Goiânia, 09 de setembro de 2010 (17:05)
De: 19 a 25/10/08

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  Imprensa

Euler de França Belém
ffeubel@uol.com.br

Machado de Assis "é" pai de Mário de Alancar

Transcrevo parte da entrevista do escritor e crítico literário Gustavo Bernardo ao "Jornal do Brasil", na qual sugere que o escritor Machado de Assis pode ter sido pai de Mário de Alencar, filho de José Alencar. É raro, muito raro, um acadêmico de sua importância aceitar a informação.

Jornal do Brasil — Por que o senhor escolheu o boato sobre o filho bastardo de Machado de Assis como ponto de partida para o romance?

Gustavo Bernardo —­ À medida que estudo o tema, mais me convenço de que não é um mero boato. Só há uma foto de Mário de Alencar [o filho em questão]. E, nela, fica claro que ele tem o nariz do Machado, adunco, e não o do José de Alencar. A cor da pele, infelizmente, não dá para ver. Mas Mário tinha epilepsia, como Machado, e nem José ou sua mulher eram epiléticos. De qualquer forma, esse boato é interessante porque tira Machado do pedestal, joga-o em uma situação bem humana, sobretudo considerando que ele foi muito amigo de José de Alencar. Foi talvez uma das poucas pessoas do século 19 com quem Alencar não brigou. E talvez aquela com quem tivesse mais motivos para brigar.

Gustavo Bernardo é autor do romance "A Filha do Escritor".

Blog de Lisandro Nogueira

O professor Lisandro Nogueira entrou definitivamente para o mundo dos blogs (www.lisandronogueira.blogspot.com). Sua intenção inicial era usá-lo para se comunicar com seus alunos (é professor de cinema na Universidade Federal de Goiás). Mas o blog cresceu e contém informações e discussões interessantes. Lisandro discutiu, recentemente, com Jorge Coli, professor universitário e colunista da "Folha de S. Paulo", sobre cinema de arte e cinema cult. Pode parecer uma discussão bizantina, mas é instrutiva.

Dedicação médica e vitória contra o câncer

Recebo um interessantíssimo comentário da ilustradora Naomy Kuroda:

"Tenho lido com muito gosto a sua coluna do Jornal Opção pois a sua forma de escrever e a sua forma de se expor me faz entender que é uma pessoa corajosa e muito interessante.

Ao ler sua matéria ´Quando chegar o meu dia´ li com especial interesse pois igualmente a você, independentemente da política, admiro muito a força, o bom humor, a alegria de viver, a fé e a coragem deste homem chamado José Alencar (vice-presidente). E torço muito pela sua recuperação.

Para mim pessoalmente ´câncer´ foi uma doença que sempre temi pois perdi muitas pessoas queridas que foram acometidas por este mal. Eu não conseguia se quer pronunciar tal palavra sem temer, até temia passar pelas calçadas do Hospital do Câncer.

Porém, feliz ou infelizmente, recentemente engrossei a estatística dos que receberam o diagnóstico de câncer em São Paulo. (Digo feliz ou infelizmente pois este fato, embora triste, me acordou também para a vida.)

Evidentemente me chocou, me desesperou, saí do equilíbrio, não conseguia acreditar que, me sentindo tão bem e tão jovem, poderia ter dentro de mim este mal.

Mas em nenhum momento me revoltei, aceitei como algo que vem para me acordar, me fazer refletir, cuidar do meu corpo, me dar mais uma chance.

O meu médico me encaminhou para o Hospital A.C.Camargo (Hospital do Câncer-São Paulo) e aí vem uma única coisa que hoje não concordo com você quando você diz que teme os médicos como o diabo a cruz.

Encontrei neste hospital, ao qual eu tanto temia, um lugar supercaloroso e um médico (filho desta terra, Goiânia), um jovem carismático, generoso, muito dedicado e, antes de tudo, muito humano, o Dr. Glauco Baiocchi Neto. Após fazer exames pré-operatórios ao constatar que o meu problema poderia ter bons prognósticos o que vi no seu olhar foi uma grande alegria tanto quanto a minha própria. Ele me colocou a par de tudo, me explicou com muita clareza sobre a doença e me fez sentir forte, consciente e acolhida. Apesar de ter sido uma grande cirurgia, foi um sucesso. Me recuperei muito bem e rapidamente.

Toda a equipe de fisioterapeutas, enfermeiros e assistentes também foi de um carinho e amor à profissão admiráveis e respeitáveis.

Hoje, após 100 dias da cirurgia, graças ao Dr. Glauco Baiocchi Neto e sua equipe (todos igualmente eficientes dedicados e calorosos), e a todos os enfermeiros, assistentes, fisioterapeutas, copeiras e faxineiras que sempre tinham uma palavra de carinho, estou muito bem e com esperança de continuar produzindo pela vida, agora munida de maior entusiasmo, influenciada pela força destas pessoas que lá conheci.

Portanto, Euler, não tema os médicos, eles são os nossos grandes amigos e heróis, que dedicam suas vidas em prol das nossas e muito obrigada pelas matérias sempre muito interessantes."

Sensacionalista e popularesco

Dois estudantes da Alfa me perguntam se o "Daqui" é sensacionalista ou popular.

Digo que é mais popularesco do que sensacionalista. Porque o jornal não prioriza a publicação de fotografias de pessoas com cabeças ou braços e pernas cortados e informações excessivas (misturando realidade e invenção). Mas, dias depois da conversa com os estudantes, o "Daqui", num tom tipicamente sensacionalista, publicou uma reportagem sobre o homem que, após broxar, espancou sua parceira. O texto tem uma conotação claramente sensacionalista.

Outra questão que impressiona é a má qualidade do jornal. Quase toda reportagem, mesmo as mais curtas, tem vários erros.

Pop é um jornal confiável

Estudantes de jornalismo me perguntam se o "Pop" é um jornal "sério" e "confiável". Digo que sim. Eles insistem: "Mas não seria excessivamente governista?"

Pode ter sido "muito" governista, mas não é mais. Há recaídas, mas percebe-se, nitidamente, que o jornal se esforça para ser mais autônomo. Comparado ao "Diário da Manhã", o "Pop" é mais do que independente. É pós-independente.

Acrescento, na conversa com os alunos, que o "Pop" pode ter defeitos, pode não ser incisivo e mesmo esquecer de insistir com algumas matérias (até nisto o jornal está mudando), mas é, sim, confiável. O jornal não publica informações falsas e as reportagens, no geral, são muito bem-feitas.

Outra questão relevante é que o "Pop" tem hoje mais identidade com a sociedade e menos com o governo. Antes, era a cárie da sociedade e o sorriso do governo. Se não deixou inteiramente de ser o sorriso do governo, o jornal já consegue notar algumas cáries nas ações dos governos (estadual, federal e municipais).

Em termos de independência, de certa independência, o "Pop" deu a volta por cima, e é impressionante que os concorrentes, "Hoje" e "DM", não tenham percebido o que está acontecendo. Mas a sociedade, com certeza, percebe que o "Pop" mudou, ou melhor, está mudando, pois o jornal ainda hesita. Sem medo de errar, digo que o empreendimento da família Câmara, se não recuar, está se aproximando da independência do jornal "O Globo". Este jornal pode até ser conservador, em termos de opinião, mas está publicando tudo, doa a quem doer. É um belo jornal conservador, como o "Estadão".

Fo­to tro­ca­da e Pio Var­gas

O “Di­á­rio da Ma­nhã” pu­bli­cou um ar­ti­go do po­e­ta e jor­na­lis­ta Jo­ão Aqui­no com a fo­to­gra­fia de ou­tra pes­soa.

Aqui­no es­tá pes­qui­san­do pa­ra es­cre­ver a bi­o­gra­fia de Pio Var­gas, po­e­ta que mor­reu, em 1991, aos 26 anos. O jor­na­lis­ta pre­ten­de or­ga­ni­zar to­da a po­e­sia de Pio, o que for­ne­ce­rá as ba­ses pa­ra que al­gum es­tu­di­o­so exa­mi­ne sua po­e­sia de mo­do mais dis­ci­pli­na­do, am­plo e me­nos emo­cio­nal.

Sta­li­nis­ta hún­ga­ro re­cru­tou as­sas­si­no de Trotski

A mai­o­ria dos li­vros de his­tó­ria re­la­ta que o es­pa­nhol Ra­món del Rio Mer­ca­der foi re­cru­ta­do pe­lo ge­ne­ral rus­so Le­o­nid Ei­tin­gon, aman­te de Ca­ri­dad Mer­ca­der, mãe do ex-te­nen­te dos re­pu­bli­ca­nos na Guer­ra Ci­vil Es­pa­nho­la, pa­ra ma­tar Li­ev Trotski, em agos­to de 1940, no Mé­xi­co. Sa­be-se que o ar­ti­cu­la­dor do as­sas­si­na­to foi La­vren­ti Bé­ria, o che­fão da po­lí­cia se­cre­ta. O his­to­ri­a­dor Dmi­tri Volko­go­nov re­la­ta, na bi­o­gra­fia “Stá­lin — Tri­un­fo e Tra­gé­dia (1939-1953)”, que, Trotski mor­to, Bé­ria foi pro­mo­vi­do a co­mis­sá­rio ge­ral de Se­gu­ran­ça do Es­ta­do. Em “Stá­lin — O Czar Ver­me­lho”, Si­mon Se­bag Mon­te­fio­re diz que Mer­ca­der era “agen­te de Bé­ria”. Mon­te­fio­re acres­cen­ta: “O ar­qui­i­ni­mi­go [Trotski] po­de ter mi­na­do a po­lí­ti­ca ex­ter­na de Stá­lin, mas sua mor­te re­al­men­te en­cer­ra o ca­pí­tu­lo do Gran­de Ter­ror. Stá­lin es­ta­va vin­ga­do”.

No es­plên­di­do “Do­ze Di­as: A Re­vo­lu­ção de 1956 — O Le­van­te Hún­ga­ro Con­tra os So­vi­é­ti­cos” (Ob­je­ti­va, tra­du­ção de Sa­u­lo Adri­a­no, 423 pá­gi­nas), o jor­na­lis­ta Vic­tor Se­bestyen acres­cen­ta in­for­ma­ções à ex­ten­sa bi­bli­o­gra­fia so­bre a mor­te de Trotski. O czar eco­nô­mi­co da Hun­gria sta­li­nis­ta, Er­nö Ge­rö, par­ti­ci­pou da cons­pi­ra­ção pa­ra ma­tar o in­te­lec­tu­al rus­so. No­te-se que dois gran­des his­to­ri­a­do­res e bi­ó­gra­fos de Stá­lin, Dmi­tri Volko­go­nov e Si­mon Mon­te­fio­re, na­da di­zem a res­pei­to do en­vol­vi­men­to de Gerö.

Re­la­ta Se­bestyen: “Ele [Er­nö Ge­rö] in­gres­sou na KGB e, du­ran­te os anos 1930, foi agen­te da In­ter­na­ci­o­nal Co­mu­nis­ta. Era um se­gre­do re­ve­la­do nos cír­cu­los de exi­la­dos em Mos­cou que fo­ra Ge­rö quem fi­ze­ra o pa­pel de sar­gen­to re­cru­ta­dor de Ra­món Mer­ca­der, o as­sas­si­no de Trotski, pa­ra a cau­sa sta­li­nis­ta. Ge­rö con­quis­tou a re­pu­ta­ção de im­pi­e­do­so du­ran­te a Guer­ra Ci­vil Es­pa­nho­la. Ele era o che­fe da KGB na Ca­ta­lu­nha, sob o co­di­no­me Pe­dro, com a ta­re­fa de re­for­çar a or­to­do­xia co­mu­nis­ta en­tre os re­pu­bli­ca­nos e de li­qui­dar os ri­vais de es­quer­da e os anar­quis­tas. Ele de­sem­pe­nhou seu tra­ba­lho me­ti­cu­lo­sa­men­te e se tor­nou co­nhe­ci­do co­mo ‘o açou­guei­ro de Bar­ce­lo­na’”. Nu­ma no­ta de ro­da­pé, Se­bestyen acres­cen­ta: “Não exis­tem pro­vas con­cre­tas, mas é qua­se cer­to que ele te­nha en­co­ra­ja­do e au­xi­li­a­do no as­sas­si­na­to de An­drés Nin, pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca Ca­ta­lã, em 1937”. (Se­bestyen pre­fe­re usar KGB, e ex­pli­ca que é pa­ra fa­ci­li­tar o en­ten­di­men­to, mas, na épo­ca, a po­lí­cia se­cre­ta so­vi­é­ti­ca era cha­ma­da de NKVD.) Ge­rö é ci­ta­do no li­vro “A Ba­ta­lha Pe­la Es­pa­nha: A Guer­ra Ci­vil Es­pa­nho­la — 1936-1939” (Editora ?Record, 714 páginas), de An­tony Be­e­vor. “Nin foi mor­to por agen­tes de [Aleksan­der] Or­lov” (chefão da NKVD na Espanha “russificada”). A in­for­ma­ção de Se­bestyen pro­va (me­lhor, con­fir­ma) que a cons­pi­ra­ção sta­li­nis­ta pa­ra ma­tar Trotski foi mul­ti­na­ci­o­nal, em­bo­ra, é cla­ro, sob co­man­do da Uni­ão So­vi­é­ti­ca.

Um dos ca­pí­tu­los mais in­te­res­san­tes do li­vro de Se­bestyen é o de­zes­seis. Re­ve­la o mo­men­to exa­to em que o pre­si­den­te ame­ri­ca­no, Dwight D. Ei­se­nhower de­ci­diu aban­do­nar os dis­si­den­tes do Les­te Eu­ro­peu ao deus-da­rá. Ei­se­nhower gostava de ci­tar um do­cu­men­to do Co­mi­tê de Se­gu­ran­ça Na­ci­o­nal: “‘A se­pa­ra­ção de qual­quer um dos gran­des sa­té­li­tes eu­ro­peus [co­mo a Hun­gria] do blo­co so­vi­é­ti­co não pa­re­ce vi­á­vel no mo­men­to, ex­ce­to se fei­ta com a aqui­es­cên­cia so­vi­é­ti­ca ou pe­la guer­ra’. (...) O vi­ce-pre­si­den­te Ri­chard Ni­xon foi ain­da mais in­ci­si­vo, ao su­ge­rir que uma in­sur­rei­ção mal­su­ce­di­da em al­gum pon­to do blo­co ori­en­tal, su­fo­ca­da pe­los rus­sos, aju­da­ria a Amé­ri­ca em ter­mos de re­la­ções pú­bli­cas: ‘Não se­ria de to­do um mal, do pon­to de vis­ta dos in­te­res­ses nor­te-ame­ri­ca­nos, se a mão de fer­ro so­vi­é­ti­ca se vol­tas­se com for­ça no­va­men­te con­tra o pró­prio blo­co so­vi­é­ti­co’”.

Ressalve-se que o go­ver­no ame­ri­ca­no re­ce­bia in­for­ma­ções im­pre­ci­sas e mes­mo in­cor­re­tas so­bre a si­tu­a­ção re­al da re­sis­tên­cia hún­ga­ra. “As in­for­ma­ções dos ser­vi­ços de in­te­li­gên­cia nor­te-ame­ri­ca­nos e oci­den­tais so­bre a Hun­gria eram de uma po­bre­za la­men­tá­vel”, con­ta Se­bestyen. “Nem os es­pi­ões nem os di­plo­ma­tas nor­te-ame­ri­ca­nos en­vi­a­ram a Was­hing­ton re­la­tos pre­ci­sos da pres­são que se avo­lu­ma­va na Hun­gria. Quan­do os jor­na­lis­tas que es­ta­vam no pa­ís pre­vi­ram uma mu­dan­ça imi­nen­te, as agên­cias de in­te­li­gên­cia os ta­cha­ram de sen­sa­ci­o­na­lis­tas. (...) Os in­gles­es não es­ta­vam mui­to mais bem in­for­ma­dos”.

Um apoio de­ci­si­vo dos Es­ta­dos Uni­dos ao go­ver­no de Im­ge Nagy te­ria for­ta­le­ci­do o so­ci­a­lis­mo com fa­ce hu­ma­na e evi­ta­do a car­ni­fi­ci­na co­man­da­da pe­los so­vi­é­ti­cos? Pos­si­vel­men­te, mes­mo sob Niki­ta Krus­chev, não. Uma po­si­ção mais fir­me po­de­ria ter evi­ta­do, pe­lo me­nos, me­di­das tão du­ras. Por fim, so­ci­a­lis­mo de fa­ce hu­ma­na é uma fan­ta­sia in­te­lec­tu­al. Se tem fa­ce hu­ma­na, dei­xou de ser so­ci­a­lis­mo e ca­mi­nhou pa­ra a de­mo­cra­cia, que não é pos­sí­vel no re­gi­me so­ci­a­lis­ta.

A po­e­sia ado­les­cen­te de Ney Te­les de Paula nas­ceu adul­ta

Eu não sa­bia. O lei­tor cer­ta­men­te não sa­bia. Mas o es­cri­tor go­i­a­no Ney Te­les de Pau­la, de 59 anos, é um po­e­ta de mé­ri­tos. O mais sur­pre­en­den­te: seus po­e­mas, re­u­ni­dos no li­vro “Me­mo­ri­al do Efê­me­ro” (Edi­to­ra Kelps, 77 pá­gi­nas), fo­ram es­cri­tos quan­do ti­nha en­tre 13 e 18 anos. Quan­do se fa­la em li­te­ra­tu­ra, ida­de não tem tan­ta im­por­tân­cia, pois Büchner, Rim­baud e Ra­di­guet fo­ram au­to­res pre­co­ces e mar­can­tes.

En­tre­tan­to, ape­sar da pou­ca ida­de, a po­e­sia de Ney Te­les tem con­sis­tên­cia, fô­le­go, for­ça in­te­ri­or e é fi­lha, não sei se in­con­sci­en­te (na ver­da­de, de­ve ter si­do um lei­tor pre­co­ce), da po­e­sia mo­der­nis­ta (não há ca­cos ro­mân­ti­cos e par­na­si­a­nos). Há di­gres­são e dis­per­são? Há, às ve­zes, mas pre­do­mi­na a con­ten­ção.

Os po­e­mas são de um ado­les­cen­te e os te­mas, à pri­mei­ra vis­ta, pa­re­cem per­ti­nen­tes ape­nas à ida­de. Mas há uma ge­o­gra­fia da vi­da ín­ti­ma, uma per­cep­ção de lu­ga­res (mes­mo que se­ja um quin­tal, que, ape­sar da cer­ca, do mu­ro, con­tém, de cer­to mo­do, o uni­ver­so em mi­ni­a­tu­ra), que re­ve­la a agu­da per­cep­ção do po­e­ta na ar­te de usar pa­la­vras e es­ca­ra­fun­char o mun­do e do­tá-lo de cer­to sen­ti­do. Ain­da que o mun­do se­ja o ín­ti­mo (o de “fo­ra” pa­ra “den­tro”). A po­e­sia ado­les­cen­te de Ney Te­les nas­ceu, fe­liz­men­te, adul­ta, mas ex­plo­ran­do, com sen­si­bi­li­da­de e ra­ra fe­li­ci­da­de, o uni­ver­so da vi­da de me­ni­no (lem­bra a per­cep­ção, não ape­nas va­ga­men­te, do be­lís­si­mo li­vro “Mi­nha Vi­da de Me­ni­na”, de He­le­na Mor­ley). A po­e­sia re­tra­ta um mun­do de si­lên­cios, de in­tro­ver­são, que só se tor­na ba­ru­lhen­to, di­ga­mos, quan­do le­va­do pa­ra o pa­pel. Aí, po­de-se di­zer, a po­e­sia de Ney Te­les gri­ta e cer­ta­men­te es­tá re­fle­tin­do sua vi­da (per­deu a mãe quan­do ti­nha 4 anos). O que não dei­xa de ser es­tra­nho (mas mui­to in­te­res­san­te), e aí o me­ni­no dei­xa o po­e­ta fa­zer a me­di­a­ção, é que a po­e­sia não é la­cri­mo­sa, der­ra­ma­da. Is­to a faz so­bre­vi­ver. Ar­te às ve­zes é re­den­ção. Medicamento da alma.

Tran­scre­vo o be­lo (mais do que sin­ge­lo) “A bus­ca”: “Ta­te­an­do no es­cu­ro das ori­gens/O me­ni­no que­ria abar­car o mun­do/Com seus bra­ços pe­que­nos e ma­gros./As mãos es­pal­ma­vam a an­gús­tia/E os bra­ços dis­ten­di­am a es­pe­ran­ça.//Se­guia pe­las ru­as olhan­do a vi­da,/Con­tem­plar sem­pre foi a sua si­na./O pen­sa­men­to vo­e­ja­va pe­las es­tre­las/En­quan­to os pés res­va­la­vam no bar­ro.//Apren­der a con­ver­sar em si­lên­cio/Com as pa­la­vras e os pás­sa­ros,/Pas­sou a de­ci­frar o mur­mú­rio das águas,/E a men­sa­gem, ora do­len­te, ora tem­pes­tu­o­sa,/Dos ven­tos, pre­nun­ci­an­do as chu­vas.” Re­co­men­do a lei­tu­ra de “O do­mí­nio do si­lên­cio”, “Mu­ros”, “Vi­são do mun­do”, “O si­lên­cio das coi­sas”, “Ma­gia do Som”, “A con­di­ção hu­ma­na” e “As vi­das se su­ce­dem”.

Te­nho per­ce­bi­do que, via li­te­ra­tu­ra, Ney Te­les es­tá res­ga­tan­do a sua his­tó­ria, no es­ti­lo prous­ti­a­no. No fi­nal, a his­tó­ria, no sen­ti­do da pro­sa do fran­cês, pas­sa a ser a his­tó­ria de to­dos nós, sem perder a graça da individualidade.

Dun­ga de­ve con­vo­car Mes­si

No seu blog (www.jor­ge­ta­leb.com.br), o jor­na­lis­ta Jor­ge Ta­leb pre­ci­sa de ape­nas seis pa­la­vras e 30 ca­rac­te­res — “Pe­lo amor de Deus: Lu­xem­bur­go, não!” — pa­ra di­zer uma ver­da­de. Va­leu um ar­ti­go de 1000 pa­la­vras.

Di­an­te da pers­pec­ti­va da vol­ta do téc­ni­co-mar­que­tei­ro Lu­xem­bur­go, o ze­ro a ze­ro en­tre o Bra­sil e a Co­lôm­bia até que não foi um mau re­sul­ta­do. A se­le­ção é fra­ca, Ro­bi­nho e Kaká não es­tão jo­gan­do bem — Ro­bi­nho (o no­vo Da­go­ber­to não sai do chão e re­cla­ma de­mais) é óti­mo ape­nas nas par­ti­das con­tra ti­me­cos co­mo a Ve­ne­zu­e­la — e o téc­ni­co Dun­ga não tem co­mo con­vo­car ou­tros jo­ga­do­res. Qua­is são me­lho­res do que os que fo­ram con­vo­ca­dos? Tal­vez Cle­ber, do San­tos, se­ja a úni­ca al­ter­na­ti­va pa­ra o ata­que. Tal­vez Dun­ga de­va cri­ar um pou­co de co­ra­gem e in­sis­tir com Ale­xan­dre Pa­to. Res­ta tor­cer pa­ra a le­gis­la­ção es­por­ti­va mu­dar e, en­tão, pe­dir em­pres­ta­do Mes­si e Ri­quel­me à se­le­ção ar­gen­ti­na, que, por si­nal, per­deu pa­ra o Chi­le, que per­deu pa­ra o Bra­sil.

Não se pen­se que o blog de Ta­leb é so­bre fu­te­bol, ape­sar de seu co­men­tá­rio cer­tei­ro. Ta­leb es­cre­ve so­bre po­lí­ti­ca.

Eu e Ta­leb te­mos um pon­to em co­mum: acha­mos o "Es­ta­dão" su­pe­ri­or à "Fo­lha de S. Pau­lo". Pre­fi­ro o "Es­ta­dão" aos do­min­gos, quan­do é mais den­so, e Ta­leb gos­ta do jor­nal to­dos os di­as.

Em­pu­lha­ções francesas

A “Car­ta­Ca­pi­tal” pu­bli­ca du­as pá­gi­nas pa­ra dis­cu­tir o li­vro “En­ne­mis Pu­blics”, no qual o es­cri­tor Mi­chel Hou­el­le­becq e o fi­ló­so­fo Ber­nard-Henry Lévy tro­cam far­pas, meio apa­ra­das. O úni­co con­so­lo é que, quan­do tro­cam in­sul­tos, re­du­zin­do sua im­por­tân­cia co­mo in­te­lec­tu­ais e es­cri­to­res, os dois es­tão cer­tos.

Si­te mos­tra con­tro­le po­lí­ti­co dos mei­os de co­mu­ni­ca­ção

Quem qui­ser sa­ber quem con­tro­la rá­di­os e te­le­vi­sões no pa­ís po­de con­sul­tar o si­te Do­nos da Mí­dia (www.do­nos­da­mí­dia.com.br). O si­te re­la­ci­o­na os no­mes dos ve­í­cu­los e dos em­pre­sá­rios e ma­peia o po­de­rio dos po­lí­ti­cos. O lei­tor aten­to vai per­ce­ber que há al­guns er­ros, co­mo di­zer que Iris Re­zen­de é só­cio da TV Anhan­gue­ra (o pre­fei­to de Go­i­â­nia já es­cla­re­ceu que do­ou su­as pou­cas ações). O Par­ti­do Li­be­ral deu lu­gar ao Par­ti­do da Re­pú­bli­ca, mas o si­te não atu­a­li­zou. Ou­tro pro­ble­ma, e a cul­pa não é do si­te, é que mui­tos po­lí­ti­cos, e não ape­nas go­i­a­nos, são do­nos de rá­di­os, so­bre­tu­do, mas não apa­re­cem co­mo do­nos, pois usam “la­ran­jas”. São “pu­ni­dos”, com a ex­po­si­ção pú­bli­ca, os po­lí­ti­cos que de­ci­di­ram as­su­mir os ne­gó­ci­os.

Na lis­ta dos dez po­lí­ti­cos que mais têm mais ve­í­cu­los de co­mu­ni­ca­ção es­tão: An­tô­nio Car­los Mar­tins de Bu­lhões (PMDB-SP), com se­te; Wel­ling­ton Sal­ga­do de Oli­vei­ra (PMDB-MG. É do­no da TV Go­i­â­nia), com 5; Jo­sé An­tô­nio Bru­no (DEM-SP), com 5; Ro­ber­to Co­e­lho Ro­cha (PSDB-MA), com 5; Jo­sé Car­los de Sou­za (PMDB-SE), com 5; Fran­cis­co Pe­rei­ra Li­ma (PL-MA), com 5; El­ci­o­ne The­re­zi­nha Zahluth Bar­ba­lho (PMDB-PA; leia-se Ja­der Bar­ba­lho), com 5; Ino­cên­cio Go­mes de Oli­vei­ra (PL-PE), com 4; Jo­sé Agri­pi­no Maia (DEM-RN), com 4; e An­tô­nio Al­ves da Sil­va (PRP-SP), com 4.

No Bra­sil, re­ve­la o si­te, 271 po­lí­ti­cos são só­ci­os ou di­re­to­res de 324 ve­í­cu­los de co­mu­ni­ca­ção. 58 po­lí­ti­cos do DEM são do­nos de ve­í­cu­los, se­gui­dos de po­lí­ti­cos do PMDB (48) e do PSDB (43).

A res­pei­to dos pro­pri­e­tá­rios de ve­í­cu­los de co­mu­ni­ca­ção em Go­i­ás a lis­ta é po­bre e, co­mo dis­se, ig­no­ra pos­sí­veis la­ran­jas (não ci­to no­mes por­que não te­nho pro­vas ob­je­ti­vas, mas quem lida na área sa­be quais são os la­ran­jas). Três de­pu­ta­dos apa­re­cem na lis­ta: Ál­va­ro Gui­ma­rã­es (Rá­dio Di­fu­so­ra de Itum­bi­a­ra Ltda.), do PL (na ver­da­de, PR), Lu­iz Car­los do Car­mo (As­so­cia­ção Cul­tu­ral Co­mu­ni­tá­ria Si­mo­nen­se, São Si­mão-SP. Es­tá er­ra­do. São Si­mão, no ca­so, fi­ca em Go­i­ás), do PMDB, e Pau­lo Ce­zar Mar­tins (Rá­dio Ci­da­de FM Sul do Es­ta­do, em Ca­cho­ei­ra de Ita­pe­mi­rim, SP. Ou­tro er­ro, pos­si­vel­men­te). Oi­to pre­fei­tos pos­su­em ve­í­cu­los de co­mu­ni­ca­ção.

En­tre as cu­ri­o­si­da­des apa­re­cem os em­pre­sá­rios Lou­ri­val Lou­za e Oví­dio Iná­cio Car­nei­ro co­mo só­ci­os da TV Anhan­gue­ra. Vi­cen­ti­na Car­vel­lo Va­ran­da e Ma­ria Car­vel­lo Mon­tans são só­cias da Rá­dio Anhan­gue­ra, da Rá­dio CBN Anhan­gue­ra e da TV Anhan­gue­ra. En­tre os só­ci­os da TV Pi­ra­pi­tin­ga, de Ca­ta­lão, fi­gu­ram Cris­ti­a­no Ro­riz Câ­ma­ra, fi­lho de Jú­ni­or Câ­ma­ra, e Gu­li­ver Au­gus­to Le­ão. Jai­me Câ­ma­ra Jú­ni­or, o Jú­ni­or Câ­ma­ra, tem 15 ve­í­cu­los. Na TV Anhan­gue­ra são seus só­ci­os, en­tre ou­tros: Mar­cos Ta­deu Câ­ma­ra, Fer­nan­do Câ­ma­ra, Tas­so Câ­ma­ra, Ma­ria Jo­sé Câ­ma­ra, Vi­cen­ti­na Car­vel­lo, Fa­bi­a­no Ti­to Lí­vio Câ­ma­ra, Mai­ra Car­vel­lo Mon­tans, Ma­ria Cé­lia Câ­ma­ra, Inody Mar­tins Pai­xão, Car­los Da­i­rell, Jo­sé Cam­pos Mei­rel­les, Vi­cen­te Car­vel­lo Mon­tans, Oví­dio Iná­cio Car­nei­ro, Lu­iz Al­ber­to di Lou­renzzo. A lis­ta in­clui pes­so­as que mor­re­ram.

O gru­po que di­ri­ge a TV Ser­ra Dou­ra­da e mais seis ve­í­cu­los tem ape­nas dois só­ci­os: Ci­ril­lo Mar­cos Al­ves e Jo­ão Al­ves de Quei­roz Fi­lho (quem re­al­men­te man­da. Ci­ril­lo é uma es­pé­cie de em­pre­ga­do de lu­xo de Jo­ão Al­ves, o Jú­ni­or)

De­ba­tes mos­tram sa­fra ru­im na po­lí­ti­ca norte-ame­ri­ca­na

Tem ho­ra que mais do mes­mo, a mes­mi­ce, é mais útil do que o im­pre­vi­sí­vel. Ba­rack Oba­ma tem bo­as in­ten­ções, mas um es­ta­dis­ta de ver­da­de, so­bre­tu­do quan­do go­ver­na um im­pé­rio co­mo Ro­ma ou Es­ta­dos Uni­dos, não faz ape­nas o que quer ou ima­gi­na po­der fa­zer. Faz o pos­sí­vel, mes­mo ten­tan­do fa­zer o im­pos­sí­vel (me­ta de to­do es­ta­dis­ta). No fi­nal, po­de ser mais du­ro do que Bush no po­der? Po­de, por­que te­rá de ma­tar um le­ão por dia pa­ra ser con­si­de­ra­do con­fi­á­vel ou, se elei­to, po­de­ria até mes­mo re­nun­ci­ar, ao co­nhe­cer, por den­tro, a me­câ­ni­ca de um im­pé­rio. Há al­gum exa­ge­ro no que se es­cre­ve aqui? Sem dú­vi­da. O exa­ge­ro é um re­cur­so às ve­zes po­si­ti­vo pa­ra en­fa­ti­zar uma idéia.

John McCain sa­be co­mo o Im­pé­rio fun­cio­na e sa­be­rá ajus­tar-se, im­pon­do su­as qua­li­da­des pes­so­ais? Não sei. É pro­vá­vel que Oba­ma não se­ja cí­ni­co o su­fi­ci­en­te pa­ra ge­rir um im­pé­rio. Se for, en­ga­na bem, pois não pa­re­ce. Quan­do diz que vai ma­tar Bin La­den — não diz pren­der —, a voz de Oba­ma não trans­mi­te ên­fa­se. Pa­re­ce a his­tó­ria do su­jei­to que es­pa­lha que vai ma­tar uma pes­soa com o ob­je­ti­vo, na ver­da­de, de não en­con­trá-la pe­la fren­te. Co­mo é fa­to que o im­pé­rio quer ma­tar Osa­ma, pa­ra dar uma sa­tis­fa­ção ao pú­bli­co in­ter­no e mos­trar for­ça ao mun­do, é pos­sí­vel que, elei­to, Oba­ma saia à ca­ça do ter­ro­ris­ta. Deveria pensar mais na crise mundial do que em Bin Laden.

De­pois que vi os de­ba­tes en­tre os can­di­da­tos nor­te-ame­ri­ca­nos, e ad­mi­to que te­nho sim­pa­tia por McCain, por­que não é em­pu­lha­dor e es­tá di­zen­do o que vai (ou quer) de fa­to fa­zer, o que po­de e de­ve ser fei­to, só res­ta con­clu­ir que os Es­ta­dos Uni­dos têm dois can­di­da­tos fra­cos a pre­si­den­te. Em­bo­ra dis­cu­tis­sem as­sun­tos sé­rios, a po­lí­ti­ca in­ter­na dos Es­ta­dos Uni­dos e o fu­tu­ro do mun­do, Oba­ma e McCain pa­re­ci­am mais dois ga­ro­tos de­ba­ten­do a mu­dan­ça da se­de do di­re­tó­rio cen­tral dos es­tu­dan­tes. Po­dem até co­nhe­cer bem as re­gras dos de­ba­tes, ori­en­ta­dos por mar­que­tei­ros al­ta­men­te pro­fis­si­o­nais, mas pa­re­cem des­co­nhe­cer, prin­ci­pal­men­te Oba­ma (que tem se mos­tra­do ar­ro­gan­te), co­mo fun­cio­na o mun­do re­al, co­mo se a cri­se fi­nan­cei­ra e, tam­bém, eco­nô­mi­ca pu­des­se ser re­sol­vi­da tão-so­men­te pe­la von­ta­de dos ame­ri­ca­nos.

Quem es­pe­rou os de­ba­tes pa­ra se de­ci­dir de­ve ter fi­ca­do ain­da mais in­de­ci­so.

Ta­cil­da Aqui­no

Por de­ci­são da Jus­ti­ça do Tra­ba­lho, o “Pop” re­con­tra­tou a jor­na­lis­ta Ta­cil­da Aqui­no. Mas, em­bo­ra a pro­fis­si­o­nal se­ja ex­pe­ri­en­te e com­pe­ten­te, os lei­to­res não po­dem ler seus tex­tos. Ha­ve­ria al­gu­ma or­dem superior pro­i­bin­do-a de as­si­nar as re­por­ta­gens?

Os me­lho­res con­sul­to­res di­zem que a mão-de-obra de uma em­pre­sa é par­te decisiva de seu ca­pi­tal e por is­so não de­ve ser hu­mi­lha­da.

As­ses­so­ria efi­ci­en­te

A com­pe­ten­te jor­na­lis­ta Ma­ri­a­na Ro­sa­ti as­su­miu a as­ses­so­ria de im­pren­sa do pre­fei­to elei­to de Rio Ver­de, Ju­ra­ci Mar­tins.

Quem ga­nha com a es­co­lha de Ma­ri­a­na Ro­sa­ti são a Pre­fei­tu­ra de Rio Ver­de, o pre­fei­to, a ci­da­de e os jor­na­lis­tas.

Ma­ri­a­na tra­ba­lhou na cam­pa­nha de­mo­cra­ta co­mo as­ses­so­ra de im­pren­sa.

Fer­nan­da de Bre­ta­nha

A competente jor­na­lis­ta Fer­nan­da de Bre­ta­nha, apre­sen­ta­do­ra do DFTV, te­le­jor­nal do meio-dia da TV Glo­bo em Bra­sí­lia, foi de­ti­da por di­ri­gir em­bri­a­ga­da. Pa­gou fi­an­ça de mil re­ais e foi li­be­ra­da.

Dor­nel­les na TV Re­cord

Quan­do diz que vai su­pe­rar a Re­de Glo­bo de Te­le­vi­são, a cú­pu­la da Re­de Re­cord não es­tá brin­can­do. Na se­ma­na pas­sa­da, a Re­cord con­tra­tou dois jor­na­lis­tas que bri­lha­ram na con­cor­ren­te, Car­los Dor­nel­les (ao la­do de Ca­co Bar­cel­los, um íco­ne da vê­nus pla­ti­na­da) e Lu­iz Car­los Aze­nha..

Aze­nha, que já es­ta­va fo­ra da Glo­bo, edi­ta­va um blog, no qual ex­pu­nha sua fa­ce­ta es­quer­dis­ta (é adep­to da te­o­ria da cons­pi­ra­ção). Dor­nel­les é um dos mai­o­res re­pór­te­res da te­le­vi­são bra­si­lei­ra e es­cre­ve mui­to bem.

TV Record en­tre­vis­ta a ra­i­nha da Jor­dâ­nia

A Jor­dâ­nia (89.342 qui­lô­me­tros qua­dra­dos) é me­nor do que Go­i­ás (340.086 qui­lô­me­tros qua­dra­dos) e tem uma po­pu­la­ção (6 milhões) equi­va­len­te (a de Go­i­ás che­ga a 5,6 mi­lhões). Mas, en­quan­to o Bra­sil in­ves­te de 4 a 5 por cen­to do PIB em edu­ca­ção, a Jor­dâ­nia in­ves­te mais de 7 por cen­to. O re­sul­ta­do é que su­as uni­ver­si­da­des es­tão en­tre as mais res­pei­ta­das do Ori­en­te Mé­dio. O cor­res­pon­den­te da TV Re­cord em Is­ra­el, Her­bert Mo­ra­es, es­te­ve du­as ve­zes no pa­ís es­te ano. Na pri­mei­ra vi­si­ta, fez uma ra­di­o­gra­fia com­ple­ta de sua cul­tu­ra e de sua eco­no­mia. Na se­gun­da en­tre­vis­tou a ra­i­nha Ra­nia Yas­sin, mu­lher do rei Ab­dul­lah Ibn al-Hus­sein.

Ra­nia é pa­les­ti­na (os ára­bes pa­les­ti­nos são a mai­o­ria da po­pu­la­ção, os ára­bes jor­da­nia­nos vêm em se­gun­do lu­gar) e es­tu­dou em Ox­ford. É uma in­te­lec­tu­al e é con­si­de­ra­da uma das mu­lhe­res mais be­las e sim­pá­ti­cas do Ori­en­te. Já foi cha­ma­da de a Di­a­ne do Ori­en­te. Mas, pa­ra os ára­bes, é mais bo­ni­ta e, ao mes­mo tem­po, mais pre­pa­ra­da in­te­lec­tu­al­men­te. A en­tre­vis­ta de Ra­nia a Her­bert de Mo­ra­es se­rá le­va­da ao ar no “Jornal da Record” e no pro­gra­ma “Âncora Re­cord”, na se­gun­da-fei­ra, 20. Faz par­te de uma sé­rie que se­rá exi­bi­da pe­la Re­cord com o ob­je­ti­vo de mos­trar o Ori­en­te de mo­do mais am­plo. Aos olhos de­sa­vi­sa­dos o Ori­en­te Mé­dio só tem guer­ra. As re­por­ta­gens de Her­bert Mo­ra­es têm contribuído para reduzir o mi­to, pois mos­tram os po­vos tra­ba­lhan­do e se di­ver­tin­do. Pa­ra além da guer­ra, há vi­da, pra­ze­res, cultura, produção econômica. O casal real chega ao Brasil na quinta-feira, 23.

Alfredo Nasser não tinha filho

Um dos mais importantes líderes políticos de Goiás, militante do PSP de Adhemar Barros e aliado de udenistas históricos, o jornalista Alfredo Nasser não teve filhos. Ele criou a jornalista Consuelo Nasser como filha, mas era seu tio. No entanto, segundo o “Diário da Manhã”, em reportagem não assinada (segunda-feira, 13), Alfredo Nasser era pai do advogado, escritor e ex-deputado Issy Quinan. Na verdade, ao contrário do que diz a matéria, Issy era filho de José Issy Quinan e Maria Elias Issy (segundo um quadro publicado pelo mesmo jornal).

O erro se torna mais grave devido as ligações afetivas entre o proprietário do “DM”, jornalista Batista Custódio, e Alfredo Nasser. Eles foram amigos e pode-se dizer que Batista é seu mais conhecido discípulo no jornalismo.

Erros do Jornal Opção

Na reportagem “Americano mudou com a crise”, a editora assistente Andréia Bahia escreveu “estados” Unidos e “exercito” (exército).

Outro erro foi apontado por Carlos Wilson, o ombudsman assistente: “O Jornal Opção tem o hábito, principalmente nas reportagens de Andréia Bahia, de cometer um erro elementar. Confira: ‘José Mário Schreiner, presidente Faeg’. Como se sabe fora do Jornal Opção, o certo é ‘presidente da Faeg’. Outro vacilo: ‘Melchior Luiz Duarte, presidente CDL’. O correto é ‘presidente da CDL’”.

Carlos Wilson tem razão. O erro é freqüente, embora fácil de corrigir.

Na coluna Imprensa, Carlos Wilson detectou erro num título: “Livro revela que ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional foi agente de KGB”. O “de” deve ser trocado por “da”.

Aliás, o K de KGB significa comitê, portanto, seria “o” KGB, mas é praticamente impossível lutar contra o “da”. O “da” tem uma explicação: KGB é a política secreta (política) da Rússia. Hoje seu nome é FSB.

Exa­ge­ro pa­tro­pi

Ro­sa­ne Pa­vam, da "Car­ta­Ca­pi­tal", es­cre­veu tex­to so­bre a atriz e di­re­to­ra Liv Ullmann e, no fi­nal, fi­ca­mos com a im­pres­são de que tem o mes­mo pe­so cul­tu­ral de Ing­mar Bergman. Não tem, ób­vio. Não che­ga a ter 12,2 por cen­to do ta­len­to de Ber­gman. Não entendo como esse sueco culto, complexo, conseguiu se envolver com a superficialidade do cinema. Talvez tenha percebido que, por meio do cinema, é possível dizer alguma coisa à geração de cabeças duras que o mundo do consumo “plantou” na Terra.

Liv Ullmann po­de ser aci­ma da mé­dia, se com­pa­ra­da com um atriz des­ce­re­bra­da co­mo An­ge­li­na Jo­lie. Mas não pas­sa dis­so. Ali­ás, um di­re­tor, não sei qual, dis­se que ato­res com cé­re­bro cos­tu­mam atra­pa­lhar o tra­ba­lho dos ci­ne­as­tas. Brad Pitt parece uma ameba loira.

Maria Bonita e Lampião

A peça “Virgulino e Maria — Auto do Angicos” não é uma obra-prima, por certo. Mas é divertida e inteligente. Há um quê de engajamento meio brechtiano na tal história de que não se deve ficar parado. Um recurso meio ingênuo, pois as platéias não estão mais interessadas neste tipo de discurso e Lampião e Maria Bonita não eram — ainda que possam ser tidos como rebeldes— revolucionários. Eram bandidos. Bandidos sociais, diria o marxista inglês Eric Hobsbawm, que, num livrinho clássico, encantou-se pelo cangaceiro brasileiro. Simpáticos, vá lá, vistos de longe. Felizmente, há escassos momentos pedagógicos na peça e predomina o humor.

Marcos Palmeira (Lampião) e Adriane Esteves (Maria Bonita) estão bem, embora, para ser um pouco severo, não tenham vozes típicas dos atores de teatro, talvez acostumados com as artes da televisão. Mas isto, a rigor, não atrapalha nada.

O que a peça “Virgulino e Maria” tem de mais instigante é a forma como o autor do texto, Marcos Barbosa, apresenta Maria Bonita como uma espécie de consciência (ou instância) crítica de Lampião. Ninguém tem coragem de apontar os defeitos de Lampião, nem os físicos nem os de caráter. Maria Bonita aponta seus defeitos, como as pernas finas, a cegueira de um olho, as indecisões e avaliações equivocadas (ou, quem sabe, realistas e cínicas), a violência extremada (coisa de possuídos por Satã, no dizer de Maria Bonita) e sua vaidade (adorava posar para fotografias). Depois, com a explosão do marido, irado com as verdades nuas e cruas, arrepende-se, porque o ama. Mas não deixa de dizer aquilo que Lampião precisa mas não quer ouvir, ou seja, que seu tempo estava passando e que deviam construir vida nova noutro lugar. Mas talvez Lampião estivesse certo: não havia como sair — o cangaço se tornara parte íntima de seu ser. E, assim, era preciso morrer com o cangaço.

Em julho de 1938, os macacos, os policiais, mataram Maria Bonita e Lampião e cortaram suas cabeças, que, durante certo tempo, ficaram expostas à visitação. Sobre os matadores de Lampião e Maria Bonita há um livro muito bom: “Os Homens Que Mataram o Facínora — A História dos Grandes Inimigos de Lampião” (Record, 266 páginas), do jornalista Moacir Assunção.

O divórcio de Madonna

Durante a semana, fui três vezes à banca de revistas do shopping Bougainville, que fica perto do Jornal Opção. Enquanto folheava algumas revistas e o “Correio Braziliense”, escutava as conversas de homens e mulheres. Estas falavam, quase sempre, do divórcio da cantora Madonna. “Não há como aguentar um homem por muito tempo sendo poderosa”, disse um bela loura balzaquiana. Sua companheira, uma morena bonita, concordou: “Ela tem poder e faz o que quer”. Um homem, que procurava o “Lance!”, deu a resposta masculina clássica: “Madonna está condenada a viver sozinha, pois os homens não aguentam este tipo de mulher”.

O que os homens não suportam mesmo é que as mulheres, em geral, não dependem mais deles. Nós, homens, não somos mais tão essenciais e, por isso, podemos ser descartados. O que irrita os homens é que eles, e não elas, faziam isso. Agora, para a ira deles, o disco virou.

Jornal do Brasil boicota Goiás

Pergunto a vários donos de bancas de revistas por que o “Jornal do Brasil” não circula em Goiânia. Todos dizem a mesma coisa: como há procura, principalmente aos sábados, por conta do suplemento “Idéias”, eles têm interesse em distribuir o “JB”. Mas a cúpula não tem interesse em circular o jornal no Cerrado, exceto em Brasília.

O “JB” tem um caderno sobre Brasília que certamente interessa aos goianos, sobretudo o que moram no Entorno do DF. Infelizmente, o “JB” não gosta dos goianos.

Cadê o Procon

Enquanto nos países desenvolvidos os jornais ficam mais baratos, alguns se tornaram gratuitos, “O Globo” custa 9 reais aos domingos. Pelo menos em Goiânia.



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