Goiânia, 09 de setembro de 2010 (17:21)
De: 14 a 20 de junho de 2009

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  Editorial
Po­lí­ti­co in­vi­sí­vel e fo­go cru­za­do
 

Se in­sis­tir ape­nas com o dis­cur­so téc­ni­co, Mei­rel­les po­de ter sua cam­pa­nha so­ter­ra­da pe­lo dis­cur­so po­lí­ti­co po­la­ri­za­do do pe­e­me­de­bis­ta Iris Re­zen­de e do tu­ca­no Mar­co­ni Pe­ril­lo

Não é o re­a­lis­mo que faz as pes­so­as con­ti­nu­a­rem vi­vas e ati­vas. É a fan­ta­sia que a tor­na bem-hu­mo­ra­das e dis­pos­tas a en­fren­tar as ad­ver­si­da­des. Mas quem quer en­ten­der as con­tra­di­ções da po­lí­ti­ca de­ve des­pir-se de ilu­sões e au­to-en­ga­nos. O pri­mei­ro pas­so é du­vi­dar de cer­te­zas e de po­si­ções ra­di­cais. Quem leu os jor­nais de Go­i­â­nia na se­ma­na pas­sa­da po­de ter fi­ca­do com a im­pres­são de que Hen­ri­que Mei­rel­les es­tá fo­ra do pro­ces­so e que es­tá de­fi­ni­do que o can­di­da­to da ba­se do pre­si­den­te Lu­la da Sil­va ao go­ver­no de Go­i­ás é mes­mo o pre­fei­to Iris Re­zen­de. O Jor­nal Op­ção tem re­a­fir­ma­do que o pe­tis­ta-che­fe con­si­de­ra Iris co­mo o can­di­da­to mais ap­to a en­fren­tar o se­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo. Por­que o pe­e­me­de­bis­ta tem ex­pe­ri­ên­cia e co­ra­gem de en­fren­tar aque­le que é ti­do, por mui­tos, co­mo “im­ba­tí­vel” (em po­lí­ti­ca, o ser “im­ba­tí­vel” é co­mo o mons­tro do La­go Ness: não exis­te). En­tre­tan­to, é pre­ci­so di­zer que a po­lí­ti­ca de Go­i­ás, co­mo di­ria o ita­li­a­no Um­ber­to Eco, é uma obra aber­ta. Os da­dos es­tão sen­do lan­ça­dos, mas nem to­dos fo­ram lan­ça­dos.

Re­pór­te­res do Jor­nal Op­ção ou­vi­ram vá­rios po­lí­ti­cos go­i­a­nos, co­mo o de­pu­ta­do fe­de­ral Ru­bens Oto­ni (PT), o se­na­dor Mar­co­ni Pe­ril­lo (PSDB), o ex-de­pu­ta­do fe­de­ral Vil­mar Ro­cha (DEM), o de­pu­ta­do fe­de­ral Lu­iz Bit­ten­court (PMDB), o se­cre­tá­rio de Co­mu­ni­ca­ção da Pre­fei­tu­ra de Go­i­â­nia, Lí­vio Lu­ci­a­no (PMDB), Sér­gio Lu­cas (PP), en­tre ou­tros. O que se vai ler a se­guir con­tém al­gu­ma coi­sa do que pen­sam, mas a aná­li­se é de ex­clu­si­va res­pon­sa­bi­li­da­de do Jor­nal Op­ção. A 15 mes­es e 19 di­as das elei­ções de 3 de ou­tu­bro de 2009 — um ano, três mes­es e 19 di­as —, há pou­co con­sen­so so­bre o que po­de­rá acon­te­cer. Por exem­plo: dois ou três can­di­da­tos for­tes es­ta­rão na dis­pu­ta? Não se sa­be. Ou­tra per­gun­ta: o go­ver­na­dor Al­ci­des Ro­dri­gues, pos­sí­vel fi­el da ba­lan­ça, apo­i­a­rá Iris, Mar­co­ni ou Mei­rel­les? No pri­mei­ro tur­no, a ten­dên­cia é o apoio a Mei­rel­les. E no se­gun­do tur­no? Os pre­fei­tos pres­sio­na­riam Al­ci­des pa­ra apo­i­ar Mar­co­ni, nu­ma pos­sí­vel dis­pu­ta en­tre o tu­ca­no e Iris? A pres­são se­ria acei­ta? São dú­vi­das per­ti­nen­tes, mas não há res­pos­tas pre­ci­sas, por­que os po­lí­ti­cos pre­ci­sam de tem­po pa­ra ma­tu­rar su­as re­fle­xões e to­mar de­ci­sões.

O pro­ces­so su­ces­só­rio per­ma­ne­ce, por­tan­to, “ne­bu­lo­so”. A úni­ca coi­sa de­fi­ni­da, e sem pos­si­bi­li­da­de de mu­dan­ça, é que tan­to Iris quan­to Al­ci­des es­tão no pro­je­to de Lu­la. De du­as for­mas. De­vem apo­i­ar a mi­nis­tra Dil­ma Rous­seff pa­ra pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca. E não es­ta­rão no pa­lan­que de Mar­co­ni. Es­ta­rão, é qua­se cer­to, con­tra o se­na­dor tu­ca­no.

O pro­je­to de Lu­la é ele­ger Dil­ma e uma ban­ca­da de se­na­do­res con­sis­ten­te. No ca­so es­pe­cí­fi­co de Go­i­ás, o ob­je­ti­vo é ele­ger o go­ver­na­dor — Iris, Mei­rel­les ou Ru­bens Oto­ni (PT) — e dois se­na­do­res. Não se­rá fá­cil, sa­be o pre­si­den­te. Mas a am­pla ali­an­ça que ten­ta cos­tu­rar, a par­tir de Bra­sí­lia, tem a ver com a te­se de que Dil­ma po­de der­ro­tar Jo­sé Ser­ra — usan­do Lu­la co­mo prin­ci­pal ca­bo elei­to­ral (a elei­ção se­ria ple­bis­ci­tá­ria: con­tra ou a fa­vor do pre­si­den­te pe­tis­ta) — e que, no go­ver­no, pre­ci­sa­rá de uma ba­se ali­a­da só­li­da no Con­gres­so Na­ci­o­nal.

Por con­ta da for­ça do PSDB, que ele­geu Mar­co­ni du­as ve­zes pa­ra o go­ver­no e ban­cou Al­ci­des uma vez, Lu­la nun­ca ar­ti­cu­lou bem em Go­i­ás. O pre­si­den­te ava­lia, nas con­ver­sa­ções que man­tém com os po­lí­ti­cos go­i­a­nos, que o qua­dro mu­dou. A con­for­ma­ção da po­lí­ti­ca go­i­a­na ho­je se­ria ou­tra, na con­cep­ção do pe­tis­ta. Ele con­ta com o apoio do PT, do PP, do PMDB e do PR e, mais do que nun­ca, es­tá bem pró­xi­mo dos po­lí­ti­cos lo­ca­is, dan­do uma aten­ção es­pe­ci­al a Iris e Al­ci­des. Uni­dos, os qua­tro par­ti­dos te­rão o con­tro­le de pra­ti­ca­men­te 70% do tem­po dos pro­gra­mas de te­le­vi­são. Se a te­vê de­ci­de uma elei­ção, é de al­gum in­te­res­se fi­car aten­to ao nú­me­ro.

Se há al­gu­mas cer­te­zas, ou su­pos­tas cer­te­zas — co­mo a ob­ser­va­ção dos pe­tis­tas de que Al­ci­des es­tá fe­cha­do com Lu­la e rom­pi­do com Mar­co­ni de mo­do ir­re­me­diá­vel —, per­sis­te uma dú­vi­da. O lu­lis­mo, o so­ci­a­lis­mo do PT, ban­ca­rá um ou dois can­di­da­tos? Num pri­mei­ro mo­men­to, o pre­si­den­te su­ge­riu que dois no­mes le­va­ri­am a dis­pu­ta pa­ra o se­gun­do tur­no. Nas úl­ti­mas se­ma­nas, tem su­ge­ri­do que o me­lhor ca­mi­nho é, par­tir de uma fren­te am­pla e con­so­li­da­da, ban­car ape­nas um can­di­da­to — Iris, Mei­rel­les ou Ru­bens Oto­ni (PT). Lu­la ava­lia que uma com­po­si­ção co­e­sa, com tem­po de te­vê e re­cur­sos fi­nan­cei­ros su­fi­ci­en­tes, po­de der­ro­tar um qua­se so­li­tá­rio Mar­co­ni. No pri­mei­ro tur­no.

Uma pro­va de que as cer­te­zas ab­so­lu­tas são cor­roí­das pe­lo tem­po é a uni­ão atu­al en­tre PMDB e PT. Du­ran­te anos, era mais fá­cil um ri­co en­trar no rei­no do Céu do que o PT apo­i­ar o PMDB, es­pe­ci­fi­ca­men­te Iris Re­zen­de. Ho­je, é pra­ti­ca­men­te im­pos­sí­vel des­gru­dar os dois par­ti­dos, que, de­pois de um na­mo­ro apai­xo­na­do, ca­sa­ram-se na igre­ja, em 2008, na dis­pu­ta pe­la Pre­fei­tu­ra de Go­i­â­nia, e de­vem se ca­sar no ci­vil, em 2010, na dis­pu­ta pe­lo go­ver­no do Es­ta­do. A ali­an­ça der­ro­tou os adep­tos do co­ro dos que só olham pa­ra o pas­sa­do. Por­tan­to, é pos­sí­vel di­zer que, ao con­trá­rio do que se cos­tu­ma pen­sar, PP e PMDB po­dem, sim, se unir em 2010. Há sem­pre uma pri­mei­ra vez e o ra­ci­o­cí­nio do tra­di­cio­na­lis­mo, de que UDN e PSD não se unem ja­mais, po­de ser su­pe­ra­do pe­los fa­tos, pe­la ne­ces­si­da­de de der­ro­tar um opo­nen­te per­ti­naz e sur­pre­en­den­te, Mar­co­ni.

Na se­ma­na pas­sa­da ou­viu-se que Mei­rel­les, te­men­do uma pos­sí­vel cam­pa­nha mui­to acir­ra­da, com ata­ques à hon­ra, per­ma­ne­ce­ria no Ban­co Cen­tral. Em con­ta­to com o se­na­dor De­mós­te­nes Tor­res, que se tor­nou uma es­pé­cie de con­fi­den­te de­mo­cra­ta do pe­tis­ta-mor, Lu­la su­ge­riu, mais do que dis­se, que Mei­rel­les vai fi­car no BC. O que pou­cos per­ce­be­ram é que, se dis­ses­se que Mei­rel­les quer ser can­di­da­to, na­que­le mo­men­to Lu­la de­fla­gra­ria di­re­ta­men­te a cam­pa­nha do ban­quei­ro a go­ver­na­dor de Go­i­ás. Não só. Pa­la­vras in­cau­tas po­de­ri­am der­ru­bar as in­tran­qüi­las apli­ca­ções fi­nan­cei­ras na Bol­sa de Va­lo­res. Ao mes­mo tem­po, o pe­tis­ta, ao fa­zer de Mei­rel­les “seu” can­di­da­to, lan­çan­do-o, afe­ta­ria Iris, ou se­ja, de­sa­que­ce­ria a qua­se pré-cam­pa­nha do pe­e­me­de­bis­ta. O que não in­te­res­sa a Lu­la.

Na ver­da­de, Lu­la pre­fe­re mes­mo Iris, por­que, co­mo se dis­se, o vê co­mo um ho­mem ex­pe­ri­en­te e co­ra­jo­so. O po­lí­ti­co que tem tu­ta­no pa­ra en­fren­tar uma fe­ra po­lí­ti­ca. “Iris é o nos­so Mar­co­ni”, diz um pe­tis­ta, e fa­lan­do sé­rio. “O ho­mem é uma má­qui­na de fa­zer po­lí­ti­ca”, acres­cen­ta o pe­tis­ta, que o acom­pa­nha, na pre­fei­tu­ra, em vá­ri­as ati­vi­da­des. No en­tan­to, pre­fe­rir Iris não sig­ni­fi­ca des­car­tar Mei­rel­les. Por­que Lu­la sa­be que Al­ci­des, o po­lí­ti­co cha­ve pa­ra aba­lar a ba­se de Mar­co­ni, não quer apo­i­ar Iris pa­ra go­ver­na­dor e, por is­so, ar­ti­cu­la Mei­rel­les. Não é, co­mo a vi­são tra­di­cio­nal su­ge­re, ape­nas por­que as ba­ses não que­rem uma ali­an­ça com Iris. Na ver­da­de, se Iris for elei­to go­ver­na­dor, o PP não se­rá per­se­gui­do — acre­di­ta-se, en­tre os pe­pis­tas, que Mar­co­ni, se elei­to, pro­mo­ve­rá uma ca­ça às bru­xas mui­to mai­or do que en­tre 1999 e 2000 —, mas não te­rá o po­der. Na hi­pó­te­se de uma vi­tó­ria de Mei­rel­les, por mais que mon­te sua equi­pe com al­guns téc­ni­cos de fo­ra, a mai­o­ria dos in­te­gran­tes do pri­mei­ro e do se­gun­do es­ca­lão sai­rá do PP e de par­ti­dos ali­a­dos. O go­ver­no se­ria de Mei­rel­les, mas a má­qui­na per­ma­ne­ce­ria, de al­gum mo­do, com Al­ci­des. Co­mo Al­ci­des fa­la pou­co, as pes­so­as não per­ce­bem o ób­vio: ele quer man­ter o po­der, ain­da que in­di­re­ta­men­te.

Se qui­ses­se bar­rar Mei­rel­les, se qui­ses­se jo­gar com ape­nas um can­di­da­to, Lu­la de­sau­to­ri­za­ria as ações de Mei­rel­les jun­to aos es­ca­lões su­pe­ri­o­res do go­ver­no. Na ar­ti­cu­la­ção pa­ra a ob­ten­ção do em­prés­ti­mo de 1,2 bi­lhão de re­ais — re­cur­sos do BNDES e do Ban­co do Bra­sil —, o pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral, Hen­ri­que Mei­rel­les, con­ver­sou, vá­ri­as ve­zes, com o se­cre­tá­rio da Fa­zen­da, Jor­ce­li­no Bra­ga. Por sua lar­ga ex­pe­ri­ên­cia no mer­ca­do fi­nan­cei­ro, Mei­rel­les deu in­for­ma­ções de­ci­si­vas de co­mo con­du­zir o pro­ces­so. Ao mes­mo tem­po, por con­ta de seu pres­tí­gio no go­ver­no Lu­la — o pre­si­den­te gos­ta de sua dis­cri­ção, de sua pers­pec­ti­va não in­va­si­va —, Mei­rel­les con­tri­bu­iu pa­ra abrir es­pa­ço jun­to ao cor­po téc­ni­co dos ban­cos que em­pres­ta­rão o di­nhei­ro pa­ra re­qua­li­fi­car (mais do que sal­var) a Celg. Os téc­ni­cos go­i­a­nos, ca­pi­ta­ne­a­dos por Jor­ce­li­no Bra­ga e pe­lo pre­si­den­te da em­pre­sa, Car­los Sil­va, pas­sa­ram a ter tra­ta­men­to vip da área téc­ni­ca dos ban­cos. Por­que, se ha­via a de­ci­são po­lí­ti­ca de Lu­la, de que era pa­ra li­be­rar o em­prés­ti­mo, o es­ca­lão téc­ni­co do se­tor fi­nan­cei­ro do go­ver­no re­lu­tou, o quan­to pô­de, a ad­mi­tir que era pos­sí­vel fa­zer o acer­to. A bu­ro­cra­cia é an­ti-de­sen­vol­vi­men­tis­ta por na­tu­re­za.

O fa­to é que, nu­ma pos­sí­vel cam­pa­nha pa­ra go­ver­na­dor, Mei­rel­les ten­de a ser apre­sen­ta­do co­mo o tec­no­po­lí­ti­co que, te­o­ri­ca­men­te, con­tri­bu­iu pa­ra equi­li­brar as fi­nan­ças da Celg. Po­de pa­re­cer pou­co, mas não é. Por­que, no de­ba­te po­lí­ti­co, po­de­rá ser apre­sen­ta­do co­mo aque­le que aju­dou a “sal­var” a em­pre­sa que pos­sí­veis opo­nen­tes “afun­da­ram”.

Pa­ra en­cur­tar a his­tó­ria, pe­lo qua­dro de ho­je, po­de-se di­zer que Lu­la quer Iris ou Mei­rel­les na dis­pu­ta e Al­ci­des quer ban­car Mei­rel­les. O pro­ble­ma de Al­ci­des é me­nos Mar­co­ni do que Iris. Por­que, nu­ma dis­pu­ta po­la­ri­za­da, a ten­dên­cia do elei­tor é pres­tar aten­ção nos con­ten­do­res que dis­cu­tem mais, que se apre­sen­tam co­mo as al­ter­na­ti­vas re­al­men­te vi­á­veis, do que no can­di­da­to dis­cre­to e me­ra­men­te pro­po­si­ti­vo. Pes­qui­sas di­zem que há es­pa­ço pa­ra a re­no­va­ção, pa­ra a he­ge­mo­nia do dis­cur­so téc­ni­co, mas, nas cam­pa­nhas, o que gal­va­ni­za a opi­ni­ão pú­bli­ca é mui­to mais o de­ba­te po­lí­ti­co, com a téc­ni­ca sen­do usa­da co­mo su­por­te. Um can­di­da­to que não pas­sa al­gu­ma emo­ção, um cer­to hu­ma­nis­mo, po­de até ser elo­gi­a­do por to­dos, mas o elei­tor gos­ta mes­mo é da­que­les po­lí­ti­cos que, co­mo Mar­co­ni e Iris, têm al­ma. Por en­quan­to, fal­ta al­ma a Mei­rel­les. Pe­go no fo­go cru­za­do, po­de ser olim­pi­ca­men­te ofus­ca­do, co­mo fo­ram Bar­bo­sa Ne­to e De­mós­te­nes Tor­res em 2006, quan­do a elei­ção fi­cou po­la­ri­za­da en­tre Al­ci­des Ro­dri­gues e Ma­gui­to Vi­le­la. Se não qui­ser se tor­nar um po­lí­ti­co qua­se in­vi­sí­vel, Mei­rel­les te­rá de en­trar no jo­go, que cer­ta­men­te se­rá du­ro, im­pla­cá­vel.



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