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Noel Rosa e Chico Buarque são fenômenos musicais
Noel Rosa e Chico Buarque são fenômenos em uma terra por si só já muito destacada no campo da produção musical popular. Compará-los sempre foi inevitável, até porque Chico nunca negou uma certa influência de Noel. E até porquê um e outro, em sua criação, têm a mesma base: o lírico dos acontecimentos populares do dia-a-dia. Noel, nascido em 1910, morreu com 26 anos, deixando quase 200 músicas compostas, a maioria sucessos já na época, e sucessos até hoje. Exemplos: “Conversa de botequim”, “Com que roupa?”, “Palpite infeliz”, e “De babado sim”.
Outros grandes compositores populares e contemporâneos de Noel, e que viveriam 60, 70 ou 80 anos, não produziriam tanto, e nem na qualidade do poeta da Vila. É o caso de Ataulfo Alves (1909-1969), Adoniran Barbosa (1910-1982), Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Haroldo Barbosa (1915-1979), Adelino Moreira (1918-2002), até porque limitavam seus temas ou seus intérpretes, o que não aconteceu com Noel. Sem desmerecimento dos outros, Noel foi quem reinou na primeira metade do século passado. Vinicius de Moraes (1913-1980), nascido na mesma época, amadureceu musicalmente mais velho, e foi fazer companhia a Tom Jobim e Chico Buarque na segunda metade do século. Talvez por isso, produziu qualidade, mas não quantidade.
Nesta mesma segunda metade, surgiram os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso, mas a presença de uma ou outra boa composição, apenas, entre muitas, acabou por deixá-los um patamar abaixo. Tom Jobim teve o mérito de exportar a música brasileira, nas ondas da Bossa Nova, é inegável, mas Chico ainda permanece o expoente de nossa música dos anos de 1960 a 1990. Nascido em 1944, começou, como Noel, a compor cedo. E, como Noel, parou cedo. A diferença é que Chico, ao contrário de Noel, parou de compor por opção (talvez pela queda de qualidade, ou falta de inspiração, como ele mesmo deixa transparecer). Compôs cerca de 200 músicas (produção equivalente à de Noel), entre 1964 e 1989. Como Noel, o melhor de sua produção surgiu até 1970, quando era bem jovem (26 anos, idade da morte de Noel). “A Rita” e “Olê, olá” são de 1965; “A Banda” e “Quem te viu, quem te vê” são de 1966; “Roda viva” e “Carolina”, de 1967; “Bom tempo” e “Ela desatinou” são de 1968; “Gente humilde” e “Rosa dos ventos”, de 1969; “Samba de Orly” e “Apesar de você” são de 1970. De todas essas, apenas uma, “Samba de Orly”, foi feita em parceria (com Vinicius de Moraes). A partir daí, ainda surgem boas composições, mas bem mais espaçadas, e quase sempre em parceria, como “Atrás da porta”, de 1972 (com Francis Hime), “Fado tropical”, de 1973, “Vai levando”, de 1975 (com Caetano Veloso), “Samba pra Vinicius”, de 1977 (com Toquinho), “Folhetim”, de 1978, “Anos dourados”, de 1986 (com Tom Jobim), e “Cadê você”, de 1987 (com João Donato).
Quando falo em boas composições refiro-me àquelas que caem no gosto do povo, que todo mundo canta, que as rádios tocam. Dependendo do gosto, e até da ideologia, outras canções podem ser listadas, e a produção de Chico foi abundante, até a década de 1990, mas 1970 é um divisor de águas. Infelizmente, a partir de 1999, Chico resolve trocar o violão pela caneta. Escreveu o romance “Estorvo” em 1991, “Benjamim”, em 1995, “Budapeste”, em 2004, e “Leite Derramado”, em 2009. Em que pese a boa vendagem, devido mais à fama do autor, e ao contrário de seu inegável talento musical, sua vocação para as letras vai muito pouco além de medíocre.
Pré-sal pode não ser o eldorado pregado por Lula
Ainda o pré-sal: cautela e caldo de galinha. Uma coisa é o sonho, outra é a realidade atual.
1) Nem as prospecções estão feitas. Ninguém sabe o tamanho da jazida.
2) Depois de feitas essas prospecções, é preciso perfurar. Não há sondas (para perfurar em águas profundas) disponíveis. São especiais, montadas em navios que se mantêm estacionários, via de equipamentos sofisticados, que requerem monitoramento por satélites. Demandam anos para serem fabricadas, antes de serem montadas e testadas, o que também demanda tempo.
3) São necessários ainda sistemas de bombeamento e dutos de transporte, a altas pressões e condições agressivas de meio ambiente. Esses equipamentos também não estão disponíveis.
4) Não estão disponíveis os petroleiros de transbordo das plataformas (que também têm que ser fabricadas) para as refinarias em terra.
4) São necessárias as refinarias, devidamente montadas, com toda sua complexidade. Mais tempo.
5) O Brasil não fabrica esses equipamentos. Dependemos dos fornecedores externos. Há, pois, um enorme investimento em divisas estrangeiras a ser feito.
6) Há que se capitalizar a Petrobrás (ou outro cabide de empregos que venha a ser criado). É mais um quebra-cabeça.
7) Uma questão que não pode ser esquecida, quando se faz um investimento gigantesco como esse, que é a do preço final do produto. Os especialistas estimam que o custo de extração do barril de petróleo do pré-sal se aproxime dos 100 dólares. Quanto custará o petróleo no mercado internacional em 2020, quando o lençol estiver começando a produzir? Não muito longe disso, num cenário de normalidade, diz o órgão próprio do governo americano. Falar do petróleo do pré-sal agora, como algo palpável como indutor de riqueza e desenvolvimento do país, só mesmo como especulação eleitoreira.
Perda de tempo
Mais por curiosidade do que por qualquer outra razão, cometi no passado o ato de ler “Estorvo”, de Chico Buarque, “Saraminda”, de José Sarney, um livro de Paulo Coelho cujo título nem me lembro, e um “Harry Potter”, da J. K. Rowling. Arrependo, e não leio mais nada de nenhum deles. Há muita coisa boa nas estantes e sendo produzida a cada dia para que percamos tempo com o que não merece.
Ministro prova que política externa é do PT
Celso Amorim filiou-se ao PT. Formalmente. Já estava, de fato, filiado, desde que batizou Lula de “nosso guia”. E a política externa que exerce, não é e nem nunca foi a do Itamaraty. É mesmo a do PT. Incompetente, desastrada e antidemocrática. Como nunca antes na história deste País.
A cegueira do dinossauro ideológico
Marco Aurélio Garcia, o dinossauro ideológico, que com seu colega Samuel Pinheiro Guimarães orienta a desastrada política externa brasileira atual, debateu com o professor Sérgio Fausto, da USP, no programa “Entre Aspas” da Globonews, de terça feira, 29. Tema, evidente, a crise hondurenha. Afirmações suas, de um cinismo aterrador: “Há um processo acelerado de democratização atualmente na América Latina”. Só que se referia a Venezuela, Bolívia, Paraguai e outros “bolivarianos”. “Quem montou a operação de volta de Zelaya a Tegucigalpa foram os hondurenhos, e não Chávez.” Queria dizer que o governo atual, de Micheletti, estava trazendo Zelaya para provocar uma guerra. Diante da discordância do professor Sérgio Fausto, argumentou: “Antes, na Guerra Fria, tudo o que acontecia era culpa do ouro de Moscou. Agora, tudo que acontece, é culpa do Chávez”.
É isso mesmo, leitor: quer nos fazer crer que Hugo Chávez é tão bonzinho, que nada fez nessa confusão toda. Mesmo tendo confessado, da tribuna da ONU, que armou tudo. “Zelaya não está usando a embaixada politicamente. Está sob controle.” Pouco antes, Zelaya havia dado entrevista conclamando seus seguidores a fazer manifestações, como já havia feito antes. Se foi, de fato, advertido, ignorou o que lhe pediu seu anfitrião.
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