Goiânia, 07 de setembro de 2010 (9:38)
De: 07 a 13 de fevereiro de 2010

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  Entrevistas
JOSÉ NELTO
 

“Cassação é armação contra minha candidatura a deputado federal”

Peemedebista afirma que perda de mandato decretada pelo TSE por unanimidade na quinta-feira também se deve à sua atuação na CPI que investiga a dívida da Celg

Edilson Pelikano/Jor­nal Op­ção
O deputado estadual José Nelto, do PMDB, está vivendo um momento particularmente complicado, pois a cassação de seu mandato foi decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral, na quinta-feira, 4. Em que pese o fato, ele se diz otimista e de cabeça erguida. Na entrevista que segue Nelto fala também do clima pré-campanha e assegura com toda firmeza que o candidato de seu partido ao governo será Iris Rezende, descartando definitivamente Henrique Meirelles. “Meirelles demorou muito, o PMDB não pode esperar. Além disso, a população quer o tira-teima entre Iris e Marconi Perillo”, afirma.

José Nelto, um crítico ferino, bate impiedosamente nos governos do PSDB, que segundo ele realmente “quebrou o Estado”. E diz que ainda dá tempo para Alcides Rodrigues recuperar o tempo perdido em sua administração.

Ce­zar San­tos — O Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral (TSE) anun­ciou a cas­sa­ção de seu man­da­to na quin­ta-fei­ra, 4, à noi­te. O que o sr. vai fa­zer?

Eu já te­nho um re­cur­so sus­pen­si­vo. As­sim que fui in­ti­ma­do meus ad­vo­ga­dos es­tão pron­tos com o pe­di­do pa­ra em­bar­gar a de­ci­são.

Ce­zar San­tos — A que o sr. atri­bui es­sa cas­sa­ção, sen­do que no TRE o sr. ga­nhou por seis a ze­ro e ago­ra, no TSE, per­deu pe­lo mes­mo pla­car?

Atri­buo es­sa de­ci­são a um es­que­ma po­lí­ti­co.

Ce­zar San­tos — E quem es­tá por trás des­se es­que­ma po­lí­ti­co, com po­der pa­ra in­flu­en­ciar o TSE a cas­sar um de­pu­ta­do?

Es­tou ava­li­an­do quem es­tá por trás. Mas não te­nho dú­vi­da de que mi­nha pré-can­di­da­tu­ra a de­pu­ta­do fe­de­ral e o meu tra­ba­lho na CPI da Celg es­tá pro­vo­can­do is­so.

Ce­zar San­tos - En­tão é cla­ra­men­te uma ma­no­bra po­lí­ti­ca pa­ra de­ses­ta­bi­li­zar sua can­di­da­tu­ra a de­pu­ta­do fe­de­ral e seu tra­ba­lho na CPI?

Sim, não tem dú­vi­da.

Ce­zar San­tos — E co­mo o sr. es­tá se sen­tin­do?

Es­tou oti­mis­ta, com o mo­ral al­to e de ca­be­ça er­gui­da. Já en­fren­tei si­tu­a­ções di­fí­ceis an­tes e, se Deus qui­ser, vou superar mais esta.

Ce­zar San­tos — O sr. con­ti­nua no car­go até quan­do?

Sim, con­ti­nuo até o jul­ga­men­to fi­nal, que não tem da­ta, po­de ser em dois mes­es, três mes­es, seis mes­es, um ano. Nin­guém sa­be.

Da­nin Jú­ni­or — Qual o im­pac­to o sr. considera que haverá com a de­nún­cia con­tra a fi­lha do se­cre­tá­rio Jor­ce­li­no Bra­ga?

Me pre­o­cu­po mui­to quan­do al­guém me­xe com a vi­da do ho­mem pú­bli­co usan­do a fa­mí­lia de­le. É mui­to gra­ve atin­gir al­guém usan­do fa­mí­lia. Is­so é um cam­po mi­na­do. Ve­ja o ca­so do ex-pre­si­den­te Fer­nan­do Col­lor de Mel­lo com seu ir­mão Pe­dro Col­lor. Acho que es­sa de­nún­cia é ar­ma­ção po­lí­ti­ca pa­ra des­mo­ra­li­zar o go­ver­no do dou­tor Al­ci­des, por­que o se­cre­tá­rio Bra­ga é o ´su­per­se­cre­tá­rio´, o ´mi­nis­tro´, o ho­mem que cu­i­da da eco­no­mia de Go­i­ás, da po­lí­ti­ca. A ira do PSDB con­tra ele é mui­to gran­de. O se­cre­tá­rio não se en­vol­ve­ria com ne­gó­cio tão pe­que­no de 500, 50 mil re­ais. Eu não sei o re­la­ci­o­na­men­to que ele tem com a fi­lha, mas já vi até fi­lho de co­ro­nel as­sal­tan­do, rou­ban­do, e vo­cê não po­de res­pon­sa­bi­li­zar o co­ro­nel por is­so. Já vi gen­te im­por­tan­te co­me­ten­do cri­mes. Ci­tar exem­plo pró­prio, meu fi­lho já bri­gou, e eu não que­ria que ele bri­gas­se. Mas que cul­pa eu te­nho? São coi­sas que o pai não tem cul­pa. Nes­se ca­so aí, acho que o se­cre­tá­rio não tem cul­pa. Ele é ví­ti­ma.

Da­nin Jú­ni­or — O sr. acha que vai ter de­sa­ba­men­to po­lí­ti­co com is­so?

Já vi­rou ca­so de po­lí­cia e Jus­ti­ça, te­mos ago­ra que sa­ber a ver­da­de, se há mo­ti­va­ção po­lí­ti­ca, quem es­tá por trás, o que acon­te­ceu. Pos­so afir­mar que o se­cre­tá­rio não sa­bia, não ti­nha co­nhe­ci­men­to e que ja­mais per­mi­ti­ria que uma coi­sa des­sas acon­te­ces­se. Eu con­ver­sei com o se­cre­tá­rio.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Quem de­ve ser o can­di­da­to do PMDB ao go­ver­no?

Po­lí­ti­ca é fei­ta de con­ver­gên­cias e di­ver­gên­cias. O PMDB abriu os bra­ços pa­ra o dou­tor Hen­ri­que Mei­rel­les, e con­ti­nua com os bra­ços aber­tos. Ho­je é um gran­de no­me do PMDB, po­de ser vi­ce-pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, se­na­dor, é um ho­mem de ta­len­to, res­pei­ta­do na­ci­o­nal e in­ter­na­cio­nal­men­te. Mas ho­je pa­ra o go­ver­no de Go­i­ás é di­fí­cil ti­rar a can­di­da­tu­ra de Iris Re­zen­de, até por­que ele li­de­ra to­das as pes­qui­sas. E aque­la cam­pa­nha bo­ni­ta do PMDB, de 1982, de com­ba­te à di­ta­du­ra, es­tá vol­tan­do no­va­men­te, es­tá re­nas­cen­do no seio pe­e­me­de­bis­ta com o su­ces­so da ad­mi­nis­tra­ção de Iris em Go­i­â­nia. A ju­ven­tu­de que fi­cou dis­tan­te do PMDB, ho­je sa­be o PMDB é um par­ti­do de re­sul­ta­do em Go­i­ás, que abre es­pa­ço pa­ra to­dos. Pos­so afir­mar que o can­di­da­to pe­lo PMDB já es­tá de­fi­ni­do, é Iris Re­zen­de. So­bre Hen­ri­que Mei­rel­les ser vi­ce-pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, se­ria um or­gu­lho pa­ra nós. Não po­den­do, ele é um ex­ce­len­te can­di­da­to ao Se­na­dor da Re­pú­bli­ca. Ele po­de che­gar ao Se­na­do e ser mi­nis­tro da Fa­zen­da, e aju­dar na go­ver­na­bi­li­da­de do Bra­sil, até pe­la cre­di­bi­li­da­de que ele tem. Ele foi o me­lhor pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral, e is­so é um or­gu­lho pa­ra nós do PMDB.

Mas pa­ra o go­ver­no de Go­i­ás, Iris é ho­je o no­me que es­tá no co­ra­ção do po­vo go­i­a­no, não só de pe­e­me­de­bis­tas, mas de uma par­ce­la im­por­tan­te da so­ci­e­da­de, que quer mu­dan­ças, que não quer pas­sa­do de pro­pa­gan­das, de ar­ro­gân­cias, ódio, per­se­gui­ção. Es­se tem­po já pas­sou. Nós que­re­mos ago­ra tem­po de di­á­lo­go, de paz e de cons­tru­ir as gran­des obras que Go­i­ás pre­ci­sa, na área de in­fra­es­tru­tu­ra, do se­tor edu­ca­cio­nal, de sa­ú­de, e mos­trar que Go­i­ás é um Es­ta­do que tem chan­ces de ser pi­o­nei­ro no cres­ci­men­to in­dus­tri­al. En­tão, pre­ci­sa­mos de ho­mens ar­ro­ja­dos, que têm cre­di­bi­li­da­de, e es­se no­me é Iris Re­zen­de.

Da­nin Jú­ni­or — Quem tal­vez mais te­nha an­sie­da­de pe­la can­di­da­tu­ra de Iris é o PT, que as­su­me a pre­fei­tu­ra com a sa­í­da do pre­fei­to. Co­mo es­tá es­sa en­ge­nha­ria en­tre PMDB e PT? Al­guns se­to­res do PMDB di­zem que lar­gar a pre­fei­tu­ra não é um bom ne­gó­cio...

Já ou­vi to­do ti­po de ques­ti­o­na­men­to. ´Se o PT as­su­mir a pre­fei­tu­ra vai tra­ir o PMDB, o PT vai lan­çar can­di­da­to´. Te­nho o PT co­mo um par­ti­do de pa­la­vra, cre­di­bi­li­da­de, cons­ti­tu­í­do de ho­mens e mu­lhe­res de bem. Quan­do foi fei­ta es­sa ali­an­ça, nós do PMDB ga­nhá­va­mos a elei­ção. O pre­fei­to, nu­ma de­mons­tra­ção de que é um ho­mem de­mo­crá­ti­co, que pen­sa lon­ge, con­vi­dou o PT pa­ra a ali­an­ça. E es­sa ali­an­ça foi mui­to bem ama­du­re­ci­da, com Pau­lo Gar­cia, um ho­mem que tem cre­di­bi­li­da­de na Ca­pi­tal, de for­ma­ção fa­mi­liar mui­to cor­re­ta, mé­di­co res­pei­ta­do, pro­fes­sor uni­ver­si­tá­rio e que sa­be ver que na po­lí­ti­ca a pi­or coi­sa que exis­te é a pe­cha da trai­ção. En­tão, nós con­fi­a­mos ple­na­men­te no dou­tor Pau­lo Gar­cia, que vai dar con­ti­nui­da­de aos pro­je­tos do PMDB, o com­pro­mis­so com a po­pu­la­ção de Go­i­â­nia. Pau­lo Gar­cia, as­su­min­do a pre­fei­tu­ra, se­rá o can­di­da­to do PMDB pa­ra a re­e­lei­ção. E ain­da va­mos tra­ba­lhar pa­ra es­co­lher um bom no­me do PMDB pa­ra as­su­mir a vi­ce de­le em 2012. Por­tan­to, te­mos a tran­qui­li­da­de de en­tre­gar a pre­fei­tu­ra ao PMDB.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — No pla­no na­ci­o­nal, uma de­fi­ni­ção es­tá cla­ra: Mei­rel­les não se­rá vi­ce da Dil­ma. O PMDB na­ci­o­nal já des­car­tou is­so. Res­ta ao Mei­rel­les ser can­di­da­to ao Se­na­do?

Ou fi­car no Ban­co Cen­tral. Por que pa­ra o go­ver­no ho­je não há co­mo mais fa­lar em re­cuo da can­di­da­tu­ra de Iris. Até por­que a po­pu­la­ção de Go­i­ás quer o em­ba­te, o ti­ra-tei­ma en­tre Iris e Mar­co­ni Pe­ril­lo (PSDB). A po­pu­la­ção já es­pe­ra is­so, pro­va é que pre­fei­to co­me­çou, na se­ma­na pas­sa­da, a ser agre­di­do pu­bli­ca­men­te pe­lo se­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo. Num ato de de­ses­pe­ro, por­que ho­ra ne­nhu­ma o pre­fei­to se re­fe­riu a ele, mas Mar­co­ni co­me­çou a bai­xar o ní­vel, is­so é si­nal de de­ses­pe­ro, ata­cou o pre­fei­to pe­lo jor­nal gra­tui­ta­men­te. O pre­fei­to tem a obri­ga­ção, já foi go­ver­na­dor, é um po­lí­ti­co que tem ma­tu­ri­da­de e quer o me­lhor pa­ra o Es­ta­do. O se­na­dor Mar­co­ni sol­tou os ca­chor­ros em ci­ma do pre­fei­to Iris. Eu não es­pe­ra­va es­se com­por­ta­men­to de­le, pa­ra mim foi um ato de de­ses­pe­ro. Ve­jo o se­na­dor Mar­co­ni co­mo um ho­mem se­re­no, tran­qui­lo, mas de uma ho­ra pa­ra a ou­tra se de­ses­pe­rou. Is­so é si­nal de quem es­tá per­den­do. Há um di­ta­do po­pu­lar que diz que quem ape­la per­de. En­quan­to o pre­fei­to es­tá tran­qui­lo, tra­ba­lhan­do bem em Go­i­â­nia, e sua ad­mi­nis­tra­ção dá vi­si­bi­li­da­de pa­ra to­do o Es­ta­do.

Da­nin Jú­ni­or — E o pra­zo até mar­ço que te­ria si­do da­do a Mei­rel­les?

Se­ria uma hon­ra ter­mos Hen­ri­que Mei­rel­les pa­ra go­ver­nar Go­i­ás, mas a ques­tão é que na po­lí­ti­ca vo­cê não po­de fi­car sen­tan­do es­pe­ran­do que al­guém le­ve uma ca­dei­ra pa­ra vo­cê sen­tar. Mei­rel­les não ar­ti­cu­lou, dei­xou pa­ra a úl­ti­ma ho­ra. Va­mos su­por que te­nha um tran­stor­no na eco­no­mia de um dia pa­ra o ou­tro e ele te­nha que fi­car no Ban­co Cen­tral? E se nós não ti­ver­mos pre­pa­ra­do ou­tro can­di­da­to? Aí nos pre­o­cu­pa­mos mes­mo. Ima­gi­ne se ho­je te­mos dois pré-can­di­da­tos, e ama­nhã Mei­rel­les re­sol­va fi­car no BC e Iris não te­nha pre­pa­ra­do a tran­si­ção pa­ra sa­í­da da pre­fei­tu­ra? Aí sim fi­ca­mos sem can­di­da­to, sem pa­lan­que e sem pers­pec­ti­va de ga­nhar o go­ver­no. Por is­so a nos­sa lu­ta, nos­so tra­ba­lho das ban­ca­das es­ta­du­al e fe­de­ral, do pre­si­den­te Adib Eli­as, pa­ra que lo­go após o car­na­val pos­sa­mos con­vo­car a im­pren­sa e anun­ci­ar nos­so can­di­da­to ao go­ver­no. O PMDB vai de­fi­nir lo­go após o car­na­val. Não dá pa­ra es­pe­rar até mar­ço. Não va­mos es­pe­rar mais.

Da­nin Jú­ni­or — Já es­tou­rou o pra­zo que o pre­fei­to fa­lou no ani­ver­sá­rio de­le, de que a de­fi­ni­ção do PMDB de­ve­ria vir até o fi­nal de ja­nei­ro.

Eu dis­se pa­ra o pre­fei­to que no Bra­sil tu­do acon­te­ce de­pois do car­na­val. Ja­nei­ro é pe­rí­o­do de fé­rias, de­pois vem o car­na­val. Aí sim co­me­ça­mos o jo­go, o xa­drez da po­lí­ti­ca. No iní­cio de mar­ço ire­mos anun­ci­ar o can­di­da­to do PMDB.

Da­nin Jú­ni­or — Al­guns se­to­res do PMDB, in­clu­si­ve de­pu­ta­dos, re­cla­mam nos bas­ti­do­res so­bre o ma­pe­a­men­to das ba­ses pa­ra a elei­ção pro­por­ci­o­nal de 2010, com re­fle­xo da elei­ção de 2006. Es­sa re­cla­ma­ção pro­ce­de?

Não é ver­da­de. To­dos os de­pu­ta­dos fe­de­ra­is têm po­der no par­ti­do há tem­po, há três ou qua­tro man­da­tos. O bom do PMDB é que não há cur­ral. Mas é pre­ci­so tra­ba­lhar. A po­lí­ti­ca ho­je é igual in­for­má­ti­ca, to­do dia se mo­der­ni­za, to­do dia há no­vi­da­de. As­sim é a po­lí­ti­ca, ino­va mui­to e a so­ci­e­da­de co­bra mui­to da clas­se po­lí­ti­ca. Aque­le po­lí­ti­co que não tra­ba­lhar, ino­var, não ti­ver com­pro­mis­so, res­pon­sa­bi­li­da­de, achar que elei­ção é co­mo era no pas­sa­do, em que só no pe­rí­o­do elei­to­ral se pe­de vo­tos e qua­tro anos de­pois vol­ta, igual Co­pa do Mun­do, es­se po­lí­ti­co es­tá ris­ca­do do ma­pa. A so­ci­e­da­de quer po­lí­ti­co atu­an­te, com­pro­me­ti­do e que le­ve so­lu­ções pa­ra su­as ba­ses elei­to­ra­is.

Da­nin Jú­ni­or — En­tão não há uma guer­ra in­ter­na e mu­da den­tro do PMDB?

A guer­ra in­ter­na exis­te, por­que quan­do vo­cê dis­pu­ta um man­da­to é na sua cha­pa, na sua ali­an­ça. Te­mos chan­ce de ele­ger seis ou se­te can­di­da­tos. En­tão, há dis­pu­ta in­ter­na. To­do par­ti­do tem es­sa guer­ra com es­sa le­gis­la­ção elei­to­ral vi­gen­te no Bra­sil.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Quem já tem man­da­to tem pre­fe­rên­cia? O sr. dis­pu­ta­rá va­ga na Câ­ma­ra?

Se­ria le­vi­a­no se dis­se que o de­pu­ta­do que vai se re­e­le­ger, vai ga­nhar a elei­ção. Não es­tou pre­o­cu­pa­do com quem tem ou não man­da­to, es­tou pre­o­cu­pa­do com a mi­nha pla­ta­for­ma po­lí­ti­ca, em as­su­mir o com­pro­mis­so com o es­ta­do de Go­i­ás, pa­ra de­fen­dê-lo na Câ­ma­ra Fe­de­ral. Es­tou pre­o­cu­pa­do em ir pa­ra o Con­gres­so Na­ci­o­nal pa­ra mu­dar nos­so Có­di­go Pe­nal, fa­zer gran­des mu­dan­ças na le­gis­la­ção car­ce­rá­ria, pe­ni­ten­ci­á­ria, fa­zer es­sas gran­des re­for­mas. En­fim, to­das as re­for­mas que o Bra­sil ne­ces­si­tar pa­ra ala­van­car o pro­gres­so, ge­rar em­pre­gos e co­lher es­sa ju­ven­tu­de que es­tá che­gan­do e pre­ci­sa tra­ba­lhar. Re­for­ma no se­tor edu­ca­cio­nal, re­for­ma na sa­ú­de, por­que as mu­dan­ças são mui­to gran­des no Bra­sil, e é pre­ci­so abrir o Bra­sil e dar opor­tu­ni­da­de de in­ves­ti­men­tos pa­ra o Pa­ís, tan­to do po­der pú­bli­co quan­to da ini­ci­a­ti­va pri­va­da. Es­se é o meu com­pro­mis­so, a mi­nha pla­ta­for­ma po­lí­ti­ca na cam­pa­nha pa­ra o Con­gres­so Na­ci­o­nal.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Fa­la-se que não há es­pa­ço pa­ra ter­cei­ra via. Mas se há can­di­da­to, qual o pa­pel de­le?

Não ve­jo es­pa­ço, por­que o can­di­da­to da ter­cei­ra via é um can­di­da­to da an­ti­ga ba­se do PSDB. Do la­do nos­so, es­se can­di­da­to não vai ti­rar vo­tos. Os vo­tos do PMDB são con­so­li­da­dos. Pa­ra es­se can­di­da­to ir pa­ra o se­gun­do tur­no, ele tem que ti­rar vo­tos do PSDB, do se­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo. Ou se­ja, a dis­pu­ta se­rá en­tre os ex-ali­a­dos, e não com o PMDB. Se­rá uma guer­ra mui­to doi­da, e já es­ta­mos as­sis­tin­do a es­sa guer­ra fe­roz nos bas­ti­do­res, que co­me­ça a vir a pú­bli­co. Pa­ra es­se can­di­da­to da ter­cei­ra via su­bir nas pes­qui­sas e ir pa­ra o se­gun­do tur­no vai ter que der­ru­bar o can­di­da­to do PSDB. E o PMDB não vai en­trar nes­se em­ba­te, vai con­ti­nu­ar na sua tra­je­tó­ria, com­pro­mis­sa­do com o pro­gres­so de Go­i­ás.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O PMDB não te­me fi­car com a ima­gem de tam­bém ter si­do res­pon­sá­vel por es­se go­ver­no, en­quan­to Mar­co­ni fi­ca com a ima­gem de opo­si­ção?

O PMDB não tem ne­nhu­ma res­pon­sa­bi­li­da­de com es­se go­ver­no. Não fa­ze­mos par­te e não te­mos car­gos no go­ver­no, pe­lo con­trá­rio. Tem qua­se 10 mil tu­ca­nos no go­ver­no, en­quan­to nós não te­mos nin­guém. O PMDB tem res­pon­sa­bi­li­da­de com o Es­ta­do, por­que se não fos­se a ban­ca­da do PMDB na As­sem­bleia, es­te go­ver­no te­ria si­do ´im­pe­atchma­do´, ca­í­do na va­la do mun­do, na va­la do des­gas­te. Se ho­je es­te go­ver­no es­tá ten­do sus­ten­ta­ção po­lí­ti­ca pa­ra ter­mi­nar o man­da­to e re­co­lo­car o Es­ta­do no cres­ci­men­to é gra­ças à res­pon­sa­bi­li­da­de da ban­ca­da do PMDB, que se pre­o­cu­pou com o Es­ta­do. Nós não pre­o­cu­pa­mos com o go­ver­no, nos­sa res­pon­sa­bi­li­da­de é Go­i­ás. Não que­re­mos o ca­os no Es­ta­do.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O PMDB vai ter can­di­da­to de opo­si­ção?

O can­di­da­to do PSDB é de con­ti­nuís­mo, de quem já es­te­ve no go­ver­no, de quem par­ti­ci­pa do go­ver­no, ele foi ape­nas de­sa­lo­ja­do do go­ver­no atra­vés de um di­vór­cio li­ti­gio­so. Ago­ra, re­pre­sen­ta­mos opo­si­ção tan­to ao go­ver­no quan­to ao PSDB, até por­que nos­sa li­nha é de ali­an­ça com o PT e va­mos com­ba­ter a vol­ta do PSDB ao Bra­sil. No pe­rí­o­do do PSDB no Bra­sil, tí­nha­mos in­fla­ção de 45%, ta­xa de ju­ros de 48%, nin­guém ti­nha cré­di­to pa­ra com­prar, nin­guém ti­nha aces­so a car­ro no­vo, pou­cas pes­so­as ti­nham aces­so a ge­la­dei­ra, te­le­vi­são, tan­qui­nho. O sa­lá­rio mí­ni­mo era 60 dó­la­res, ho­je é 230 dó­la­res. O Pa­ís mu­dou gra­ças à ali­an­ça do PT com o PMDB. E es­sa ali­an­ça vi­to­ri­o­sa de cres­ci­men­to no Bra­sil quem tem o dis­cur­so é o PMDB.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Mas qual o com­pro­mis­so do PMDB com o go­ver­no Al­ci­des?

Ne­nhum. Fa­ze­mos de­fe­sa do Es­ta­do, por­que não que­re­mos um Es­ta­do que­bra­do, no ca­os. Que­re­mos ga­nhar o go­ver­no com com­pe­tên­cia e apre­sen­tar uma al­ter­na­ti­va pa­ra cres­ci­men­to e pro­gres­so de Go­i­ás.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — In­te­gran­tes do PMDB di­zem que o go­ver­no Al­ci­des es­tá mal ava­li­a­do por­que o Mar­co­ni que­brou o Es­ta­do. Is­so não é fa­zer de­fe­sa do go­ver­no Al­ci­des?

Não, is­so é a ver­da­de. A Celg es­tá que­bra­da por ir­res­pon­sa­bi­li­da­de, má ges­tão, por ges­tão po­li­ti­quei­ra. A Sa­ne­a­go tam­bém li­te­ral­men­te que­bra­da, o Es­ta­do que­bra­do. Quem que­brou o Es­ta­do foi o PSDB, não foi o PMDB. Quem tem res­pon­sa­bi­li­da­de com es­sa dí­vi­da é o PSDB. O fi­lho é do PSDB, não do PMDB, que tem dis­cur­so, pro­pos­ta de go­ver­no que não é nem a do go­ver­no nem a do PSDB, é uma pro­pos­ta do que es­ta­mos fa­zen­do em Go­i­â­nia. Nun­ca se in­ves­tiu tan­to na edu­ca­ção em Go­i­â­nia. Nun­ca se in­ves­tiu tan­to na Cul­tu­ra, mais do que no Es­ta­do. O mes­mo na área do meio am­bi­en­te, is­so é po­lí­ti­ca do PMDB, do tran­spor­te, in­fra­es­tru­tu­ra, sa­ú­de. É cla­ro que a sa­ú­de não é a que que­re­mos, mas é um pro­ble­ma do Bra­sil. Mas de 100 pes­so­as que pro­cu­ram os cais em Go­i­â­nia, 46% vêm do in­te­ri­or do Es­ta­do e de ou­tros lu­ga­res do Bra­sil. Não po­de­mos ne­gar sa­ú­de pa­ra nin­guém, é uma ques­tão hu­ma­ni­tá­ria. O go­ver­no do PMDB ho­je é exem­plo. E va­mos fa­zer cam­pa­nha cons­tru­ti­va. A bri­ga é en­tre eles, e de­la es­ta­mos fo­ra. Eles es­tão nu­ma bri­ga de po­der, nós não, es­ta­mos nu­ma bri­ga de Es­ta­do de bem-es­tar so­ci­al, de jus­ti­ça so­ci­al, que pos­sa dar qua­li­da­de de vi­da aos go­i­a­nos.

Da­nin Jú­ni­or — PR, DEM e PSB po­dem sa­ir da cha­pa do go­ver­na­dor?

Acho di­fí­cil, até por­que Al­ci­des tem fa­la­do e ele é um ho­mem de pa­la­vra. Ele dis­se que vai lan­çar can­di­da­to. Não pos­so du­vi­dar da pa­la­vra do go­ver­na­dor. Ago­ra, se hou­ver se­gun­do tur­no em Go­i­ás, evi­den­te­men­te nós va­mos bus­car ali­an­ça com to­dos os par­ti­dos pa­ra ga­nhar as elei­ções e pa­ra go­ver­nar. Aca­bou a épo­ca em que Go­i­ás era go­ver­na­do por um par­ti­do só. De­fen­do ali­an­ça am­pla. Se re­al­men­te PP, DEM, PSB e PR quei­ram fa­zer ali­an­ça num cha­pão, de­fen­do per­fei­ta­men­te, por­que são pes­so­as de bem, res­pei­ta­das na po­lí­ti­ca de Go­i­ás. O PMDB não é do­no da ver­da­de e há es­pa­ço pa­ra to­dos nes­sa cam­pa­nha elei­to­ral, até por­que nós não te­mos o go­ver­no, a vi­ce-go­ver­na­do­ria nem o Se­na­do da Re­pú­bli­ca.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — San­dro Ma­bel na vi­ce do Iris é con­ver­sa de bas­ti­do­res ou fo­fo­ca de jor­nal?

É con­ver­sa de bas­ti­do­res, não é fo­fo­ca de jor­nal. Jor­nal re­pro­duz o que acon­te­ce nos bas­ti­do­res. Hou­ve a con­ver­sa, é ver­da­dei­ra. É uma hon­ra pa­ra nós ter Ma­bel com­pon­do a cha­pa do PMDB, até por­que ele já foi do PMDB, é um em­pre­sá­rio res­pei­ta­do no Bra­sil, um de­pu­ta­do que tem fei­to mui­to no Con­gres­so Na­ci­o­nal. Eu dis­se a ele que se, re­al­men­te, ele to­par fa­zer cha­pa com o PMDB vai en­gran­de­cer mui­to.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O que o PT achou dis­so?

Edilson Pelikano/Jornal Opção
Deputado José Nelto fala aos editores Euler de França Belém e Danin Júnior: “Vamos pedir, após o carnaval, a evolução patrimonial de seis ou sete ex-presidentes da Celg. Mesmo do PMDB, se alguém cometeu algum deslize, será apurado. Vamos mostrar que nossa CPI é séria”
O PT já vai ga­nhar a Pre­fei­tu­ra de Go­i­â­nia, ho­je o se­gun­do mai­or po­der do Es­ta­do, um po­der mui­to for­te. Mas há es­pa­ço tam­bém pa­ra o PT na cha­pa ma­jo­ri­tá­ria. Te­mos a ou­tra va­ga na se­na­tó­ria. Há es­pa­ço pa­ra to­dos na cha­pa do PMDB, não que­re­mos dis­cri­mi­nar nin­guém.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O que a CPI da Celg des­co­briu de con­cre­to até ago­ra? Co­mo ava­lia o re­la­tó­rio da Fi­pe?

O re­la­tó­rio da Fi­pe foi em par­te, né? Quan­do ela (Ana Pau­la Pau­li­no, pes­qui­sa­do­ra da Fi­pe) to­cou na ques­tão de Co­rum­bá, uma dí­vi­da de 4 mi­lhões de dó­la­res? Is­so não é dí­vi­da, quer di­zer, Co­rum­bá foi uma ir­res­pon­sa­bi­li­da­de do go­ver­no Ary Va­la­dão, da qual o ex-pre­si­den­te da Celg dei­xou um do­cu­men­to as­si­na­do di­zen­do que Go­i­ás não ti­nha co­mo ban­cá-la. E ou­tra ir­res­pon­sa­bi­li­da­de: se fos­se fei­to a usi­na de Co­rum­bá co­mo ela es­ta­va pro­je­ta­da ho­je não te­rí­a­mos mais as águas quen­tes de Cal­das No­vas, por­que ela en­tra­ria no la­go de Pi­ra­pi­ti­ni­ga e iria es­fri­ar o len­çol fre­á­ti­co. Por­tan­to, a usi­na fi­ca­ria pa­ra­da du­ran­te três anos pa­ra um no­vo es­tu­do. En­tão, olha a ir­res­pon­sa­bi­li­da­de do go­ver­no pas­sa­do. Dis­cor­da­mos des­se fa­to, por­que hou­ve lu­cro. Quan­do Iris Re­zen­de ne­go­ciou com o go­ver­no fe­de­ral hou­ve im­po­si­ção que, ini­ci­al­men­te, não que­ria as­su­mir Fur­nas e de­pois te­ve que as­su­mir a cons­tru­ção de Co­rum­bá/Fur­nas. Não que­ria as­su­mir Co­rum­bá I, em con­tra­par­ti­da foi cons­tru­í­da ou­tra usi­na, que é a quar­ta eta­pa de Ca­cho­ei­ra Dou­ra­da. Ou se­ja, com o di­nhei­ro de uma usi­na o go­ver­no do PMDB cons­tru­iu du­as usi­nas em Go­i­ás, Co­rum­bá I e a quar­ta eta­pa de Ca­cho­ei­ra Dou­ra­da. Nes­sa ques­tão, eu dis­cor­dei da Fi­pe. Quan­to à dí­vi­da no­mi­nal da Celg es­te­ve na As­sem­bleia, o go­ver­no fa­la que são R$ 5,7 bi­lhões, a Fi­pe fa­la que são R$ 4,1 bi­lhões. Es­te­ve na CPI da Celg o con­ta­dor, se­nhor Dio­ní­sio. Ele dis­se que a dí­vi­da é de R$ 4,6 bi­lhões. Nós des­co­bri­mos tam­bém que na di­vi­são de Go­i­ás e To­can­tins os ati­vos da Sa­ne­a­go e da Celg não fo­ram ne­go­ci­a­dos. De­pois de um lon­go tem­po hou­ve a re­ne­go­ci­a­ção no go­ver­no pas­sa­do, do PSDB, uma re­ne­go­ci­a­ção de R$ 1,650 bi­lhão e es­se di­nhei­ro não en­trou no cai­xa da Celg. Tem tam­bém a ques­tão in­fla­cio­ná­ria, a cri­se mun­di­al, o PIB do Bra­sil, até o Bin La­den deu pre­ju­í­zo pa­ra a Celg. Quan­do ele sol­tou avi­ão nas tor­res gê­me­as, a Celg es­ta­va pron­ta pa­ra ser pri­va­ti­za­da, aí o mer­ca­do fi­nan­cei­ro do mun­do in­tei­ro es­fri­ou, e os pla­no po­lí­ti­cos tam­bém. A Celg pas­sou por mui­ta cri­se. A ques­tão da Celg é de ges­tão, de ir­res­pon­sa­bi­li­da­de das ad­mi­nis­tra­ções pas­sa­das, rou­ba­lhei­ra. Há um es­que­ma que nes­sa se­ma­na foi de­nun­ci­a­do pe­lo ex-se­cre­tá­rio de Mi­nas e Ener­gia Ben­ja­min Bez­ze, que viu que os con­tra­tos da Celg, 90% são su­per­fa­tu­ra­dos. As em­pre­sas co­man­dam re­al­men­te a Celg. Há um lobby de em­prei­tei­ras mui­to gran­de lá. Elas dão pre­ju­í­zo enor­me. Uma em­pre­sa cha­ma­da Evo­lu­ti foi con­de­na­da ago­ra pe­la Jus­ti­ça em pri­mei­ra ins­tân­cia, por­que em se­te mes­es de con­tra­to deu pre­ju­í­zo de R$ 3 mi­lhões, es­se pre­ju­í­zo es­ten­den­do nos mes­es pa­ra fren­te no va­lor de R$ 325 mil por mês. E is­so de ape­nas uma em­pre­sa. Tem em­pre­sa que es­tá na Celg há 20, 30 anos. E não en­tra ou­tra no lu­gar.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Por que o go­ver­no Al­ci­des, nes­ses qua­tro anos, não com­ba­teu a cor­rup­ção?

De­ve­ria ter to­ma­do pro­vi­dên­cias há mui­to tem­po. Pas­sa­do a Celg a lim­po, pa­ra que es­sa em­pre­sa pu­des­se vol­tar a ser ren­tá­vel. A Celg foi usa­da co­mo um bal­cão de ne­gó­cio, de en­ri­que­ci­men­to de mui­to ex-di­re­to­res. Mas ela é ren­tá­vel. Es­se pre­ju­í­zo é de­bi­ta­do pa­ra to­da a po­pu­la­ção, por­que a Celg es­tá dei­xan­do de re­co­lher o ICMS pa­ra o Es­ta­do. To­do mês é jo­ga­do di­nhei­ro no bu­ra­co, na fai­xa de R$ 26mi­lhões e R$ 35 mi­lhões. Eu per­gun­to: uma em­pre­sa que não ven­de ener­gia no car­tão de dé­bi­to, não ven­de na no­ta pro­mis­só­ria, não ven­de no che­que pré-da­ta­do, só à vis­ta, e es­sa em­pre­sa dá pre­ju­í­zo, é por­que é mal ad­mi­nis­tra­da. A Celg foi pa­ra­í­so dos ban­quei­ros tam­bém, que pe­ga­vam ju­ros su­per­fa­tu­ra­dos. Tu­do is­so en­con­tra­mos na Celg, e va­mos ex­por pa­ra a opi­ni­ão pú­bli­ca, sem pai­xão ne­nhu­ma. O tra­ba­lho nos­so lá é pas­sar a Celg a lim­po. Es­que­ça os par­ti­dos po­lí­ti­cos, os ex-go­ver­na­do­res, que­re­mos apu­rar as res­pon­sa­bi­li­da­des e mos­trar que a Celg é vi­á­vel.

Da­nin Jú­ni­or — O que a opi­ni­ão pú­bli­ca quer sa­ber é se to­da es­sa in­ves­ti­ga­ção tem al­gu­ma chan­ce de re­to­mar a vi­a­bi­li­da­de téc­ni­ca da Celg.

A von­ta­de nos­sa e de to­da a so­ci­e­da­de é que o di­nhei­ro rou­ba­do fos­se de­vol­vi­do pa­ra a em­pre­sa e pa­ra o po­vo go­i­a­no. Mas is­so não vai acon­te­cer. Nós va­mos cum­prir nos­so pa­pel e en­tre­gar ao Mi­nis­té­rio Pú­bli­co, que vai le­var pa­ra a Jus­ti­ça os que fo­ram cul­pa­dos.

Da­nin Jú­ni­or — A po­pu­la­ção es­tá pre­o­cu­pa­da com a vi­a­bi­li­da­de téc­ni­ca da em­pre­sa. O Es­ta­do cres­ce e a Celg es­tá sem ca­pa­ci­da­de de in­ves­ti­men­to, até pa­ra ma­nu­ten­ção do sis­te­ma. O que vai acon­te­cer com o sis­te­ma elé­tri­co?

Es­tou mui­to pre­o­cu­pa­do, tem apa­gão qua­se to­dos os di­as, de uma ho­ra, du­as ho­ras. A Celg não tem ca­pa­ci­da­de de in­ves­ti­men­to. É pre­ci­so cons­tru­ir no­vas li­nhas de trans­mis­são, no­vas su­bes­ta­ções no Es­ta­do e nem a ma­nu­ten­ção do dia-a-dia es­tá sen­do fei­ta. Quem é pre­ju­di­ca­do é o con­tri­buin­te, o con­su­mi­dor. De­fen­do uma ges­tão com­par­ti­lha­da, en­tre a Ele­tro­brás e a Celg. A Celg, la­men­ta­vel­men­te, não po­de mais fi­car só nas mãos do Es­ta­do. Ali não há uma ges­tão pro­fis­si­o­na­li­za­da, es­sa é a ver­da­de. Hou­ve um de­sas­tre. A úl­ti­ma ges­tão da Celg res­pon­sá­vel, que tra­tou a Celg com res­pon­sa­bi­li­da­de, foi o Mar­co An­tô­nio Ma­cha­do. Não ha­via es­sa pro­mis­cu­i­da­de com em­pre­sas ter­cei­ri­za­das, não ha­via em­prés­ti­mos com ban­cos de quar­ta ca­te­go­ria. A Celg es­tá vi­ven­do pe­rí­o­do de agio­ta­gem. A Cai­xa Eco­nô­mi­ca Fe­de­ral e o Ban­co do Bra­sil não ar­ru­mam di­nhei­ro pa­ra a Celg, mas ban­cos pe­que­nos, de agio­tas, sim. Ar­ru­ma­ram di­nhei­ro pa­ra a Celg, mas dois anos de­pois a em­pre­sa es­ta­va in­vi­a­bi­li­za­da. Os ba­lan­ços fo­ram ma­qui­a­dos. Su­mi­ram da Celg do dia pa­ra a noi­te R$ 1,5 bi­lhão. Is­so quem me dis­se foi o go­ver­na­dor. Es­tá com­pro­va­da na do­cu­men­ta­ção que te­mos na CPI. O go­ver­no do PSDB deu um che­que em bran­co pa­ra a Celg, as­su­miu a dí­vi­da, mas não pa­gou. A ges­tão com­par­ti­lha­da é a mais vi­á­vel. Se eu fos­se go­ver­na­dor de Go­i­ás co­lo­ca­ria à ven­da 49,5%, por­que o Es­ta­do só te­ria 50% mais 1%. Aí sim te­ria res­pon­sa­bi­li­da­de. Es­sa no­va di­re­to­ria iria sa­ne­ar a Celg, co­lo­car pa­ra fo­ra os em­prei­tei­ros que es­tão di­la­pi­dan­do a em­pre­sa.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O ex-pre­si­den­te Fran­cis­co da Ne­ves é do­no da Evo­lu­ti?

Sua per­gun­ta é im­por­tan­te. Eu ou­vi es­se mes­mo ques­ti­o­na­men­to na se­ma­na re­tra­sa­da, se o ex-pre­si­den­te Ju­qui­nha das Ne­ves é o do­no da Evo­lu­ti. Não pos­so afir­mar nem vou acu­sar. A CPI vai ter o pa­pel de des­co­brir, se o do­no é la­ran­ja. Por que nós va­mos que­brar o si­gi­lo ban­cá­rio e te­le­fô­ni­co de mui­tas em­pre­sas aqui. Fi­quei sa­ben­do que o de­pu­ta­do Ta­deu Fi­lip­pel­li (PMDB-DF), é do­no de uma em­pre­sa tam­bém, mas não sei se é ver­da­de. Va­mos que­brar os si­gi­los des­sa em­pre­sa. Vou adi­an­tar. To­ma­mos uma po­si­ção, num do­cu­men­to as­si­na­do pe­los de­pu­ta­dos Hum­ber­to Ai­dar, Da­ni­el Gou­lart, Co­ro­nel Quei­roz e Jo­sé Nel­to. Va­mos pe­dir, após o car­na­val, a evo­lu­ção pa­tri­mo­ni­al de seis ou se­te ex-pre­si­den­tes da Celg. Mes­mo do PMDB, se al­guém co­me­teu al­gum des­li­ze, se­rá apu­ra­do. Va­mos mos­trar que nos­sa CPI é sé­ria. Ima­gi­ne vo­cê um ad­vo­ga­do ga­nhar de um dia pa­ra o ou­tro R$ 18 mi­lhões sem li­ci­ta­ção pú­bli­ca. Di­zem que foi êxi­to na ação. O êxi­to de­les foi dar pre­ju­í­zo pa­ra a Celg. A ação que ele en­trou te­ve va­li­da­de, me pa­re­ce, que por seis mes­es, de­pois a Celg te­ve que vol­tar a pa­gar a mes­ma ta­ri­fa com ju­ros e cor­re­ção mo­ne­tá­ria. Que êxi­to é es­se? De dar pre­ju­í­zo du­as ve­zes pa­ra a Celg. Não ha­ve­rá acor­do co­mo hou­ve na CPI de Ca­cho­ei­ra Dou­ra­da. O di­nhei­ro da ven­da de Ca­cho­ei­ra Dou­ra­da foi apli­ca­do na cons­tru­ção de es­tra­das de Go­i­ás, há um re­la­tó­rio do TCE que mos­tra de­ta­lha­da­men­te. O Es­ta­do ven­deu Ca­cho­ei­ra Dou­ra­da, que ge­ra­va ener­gia pa­ra a Celg, que já com­pra­va ener­gia de Fur­nas, de Itai­pu.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Qual a po­si­ção do PMDB em re­la­ção à CPI do Dé­fi­cit?

Não te­mos na­da a ver com o dé­fi­cit. O PMDB es­tá mui­to à von­ta­de em re­la­ção a is­so. Va­mos nos re­u­nir com a ban­ca­da e o que for me­lhor va­mos apro­var, por­que es­sa bri­ga é do PP com o PSDB. Mas a opi­ni­ão pú­bli­ca tem que sa­ber quem é o cul­pa­do, quem pro­vo­cou o dé­fi­cit, quem en­di­vi­dou o Es­ta­do e co­me­teu pe­ral­ti­ces na po­lí­ti­ca or­ça­men­tá­ria. Nos­sa ten­dên­cia é apo­i­ar a CPI do Dé­fi­cit.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — O go­ver­no es­tá à von­ta­de com a CPI do Dé­fi­cit?

Go­ver­no ne­nhum quer CPI, mas se o go­ver­no não ti­ver a mai­o­ria no par­la­men­to vai ter CPI con­trá­ria a ele, que vai ao fi­nal con­de­nar o go­ver­no.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — Qual ava­li­a­ção que o sr. faz do go­ver­no Al­ci­des?

O go­ver­no foi mui­to len­to no iní­cio pa­ra to­mar de­ci­sões, tan­to na re­for­ma ad­mi­nis­tra­ti­va, na ques­tão po­lí­ti­ca. O go­ver­no es­tá go­ver­nan­do com ad­ver­sá­rio den­tro do go­ver­no. Tem 10 mil tu­ca­nos tra­ba­lhan­do no go­ver­no, é cla­ro que so­fre sa­bo­ta­gem to­dos os di­as. Já há di­fi­cul­da­des pa­ra tra­ba­lhar com ami­gos, ima­gi­ne com ini­mi­gos no mes­mo an­dar que o seu, den­tro do seu ga­bi­ne­te. O go­ver­no er­rou po­lí­ti­ca e ad­mi­nis­tra­ti­va­men­te e ten­ta re­cu­pe­rar ago­ra no fi­nal do man­da­to. Eu já dis­se pa­ra o go­ver­na­dor que se ele não for­mar a ba­se po­lí­ti­ca na As­sem­bleia e mes­mo no in­te­ri­or de Go­i­ás, quan­do ele acor­dar a va­ca já foi pro bre­jo.

Eu­ler de Fran­ça Be­lém — A oi­to mes­es das elei­ções é pos­sí­vel re­cu­pe­rar o tem­po per­di­do?

Em po­lí­ti­ca, tu­do é pos­sí­vel. Quan­do há dis­po­si­ção po­lí­ti­ca, te­são po­lí­ti­ca, um go­ver­no re­vo­lu­ci­o­na o Es­ta­do. Dou­tor Al­ci­des é um exem­plo, ele já ti­nha per­di­do as elei­ções, quan­do re­sol­veu en­trar na cam­pa­nha, lu­tou e aca­bou ven­cen­do. En­tão de­pen­de da dis­po­si­ção do go­ver­na­dor. Dá tem­po ain­da de to­mar to­das as me­di­das e de re­cu­pe­rar.



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