Goiânia, 07 de setembro de 2010 (9:44)
De: 21 a 27 de maio de 2006

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  Cartas

Brasileiro, quem és tu?
 

Hoje, o poder público do Brasil está sediado em um único pilar da ordem política — o Executivo. O Congresso Nacional virou cartório do governo federal, existindo somente para homologar as leis que o Planalto fabrica (fabrica mesmo, porque a quantidade de MPs e outros formatos de leis que o Executivo faz só é possível em uma fábrica).

O Judiciário é nada mais, nada menos, que um garantidor dos desejos do Executivo, já que nada que este pede o Judiciário lhe nega.

A Justiça Eleitoral não condena ninguém que descumpre a lei eleitoral, e os processos demoram tanto que, quando sai a punição, o réu já cumpriu a pena completa. O povo de várias cidades do Brasil respondeu com mais de 70 por cento de votos nulos, e o TSE obriga este povo que rejeitou aqueles candidatos a votar novamente nos mesmos, desrespeitando a vontade dos eleitores que disseram não da única forma que pensavam que poderiam. No entanto, é como se o TSE dissesse: “Não, vocês têm de eleger estes, mesmo que vocês não os queiram”.

Desta forma, o país está no mais completo sistema parlamentarista que há no mundo, onde o presidente manda, e não pede.

AURELINO A. PEREIRA mora em Goiânia. Correio eletrônico: vendas@towerdobrasil.com.br


 
Senhores do pavor
 

“A sociedade tem direito de receber segurança, portanto não há necessidade de viver insegura.”

Pode surgir de um clarão, um crepúsculo, ou passar velozmente. É costume gerar pânico ou morte em plena luz do dia ou na calada da madrugada. É comum enxergar tais “senhores do pavor”, enfurecidos, sempre em posição de ataque. Por onde passam, normalmente geram um clima de tensão, bem como é rotina girarem em sentinela, ou dispararem seus projéteis de estanho em direção a alvo humano. Pá, pá, pá, são estalos fatais que sempre carimbam mais uma passagem com destino à cidade dos pés juntos.

É uma loucura. Aquelas figuras de uniforme normalmente praticam ações brutais e impetuosas. No interior de suas máquinas macabras, é visível observar armas em punhos, onde as quais podem acidentalmente ser disparadas e atingir pessoas inocentes. Os senhores do pavor, dentro de suas máquinas macabras, costumam fazer ultrapassagens perigosas, tanto para a esquerda quanto para a direta. Às vezes passam sobre alguns meios-fios da cidade para atingir o objetivo. É notório que naquela turbulência desenfreada estão sujeitos a provocar acidentes ou fazer vítimas inocentes. Violência? Imprudência? As feras apavorantes, fechados seus semblantes, fitam seus mortíferos olhos em direção aos transeuntes. Lamentavelmente, podem provocar ainda mais pânico no sofrido cordão humano, considerando que as atitudes dos componentes deste cordão jamais se comparam com gente que está na mira dos senhores do pavor.

Deus! Tenha misericórdia da pobre massa humana — ou seja, o povo —, pois a proteção segura está em vossas mãos, e não no comando dos senhores do pavor.

JOTA MELO é radialista em Goiânia. Correio eletrônico:jotadmelo@hotmail.com


 
Lista sadia
 

Saiu a lista do bem. Finalmente uma lista que alegra o brasileiro. O povo comemora, veste-se de esperança. A lista tem 23 nomes sadios. Não humilha o Brasil, como as muitas anunciadas, com nomes de ladrões e fraudadores. Os jornalistas estrangeiros falarão bem da lista. Os maus governantes terão trégua de um mês. É uma lista que não envergonha as crianças, que adoram seus craques. Os candidatos à Presidência da República tentarão mostrar intimidade com os nomes da lista. Não se tocam, paciência. A lista fará o brasileiro gritar de emoção. Torcer, pular, sambar, soltar rojões, beber todas, buzinar sem parar. Lavar a alma, esquecer as desgraças diárias que nos assolam. Pena que o futuro hexa não diminua o desemprego, a escalada da violência, e não dê vergonha na cara dos demagogos engravatados.

VICENTE LIMONGI NETTO é jornalista.


 
Onde estão?
 

Onde estão os inventores e as tecnologias dos carros movidos a água (inventados em Goiânia) ou a energia solar (inventados em Betim-MG)? Alguém tem notícias?

TITO OLIVEIRA COELHO mora no Setor Universitário. Correio eletrônico: titocoelho2000@yahoo.com.br


 
A triste realidade nacional
 

Solicito um espaço democrático no Jornal Opção para divulgar letra de música de minha autoria, Reaja Brasil (Passando a limpo), a qual revela a triste realidade nacional.

Parte narrada: A história tem nos revelado que os maiores impérios e as grandes civilizações se desmoronaram a partir do instante em que os bons costumes, o caráter, a moral, a ética e o decoro deram lugar à permissividade dos costumes, à impunidade, ao cinismo, ao deboche, à libertinagem, à institucionalização indecorosa de novos padrões comportamentais, enfim, à corrupção generalizada nos poderes da nação. É triste revelar que o meu Brasil, antes mesmo de se transformar numa grande potência, está se dissolvendo no lamaçal da corrupção, com tantos bandidos públicos impunes. Ainda há tempo de a sociedade, a exemplo de outrora, acordar, levantar o traseiro, sair às ruas e exigir dos governantes mais seriedade no trato da coisa pública, porque o povo não agüenta mais conviver com o pântano fétido da corrupção que nos envergonha perante o mundo. Reaja, Brasil!

Parte cantada: O que de fato está acontecendo com você, Brasil?/ Com vasta área territorial/ E este lindo litoral/ Com tantas terras férteis/ E riquezas naturais/ Com tanta arrecadação/ Tungada do sacrifício dos nossos irmãos/ Com tudo isso/ O que justifica/ A entrega das estatais/ Aumento do desemprego/ Para o desespero dos brasileiros/ A incúria com nossas crianças e idosos/ Falta de seriedade no trato da coisa pública/ A elisão da sonegação/ Privatizações nocivas/ Estupro da Constituição/ Tantas mazelas/ Tantas arbitrariedades /Mensalão, taxação/ País prostrado/ Tão vilipendiado/ Pela elite salafrária/ Já estamos estomagados com o desemprego/ Por isso apelo aos patriotas/ Caras Pintadas ! Vem, reaja à lama da corrupção/ Que se alastra/ Nos poderes da nação/ Vamos expurgar/ Essas plévias do Planalto/ Que a cada instante/ Nos surpreende com assalto/ Com mais tributos/ Prorrogação da CPMF/ Para nutrir / Campanhas desses cafajestes/ Oh, meu Brasil!/ De encantos mil/ De um povo heróico e trabalhador/ Vê que se indigna/ Das falcatruas/ Das nulidades/ E das desigualdades/ Vê que reaja/ Da roubalheira/ Por mais respeito por nossa Bandeira / Vamos ostentar nossa brasilidade/ E reagir contra a impunidade/ E dar um basta nesse labirinto/ Para passar nosso Brasil a limpo.

VASCO VASCONCELOS é analista, escritor, cantor e compositor.



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