" é um jornal "sério" e "confiável". Digo que sim. Eles insistem: "Mas não seria excessivamente governista?"
Pode ter sido "muito" governista, mas não é mais. Há recaídas, mas percebe-se, nitidamente, que o jornal se esforça para ser mais autônomo. Comparado ao "Diário da Manhã", o "Pop" é mais do que independente. É pós-independente.
Acrescento, na conversa com os alunos, que o "Pop" pode ter defeitos, pode não ser incisivo e mesmo esquecer de insistir com algumas matérias (até nisto o jornal está mudando), mas é, sim, confiável. O jornal não publica informações falsas e as reportagens, no geral, são muito bem-feitas.
Outra questão relevante é que o "Pop" tem hoje mais identidade com a sociedade e menos com o governo. Antes, era a cárie da sociedade e o sorriso do governo. Se não deixou inteiramente de ser o sorriso do governo, o jornal já consegue notar algumas cáries nas ações dos governos (estadual, federal e municipais).
Em termos de independência, de certa independência, o "Pop" deu a volta por cima, e é impressionante que os concorrentes, "Hoje" e "DM", não tenham percebido o que está acontecendo. Mas a sociedade, com certeza, percebe que o "Pop" mudou, ou melhor, está mudando, pois o jornal ainda hesita. Sem medo de errar, digo que o empreendimento da família Câmara, se não recuar, está se aproximando da independência do jornal "O Globo". Este jornal pode até ser conservador, em termos de opinião, mas está publicando tudo, doa a quem doer. É um belo jornal conservador, como o "Estadão".
Foto trocada e Pio Vargas
O “Diário da Manhã” publicou um artigo do poeta e jornalista João Aquino com a fotografia de outra pessoa.
Aquino está pesquisando para escrever a biografia de Pio Vargas, poeta que morreu, em 1991, aos 26 anos. O jornalista pretende organizar toda a poesia de Pio, o que fornecerá as bases para que algum estudioso examine sua poesia de modo mais disciplinado, amplo e menos emocional.
Stalinista húngaro recrutou assassino de Trotski
A maioria dos livros de história relata que o espanhol Ramón del Rio Mercader foi recrutado pelo general russo Leonid Eitingon, amante de Caridad Mercader, mãe do ex-tenente dos republicanos na Guerra Civil Espanhola, para matar Liev Trotski, em agosto de 1940, no México. Sabe-se que o articulador do assassinato foi Lavrenti Béria, o chefão da polícia secreta. O historiador Dmitri Volkogonov relata, na biografia “Stálin — Triunfo e Tragédia (1939-1953)”, que, Trotski morto, Béria foi promovido a comissário geral de Segurança do Estado. Em “Stálin — O Czar Vermelho”, Simon Sebag Montefiore diz que Mercader era “agente de Béria”. Montefiore acrescenta: “O arquiinimigo [Trotski] pode ter minado a política externa de Stálin, mas sua morte realmente encerra o capítulo do Grande Terror. Stálin estava vingado”.
No esplêndido “Doze Dias: A Revolução de 1956 — O Levante Húngaro Contra os Soviéticos” (Objetiva, tradução de Saulo Adriano, 423 páginas), o jornalista Victor Sebestyen acrescenta informações à extensa bibliografia sobre a morte de Trotski. O czar econômico da Hungria stalinista, Ernö Gerö, participou da conspiração para matar o intelectual russo. Note-se que dois grandes historiadores e biógrafos de Stálin, Dmitri Volkogonov e Simon Montefiore, nada dizem a respeito do envolvimento de Gerö.
Relata Sebestyen: “Ele [Ernö Gerö] ingressou na KGB e, durante os anos 1930, foi agente da Internacional Comunista. Era um segredo revelado nos círculos de exilados em Moscou que fora Gerö quem fizera o papel de sargento recrutador de Ramón Mercader, o assassino de Trotski, para a causa stalinista. Gerö conquistou a reputação de impiedoso durante a Guerra Civil Espanhola. Ele era o chefe da KGB na Catalunha, sob o codinome Pedro, com a tarefa de reforçar a ortodoxia comunista entre os republicanos e de liquidar os rivais de esquerda e os anarquistas. Ele desempenhou seu trabalho meticulosamente e se tornou conhecido como ‘o açougueiro de Barcelona’”. Numa nota de rodapé, Sebestyen acrescenta: “Não existem provas concretas, mas é quase certo que ele tenha encorajado e auxiliado no assassinato de Andrés Nin, presidente da República Catalã, em 1937”. (Sebestyen prefere usar KGB, e explica que é para facilitar o entendimento, mas, na época, a polícia secreta soviética era chamada de NKVD.) Gerö é citado no livro “A Batalha Pela Espanha: A Guerra Civil Espanhola — 1936-1939” (Editora ?Record, 714 páginas), de Antony Beevor. “Nin foi morto por agentes de [Aleksander] Orlov” (chefão da NKVD na Espanha “russificada”). A informação de Sebestyen prova (melhor, confirma) que a conspiração stalinista para matar Trotski foi multinacional, embora, é claro, sob comando da União Soviética.
Um dos capítulos mais interessantes do livro de Sebestyen é o dezesseis. Revela o momento exato em que o presidente americano, Dwight D. Eisenhower decidiu abandonar os dissidentes do Leste Europeu ao deus-dará. Eisenhower gostava de citar um documento do Comitê de Segurança Nacional: “‘A separação de qualquer um dos grandes satélites europeus [como a Hungria] do bloco soviético não parece viável no momento, exceto se feita com a aquiescência soviética ou pela guerra’. (...) O vice-presidente Richard Nixon foi ainda mais incisivo, ao sugerir que uma insurreição malsucedida em algum ponto do bloco oriental, sufocada pelos russos, ajudaria a América em termos de relações públicas: ‘Não seria de todo um mal, do ponto de vista dos interesses norte-americanos, se a mão de ferro soviética se voltasse com força novamente contra o próprio bloco soviético’”.
Ressalve-se que o governo americano recebia informações imprecisas e mesmo incorretas sobre a situação real da resistência húngara. “As informações dos serviços de inteligência norte-americanos e ocidentais sobre a Hungria eram de uma pobreza lamentável”, conta Sebestyen. “Nem os espiões nem os diplomatas norte-americanos enviaram a Washington relatos precisos da pressão que se avolumava na Hungria. Quando os jornalistas que estavam no país previram uma mudança iminente, as agências de inteligência os tacharam de sensacionalistas. (...) Os ingleses não estavam muito mais bem informados”.
Um apoio decisivo dos Estados Unidos ao governo de Imge Nagy teria fortalecido o socialismo com face humana e evitado a carnificina comandada pelos soviéticos? Possivelmente, mesmo sob Nikita Kruschev, não. Uma posição mais firme poderia ter evitado, pelo menos, medidas tão duras. Por fim, socialismo de face humana é uma fantasia intelectual. Se tem face humana, deixou de ser socialismo e caminhou para a democracia, que não é possível no regime socialista.
A poesia adolescente de Ney Teles de Paula nasceu adulta
Eu não sabia. O leitor certamente não sabia. Mas o escritor goiano Ney Teles de Paula, de 59 anos, é um poeta de méritos. O mais surpreendente: seus poemas, reunidos no livro “Memorial do Efêmero” (Editora Kelps, 77 páginas), foram escritos quando tinha entre 13 e 18 anos. Quando se fala em literatura, idade não tem tanta importância, pois Büchner, Rimbaud e Radiguet foram autores precoces e marcantes.
Entretanto, apesar da pouca idade, a poesia de Ney Teles tem consistência, fôlego, força interior e é filha, não sei se inconsciente (na verdade, deve ter sido um leitor precoce), da poesia modernista (não há cacos românticos e parnasianos). Há digressão e dispersão? Há, às vezes, mas predomina a contenção.
Os poemas são de um adolescente e os temas, à primeira vista, parecem pertinentes apenas à idade. Mas há uma geografia da vida íntima, uma percepção de lugares (mesmo que seja um quintal, que, apesar da cerca, do muro, contém, de certo modo, o universo em miniatura), que revela a aguda percepção do poeta na arte de usar palavras e escarafunchar o mundo e dotá-lo de certo sentido. Ainda que o mundo seja o íntimo (o de “fora” para “dentro”). A poesia adolescente de Ney Teles nasceu, felizmente, adulta, mas explorando, com sensibilidade e rara felicidade, o universo da vida de menino (lembra a percepção, não apenas vagamente, do belíssimo livro “Minha Vida de Menina”, de Helena Morley). A poesia retrata um mundo de silêncios, de introversão, que só se torna barulhento, digamos, quando levado para o papel. Aí, pode-se dizer, a poesia de Ney Teles grita e certamente está refletindo sua vida (perdeu a mãe quando tinha 4 anos). O que não deixa de ser estranho (mas muito interessante), e aí o menino deixa o poeta fazer a mediação, é que a poesia não é lacrimosa, derramada. Isto a faz sobreviver. Arte às vezes é redenção. Medicamento da alma.
Transcrevo o belo (mais do que singelo) “A busca”: “Tateando no escuro das origens/O menino queria abarcar o mundo/Com seus braços pequenos e magros./As mãos espalmavam a angústia/E os braços distendiam a esperança.//Seguia pelas ruas olhando a vida,/Contemplar sempre foi a sua sina./O pensamento voejava pelas estrelas/Enquanto os pés resvalavam no barro.//Aprender a conversar em silêncio/Com as palavras e os pássaros,/Passou a decifrar o murmúrio das águas,/E a mensagem, ora dolente, ora tempestuosa,/Dos ventos, prenunciando as chuvas.” Recomendo a leitura de “O domínio do silêncio”, “Muros”, “Visão do mundo”, “O silêncio das coisas”, “Magia do Som”, “A condição humana” e “As vidas se sucedem”.
Tenho percebido que, via literatura, Ney Teles está resgatando a sua história, no estilo proustiano. No final, a história, no sentido da prosa do francês, passa a ser a história de todos nós, sem perder a graça da individualidade.
Dunga deve
convocar Messi
No seu blog (www.jorgetaleb.com.br), o jornalista Jorge Taleb precisa de apenas seis palavras e 30 caracteres — “Pelo amor de Deus: Luxemburgo, não!” — para dizer uma verdade. Valeu um artigo de 1000 palavras.
Diante da perspectiva da volta do técnico-marqueteiro Luxemburgo, o zero a zero entre o Brasil e a Colômbia até que não foi um mau resultado. A seleção é fraca, Robinho e Kaká não estão jogando bem — Robinho (o novo Dagoberto não sai do chão e reclama demais) é ótimo apenas nas partidas contra timecos como a Venezuela — e o técnico Dunga não tem como convocar outros jogadores. Quais são melhores do que os que foram convocados? Talvez Cleber, do Santos, seja a única alternativa para o ataque. Talvez Dunga deva criar um pouco de coragem e insistir com Alexandre Pato. Resta torcer para a legislação esportiva mudar e, então, pedir emprestado Messi e Riquelme à seleção argentina, que, por sinal, perdeu para o Chile, que perdeu para o Brasil.
Não se pense que o blog de Taleb é sobre futebol, apesar de seu comentário certeiro. Taleb escreve sobre política.
Eu e Taleb temos um ponto em comum: achamos o "Estadão" superior à "Folha de S. Paulo". Prefiro o "Estadão" aos domingos, quando é mais denso, e Taleb gosta do jornal todos os dias.
Empulhações francesas
A “CartaCapital” publica duas páginas para discutir o livro “Ennemis Publics”, no qual o escritor Michel Houellebecq e o filósofo Bernard-Henry Lévy trocam farpas, meio aparadas. O único consolo é que, quando trocam insultos, reduzindo sua importância como intelectuais e escritores, os dois estão certos.
Site mostra controle político
dos meios de comunicação
Quem quiser saber quem controla rádios e televisões no país pode consultar o site Donos da Mídia (www.donosdamídia.com.br). O site relaciona os nomes dos veículos e dos empresários e mapeia o poderio dos políticos. O leitor atento vai perceber que há alguns erros, como dizer que Iris Rezende é sócio da TV Anhanguera (o prefeito de Goiânia já esclareceu que doou suas poucas ações). O Partido Liberal deu lugar ao Partido da República, mas o site não atualizou. Outro problema, e a culpa não é do site, é que muitos políticos, e não apenas goianos, são donos de rádios, sobretudo, mas não aparecem como donos, pois usam “laranjas”. São “punidos”, com a exposição pública, os políticos que decidiram assumir os negócios.
Na lista dos dez políticos que mais têm mais veículos de comunicação estão: Antônio Carlos Martins de Bulhões (PMDB-SP), com sete; Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG. É dono da TV Goiânia), com 5; José Antônio Bruno (DEM-SP), com 5; Roberto Coelho Rocha (PSDB-MA), com 5; José Carlos de Souza (PMDB-SE), com 5; Francisco Pereira Lima (PL-MA), com 5; Elcione Therezinha Zahluth Barbalho (PMDB-PA; leia-se Jader Barbalho), com 5; Inocêncio Gomes de Oliveira (PL-PE), com 4; José Agripino Maia (DEM-RN), com 4; e Antônio Alves da Silva (PRP-SP), com 4.
No Brasil, revela o site, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. 58 políticos do DEM são donos de veículos, seguidos de políticos do PMDB (48) e do PSDB (43).
A respeito dos proprietários de veículos de comunicação em Goiás a lista é pobre e, como disse, ignora possíveis laranjas (não cito nomes porque não tenho provas objetivas, mas quem lida na área sabe quais são os laranjas). Três deputados aparecem na lista: Álvaro Guimarães (Rádio Difusora de Itumbiara Ltda.), do PL (na verdade, PR), Luiz Carlos do Carmo (Associação Cultural Comunitária Simonense, São Simão-SP. Está errado. São Simão, no caso, fica em Goiás), do PMDB, e Paulo Cezar Martins (Rádio Cidade FM Sul do Estado, em Cachoeira de Itapemirim, SP. Outro erro, possivelmente). Oito prefeitos possuem veículos de comunicação.
Entre as curiosidades aparecem os empresários Lourival Louza e Ovídio Inácio Carneiro como sócios da TV Anhanguera. Vicentina Carvello Varanda e Maria Carvello Montans são sócias da Rádio Anhanguera, da Rádio CBN Anhanguera e da TV Anhanguera. Entre os sócios da TV Pirapitinga, de Catalão, figuram Cristiano Roriz Câmara, filho de Júnior Câmara, e Guliver Augusto Leão. Jaime Câmara Júnior, o Júnior Câmara, tem 15 veículos. Na TV Anhanguera são seus sócios, entre outros: Marcos Tadeu Câmara, Fernando Câmara, Tasso Câmara, Maria José Câmara, Vicentina Carvello, Fabiano Tito Lívio Câmara, Maira Carvello Montans, Maria Célia Câmara, Inody Martins Paixão, Carlos Dairell, José Campos Meirelles, Vicente Carvello Montans, Ovídio Inácio Carneiro, Luiz Alberto di Lourenzzo. A lista inclui pessoas que morreram.
O grupo que dirige a TV Serra Dourada e mais seis veículos tem apenas dois sócios: Cirillo Marcos Alves e João Alves de Queiroz Filho (quem realmente manda. Cirillo é uma espécie de empregado de luxo de João Alves, o Júnior)
Debates mostram safra ruim na política norte-americana
Tem hora que mais do mesmo, a mesmice, é mais útil do que o imprevisível. Barack Obama tem boas intenções, mas um estadista de verdade, sobretudo quando governa um império como Roma ou Estados Unidos, não faz apenas o que quer ou imagina poder fazer. Faz o possível, mesmo tentando fazer o impossível (meta de todo estadista). No final, pode ser mais duro do que Bush no poder? Pode, porque terá de matar um leão por dia para ser considerado confiável ou, se eleito, poderia até mesmo renunciar, ao conhecer, por dentro, a mecânica de um império. Há algum exagero no que se escreve aqui? Sem dúvida. O exagero é um recurso às vezes positivo para enfatizar uma idéia.
John McCain sabe como o Império funciona e saberá ajustar-se, impondo suas qualidades pessoais? Não sei. É provável que Obama não seja cínico o suficiente para gerir um império. Se for, engana bem, pois não parece. Quando diz que vai matar Bin Laden — não diz prender —, a voz de Obama não transmite ênfase. Parece a história do sujeito que espalha que vai matar uma pessoa com o objetivo, na verdade, de não encontrá-la pela frente. Como é fato que o império quer matar Osama, para dar uma satisfação ao público interno e mostrar força ao mundo, é possível que, eleito, Obama saia à caça do terrorista. Deveria pensar mais na crise mundial do que em Bin Laden.
Depois que vi os debates entre os candidatos norte-americanos, e admito que tenho simpatia por McCain, porque não é empulhador e está dizendo o que vai (ou quer) de fato fazer, o que pode e deve ser feito, só resta concluir que os Estados Unidos têm dois candidatos fracos a presidente. Embora discutissem assuntos sérios, a política interna dos Estados Unidos e o futuro do mundo, Obama e McCain pareciam mais dois garotos debatendo a mudança da sede do diretório central dos estudantes. Podem até conhecer bem as regras dos debates, orientados por marqueteiros altamente profissionais, mas parecem desconhecer, principalmente Obama (que tem se mostrado arrogante), como funciona o mundo real, como se a crise financeira e, também, econômica pudesse ser resolvida tão-somente pela vontade dos americanos.
Quem esperou os debates para se decidir deve ter ficado ainda mais indeciso.
Tacilda Aquino
Por decisão da Justiça do Trabalho, o “Pop” recontratou a jornalista Tacilda Aquino. Mas, embora a profissional seja experiente e competente, os leitores não podem ler seus textos. Haveria alguma ordem superior proibindo-a de assinar as reportagens?
Os melhores consultores dizem que a mão-de-obra de uma empresa é parte decisiva de seu capital e por isso não deve ser humilhada.
Assessoria eficiente
A competente jornalista Mariana Rosati assumiu a assessoria de imprensa do prefeito eleito de Rio Verde, Juraci Martins.
Quem ganha com a escolha de Mariana Rosati são a Prefeitura de Rio Verde, o prefeito, a cidade e os jornalistas.
Mariana trabalhou na campanha democrata como assessora de imprensa.
Fernanda
de Bretanha
A competente jornalista Fernanda de Bretanha, apresentadora do DFTV, telejornal do meio-dia da TV Globo em Brasília, foi detida por dirigir embriagada. Pagou fiança de mil reais e foi liberada.
Dornelles na
TV Record
Quando diz que vai superar a Rede Globo de Televisão, a cúpula da Rede Record não está brincando. Na semana passada, a Record contratou dois jornalistas que brilharam na concorrente, Carlos Dornelles (ao lado de Caco Barcellos, um ícone da vênus platinada) e Luiz Carlos Azenha..
Azenha, que já estava fora da Globo, editava um blog, no qual expunha sua faceta esquerdista (é adepto da teoria da conspiração). Dornelles é um dos maiores repórteres da televisão brasileira e escreve muito bem.
TV Record
entrevista a rainha
da Jordânia
A Jordânia (89.342 quilômetros quadrados) é menor do que Goiás (340.086 quilômetros quadrados) e tem uma população (6 milhões) equivalente (a de Goiás chega a 5,6 milhões). Mas, enquanto o Brasil investe de 4 a 5 por cento do PIB em educação, a Jordânia investe mais de 7 por cento. O resultado é que suas universidades estão entre as mais respeitadas do Oriente Médio. O correspondente da TV Record em Israel, Herbert Moraes, esteve duas vezes no país este ano. Na primeira visita, fez uma radiografia completa de sua cultura e de sua economia. Na segunda entrevistou a rainha Rania Yassin, mulher do rei Abdullah Ibn al-Hussein.
Rania é palestina (os árabes palestinos são a maioria da população, os árabes jordanianos vêm em segundo lugar) e estudou em Oxford. É uma intelectual e é considerada uma das mulheres mais belas e simpáticas do Oriente. Já foi chamada de a Diane do Oriente. Mas, para os árabes, é mais bonita e, ao mesmo tempo, mais preparada intelectualmente. A entrevista de Rania a Herbert de Moraes será levada ao ar no “Jornal da Record” e no programa “Âncora Record”, na segunda-feira, 20. Faz parte de uma série que será exibida pela Record com o objetivo de mostrar o Oriente de modo mais amplo. Aos olhos desavisados o Oriente Médio só tem guerra. As reportagens de Herbert Moraes têm contribuído para reduzir o mito, pois mostram os povos trabalhando e se divertindo. Para além da guerra, há vida, prazeres, cultura, produção econômica. O casal real chega ao Brasil na quinta-feira, 23.
Alfredo Nasser não tinha filho
Um dos mais importantes líderes políticos de Goiás, militante do PSP de Adhemar Barros e aliado de udenistas históricos, o jornalista Alfredo Nasser não teve filhos. Ele criou a jornalista Consuelo Nasser como filha, mas era seu tio. No entanto, segundo o “Diário da Manhã”, em reportagem não assinada (segunda-feira, 13), Alfredo Nasser era pai do advogado, escritor e ex-deputado Issy Quinan. Na verdade, ao contrário do que diz a matéria, Issy era filho de José Issy Quinan e Maria Elias Issy (segundo um quadro publicado pelo mesmo jornal).
O erro se torna mais grave devido as ligações afetivas entre o proprietário do “DM”, jornalista Batista Custódio, e Alfredo Nasser. Eles foram amigos e pode-se dizer que Batista é seu mais conhecido discípulo no jornalismo.
Erros do Jornal Opção
Na reportagem “Americano mudou com a crise”, a editora assistente Andréia Bahia escreveu “estados” Unidos e “exercito” (exército).
Outro erro foi apontado por Carlos Wilson, o ombudsman assistente: “O Jornal Opção tem o hábito, principalmente nas reportagens de Andréia Bahia, de cometer um erro elementar. Confira: ‘José Mário Schreiner, presidente Faeg’. Como se sabe fora do Jornal Opção, o certo é ‘presidente da Faeg’. Outro vacilo: ‘Melchior Luiz Duarte, presidente CDL’. O correto é ‘presidente da CDL’”.
Carlos Wilson tem razão. O erro é freqüente, embora fácil de corrigir.
Na coluna Imprensa, Carlos Wilson detectou erro num título: “Livro revela que ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional foi agente de KGB”. O “de” deve ser trocado por “da”.
Aliás, o K de KGB significa comitê, portanto, seria “o” KGB, mas é praticamente impossível lutar contra o “da”. O “da” tem uma explicação: KGB é a política secreta (política) da Rússia. Hoje seu nome é FSB.
Exagero patropi
Rosane Pavam, da "CartaCapital", escreveu texto sobre a atriz e diretora Liv Ullmann e, no final, ficamos com a impressão de que tem o mesmo peso cultural de Ingmar Bergman. Não tem, óbvio. Não chega a ter 12,2 por cento do talento de Bergman. Não entendo como esse sueco culto, complexo, conseguiu se envolver com a superficialidade do cinema. Talvez tenha percebido que, por meio do cinema, é possível dizer alguma coisa à geração de cabeças duras que o mundo do consumo “plantou” na Terra.
Liv Ullmann pode ser acima da média, se comparada com um atriz descerebrada como Angelina Jolie. Mas não passa disso. Aliás, um diretor, não sei qual, disse que atores com cérebro costumam atrapalhar o trabalho dos cineastas. Brad Pitt parece uma ameba loira.
Maria Bonita e Lampião
A peça “Virgulino e Maria — Auto do Angicos” não é uma obra-prima, por certo. Mas é divertida e inteligente. Há um quê de engajamento meio brechtiano na tal história de que não se deve ficar parado. Um recurso meio ingênuo, pois as platéias não estão mais interessadas neste tipo de discurso e Lampião e Maria Bonita não eram — ainda que possam ser tidos como rebeldes— revolucionários. Eram bandidos. Bandidos sociais, diria o marxista inglês Eric Hobsbawm, que, num livrinho clássico, encantou-se pelo cangaceiro brasileiro. Simpáticos, vá lá, vistos de longe. Felizmente, há escassos momentos pedagógicos na peça e predomina o humor.
Marcos Palmeira (Lampião) e Adriane Esteves (Maria Bonita) estão bem, embora, para ser um pouco severo, não tenham vozes típicas dos atores de teatro, talvez acostumados com as artes da televisão. Mas isto, a rigor, não atrapalha nada.
O que a peça “Virgulino e Maria” tem de mais instigante é a forma como o autor do texto, Marcos Barbosa, apresenta Maria Bonita como uma espécie de consciência (ou instância) crítica de Lampião. Ninguém tem coragem de apontar os defeitos de Lampião, nem os físicos nem os de caráter. Maria Bonita aponta seus defeitos, como as pernas finas, a cegueira de um olho, as indecisões e avaliações equivocadas (ou, quem sabe, realistas e cínicas), a violência extremada (coisa de possuídos por Satã, no dizer de Maria Bonita) e sua vaidade (adorava posar para fotografias). Depois, com a explosão do marido, irado com as verdades nuas e cruas, arrepende-se, porque o ama. Mas não deixa de dizer aquilo que Lampião precisa mas não quer ouvir, ou seja, que seu tempo estava passando e que deviam construir vida nova noutro lugar. Mas talvez Lampião estivesse certo: não havia como sair — o cangaço se tornara parte íntima de seu ser. E, assim, era preciso morrer com o cangaço.
Em julho de 1938, os macacos, os policiais, mataram Maria Bonita e Lampião e cortaram suas cabeças, que, durante certo tempo, ficaram expostas à visitação. Sobre os matadores de Lampião e Maria Bonita há um livro muito bom: “Os Homens Que Mataram o Facínora — A História dos Grandes Inimigos de Lampião” (Record, 266 páginas), do jornalista Moacir Assunção.
O divórcio de Madonna
Durante a semana, fui três vezes à banca de revistas do shopping Bougainville, que fica perto do Jornal Opção. Enquanto folheava algumas revistas e o “Correio Braziliense”, escutava as conversas de homens e mulheres. Estas falavam, quase sempre, do divórcio da cantora Madonna. “Não há como aguentar um homem por muito tempo sendo poderosa”, disse um bela loura balzaquiana. Sua companheira, uma morena bonita, concordou: “Ela tem poder e faz o que quer”. Um homem, que procurava o “Lance!”, deu a resposta masculina clássica: “Madonna está condenada a viver sozinha, pois os homens não aguentam este tipo de mulher”.
O que os homens não suportam mesmo é que as mulheres, em geral, não dependem mais deles. Nós, homens, não somos mais tão essenciais e, por isso, podemos ser descartados. O que irrita os homens é que eles, e não elas, faziam isso. Agora, para a ira deles, o disco virou.
Jornal do Brasil boicota Goiás
Pergunto a vários donos de bancas de revistas por que o “Jornal do Brasil” não circula em Goiânia. Todos dizem a mesma coisa: como há procura, principalmente aos sábados, por conta do suplemento “Idéias”, eles têm interesse em distribuir o “JB”. Mas a cúpula não tem interesse em circular o jornal no Cerrado, exceto em Brasília.
O “JB” tem um caderno sobre Brasília que certamente interessa aos goianos, sobretudo o que moram no Entorno do DF. Infelizmente, o “JB” não gosta dos goianos.
Cadê o Procon
Enquanto nos países desenvolvidos os jornais ficam mais baratos, alguns se tornaram gratuitos, “O Globo” custa 9 reais aos domingos. Pelo menos em Goiânia.