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| Entrevistas |
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| JOSÉ NELTO |
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“Cassação é armação contra minha candidatura a deputado federal”
Peemedebista afirma que perda de mandato decretada pelo TSE por unanimidade na quinta-feira também se deve à sua atuação na CPI que investiga a dívida da Celg
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Edilson Pelikano/Jornal Opção
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| O deputado estadual José Nelto, do PMDB, está vivendo um momento particularmente complicado, pois a cassação de seu mandato foi decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral, na quinta-feira, 4. Em que pese o fato, ele se diz otimista e de cabeça erguida. Na entrevista que segue Nelto fala também do clima pré-campanha e assegura com toda firmeza que o candidato de seu partido ao governo será Iris Rezende, descartando definitivamente Henrique Meirelles. “Meirelles demorou muito, o PMDB não pode esperar. Além disso, a população quer o tira-teima entre Iris e Marconi Perillo”, afirma.
José Nelto, um crítico ferino, bate impiedosamente nos governos do PSDB, que segundo ele realmente “quebrou o Estado”. E diz que ainda dá tempo para Alcides Rodrigues recuperar o tempo perdido em sua administração.
Cezar Santos — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou a cassação de seu mandato na quinta-feira, 4, à noite. O que o sr. vai fazer?
Eu já tenho um recurso suspensivo. Assim que fui intimado meus advogados estão prontos com o pedido para embargar a decisão.
Cezar Santos — A que o sr. atribui essa cassação, sendo que no TRE o sr. ganhou por seis a zero e agora, no TSE, perdeu pelo mesmo placar?
Atribuo essa decisão a um esquema político.
Cezar Santos — E quem está por trás desse esquema político, com poder para influenciar o TSE a cassar um deputado?
Estou avaliando quem está por trás. Mas não tenho dúvida de que minha pré-candidatura a deputado federal e o meu trabalho na CPI da Celg está provocando isso.
Cezar Santos - Então é claramente uma manobra política para desestabilizar sua candidatura a deputado federal e seu trabalho na CPI?
Sim, não tem dúvida.
Cezar Santos — E como o sr. está se sentindo?
Estou otimista, com o moral alto e de cabeça erguida. Já enfrentei situações difíceis antes e, se Deus quiser, vou superar mais esta.
Cezar Santos — O sr. continua no cargo até quando?
Sim, continuo até o julgamento final, que não tem data, pode ser em dois meses, três meses, seis meses, um ano. Ninguém sabe.
Danin Júnior — Qual o impacto o sr. considera que haverá com a denúncia contra a filha do secretário Jorcelino Braga?
Me preocupo muito quando alguém mexe com a vida do homem público usando a família dele. É muito grave atingir alguém usando família. Isso é um campo minado. Veja o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello com seu irmão Pedro Collor. Acho que essa denúncia é armação política para desmoralizar o governo do doutor Alcides, porque o secretário Braga é o ´supersecretário´, o ´ministro´, o homem que cuida da economia de Goiás, da política. A ira do PSDB contra ele é muito grande. O secretário não se envolveria com negócio tão pequeno de 500, 50 mil reais. Eu não sei o relacionamento que ele tem com a filha, mas já vi até filho de coronel assaltando, roubando, e você não pode responsabilizar o coronel por isso. Já vi gente importante cometendo crimes. Citar exemplo próprio, meu filho já brigou, e eu não queria que ele brigasse. Mas que culpa eu tenho? São coisas que o pai não tem culpa. Nesse caso aí, acho que o secretário não tem culpa. Ele é vítima.
Danin Júnior — O sr. acha que vai ter desabamento político com isso?
Já virou caso de polícia e Justiça, temos agora que saber a verdade, se há motivação política, quem está por trás, o que aconteceu. Posso afirmar que o secretário não sabia, não tinha conhecimento e que jamais permitiria que uma coisa dessas acontecesse. Eu conversei com o secretário.
Euler de França Belém — Quem deve ser o candidato do PMDB ao governo?
Política é feita de convergências e divergências. O PMDB abriu os braços para o doutor Henrique Meirelles, e continua com os braços abertos. Hoje é um grande nome do PMDB, pode ser vice-presidente da República, senador, é um homem de talento, respeitado nacional e internacionalmente. Mas hoje para o governo de Goiás é difícil tirar a candidatura de Iris Rezende, até porque ele lidera todas as pesquisas. E aquela campanha bonita do PMDB, de 1982, de combate à ditadura, está voltando novamente, está renascendo no seio peemedebista com o sucesso da administração de Iris em Goiânia. A juventude que ficou distante do PMDB, hoje sabe o PMDB é um partido de resultado em Goiás, que abre espaço para todos. Posso afirmar que o candidato pelo PMDB já está definido, é Iris Rezende. Sobre Henrique Meirelles ser vice-presidente da República, seria um orgulho para nós. Não podendo, ele é um excelente candidato ao Senador da República. Ele pode chegar ao Senado e ser ministro da Fazenda, e ajudar na governabilidade do Brasil, até pela credibilidade que ele tem. Ele foi o melhor presidente do Banco Central, e isso é um orgulho para nós do PMDB.
Mas para o governo de Goiás, Iris é hoje o nome que está no coração do povo goiano, não só de peemedebistas, mas de uma parcela importante da sociedade, que quer mudanças, que não quer passado de propagandas, de arrogâncias, ódio, perseguição. Esse tempo já passou. Nós queremos agora tempo de diálogo, de paz e de construir as grandes obras que Goiás precisa, na área de infraestrutura, do setor educacional, de saúde, e mostrar que Goiás é um Estado que tem chances de ser pioneiro no crescimento industrial. Então, precisamos de homens arrojados, que têm credibilidade, e esse nome é Iris Rezende.
Danin Júnior — Quem talvez mais tenha ansiedade pela candidatura de Iris é o PT, que assume a prefeitura com a saída do prefeito. Como está essa engenharia entre PMDB e PT? Alguns setores do PMDB dizem que largar a prefeitura não é um bom negócio...
Já ouvi todo tipo de questionamento. ´Se o PT assumir a prefeitura vai trair o PMDB, o PT vai lançar candidato´. Tenho o PT como um partido de palavra, credibilidade, constituído de homens e mulheres de bem. Quando foi feita essa aliança, nós do PMDB ganhávamos a eleição. O prefeito, numa demonstração de que é um homem democrático, que pensa longe, convidou o PT para a aliança. E essa aliança foi muito bem amadurecida, com Paulo Garcia, um homem que tem credibilidade na Capital, de formação familiar muito correta, médico respeitado, professor universitário e que sabe ver que na política a pior coisa que existe é a pecha da traição. Então, nós confiamos plenamente no doutor Paulo Garcia, que vai dar continuidade aos projetos do PMDB, o compromisso com a população de Goiânia. Paulo Garcia, assumindo a prefeitura, será o candidato do PMDB para a reeleição. E ainda vamos trabalhar para escolher um bom nome do PMDB para assumir a vice dele em 2012. Portanto, temos a tranquilidade de entregar a prefeitura ao PMDB.
Euler de França Belém — No plano nacional, uma definição está clara: Meirelles não será vice da Dilma. O PMDB nacional já descartou isso. Resta ao Meirelles ser candidato ao Senado?
Ou ficar no Banco Central. Por que para o governo hoje não há como mais falar em recuo da candidatura de Iris. Até porque a população de Goiás quer o embate, o tira-teima entre Iris e Marconi Perillo (PSDB). A população já espera isso, prova é que prefeito começou, na semana passada, a ser agredido publicamente pelo senador Marconi Perillo. Num ato de desespero, porque hora nenhuma o prefeito se referiu a ele, mas Marconi começou a baixar o nível, isso é sinal de desespero, atacou o prefeito pelo jornal gratuitamente. O prefeito tem a obrigação, já foi governador, é um político que tem maturidade e quer o melhor para o Estado. O senador Marconi soltou os cachorros em cima do prefeito Iris. Eu não esperava esse comportamento dele, para mim foi um ato de desespero. Vejo o senador Marconi como um homem sereno, tranquilo, mas de uma hora para a outra se desesperou. Isso é sinal de quem está perdendo. Há um ditado popular que diz que quem apela perde. Enquanto o prefeito está tranquilo, trabalhando bem em Goiânia, e sua administração dá visibilidade para todo o Estado.
Danin Júnior — E o prazo até março que teria sido dado a Meirelles?
Seria uma honra termos Henrique Meirelles para governar Goiás, mas a questão é que na política você não pode ficar sentando esperando que alguém leve uma cadeira para você sentar. Meirelles não articulou, deixou para a última hora. Vamos supor que tenha um transtorno na economia de um dia para o outro e ele tenha que ficar no Banco Central? E se nós não tivermos preparado outro candidato? Aí nos preocupamos mesmo. Imagine se hoje temos dois pré-candidatos, e amanhã Meirelles resolva ficar no BC e Iris não tenha preparado a transição para saída da prefeitura? Aí sim ficamos sem candidato, sem palanque e sem perspectiva de ganhar o governo. Por isso a nossa luta, nosso trabalho das bancadas estadual e federal, do presidente Adib Elias, para que logo após o carnaval possamos convocar a imprensa e anunciar nosso candidato ao governo. O PMDB vai definir logo após o carnaval. Não dá para esperar até março. Não vamos esperar mais.
Danin Júnior — Já estourou o prazo que o prefeito falou no aniversário dele, de que a definição do PMDB deveria vir até o final de janeiro.
Eu disse para o prefeito que no Brasil tudo acontece depois do carnaval. Janeiro é período de férias, depois vem o carnaval. Aí sim começamos o jogo, o xadrez da política. No início de março iremos anunciar o candidato do PMDB.
Danin Júnior — Alguns setores do PMDB, inclusive deputados, reclamam nos bastidores sobre o mapeamento das bases para a eleição proporcional de 2010, com reflexo da eleição de 2006. Essa reclamação procede?
Não é verdade. Todos os deputados federais têm poder no partido há tempo, há três ou quatro mandatos. O bom do PMDB é que não há curral. Mas é preciso trabalhar. A política hoje é igual informática, todo dia se moderniza, todo dia há novidade. Assim é a política, inova muito e a sociedade cobra muito da classe política. Aquele político que não trabalhar, inovar, não tiver compromisso, responsabilidade, achar que eleição é como era no passado, em que só no período eleitoral se pede votos e quatro anos depois volta, igual Copa do Mundo, esse político está riscado do mapa. A sociedade quer político atuante, comprometido e que leve soluções para suas bases eleitorais.
Danin Júnior — Então não há uma guerra interna e muda dentro do PMDB?
A guerra interna existe, porque quando você disputa um mandato é na sua chapa, na sua aliança. Temos chance de eleger seis ou sete candidatos. Então, há disputa interna. Todo partido tem essa guerra com essa legislação eleitoral vigente no Brasil.
Euler de França Belém — Quem já tem mandato tem preferência? O sr. disputará vaga na Câmara?
Seria leviano se disse que o deputado que vai se reeleger, vai ganhar a eleição. Não estou preocupado com quem tem ou não mandato, estou preocupado com a minha plataforma política, em assumir o compromisso com o estado de Goiás, para defendê-lo na Câmara Federal. Estou preocupado em ir para o Congresso Nacional para mudar nosso Código Penal, fazer grandes mudanças na legislação carcerária, penitenciária, fazer essas grandes reformas. Enfim, todas as reformas que o Brasil necessitar para alavancar o progresso, gerar empregos e colher essa juventude que está chegando e precisa trabalhar. Reforma no setor educacional, reforma na saúde, porque as mudanças são muito grandes no Brasil, e é preciso abrir o Brasil e dar oportunidade de investimentos para o País, tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Esse é o meu compromisso, a minha plataforma política na campanha para o Congresso Nacional.
Euler de França Belém — Fala-se que não há espaço para terceira via. Mas se há candidato, qual o papel dele?
Não vejo espaço, porque o candidato da terceira via é um candidato da antiga base do PSDB. Do lado nosso, esse candidato não vai tirar votos. Os votos do PMDB são consolidados. Para esse candidato ir para o segundo turno, ele tem que tirar votos do PSDB, do senador Marconi Perillo. Ou seja, a disputa será entre os ex-aliados, e não com o PMDB. Será uma guerra muito doida, e já estamos assistindo a essa guerra feroz nos bastidores, que começa a vir a público. Para esse candidato da terceira via subir nas pesquisas e ir para o segundo turno vai ter que derrubar o candidato do PSDB. E o PMDB não vai entrar nesse embate, vai continuar na sua trajetória, compromissado com o progresso de Goiás.
Euler de França Belém — O PMDB não teme ficar com a imagem de também ter sido responsável por esse governo, enquanto Marconi fica com a imagem de oposição?
O PMDB não tem nenhuma responsabilidade com esse governo. Não fazemos parte e não temos cargos no governo, pelo contrário. Tem quase 10 mil tucanos no governo, enquanto nós não temos ninguém. O PMDB tem responsabilidade com o Estado, porque se não fosse a bancada do PMDB na Assembleia, este governo teria sido ´impeatchmado´, caído na vala do mundo, na vala do desgaste. Se hoje este governo está tendo sustentação política para terminar o mandato e recolocar o Estado no crescimento é graças à responsabilidade da bancada do PMDB, que se preocupou com o Estado. Nós não preocupamos com o governo, nossa responsabilidade é Goiás. Não queremos o caos no Estado.
Euler de França Belém — O PMDB vai ter candidato de oposição?
O candidato do PSDB é de continuísmo, de quem já esteve no governo, de quem participa do governo, ele foi apenas desalojado do governo através de um divórcio litigioso. Agora, representamos oposição tanto ao governo quanto ao PSDB, até porque nossa linha é de aliança com o PT e vamos combater a volta do PSDB ao Brasil. No período do PSDB no Brasil, tínhamos inflação de 45%, taxa de juros de 48%, ninguém tinha crédito para comprar, ninguém tinha acesso a carro novo, poucas pessoas tinham acesso a geladeira, televisão, tanquinho. O salário mínimo era 60 dólares, hoje é 230 dólares. O País mudou graças à aliança do PT com o PMDB. E essa aliança vitoriosa de crescimento no Brasil quem tem o discurso é o PMDB.
Euler de França Belém — Mas qual o compromisso do PMDB com o governo Alcides?
Nenhum. Fazemos defesa do Estado, porque não queremos um Estado quebrado, no caos. Queremos ganhar o governo com competência e apresentar uma alternativa para crescimento e progresso de Goiás.
Euler de França Belém — Integrantes do PMDB dizem que o governo Alcides está mal avaliado porque o Marconi quebrou o Estado. Isso não é fazer defesa do governo Alcides?
Não, isso é a verdade. A Celg está quebrada por irresponsabilidade, má gestão, por gestão politiqueira. A Saneago também literalmente quebrada, o Estado quebrado. Quem quebrou o Estado foi o PSDB, não foi o PMDB. Quem tem responsabilidade com essa dívida é o PSDB. O filho é do PSDB, não do PMDB, que tem discurso, proposta de governo que não é nem a do governo nem a do PSDB, é uma proposta do que estamos fazendo em Goiânia. Nunca se investiu tanto na educação em Goiânia. Nunca se investiu tanto na Cultura, mais do que no Estado. O mesmo na área do meio ambiente, isso é política do PMDB, do transporte, infraestrutura, saúde. É claro que a saúde não é a que queremos, mas é um problema do Brasil. Mas de 100 pessoas que procuram os cais em Goiânia, 46% vêm do interior do Estado e de outros lugares do Brasil. Não podemos negar saúde para ninguém, é uma questão humanitária. O governo do PMDB hoje é exemplo. E vamos fazer campanha construtiva. A briga é entre eles, e dela estamos fora. Eles estão numa briga de poder, nós não, estamos numa briga de Estado de bem-estar social, de justiça social, que possa dar qualidade de vida aos goianos.
Danin Júnior — PR, DEM e PSB podem sair da chapa do governador?
Acho difícil, até porque Alcides tem falado e ele é um homem de palavra. Ele disse que vai lançar candidato. Não posso duvidar da palavra do governador. Agora, se houver segundo turno em Goiás, evidentemente nós vamos buscar aliança com todos os partidos para ganhar as eleições e para governar. Acabou a época em que Goiás era governado por um partido só. Defendo aliança ampla. Se realmente PP, DEM, PSB e PR queiram fazer aliança num chapão, defendo perfeitamente, porque são pessoas de bem, respeitadas na política de Goiás. O PMDB não é dono da verdade e há espaço para todos nessa campanha eleitoral, até porque nós não temos o governo, a vice-governadoria nem o Senado da República.
Euler de França Belém — Sandro Mabel na vice do Iris é conversa de bastidores ou fofoca de jornal?
É conversa de bastidores, não é fofoca de jornal. Jornal reproduz o que acontece nos bastidores. Houve a conversa, é verdadeira. É uma honra para nós ter Mabel compondo a chapa do PMDB, até porque ele já foi do PMDB, é um empresário respeitado no Brasil, um deputado que tem feito muito no Congresso Nacional. Eu disse a ele que se, realmente, ele topar fazer chapa com o PMDB vai engrandecer muito.
Euler de França Belém — O que o PT achou disso?
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Edilson Pelikano/Jornal Opção
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Deputado José Nelto fala aos editores Euler de França Belém e Danin Júnior: “Vamos pedir, após o carnaval, a evolução patrimonial de seis ou sete ex-presidentes da Celg. Mesmo do PMDB, se alguém cometeu algum deslize, será apurado. Vamos mostrar que nossa CPI é séria”
| O PT já vai ganhar a Prefeitura de Goiânia, hoje o segundo maior poder do Estado, um poder muito forte. Mas há espaço também para o PT na chapa majoritária. Temos a outra vaga na senatória. Há espaço para todos na chapa do PMDB, não queremos discriminar ninguém.
Euler de França Belém — O que a CPI da Celg descobriu de concreto até agora? Como avalia o relatório da Fipe?
O relatório da Fipe foi em parte, né? Quando ela (Ana Paula Paulino, pesquisadora da Fipe) tocou na questão de Corumbá, uma dívida de 4 milhões de dólares? Isso não é dívida, quer dizer, Corumbá foi uma irresponsabilidade do governo Ary Valadão, da qual o ex-presidente da Celg deixou um documento assinado dizendo que Goiás não tinha como bancá-la. E outra irresponsabilidade: se fosse feito a usina de Corumbá como ela estava projetada hoje não teríamos mais as águas quentes de Caldas Novas, porque ela entraria no lago de Pirapitiniga e iria esfriar o lençol freático. Portanto, a usina ficaria parada durante três anos para um novo estudo. Então, olha a irresponsabilidade do governo passado. Discordamos desse fato, porque houve lucro. Quando Iris Rezende negociou com o governo federal houve imposição que, inicialmente, não queria assumir Furnas e depois teve que assumir a construção de Corumbá/Furnas. Não queria assumir Corumbá I, em contrapartida foi construída outra usina, que é a quarta etapa de Cachoeira Dourada. Ou seja, com o dinheiro de uma usina o governo do PMDB construiu duas usinas em Goiás, Corumbá I e a quarta etapa de Cachoeira Dourada. Nessa questão, eu discordei da Fipe. Quanto à dívida nominal da Celg esteve na Assembleia, o governo fala que são R$ 5,7 bilhões, a Fipe fala que são R$ 4,1 bilhões. Esteve na CPI da Celg o contador, senhor Dionísio. Ele disse que a dívida é de R$ 4,6 bilhões. Nós descobrimos também que na divisão de Goiás e Tocantins os ativos da Saneago e da Celg não foram negociados. Depois de um longo tempo houve a renegociação no governo passado, do PSDB, uma renegociação de R$ 1,650 bilhão e esse dinheiro não entrou no caixa da Celg. Tem também a questão inflacionária, a crise mundial, o PIB do Brasil, até o Bin Laden deu prejuízo para a Celg. Quando ele soltou avião nas torres gêmeas, a Celg estava pronta para ser privatizada, aí o mercado financeiro do mundo inteiro esfriou, e os plano políticos também. A Celg passou por muita crise. A questão da Celg é de gestão, de irresponsabilidade das administrações passadas, roubalheira. Há um esquema que nessa semana foi denunciado pelo ex-secretário de Minas e Energia Benjamin Bezze, que viu que os contratos da Celg, 90% são superfaturados. As empresas comandam realmente a Celg. Há um lobby de empreiteiras muito grande lá. Elas dão prejuízo enorme. Uma empresa chamada Evoluti foi condenada agora pela Justiça em primeira instância, porque em sete meses de contrato deu prejuízo de R$ 3 milhões, esse prejuízo estendendo nos meses para frente no valor de R$ 325 mil por mês. E isso de apenas uma empresa. Tem empresa que está na Celg há 20, 30 anos. E não entra outra no lugar.
Euler de França Belém — Por que o governo Alcides, nesses quatro anos, não combateu a corrupção?
Deveria ter tomado providências há muito tempo. Passado a Celg a limpo, para que essa empresa pudesse voltar a ser rentável. A Celg foi usada como um balcão de negócio, de enriquecimento de muito ex-diretores. Mas ela é rentável. Esse prejuízo é debitado para toda a população, porque a Celg está deixando de recolher o ICMS para o Estado. Todo mês é jogado dinheiro no buraco, na faixa de R$ 26milhões e R$ 35 milhões. Eu pergunto: uma empresa que não vende energia no cartão de débito, não vende na nota promissória, não vende no cheque pré-datado, só à vista, e essa empresa dá prejuízo, é porque é mal administrada. A Celg foi paraíso dos banqueiros também, que pegavam juros superfaturados. Tudo isso encontramos na Celg, e vamos expor para a opinião pública, sem paixão nenhuma. O trabalho nosso lá é passar a Celg a limpo. Esqueça os partidos políticos, os ex-governadores, queremos apurar as responsabilidades e mostrar que a Celg é viável.
Danin Júnior — O que a opinião pública quer saber é se toda essa investigação tem alguma chance de retomar a viabilidade técnica da Celg.
A vontade nossa e de toda a sociedade é que o dinheiro roubado fosse devolvido para a empresa e para o povo goiano. Mas isso não vai acontecer. Nós vamos cumprir nosso papel e entregar ao Ministério Público, que vai levar para a Justiça os que foram culpados.
Danin Júnior — A população está preocupada com a viabilidade técnica da empresa. O Estado cresce e a Celg está sem capacidade de investimento, até para manutenção do sistema. O que vai acontecer com o sistema elétrico?
Estou muito preocupado, tem apagão quase todos os dias, de uma hora, duas horas. A Celg não tem capacidade de investimento. É preciso construir novas linhas de transmissão, novas subestações no Estado e nem a manutenção do dia-a-dia está sendo feita. Quem é prejudicado é o contribuinte, o consumidor. Defendo uma gestão compartilhada, entre a Eletrobrás e a Celg. A Celg, lamentavelmente, não pode mais ficar só nas mãos do Estado. Ali não há uma gestão profissionalizada, essa é a verdade. Houve um desastre. A última gestão da Celg responsável, que tratou a Celg com responsabilidade, foi o Marco Antônio Machado. Não havia essa promiscuidade com empresas terceirizadas, não havia empréstimos com bancos de quarta categoria. A Celg está vivendo período de agiotagem. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não arrumam dinheiro para a Celg, mas bancos pequenos, de agiotas, sim. Arrumaram dinheiro para a Celg, mas dois anos depois a empresa estava inviabilizada. Os balanços foram maquiados. Sumiram da Celg do dia para a noite R$ 1,5 bilhão. Isso quem me disse foi o governador. Está comprovada na documentação que temos na CPI. O governo do PSDB deu um cheque em branco para a Celg, assumiu a dívida, mas não pagou. A gestão compartilhada é a mais viável. Se eu fosse governador de Goiás colocaria à venda 49,5%, porque o Estado só teria 50% mais 1%. Aí sim teria responsabilidade. Essa nova diretoria iria sanear a Celg, colocar para fora os empreiteiros que estão dilapidando a empresa.
Euler de França Belém — O ex-presidente Francisco da Neves é dono da Evoluti?
Sua pergunta é importante. Eu ouvi esse mesmo questionamento na semana retrasada, se o ex-presidente Juquinha das Neves é o dono da Evoluti. Não posso afirmar nem vou acusar. A CPI vai ter o papel de descobrir, se o dono é laranja. Por que nós vamos quebrar o sigilo bancário e telefônico de muitas empresas aqui. Fiquei sabendo que o deputado Tadeu Filippelli (PMDB-DF), é dono de uma empresa também, mas não sei se é verdade. Vamos quebrar os sigilos dessa empresa. Vou adiantar. Tomamos uma posição, num documento assinado pelos deputados Humberto Aidar, Daniel Goulart, Coronel Queiroz e José Nelto. Vamos pedir, após o carnaval, a evolução patrimonial de seis ou sete ex-presidentes da Celg. Mesmo do PMDB, se alguém cometeu algum deslize, será apurado. Vamos mostrar que nossa CPI é séria. Imagine você um advogado ganhar de um dia para o outro R$ 18 milhões sem licitação pública. Dizem que foi êxito na ação. O êxito deles foi dar prejuízo para a Celg. A ação que ele entrou teve validade, me parece, que por seis meses, depois a Celg teve que voltar a pagar a mesma tarifa com juros e correção monetária. Que êxito é esse? De dar prejuízo duas vezes para a Celg. Não haverá acordo como houve na CPI de Cachoeira Dourada. O dinheiro da venda de Cachoeira Dourada foi aplicado na construção de estradas de Goiás, há um relatório do TCE que mostra detalhadamente. O Estado vendeu Cachoeira Dourada, que gerava energia para a Celg, que já comprava energia de Furnas, de Itaipu.
Euler de França Belém — Qual a posição do PMDB em relação à CPI do Déficit?
Não temos nada a ver com o déficit. O PMDB está muito à vontade em relação a isso. Vamos nos reunir com a bancada e o que for melhor vamos aprovar, porque essa briga é do PP com o PSDB. Mas a opinião pública tem que saber quem é o culpado, quem provocou o déficit, quem endividou o Estado e cometeu peraltices na política orçamentária. Nossa tendência é apoiar a CPI do Déficit.
Euler de França Belém — O governo está à vontade com a CPI do Déficit?
Governo nenhum quer CPI, mas se o governo não tiver a maioria no parlamento vai ter CPI contrária a ele, que vai ao final condenar o governo.
Euler de França Belém — Qual avaliação que o sr. faz do governo Alcides?
O governo foi muito lento no início para tomar decisões, tanto na reforma administrativa, na questão política. O governo está governando com adversário dentro do governo. Tem 10 mil tucanos trabalhando no governo, é claro que sofre sabotagem todos os dias. Já há dificuldades para trabalhar com amigos, imagine com inimigos no mesmo andar que o seu, dentro do seu gabinete. O governo errou política e administrativamente e tenta recuperar agora no final do mandato. Eu já disse para o governador que se ele não formar a base política na Assembleia e mesmo no interior de Goiás, quando ele acordar a vaca já foi pro brejo.
Euler de França Belém — A oito meses das eleições é possível recuperar o tempo perdido?
Em política, tudo é possível. Quando há disposição política, tesão política, um governo revoluciona o Estado. Doutor Alcides é um exemplo, ele já tinha perdido as eleições, quando resolveu entrar na campanha, lutou e acabou vencendo. Então depende da disposição do governador. Dá tempo ainda de tomar todas as medidas e de recuperar.
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