Goiânia, 03 de setembro de 2010 (5:15)
De: 04 a 10 de outubro de 2009

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  CONTRAPONTO

No­el Ro­sa e Chi­co Bu­ar­que são fe­nô­me­nos mu­si­cais

No­el Ro­sa e Chi­co Bu­ar­que são fe­nô­me­nos em uma ter­ra por si só já mui­to des­ta­ca­da no cam­po da pro­du­ção mu­si­cal po­pu­lar. Com­pa­rá-los sem­pre foi ine­vi­tá­vel, até por­que Chi­co nun­ca ne­gou uma cer­ta in­flu­ên­cia de No­el. E até por­quê um e ou­tro, em sua cri­a­ção, têm a mes­ma ba­se: o lí­ri­co dos acon­te­ci­men­tos po­pu­la­res do dia-a-dia. No­el, nas­ci­do em 1910, mor­reu com 26 anos, dei­xan­do qua­se 200 mú­si­cas com­pos­tas, a mai­o­ria su­ces­sos já na épo­ca, e su­ces­sos até ho­je. Exem­plos: “Con­ver­sa de bo­te­quim”, “Com que rou­pa?”, “Pal­pi­te in­fe­liz”, e “De ba­ba­do sim”.

Ou­tros gran­des com­po­si­to­res po­pu­la­res e con­tem­po­râ­ne­os de No­el, e que vi­ve­ri­am 60, 70 ou 80 anos, não pro­du­zi­ri­am tan­to, e nem na qua­li­da­de do po­e­ta da Vi­la. É o ca­so de Ata­ul­fo Al­ves (1909-1969), Ado­ni­ran Bar­bo­sa (1910-1982), Lu­pi­cí­nio Ro­dri­gues (1914-1974), Ha­rol­do Bar­bo­sa (1915-1979), Ade­li­no Mo­rei­ra (1918-2002), até por­que li­mi­ta­vam seus te­mas ou seus in­tér­pre­tes, o que não acon­te­ceu com No­el. Sem des­me­re­ci­men­to dos ou­tros, No­el foi quem rei­nou na pri­mei­ra me­ta­de do sé­cu­lo pas­sa­do. Vi­ni­ci­us de Mo­ra­es (1913-1980), nas­ci­do na mes­ma épo­ca, ama­du­re­ceu mu­si­cal­men­te mais ve­lho, e foi fa­zer com­pa­nhia a Tom Jo­bim e Chi­co Bu­ar­que na se­gun­da me­ta­de do sé­cu­lo. Tal­vez por is­so, pro­du­ziu qua­li­da­de, mas não quan­ti­da­de.

Nes­ta mes­ma se­gun­da me­ta­de, sur­gi­ram os ba­i­a­nos Gil­ber­to Gil e Ca­e­ta­no Ve­lo­so, mas a pre­sen­ça de uma ou ou­tra boa com­po­si­ção, ape­nas, en­tre mui­tas, aca­bou por dei­xá-los um pa­ta­mar abai­xo. Tom Jo­bim te­ve o mé­ri­to de ex­por­tar a mú­si­ca bra­si­lei­ra, nas on­das da Bos­sa No­va, é ine­gá­vel, mas Chi­co ain­da per­ma­ne­ce o ex­po­en­te de nos­sa mú­si­ca dos anos de 1960 a 1990. Nas­ci­do em 1944, co­me­çou, co­mo No­el, a com­por ce­do. E, co­mo No­el, pa­rou ce­do. A di­fe­ren­ça é que Chi­co, ao con­trá­rio de No­el, pa­rou de com­por por op­ção (tal­vez pe­la que­da de qua­li­da­de, ou fal­ta de ins­pi­ra­ção, co­mo ele mes­mo dei­xa tran­spa­re­cer). Com­pôs cer­ca de 200 mú­si­cas (pro­du­ção equi­va­len­te à de No­el), en­tre 1964 e 1989. Co­mo No­el, o me­lhor de sua pro­du­ção sur­giu até 1970, quan­do era bem jo­vem (26 anos, ida­de da mor­te de No­el). “A Ri­ta” e “Olê, olá” são de 1965; “A Ban­da” e “Quem te viu, quem te vê” são de 1966; “Ro­da vi­va” e “Ca­ro­li­na”, de 1967; “Bom tem­po” e “Ela de­sa­ti­nou” são de 1968; “Gen­te hu­mil­de” e “Ro­sa dos ven­tos”, de 1969; “Sam­ba de Orly” e “Ape­sar de vo­cê” são de 1970. De to­das es­sas, ape­nas uma, “Sam­ba de Orly”, foi fei­ta em par­ce­ria (com Vi­ni­ci­us de Mo­ra­es). A par­tir daí, ain­da sur­gem bo­as com­po­si­ções, mas bem mais es­pa­ça­das, e qua­se sem­pre em par­ce­ria, co­mo “Atrás da por­ta”, de 1972 (com Fran­cis Hi­me), “Fa­do tro­pi­cal”, de 1973, “Vai le­van­do”, de 1975 (com Ca­e­ta­no Ve­lo­so), “Sam­ba pra Vi­ni­ci­us”, de 1977 (com To­qui­nho), “Fo­lhe­tim”, de 1978, “Anos dou­ra­dos”, de 1986 (com Tom Jo­bim), e “Ca­dê vo­cê”, de 1987 (com Jo­ão Do­na­to).

Quan­do fa­lo em bo­as com­po­si­ções re­fi­ro-me àque­las que ca­em no gos­to do po­vo, que to­do mun­do can­ta, que as rá­di­os to­cam. De­pen­den­do do gos­to, e até da ide­o­lo­gia, ou­tras can­ções po­dem ser lis­ta­das, e a pro­du­ção de Chi­co foi abun­dan­te, até a dé­ca­da de 1990, mas 1970 é um di­vi­sor de águas. In­fe­liz­men­te, a par­tir de 1999, Chi­co re­sol­ve tro­car o vi­o­lão pe­la ca­ne­ta. Es­cre­veu o ro­man­ce “Es­tor­vo” em 1991, “Ben­ja­mim”, em 1995, “Bu­da­pes­te”, em 2004, e “Lei­te Der­ra­ma­do”, em 2009. Em que pe­se a boa ven­da­gem, de­vi­do mais à fa­ma do au­tor, e ao con­trá­rio de seu ine­gá­vel ta­len­to mu­si­cal, sua vo­ca­ção pa­ra as le­tras vai mui­to pou­co além de me­dí­o­cre.

Pré-sal po­de não ser o el­do­ra­do pre­ga­do por Lu­la

Ain­da o pré-sal: cau­te­la e cal­do de ga­li­nha. Uma coi­sa é o so­nho, ou­tra é a re­a­li­da­de atu­al.

1) Nem as pros­pec­ções es­tão fei­tas. Nin­guém sa­be o ta­ma­nho da ja­zi­da.

2) De­pois de fei­tas es­sas pros­pec­ções, é pre­ci­so per­fu­rar. Não há son­das (pa­ra per­fu­rar em águas pro­fun­das) dis­po­ní­veis. São es­pe­ci­ais, mon­ta­das em na­vi­os que se man­têm es­ta­cio­ná­rios, via de equi­pa­men­tos so­fis­ti­ca­dos, que re­que­rem mo­ni­to­ra­men­to por sa­té­li­tes. De­man­dam anos pa­ra se­rem fa­bri­ca­das, an­tes de se­rem mon­ta­das e tes­ta­das, o que tam­bém de­man­da tem­po.

3) São ne­ces­sá­rios ain­da sis­te­mas de bom­be­a­men­to e du­tos de tran­spor­te, a al­tas pres­sões e con­di­ções agres­si­vas de meio am­bi­en­te. Es­ses equi­pa­men­tos tam­bém não es­tão dis­po­ní­veis.

4) Não es­tão dis­po­ní­veis os pe­tro­lei­ros de trans­bor­do das pla­ta­for­mas (que tam­bém têm que ser fa­bri­ca­das) pa­ra as re­fi­na­ri­as em ter­ra.

4) São ne­ces­sá­rias as re­fi­na­ri­as, de­vi­da­men­te mon­ta­das, com to­da sua com­ple­xi­da­de. Mais tem­po.

5) O Bra­sil não fa­bri­ca es­ses equi­pa­men­tos. De­pen­de­mos dos for­ne­ce­do­res ex­ter­nos. Há, pois, um enor­me in­ves­ti­men­to em di­vi­sas es­tran­gei­ras a ser fei­to.

6) Há que se ca­pi­ta­li­zar a Pe­tro­brás (ou ou­tro ca­bi­de de em­pre­gos que ve­nha a ser cri­a­do). É mais um que­bra-ca­be­ça.

7) Uma ques­tão que não po­de ser es­que­ci­da, quan­do se faz um in­ves­ti­men­to gi­gan­tes­co co­mo es­se, que é a do pre­ço fi­nal do pro­du­to. Os es­pe­cia­lis­tas es­ti­mam que o cus­to de ex­tra­ção do bar­ril de pe­tró­leo do pré-sal se apro­xi­me dos 100 dó­la­res. Quan­to cus­ta­rá o pe­tró­leo no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal em 2020, quan­do o len­çol es­ti­ver co­me­çan­do a pro­du­zir? Não mui­to lon­ge dis­so, num ce­ná­rio de nor­ma­li­da­de, diz o ór­gão pró­prio do go­ver­no ame­ri­ca­no. Fa­lar do pe­tró­leo do pré-sal ago­ra, co­mo al­go pal­pá­vel co­mo in­du­tor de ri­que­za e de­sen­vol­vi­men­to do pa­ís, só mes­mo co­mo es­pe­cu­la­ção elei­to­rei­ra.

Per­da de tem­po

Mais por cu­ri­o­si­da­de do que por qual­quer ou­tra ra­zão, co­me­ti no pas­sa­do o ato de ler “Es­tor­vo”, de Chi­co Bu­ar­que, “Sa­ra­min­da”, de Jo­sé Sar­ney, um li­vro de Pau­lo Co­e­lho cu­jo tí­tu­lo nem me lem­bro, e um “Harry Pot­ter”, da J. K. Rowling. Ar­re­pen­do, e não leio mais na­da de ne­nhum de­les. Há mui­ta coi­sa boa nas es­tan­tes e sen­do pro­du­zi­da a ca­da dia pa­ra que per­ca­mos tem­po com o que não me­re­ce.

Mi­nis­tro pro­va que po­lí­ti­ca ex­ter­na é do PT

Cel­so Amo­rim fi­liou-se ao PT. For­mal­men­te. Já es­ta­va, de fa­to, fi­li­a­do, des­de que ba­ti­zou Lu­la de “nos­so guia”. E a po­lí­ti­ca ex­ter­na que exer­ce, não é e nem nun­ca foi a do Ita­ma­raty. É mes­mo a do PT. In­com­pe­ten­te, de­sas­tra­da e an­ti­de­mo­crá­ti­ca. Co­mo nun­ca an­tes na his­tó­ria des­te Pa­ís.

A ce­guei­ra do di­nos­sau­ro ide­o­ló­gi­co

Mar­co Au­ré­lio Gar­cia, o di­nos­sau­ro ide­o­ló­gi­co, que com seu co­le­ga Sa­mu­el Pi­nhei­ro Gui­ma­rã­es ori­en­ta a de­sas­tra­da po­lí­ti­ca ex­ter­na bra­si­lei­ra atu­al, de­ba­teu com o pro­fes­sor Sér­gio Faus­to, da USP, no pro­gra­ma “En­tre As­pas” da Glo­bo­news, de ter­ça fei­ra, 29. Te­ma, evi­den­te, a cri­se hon­du­re­nha. Afir­ma­ções su­as, de um ci­nis­mo ater­ra­dor: “Há um pro­ces­so ace­le­ra­do de de­mo­cra­ti­za­ção atu­al­men­te na Amé­ri­ca La­ti­na”. Só que se re­fe­ria a Ve­ne­zu­e­la, Bo­lí­via, Pa­ra­gu­ai e ou­tros “bo­li­va­ri­a­nos”. “Quem mon­tou a ope­ra­ção de vol­ta de Ze­laya a Te­gu­ci­gal­pa fo­ram os hon­du­re­nhos, e não Chá­vez.” Que­ria di­zer que o go­ver­no atu­al, de Mi­che­let­ti, es­ta­va tra­zen­do Ze­laya pa­ra pro­vo­car uma guer­ra. Di­an­te da dis­cor­dân­cia do pro­fes­sor Sér­gio Faus­to, ar­gu­men­tou: “An­tes, na Guer­ra Fria, tu­do o que acon­te­cia era cul­pa do ou­ro de Mos­cou. Ago­ra, tu­do que acon­te­ce, é cul­pa do Chá­vez”.

É is­so mes­mo, lei­tor: quer nos fa­zer crer que Hu­go Chá­vez é tão bon­zi­nho, que na­da fez nes­sa con­fu­são to­da. Mes­mo ten­do con­fes­sa­do, da tri­bu­na da ONU, que ar­mou tu­do. “Ze­laya não es­tá usan­do a em­bai­xa­da po­li­ti­ca­men­te. Es­tá sob con­tro­le.” Pou­co an­tes, Ze­laya ha­via da­do en­tre­vis­ta con­cla­man­do seus se­gui­do­res a fa­zer ma­ni­fes­ta­ções, co­mo já ha­via fei­to an­tes. Se foi, de fa­to, ad­ver­ti­do, ig­no­rou o que lhe pe­diu seu an­fi­tri­ão.



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