Irapuan Costa Junior
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Toda ditadura desarma os civis
O Brasil tem uma legislação das mais restritivas em todo mundo no que respeita a armamentos leves, sua posse, porte e uso.
O malfadado Estatuto do Desarmamento, secundado por portarias “regulamentadoras” torna dificílima a posse de uma arma, mesmo que comprovadamente necessária, e complica sobremaneira a vida de militares, policiais, atiradores, caçadores de sobrevivência e outras categorias.
O referendo sobre a venda de armas mostrou que a enorme maioria dos brasileiros não concorda com essa ação repressiva, erroneamente dirigida contra possuidores de armamento nula letalidade, enquanto a repressão à violência ofensiva, criminosa, responsável por 50 mil mortes anuais, é esquecida pelas autoridades.
A despeito disso, vez por outra, novos projetos de lei surgem no Congresso, e novas normas surgem no Executivo, secundados por manifestações jornalísticas e acadêmicas sempre sintonizadas, para mais restrições. Seria ingenuidade supor que se trata de mera coincidência o fato de seus autores serem em sua quase totalidade representantes das esquerdas mais radicais, acompanhados de notórios negociadores de votos. E serem financiados por organismos da ONU e ONGs de esquerda.
Clausewitz dizia que “a guerra é um ato de violência destinado a obrigar o adversário a obedecer a nossa vontade... o desarmamento do inimigo é a meta da guerra... a desvantagem de sua situação não deve ser transitória ou pelo menos não parecê-lo, pois o adversário aguardaria um momento mais favorável e não cederia... para um beligerante, a pior das situações é aquela em que ele se encontre totalmente desarmado... assim, o desarmamento ou a derrota do inimigo, o que é a mesma coisa, deve sempre ser a meta da ação militar”.
A meta das ditaduras é um povo totalmente obediente à sua vontade. Assim, quando uma ditadura se implanta, é porque um ditador, um partido ou um regime submeteu todo seu povo. Venceu uma guerra contra ele. Todos os ditadores, de esquerda e de direita, não por outra razão, promoveram desarmamentos de civis. Todos, não também por coincidência, estudaram Clausewitz. Hitler dizia mesmo que todo soldado deveria levar na mochila um exemplar do livro “Sobre a Guerra”, do guerreiro prussiano.
A imprensa brasileira não percebeu a morte de um político honesto
Passou quase despercebido o falecimento, nesta semana, de um jornalista, escritor e político sério. Israel Dias Novais, paulista de Avaré, nascido em 1920. Escreveu em vários jornais. Foi presidente da Academia Paulista de Letras. Militou na UDN, na Arena e no MDB (depois PMDB), pelo qual se elegeu três vezes deputado federal.
Fomos colegas na Câmara no período 1982-1986. Muito inteligente, bom orador, e poeta. Era de uma honestidade a toda prova. Faz muita falta no PMDB de hoje, que ele não reconheceria como seu partido.
Acidente aéreo tem divulgação eficiente
A imprensa, sempre ágil no criticar as Forças Armadas, deveria agradecer à Marinha e à Aeronáutica por facilitar o seu trabalho de cobertura do desastre com o avião da Air France.
Duas vezes por dia a imprensa recebe as informações completas sobre as buscas, pergunta o que quer e tem respostas com precisão e cortesia não encontradas nos setores civis do governo, justamente os mais bajulados pelos jornalistas.
Empréstimo para a Celg não é grande
O governo federal vai liberar 1,35 bilhão para auxiliar o saneamento da Celg. Pensam que é muito dinheiro? Não para o governo Lula.
O Tribunal de Contas da União denunciou nas contas de 2008 milhares de convênios irregulares com ONGs suspeitas, onde desapareceram 13 bilhões. Dez vezes o que a Celg precisa.
Freud não salvou Bresser Pereira
Luiz Carlos Bresser Pereira sempre foi uma figura interessante. Economista tipo burguês da esquerda chique. Cheio de tiques nervosos, inclusive um risinho nas horas mais graves ou mais inesperadas. Quando Sarney assumiu a presidência, recebeu a sua indicação para ministro da Fazenda por parte de políticos paulistas. Era então executivo do Grupo Pão de Açúcar. Convidado, aceitou.
Conversou um pouco com Sarney, e na saída disse ao presidente que necessitava, toda semana, se ausentar de Brasília, e passar duas manhãs em São Paulo. Sarney, intrigado, quis saber a razão. “É que tenho duas sessões semanais com meu psicanalista.” Foi a resposta. Sarney ficou apavorado, e quase o desconvidou. Antes o tivesse feito, pois ele saiu-se muito mal no ministério. Lembrei-me disso ao ler artigo de Bresser Pereira na “Folha de S. Paulo” da semana passada.
Falando da derrocada socialista européia nas ultimas eleições, Bresser Pereira diz que a esquerda está perdendo espaço por culpa da direita. Está, desde Mitterrand na Presidência francesa, fazendo uma política neoliberal, muito parecida com a política da direita, e daí seu descrédito. Chego à conclusão de que as sessões de psicanálise não adiantaram grande coisa. Culpar a direita pela incompetência da esquerda européia e acusar o socialista Mitterrand (que, entre outras coisas, estatizou o sistema financeiro francês) de neoliberal não é, decididamente, coisa de gente que tenha a cabeça arrumada.
A ditadura cubana permanece a mesma
A Segunda Guerra deveria ter ensinado ao mundo a não ceder a ditadores. Porque eles nunca cedem.
A OEA eliminou a suspensão de Cuba (expulsa do organismo há 47 anos). Se esperavam alguma retribuição democrática, os chanceleres americanos ficaram a ver navios, pois o presidente do “parlamento” cubano, Ricardo Alarcón, o ventríloquo escolhido para a ocasião, declarou: “É uma grande vitória para a América Latina e para o Caribe. Também o é para o povo de Cuba. Mas não sei quantas vezes dissemos a mesma coisa: o que ocorreu não modifica em nada o que Cuba pensava ontem, antes de ontem e mesmo hoje.”
Vamos traduzir para o português simples a fala de Alarcón: “Somos hoje, como ontem, uma ditadura, aliás, duríssima, e não vamos mudar em nada. Nadinha mesmo”.