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Não existe espaço para uma terceira via
A entrevista concedida pelo governador Alcides Rodrigues no findar do ano de 2009 anunciando o racha entre PP e PSDB para a sucessão de 2010 é a culminância de um processo que vinha se arrastando desde 2007, ano em que Alcides assumiu o Executivo estadual, e leva algumas considerações sobre o pleito que irá decidir o destino da política goiana pelos próximos quatro anos. Como não poderia deixar de ser, o rompimento foi anunciado pela televisão, porém com muita discrição e cautela, que foi o estilo que marcou profundamente o atual chefe do Executivo estadual goiano. Quando Alcides afirmou que “na hora oportuna, certamente irei me manifestar com relação a alguns episódios que culminaram com esse distanciamento político. O que quero ressaltar é que estamos defendendo um projeto para Goiás”, o governador colocou-se em posição defensiva e ao mesmo tempo perigosa. Afinal de contas, quando uma liderança política deseja anunciar uma ruptura, palavra amenizada por Alcides, que preferiu usar o termo “distanciamento político”, tem a obrigação de revelar os motivos que o levaram a uma atitude tão radical. Não há hora mais oportuna de demonstrar as razões da ruptura política que no momento de seu anúncio. Tal atitude pode levar o eleitor e principalmente os adversários políticos do governador a não entenderem sua posição, já que aparentemente o atual chefe do Executivo estadual não apresentou nenhum motivo real e consistente que justificasse o rompimento. De qualquer forma, Alcides pode esperar uma campanha eleitoral dura, marcada por comparações entre seu governo e de seu antecessor. A história tem demonstrado que as dissidências são adversários mais cruéis do que as tradicionais oposições políticas, isso porque carregam amarguras e se consideram injustiçadas por aqueles que causaram a separação.
Aparentemente a decisão de se afastar de Marconi não foi fácil, se bem que previsível. Alcides não citou diretamente o nome de seu antigo aliado e não ficou claro se em alguns momentos fazia menção ao senador Perillo. Quando afirmou que, “alguns gostam muito de holofotes. Alguns pagam caro, para estar presente a todo momento. E outros são mais arredios. Há pessoas que têm um deslumbramento exacerbado com o poder, um excesso de vaidade”, faltou revelar quem são as personalidades que se deixaram deslumbrar pelo poder. Alcides não faz críticas diretas a ninguém, apenas deixa subentender, fato que mais confunde do que esclarece suas reais intenções. De todas as afirmações de Alcides, aquela que pode ser considerada mais importante é quando aponta que “alguns não pensavam que não poderia existir uma candidatura e que seria forte. Temos inúmeras pessoas nesse projeto que são importantes politicamente em Goiás, têm força política, expressão e qualificação”. O governador considera que é possível uma vitoria eleitoral sem o apoio de Marconi contrariando previsões de que seu governo não teria apresentado resultados satisfatórios para postular sua permanência no cargo mais ambicionado da política goiana. É exatamente neste ponto que Alcides pode estar cometendo um grave erro político.
À sua maneira, Alcides deu seu recado para todos aqueles que apostam em sua derrota nas eleições de outubro. Em suma, acredita na viabilidade de uma chapa governista. Porém, os números apresentados por pesquisas eleitorais recentes revelam que Marconi possui uma preferência eleitoral que está acima dos 50% e que Iris Rezende possui 37% das intenções de voto. O que restou para os outros candidatos, entre eles Ronaldo Caiado do DEM (2,7%) e Sandro Mabel do PR (2,3%) é muito pouco e não justifica ou qualifica a formação de uma chapa governista com reais chances de ganhar o pleito de 2010. Os defensores de uma chapa governista podem até afirmar que em 1998 e 2006 os candidatos vitoriosos iniciaram o pleito com baixo desempenho eleitoral, reverteram o quadro e se tornaram vitoriosos. Contudo, o contexto atual é diferente. Em Goiás, assim como no restante do Brasil, as eleições geralmente se polarizam em dois partidos ou então em duas frentes, ou seja, geralmente ocorre o fenômeno da polarização em que os eleitores se dividem em dois polos ou dois nomes. O que as pesquisas têm demonstrado é que as eleições vão se polarizar entre PSDB e PMDB não havendo espaço para uma terceira via. A melhor estratégia que Alcides tem para vislumbrar alguma chance de sair vitorioso do pleito é anular um dos dois polos. Neste caso o melhor que Alcides faz é se aliar ao PMDB ou então convencer Iris Rezende a não se candidatar a governador (já que se Iris perder a eleição, praticamente pode dar adeus à sua vida política), e concorrer a uma vaga no Senado onde está melhor cotado nas pesquisas. Mesmo assim teria de se ver com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que ainda não se definiu se vai ou não ser candidato. Uma opção viável seria uma aliança com o PMDB, que indicaria o candidato a governador e a base aliada do governador indicaria o candidato a vice. No entanto, para que isto aconteça, o PMDB terá de entregar a prefeitura de mão beijada para o PT como prêmio de consolação.
O pior de tudo é que Alcides corre o risco de ficar isolado. Primeiro porque vai ficar no governo e perder a eleição, aliado a partidos pequenos, sem nenhuma expressão eleitoral — também porque muitos partidos que fazem parte da base aliada de seu governo também foram ou são aliados do senador Marconi. Resta perguntar se no frigir dos ovos, quando perceberem que Alcides não tem nenhuma chance real de ganhar as eleições, se vão ficar do seu lado ou do lado de Marconi? Outra possibilidade para Alcides é reatar relações com Marconi e se candidatar como vice em sua chapa ou então como senador ou deputado federal. Afinal de contas, Alcides ainda não apresentou ao eleitorado goiano os motivos da ruptura com relação a Marconi, fato que ainda pode contribuir para uma reaproximação entre antigos aliados. É certo que a indefinição tanto da base aliada do governador quanto do PMDB-PT só fortalece ainda mais a candidatura de Marconi Perillo, que está em alta nas pesquisas e já está trabalhando para a sua volta ao Palácio das Esmeraldas.
O que Alcides tem de positivo é o fato de, ao longo de seu governo ou de sua vida pública, não ter feito grandes inimizades ou então deixado amarguras difíceis de dissimular. Isto significa que Alcides tem livre trânsito entre os diferentes partidos políticos e consegue se relacionar com diferentes políticos e partidos. Em suma, se desejar, consegue fechar alianças sem grande dificuldade. O principal objetivo do governador deve ser o de evitar cair no ostracismo político. Para tanto, necessita ser realista. O bom comandante não é aquele que somente ganha batalhas, mas também aquele que sabe recuar e reorganizar seu exército para, em momento oportuno, ganhar a guerra. No momento atual, Alcides encontra-se em desvantagem nas pesquisas eleitorais e não existe perspectiva de melhora. Dessa forma, a melhor opção é ser realista e não cair na tentação ou na ilusão de considerar que tem um potencial eleitoral que lhe pertence.
O fato é que Alcides tem pouco tempo para demonstrar ao eleitorado goiano que possui as qualidades para manter-se ou indicar o novo governador. No caso das eleições de 2010, o relógio corre contra ele, que terá de substituir seu comportamento arredio pelo comportamento mais arrojado, empreendedor e agressivo, materializado em obras e programas sociais que concedam visibilidade política ao seu governo. Para agravar ainda mais a situação, a Copa do Mundo, que irá se realizar na metade do ano, vai arrefecer um pouco os ânimos políticos e desviar a atenção da população. Ou seja, o ano eleitoral será ainda mais curto do que se pensa, o que favorece políticos bem cotados nas pesquisas. Para o bem de sua carreira política, Alcides deve fugir da tentação e até mesmo da vaidade de lideranças políticas que querem convencê-lo a formar chapas que simplesmente possam lhes conceder uma visibilidade maior na política goiana. Se o governador fizer a coisa certa, quem sabe poderá pleitear uma vaga na Prefeitura de Goiânia dentro de dois anos, já que será uma eleição disputada basicamente por políticos novatos e sem grande expressão junto ao eleitorado. Se tomar as decisões erradas pode comprometer definitivamente seu futuro político além de correr o risco de ser lembrado como um dos maiores fiascos eleitorais de nossa história recente. É lógico que qualquer pesquisa eleitoral representa apenas o raio-x de um determinado momento da eleição, mas é certo também que as pesquisas apontam tendências e a única tendência demonstrada pelas pesquisas recentes é a ascensão de Marconi e a consolidação de Iris Rezende como candidato da segunda via. É certo também que Alcides pode pagar para ver e quem sabe até reverter esse quadro desfavorável com a formação de uma terceira via. Porém, o risco de perder é muito grande.
REGINALDO LIMA DE AQUINO é mestre em história. Correio eletrônico: regionaldolimadeaquino@hotmail.com
Honor é candidato à reeleição
Em atenção à nota publicada na coluna Bastidores deste prestigiado veículo de comunicação em sua edição 1.800 de domingo, 3, ressaltamos que o deputado Honor Cruvinel disputará a reeleição no pleito eleitoral de 2010.
O parlamentar cumpre com determinação e dedicação seu terceiro mandato de deputado no legislativo goiano, onde, ocupa a vice-presidência daquela Casa de Leis e começou sua atuação na política em 1992 sendo vereador por duas vezes na Câmara Municipal de Goiânia.
Em 1998 foi eleito deputado estadual e junto com o governador Marconi Perillo implantou a maior rede de proteção social em Goiás com ações inclusivas como a Renda Cidadã, o Salário Escola, a Bolsa Universitária e Qualificação Profissional que juntos contemplaram mais de um milhão de pessoas nos 246 municípios de Goiás.
O tucano Honor Cruvinel tem trabalhado com empenho para seu projeto de reeleição e do senador Marconi Perillo para o retorno ao governo de Goiás e para tanto, conta com respaldo de inúmeros amigos e lideranças políticas e comunitárias na capital e no interior goiano, com destaque para os municípios de Vianópolis, Corumbá de Goiás, Cocalzinho, Bom Jesus, Piracanjuba, Morrinhos, Jaupaci, Damolandia, Aurilândia, Leopoldo de Bulhões, Acreúna, Rubiataba, Santa Tereza, Trombas, Jandaia, Cezarina, Santa Rita do Araguaia, Aruanã, Mutunópolis e outras importantes localidades.
Muito obrigado e um 2010 da melhor qualidade para todos os goianos.
SEBASTIAN PEREIRA, da assessoria de imprensa. E-mail: sebasgyn@gmail.com
Crianças e mulheres especiais
Ter uma criança especial é certamente um dom de Deus. Não, não é nenhum sacrifício quando se tem a consciência dessa verdade, tendo a certeza de que o Senhor está no controle de tudo. Uma criança, ainda que seja especial, deveria ser sempre a alegria de um lar. Mas, infelizmente, existe uma grande estatística afirmando que quase sempre um casal, quando vive essa situação, acaba se separando, pois o homem, na maioria das vezes, não aceita dividir com a mulher a responsabilidade de juntos cuidarem do bem estar dessa criança.
Se você, por acaso, visitar uma instituição que cuida dessas crianças, vai perceber que, em sua maioria, são sempre as mães que estão as acompanhando e nem sempre é porque os pais estão no trabalho, cuidando da assistência financeira. Muitos maridos realmente abandonam as esposas quando descobrem que o fruto do seu amor é uma criança especial. É como se dissessem: a causa ou a culpa deste fato ocorrer em nossas vidas é das mulheres.
Mas essas mulheres, verdadeiras guerreiras, jamais esmorecem na luta diária e se sacrificam a cada dia por amor a seus filhos. E assim o senhor, nosso Deus, as fortalecem a cada dia. Que Deus abençoe essas guerreiras da fé e que jamais esmoreçam em nome de Jesus.
ANÉSIO SILVA é radialista. E-mail: anesio.silva@hotmail.com.br
Uma cartilha política
Ler o Editorial do Jornal Opção, “Muro do silencio” é um convite à reflexão. Lembrei-me de minha primeira cartilha de alfabetização. Sim, a mais eficaz escrita e editada no Brasil. A “Cartilha Sodré”. Ela alfabetizou com maestria grandes vultos de nossa literatura, música e política. Depois de abolida das escolas primária, nossa educação ficou à deriva, como uma nau sem rumo. Deixamos de preparar na base, com mais eficiência nossos alunos, para que no futuro pudessem exercer com competência e honestidade, as funções de comando nas atividades privadas e políticas.
Mas, o que tem a ver a extraordinária “Cartilha Sobré” com o Editorial do Jornal Opção? Então vejamos: enquanto a “Cartilha Sodré” foi por muitos anos a base de alfabetização no Brasil, o Editorial do Jornal Opção representa o nascimento de uma nova cartilha, desta feita chamando os brasileiros para a alfabetização política, reflexão e debate.
Necessitamos de textos de tal magnitude, que possam clarear nossa visão e despertar nossa cidadania. São poucos, na mídia, textos tão elucidativos e discursivos e de tamanha profundidade, como o apresentado na última edição. Que este Editorial sirva para alertar e fazer refletir todos aqueles que ainda insistem em ter o cérebro no estomago.
EDUARDO RODRIGUES, de Belo Horizonte. E-mail: tribunadoeduardo@gmail.com
Externalismo e internalismo moral
Há dois pontos que quero assinalar sobre o artigo do professor Gonçalo Armijos Palácios, da última edição. O primeiro é sobre a temporalidade da questão. Faz parte de nosso cronocentrismo achar que vivemos num momento especial em relação a uma série de coisas. Com respeito a algumas, é evidente que isso é correto, como o fato de nossa população nunca ter sido tão grande nem nossa tecnologia tão avançada, mas curiosamente, quase sempre, esse cronocentrismo nos induz a levar essa especialidade para todas as outras áreas, em especial a comportamental.
É afirmado que eventos destrutivos e negativos “estão sendo” dominantes, ou que a “a história recente” tem sido caracterizada pela devastação ambiental. Ocorre porém, que isso não é especialidade de nossa época, sempre foi assim. Ao menos nossa civilização ocidental, até onde podemos lembrar, jamais teve condescendência pelo meio ambiente e sempre explorou recursos, extinguiu espécies e poluiu. A única diferença é que agora, devido ao aumento populacional e ao avanço tecnológico isso é feito num ritmo extremado.
Sei que ninguém aqui é tão ingênuo para discordar disso, mas penso que talvez ainda possam sê-lo para pensar que não deixar isso explícito não seja um problema. O mais evidente é criar uma persistente ilusão de que estamos com um problema novo nas mãos, que não conseguimos resolver devido a uma especialidade de nosso tempo, cronocentrismo de novo, quando na realidade temos um problema muito antigo e acumulado que tem sido difícil de resolver simplesmente porque não se resolve em meio século um problema que vem se arrastando há milênios.
Essa mudança de enfoque pode, por exemplo, remover a dramaticidade de não termos resolvido o problema “apesar das 18 conferências internacionais sobre clima”, porque provavelmente vamos precisar de dez vezes isso!
Pensando bem, e considerando a profundidade e radicalidade de nossos maus hábitos, parece surpreendente que tenhamos desenvolvido tamanha consciência ambiental em tão pouco tempo.
O segundo ponto é que subjaz, em praticamente todo discurso ambientalmente caracterizado, um estranho externalismo moral que parece apontar que temos alguma obrigação para com o meio ambiente que nos é imposta de fora. Como se “não extinguir espécies” fosse algum tipo de mandamento divino ou natural.
Ocorre que toda nossa obrigação ambiental é imposta por nós mesmos, todos os “direitos” dos animais ou da fauna é uma concessão que lhes damos. O único motivo objetivo pelo qual temos que preservar o ecossistema é o nosso próprio interesse em manter e melhorar nossas condições de vida, ou em exercitar nossa sensibilidade. Se nos for útil preservar espécies, que o façamos, mas se for melhor exterminá-la, que o façamos também! Aliás fazemos isso toda vez que erradicamos alguma doença ou praga.
No entanto, não se pode perder de vista que é muito útil para nós desenvolver sensibilidade pelo sofrimento de seres não humanos, porque uma das coisas que mais precisamos intensificar é nossa capacidade empática, e a desconsideração pelo sofrimento alheio é totalmente integrada, seja o humano ou o animal.
Por fim, também me incomoda o tom sentimentalista que se dá à questão ambiental, que parece querer vender uma imagem de vítima da Mãe-Natureza. Ocorre que, até se prove o contrário, não há nenhuma justiça, piedade ou consideração no mundo natural. O equilíbrio ecossistêmico não é resultado de uma sabedoria organizacional, mas sim do mero empate de forças que, impossibilitadas de sobrepujar totalmente as outras, atuam somente dentro de certos limites.
Nós dominamos o mundo porque tivemos força suficiente, por meio de nossa inteligência, para romper tais limites. Mas dê superpoderes físicos a qualquer espécie animal e ela irá se reproduzir descontroladamente dominando, tomando e ou exterminando tudo o que encontrar pela frente, sem nenhuma consciência ambiental.
E toda a nossa existência é uma fração do tempo deste planeta, que permanecerá existindo com outras espécies mesmo que consigamos nos aniquilar numa hecatombe nuclear, se recuperando no tempo insignificante, geologicamente, de alguns milhões de anos. E o mais importante, sem nenhuma dor na consciência por isso.
Recomendo dois textos relacionados em meu site, “Em Defesa da Humanidade” e o brevíssimo “Ave Terra”.
MARCUS VALERIO XR, via internet. Website: www.xr.pro.br
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