“Vamos transformar Aparecida de Goiânia em uma cidade inteligente”

Em meio ao investimento na infraestrutura, o jovem prefeito peemedebista inicia também ações para que o município chegue à era digital

Fernando Leite/Jornal Opção

Apesar de ser um dos prefeitos mais novos a tomar posse no início do ano, Gustavo Mendanha, de 34 anos, já se mostra bastante à vontade na nova função. Seguindo o curso da administração bem-sucedida de Maguito Vilela (PMDB), prefeito por dois mandatos e que foi o padrinho de sua candidatura, o jovem peemedebista já traça planos para as próximas décadas de Aparecida de Goiânia, hoje a segunda mais populosa do Estado, com mais de meio milhão de habitantes.

O passo seguinte estabelecido por Mendanha para a cidade é ousado: transformar Aparecida na primeira cidade inteligente de Goiás e do Centro-Oeste, em que as pessoas, por meio da infraestrutura tecnológica, poderão ter uma interatividade em alto grau com o poder público e este fará suas prestações de contas de forma transparente e em tempo real. Em termos práticos para alcançar a meta, o momento é o de implantar uma rede de fibra ótica — 140 quilômetros de fio estão sendo licitados para tanto.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, o prefeito expõe o que pôde realizar nos seis primeiros meses de gestão e traça outras metas para o restante do ano. O cenário político também foi assunto e Gustavo Mendanha já tem opinião formada sobre a questão nacional. “Eu torço para a permanência do presidente Michel Temer.”

Elder Dias — O sr. está à frente de Aparecida há seis meses. Já conseguiu entregar alguma obra que foi iniciada em seu mandato?

Sim, embora obras de menor porte. São praças, pistas de caminhada e equipamentos assim. Mas, de qualquer forma, muita coisa foi feita e já inauguramos algumas obras importantes neste semestre. Sempre faço questão de dizer que assumi uma prefeitura em condições bem diferentes do que a maioria dos meus colegas do Estado: com as contas em dia, sem folha de pagamento pendente e com dinheiro em caixa. Isso, com certeza, fez diferença neste primeiro semestre e fará a diferença durante os quatro anos.

Na área de infraestrutura — que nos anos anteriores foi o grande diferencial para abertura de novas empresas —, continuo o programa Asfalto Para Todos. Estamos com três frentes de trabalho e já finalizando uma, no Setor Norte-Sul, que deve ser inaugurada nos próximos dias. São 25 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica. No Buriti Sereno, que é o maior bairro da América Latina, temos mais duas frentes, com 100 mil metros quadrados no total. É a quinta etapa de pavimentação no setor e ainda falta um bom pedaço para fechar, porque é um bairro gigante, maior que muitas cidades, e que ao longo dos anos, antes do governo Maguito Vilela, havia sido esquecido. Além da pavimentação, estamos também finalizando um novo eixo estruturante, iniciado na gestão anterior. Cons­truímos duas pontes e o processo está em fase final. É uma obra que vai dar muita fluidez, especialmente às proximidades do Parque América, passando pela Vila Maria, e saindo no anel viário.

Cezar Santos — Qual a importância desse eixo estruturante para a econômica do município?

Os eixos estruturantes e a mobilidade criada a partir deles foram fundamentais para que novas empresas viessem para a cidade. Outras obras, como a Avenida da Paz, em parceria com o governo estadual, também são essenciais. Vou ter oportunidade de concluí-la.

Elder Dias — Como é a gestão dos recursos para essa obra?

Na verdade, a Prefeitura desapropriou uma das avenidas — que tinha apenas uma pista — e fez parte do asfalto. A segunda etapa foi executada pelo governo estadual. Nossa parte foi feita com recursos próprios e o governo está concluindo, pelo menos nessa segunda parte, com recursos da venda da Celg.

Elder Dias — Como é a divisão desses recursos?

Em minha gestão, a maioria dos recursos disponibilizados para essas obras tem sido por recursos próprios. Mas não posso negar que o governo federal ajuda bastante o município, até em proporção maior que o estadual, embora este também colabore muito com a cidade. Nos últimos 8 anos [final do governo Lula, toda a gestão de Dilma Rous­seff e Michel Temer], foram investidos mais de R$ 1 bilhão pela União.

Elder Dias — Foi a cidade em que o governo federal mais investiu em Goiás, pelo menos proporcionalmente?

Aparecida foi a segunda que mais recebeu recursos em todo o País, ao longo desse tempo.

Augusto Diniz — Uma das áreas problemáticas em qualquer município é a da saúde. Como está Apa­recida nesse aspecto?

Tivemos um grande avanço nos últimos anos. Inaugurei recentemente uma UPA [unidade de pronto atendimento] no Parque Flambo­yant. É a terceira unidade desse porte e, com ela, fechamos o ciclo de urgência e emergência. Cada UPA tem a capacidade de atender uma abrangência de até 300 mil habitantes. Então, do ponto de vista da abrangência, vamos atender agora toda a demanda da cidade com essas unidades, que podem assistir de 250 a 500 pessoas por dia. Essa nova unidade fica na região leste da cidade, no limite com Goiânia, o que a leva a atender também muita gente da capital, ainda mais em um cenário em que o prefeito Iris Rezende (PMDB) está reformando um Cais, na Chácara do Governador. Muita gente está vindo para ser atendida em Aparecida.

Goiânia passou por um problema com os contratos médicos, pelo qual quase passamos também em nossa gestão. Conseguimos responder às diligências do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e socorrer a população em um momento no qual a capital está sem seus médicos.

Além da inauguração da UPA do Parque Flamboyant, também vamos inaugurar mais quatro UBSs [unidades básicas de saúde] no próximo semestre. São unidades para atendimento básico familiar, fazendo uma primeira triagem e com equipes que trabalham nas casas das pessoas. Por fim, nosso grande sonho, que é o hospital municipal e está pronto. O que falta é a licitação dos equipamentos.

Cezar Santos — O senador Wilder Morais (PP) parece ter tido um papel significativo para que a obra agora possa ser entrar em funcionamento…

Exatamente. Eu tive a felicidade de estar presente no aniversário do senador. Fui mais cedo apenas para cumprimentá-lo e ele me perguntou se eu não gostaria de levar o ministro Ricardo Barros [da Saúde] — que estaria presente lá mais tarde — para visitar as instalações do hospital. Eu falei que sim, claro, e Wilder disse que pediria para que, antes de chegar para a festa, o ministro fosse à obra comigo. Era meio-dia de domingo e estávamos o ministro, o deputado Daniel Vilela (PMDB) e eu andando por toda a estrutura do hospital. A unidade está com 99% da obra concluída, com apenas algumas salas, como a de raios-X, precisando da instalação de seus equipamentos para finalização do acabamento.

Augusto Diniz — E qual foi a resposta do ministro?

Ele me disse que há 40 hospitais desse porte em construção no País, mas nenhum pronto. E afirmou que liberaria a primeira parcela para compra dos equipamentos, de modo que o hospital possa começar a funcionar. São R$ 40 milhões de investimento total e a primeira parte será de R$ 19 milhões, uma verba que possibilita pôr 30 UTIs em funcionamento, além de 60 leitos. Vamos com isso salvar muitas vidas não só dos aparecidenses, mas de toda a região metropolitana.

É importante dizer que Apa­re­cida tornou-se um polo na área de saúde. Nós sempre dependemos de Goiânia até alguns anos e hoje atendemos cerca de 20 cidades. Muitas pessoas de fora que tem familiares no município, até gente de outras regiões brasileiras, buscam atendimento em nossa cidade. Temos 550 mil habitantes, mas mais de 1 milhão de cartões SUS confeccionados e atendemos, em média, 750 mil a 800 mil pessoas por mês, bem acima da população que temos.

Elder Dias — Esse número de pessoas ou de atendimentos?

São pessoas, porque corresponde ao número de cartões, por mais que tenha vários atendimentos. Ou seja, é muita coisa. Uma curiosidade: quando a pessoa busca atendimento em nossa rede, mas usa o cartão SUS de Piracanjuba, por exemplo, conseguimos depois pactuar — ou seja, o procedimento realizado é repassado ao SUS e, ao invés de o governo federal enviar a contrapartida para aquela cidade, isso fica em nosso município. Só que fica mais rápido para a pessoa fazer o cadastro na cidade. Estamos avançando em investimentos sobre tecnologia e um deles é fazer um cadastro que servirá para todas as áreas de atendimento no município.

Cezar Santos — O sr. espera colocar o hospital municipal em funcionamento ainda este ano?

Acredito que sim. Com a chegada dos recursos, vamos comprar os equipamentos e agilizar a aber­tura da unidade. O custeio será de 50% do governo federal, 25% do município e 25% do Estado.

Elder Dias — Vai ter concurso para preencher as vagas do hospital?

Neste primeiro momento não temos condições para isso, já que estamos no limite prudencial determinado pela Lei de Respon-sabilidade Fiscal. A ideia é que uma organização social (OS) vá gerir o hospital municipal.

Elder Dias — Então o hospital municipal já será inaugurado sob a gestão de uma OS?
Possivelmente sim, não enxergo outro caminho.

Elder Dias — Os recursos para o custeio dessa OS já estão efetivamente garantidos?
Para isso, entrarão essas contrapartidas, com 50% do governo federal e a outra metade dividida entre o município e o Es­tado. Será um hospital tripartite.

Augusto Diniz — O ministro Ricardo Barros ainda não deixou claro quando esses recursos começarão a ser empenhados?

Acredito que será nos próximos dias. No dia seguinte à visita, já na segunda-feira, recebi uma ligação do ex-secretário de Saúde de Goiânia Fernando Machado. Ele agora está no Ministério da Saúde e me pediu o envio de documentos para dar prosseguimento à demanda. Estamos cumprindo algumas diligências de uma burocracia, o que é natural, e então será fazer a licitação, processo que durará de dois a três meses. Com os equipamentos chegando, então, creio que poderemos inaugurar o hospital em quatro ou cinco meses, no máximo.

Cezar Santos — Quais serão os próximos passos na área da Saúde?

Um sonho meu e do ex-prefeito Maguito é ter uma unidade de combate ao câncer em Aparecida. Estamos trabalhando nisso, é um projeto caro, mas queremos avançar.

Elder Dias — E na área da educação?

Conseguimos avançar também. Um ponto no qual a Prefeitura vinha tendo dificuldades, apesar de ser obrigação, é o pagamento do piso nacional dos professores. No ano passado, o pagamento foi feito por meio de uma decisão judicial, até porque as prefeituras sempre vivem no limite de suas contas. No início do ano, fiz certo sacrifício ao reduzir o número de secretarias, chefias e cargos comissionados, para dar viabilidade a esse pagamento. Então, já em maio, mês da data base, aprovamos o projeto na Câmara e já estamos pagando o piso nacional. Na verdade, fizemos reajustes para todos os servidores.

Com algumas mudanças dentro das próprias unidades, conseguimos aumentar em 1,5 mil o número de vagas oferecidas nos Cmeis [centros municipais de ensino infantil]. Em termos de escola conseguimos atender toda a demanda. A educação in­fan­til tem certa defasagem, mas queremos zerar o déficit na faixa das crianças de 4 a 5 anos até o fim do ano.

Elder Dias — E de quanto é esse déficit hoje?

Aproximadamente de 5 mil a 6 mil vagas.

Elder Dias — A crise não tem aumentado essa demanda por vagas?

É um grande problema não só na educação, mas na saúde também. As famílias tendem a tirar os filhos da rede particular e transferi-los para a pública. Mesmo assim, estamos conseguindo suprir a demanda nas escolas. Já nos Cmeis, fizemos esse ajuste, com a colaboração de unidades conveniadas. Para o próximo semestre, vou lançar um programa de bolsa auxílio. Confesso que, antes de ser prefeito, eu tinha a visão de que a creche — o nome antigo, da área da assistência social, que se tornou Cmei na educação — era apenas um suporte para as famílias deixarem as crianças. Hoje tenho o entendimento claro que a iniciação na educação infantil é uma das fases mais importantes da vida. Por isso mesmo, estou trabalhando muito para zerar esse déficit.

Esse programa de bolsa chama-se Bapi — sigla para Bolsa de Apoio à Primeira Infância — e poderá ser auxiliar ou integral, dependendo da localidade. Se o poder aquisitivo da região é um pouco maior, seria um auxílio, porque as pessoas poderiam procurar uma unidade particular e usar esse recurso da Prefeitura para complementar o pagamento, no limite de 70 reais. Dependendo da região, o valor será absoluto e não necessitará de complemento. O Bapi atende a um dos grandes clamores que vi por parte da população durante a campanha, nas reuniões de rotina no período noturno e nas visitas a empresas e indústrias. Escutei muito das mães essa queixa, sobre não ter onde deixar seus filhos. O projeto nasceu antes mesmo de tomar posse.

Estamos fazendo também reformas em algumas escolas e em Cmeis e investimentos em infraestrutura. Mas quero falar da questão pedagógica: temos uma parceria muito forte com Augusto Cury [psiquiatra, professor e autor da teoria da inteligência multifocal]. Temos uma Escola de Inteligência, na qual temos o acompanhamento das crianças e principalmente de suas famílias. É algo muito importante, elaborado pela fundação dele.

Elder Dias — Há esse projeto em outros municípios?

Não sei se no Estado de Goiás. Mas constantemente recebo visitas de prefeitos, deputados e secretários para conhecer o programa que começou há cerca de seis anos em Aparecida. A fundação de Augusto Cury presta assessoria e dá o material pedagógico. Não é algo barato, mas que estendemos a todas as escolas da rede municipal. Começou com uma, se estendeu a cinco, a dez e hoje universalizou. São R$ 3 milhões por ano, em média, com material didático e pedagógico, para todo o ensino fundamental. Além disso, anualmente, o próprio Cury ministra uma palestra para a rede.

Elder Dias — E que avaliação a Prefeitura faz dos resultados a partir desse período do programa?

É um método diferente, que insere a família no processo, porque hoje muitas pessoas acham simplesmente que é obrigação do Estado cuidar de seus filhos e deixam de lado o acompanhamento escolar. Há o dever de os pais participarem de oficinas, por exemplo, e a resposta que tenho tido vem justamente dos professores. Quando esse programa começou, eu era vereador e fui acompanhando, desde a primeira escola. Então, vi que os professores, conversando uns com os outros, pediam para levar também para a escola deles. É algo que traz um resultado pedagógico, de aprendizagem, mas não só isso, porque cria também um relacionamento mais intenso.

Augusto Diniz — Neste momento de crise, qual é o peso da folha de pagamento para o município?

Na verdade, praticamente toda trabalha no limite prudencial de 51,4%. Eu também estou perto desse limite e, de fato, é um peso. Mas temos de estabelecer prioridades. O custo de uma criança no sistema público é mais alto do que na rede privada, mas por que isso acontece? Porque um empregado no setor privado não acumula quinquênio, titularidade e outras questões que, numa escola particular, a instituição tem a opção de conceder ou não ao profissional. Então, o professor na rede privada talvez receba, em média, de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. Já na rede pública, os profissionais têm um plano de carreira que garante que ganhem um pouco mais a cada ano. Em Aparecida, a média salarial dos professores gira em torno de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil.

Elder Dias — O que é pouco ainda, pela missão que desempenha um professor.

Sim, é pouco, mas quando se pensa em um município com 96 escolas, isso fica muito pesado. Eu acho que é pouco, sim, como acho que é pouco o que um secretário de município ganha, ou mesmo um prefeito.

Elder Dias — A questão é que realmente há necessidade de muitos professores. Mas a questão de priorizar a valorização dos profissionais da educação traz resultados muito importantes em longo prazo, em termos de conhecimento. Mas não existe, em geral, uma política de valorização dos professores, o que impacta na baixa procura pelos cursos de licenciatura. O jovem vê a questão salarial e prefere, por exemplo, prestar seleção para Bioquímica em vez de Matemática, Letras ou História.

Eu estou falando de média, mas temos professores que ganham R$ 8 mil. É muito? Talvez seja razoável, apenas, mas pelo momento que o País vive e pelas dificuldades que as prefeituras enfrentam é algo a se considerar.

Elder Dias — É também uma questão de política nacional, que Aparecida não tem como resolver sozinha.

Por que é difícil zerar esse déficit na educação? Porque temos um custo operacional alto. Uma criança em uma escola privada custa talvez R$ 300. Numa escola do mesmo nível, só que pública, a mesma criança custaria R$ 1 mil. O servidor público, é preciso ressaltar, acaba por ter uma série de gratificações e benefícios que tornam sua remuneração relativamente boa.
Como prefeito, eu recebo R$ 19 mil e, com certeza, há muito pre­feito de cidade bem menor com salário bem maior que esse. Mas quanto ganha o diretor de uma empresa com um orçamento de R$ 1 bilhão? Com certeza, muito mais do que isso. Então, os salários do setor público são nessa margem mesmo. De qualquer forma, considero um avanço o que tem sido feito por algumas prefeituras. Não acho que os professores sejam mal remunerados. Nossa média salarial é algo que dá aos profissionais as condições de subsistência e também de produzir de forma significativa para o município. E é isso que os professores têm feito, basta ver a melhora dos nossos índices na educação nos últimos anos.

Augusto Diniz — Sua gestão manteve a Secretaria Especial de Projetos e Captação de Recursos?

Claro, continuamos com a secretaria e a mesma titular, Valéria Pettersen, que é muito competente.

Cezar Santos — O sr. disse que assumiu a Prefeitura de Aparecida em condição privilegiada. Isso, por sua vez, permite que as pessoas tenham uma expectativa maior em relação a sua gestão. O que o sr. espera deixar para a cidade quando cumprir este mandato?

Temos um projeto, que já foi até mesmo premiado e que agora temos de viabilizar: tornar Aparecida de Goiânia uma cidade inteligente. Não há nenhuma cidade em Goiás nem no Centro-Oeste que tenha chegado a esse patamar. O que há, no País, são cidades que estão avançando e, embora não tenham esse título, podem pelo menos ser consideradas digitais, como Curitiba e Campinas (SP). Esse, talvez, seja o grande legado que vou deixar para a cidade.
Nesse sentido, para este semestre, vamos fazer a licitação de 140 quilômetros de fibra ótica, com o objetivo de tornar Aparecida, inicialmente, uma cidade digital, para depois elevá-la a cidade inteligente.

“Estamos investindo R$ 30 milhões em tecnologia”

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos — O que é necessário para que ela se torne uma cidade digital?

Temos de tentar, por exemplo, reduzir ao máximo a utilização do papel. A cidade digital tem de ser sustentável. As coisas estão acontecendo de forma rápida e, em algum tempo, não vai haver mais papel moeda. E tempos atrás, dez anos, era maluco pensar em um mundo sem dinheiro. Outra questão é possibilitar que o cidadão possa, por meio da tecnologia, abrir uma empresa, fazer uma solicitação à Prefeitura, falar com o prefeito, elogiar, reclamar etc. São questões que devem ser básicas e, mais, ter resolutividade.

Elder Dias — E quais são os passos nesse sentido?

A ideia primeira é criar uma infraestrutura tecnológica básica. E o que é básico? É uma internet funcionar de forma satisfatória. No Brasil, ainda estamos muito atrasados nessa política, embora estejamos tentando avançar. Nesse sentido, tentei trazer para meu governo esse professor aqui (com exemplar do Jornal Opção à sua frente, Gustavo Mendanha aponta para a foto de Edward Madureira, reitor eleito da Universidade Federal de Goiás e entrevistado da edição anterior). Não deu certo, mas consegui outro, que é uma pessoa muito conhecida no meio acadêmico e expert em tecnologia: o professor Cleomar Rocha, coordenador do Media Lab [Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas] da UFG. Convidei ambos de forma praticamente simultânea e, quando Edward me disse que não poderia, o convenci a me ajudar a trazer Cleomar para ser meu secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Talvez Aparecida de Goiânia seja uma das poucas cidades do País a ter criado uma secretaria municipal nessa área. Ao assumir, eu reduzi oito pastas para enxugar a administração, mas fiz questão de criar essa, para esse passo a mais que quero dar para a cidade. Não vou deixar de avançar em infraestrutura, porque é algo básico e em que também temos de avançar. Mas o grande diferencial será o investimento em tecnologia.

Augusto Diniz — O que será, na prática, esse diferencial?

Vários pontos: ter uma internet de boa qualidade; acessar com facilidade o que ocorre em tempo real na Prefeitura e na cidade, saber o que está entrando e saindo de qualquer departamento; uma sala de situação com videomonitoramento para controlar tudo isso. Não podemos pensar só na grande corrupção, num escândalo da Petrobrás, temos de ver também o que acontece quando era para entrar dez unidades e entram só nove, seja do que for. A tecnologia vai nos ajudar a ter um controle maior e a ter mais transparência.
Um dos primeiros tópicos que estamos trabalhando em tecnologia — além da desburocratização com a redução do papel e a interação com a administração — é a segurança. Não é uma responsabilidade constitucional da Prefeitura, é do Estado, mas o que foi feito na cidade até agora, com a instalação de câmeras de monitoramento, já ajudou muito. O passo adiante será a leitura facial por câmeras. Se alguém tem um mandado de prisão em aberto, objetivamos que, ao passar por um sistema de videomonitoramento, esse sujeito possa ser identificado e assim possamos informar à polícia sobre a circulação dele em determinado local. Imagine a praticidade para fazer isso, ou então para verificar um carro roubado. A efetividade para resolução de casos será muito maior.

As câmeras inibem práticas criminosas e vemos isso em Aparecida, mesmo que ainda não estejam sendo utilizadas de forma plena. Estamos analisando sistema por sistema e, nestes seis meses de administração, já recebi empresas da Coreia, da China, de Israel, todas voltadas para a área de tecnologia de segurança. Também visitei Campinas (SP), Rio de Janeiro e Palmas, que é uma cidade pequena, mas que está avançada em termos de tecnologia. É preciso caminhar para pelo menos criar uma sensação de segurança. É o que pretendo fazer para ajudar meu município.

Elder Dias — O sr. pensa em outros pontos que decorrem do videomonitoramento e de uma central de inteligência?

Um ponto interessante é que, com isso, não é preciso ter uma viatura 24 horas por conta de uma avenida, que é o que ocorre hoje, quando dificilmente descem para as ruas periféricas. As viaturas ficam em vias principais, em posto de gasolina, em porta de shopping ou de drogaria. Isso dá uma sensação de segurança quando a pessoa passa e vê o carro com o giroflex e sente “a polícia está aqui”. Mas o “grosso” da criminalidade acontece é nas outras ruas. Com o videomonitoramento, a polícia pode descer para essas ruas e não ficar somente nas avenidas.
Também há outros pontos em que vamos adotar o sistema de inteligência, como o transporte público. A tecnologia dos smartphones tem de ser utilizada para uma série de quesitos em uma cidade inteligente, são inúmeros os aspectos. O grande legado a deixar para a cidade é, além de fazer esses investimentos, é elaborar um plano diretor tecnológico, coisa que não existe hoje no País.

Elder Dias — O que isso quer dizer, exatamente?

Com um plano diretor tecnológico, independentemente do prefeito, quem estiver na administração terá de seguir esses passos dentro da lei, no sentido da cidade inteligente. A ideia é fazer um plano robusto com obrigações por parte da Prefeitura de implantação de políticas nesse sentido para os próximos 10 ou 20 anos. Ou seja, os próximos prefeitos terão de investir em tecnologia. É muito simples: uma empresa que não investe em tecnologia, ela fica obsoleta; da mesma forma ocorre com a cidade, que vai ficando menos atrativa. Estamos, assim, preparando Aparecida para o futuro.

Augusto Diniz — Quando Maguito Vilela (PMDB) foi eleito prefeito de Aparecida, em 2008, em um momento de crescimento econômico, o acesso a esses equipamentos tecnológicos já era caro. Como implantar isso agora, então?

É questão de prioridade. E essa é uma de minhas prioridades. Obviamente, tenho de partir de outro ponto de vista. É que, a partir do momento em que fazemos esse investimento, podemos também criar novas fontes de receita. Vou dar um exemplo simples, a partir da internet free, que queremos levar de início para os principais parques da cidade — depois para as principais praças, para os prédios públicos etc. Em Israel — com cuja embaixada estamos tendo uma relação muito boa e até recebemos um convite para visitar o país, onde devemos ir este ano ainda — há um ponto de internet em cada poste.

Como ocorre em aeroportos, por exemplo, poderemos vender a publicidade em determinada área, para que a pessoa que for acessar a internet passe antes por ela. É uma receita acessória importante. Da mesma forma, poderemos alugar a rede de fibra ótica para as telefônicas. Ou seja, além de investir, queremos criar essas receitas acessórias, que utilizamos ainda de forma precária.

Para ter ideia, o investimento que estamos fazendo agora em tecnologia é de R$ 30 milhões. Com esse dinheiro, daria para asfaltar um bairro inteiro, o que também é prioridade. Mas, investindo nisso, além de poder depois criar receitas acessórias, vamos também criar um movimento favorável para que empreendedores sejam atraídos para a cidade.

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Marcelo Mariano — O sr. está liderando uma frente nacional de novos prefeitos. Como isso pode beneficiar Aparecida de Goiânia?

A frente nacional tem um viés totalmente municipalista. Sempre dizemos que ninguém mora no Estado ou no País, mas sim, numa cidade. E o município é o ente federativo mais frágil, o que recebe menos recursos e o que sempre é penalizado. Quando judicializam qualquer ação, é o município quem paga — até por uma questão lógica, porque é mais fácil achar um prefeito do que um governador ou um ministro. Então, nossa agenda é realmente defender o municipalismo. Fui eleito para ser o vice-presidente da frente nacional para assuntos de Goiás e participo de toda a agenda. Já tive oportunidade de me encontrar com a presidente do STJ [Superior Tribunal de Justiça], Laurita Vaz, justamente com a pauta da judicialização.

Também estamos abrindo um diálogo com a ONU [Organização das Nações Unidas], porque a entidade tem uma relação com os países, mas sempre foi distante dos municípios. Neste ano começamos a conversar com a ONU, por meio de nosso presidente, Jonas Donizette (PSB), prefeito de Campinas (SP), uma cidade que dispensa comentários — aliás, lá há uma sede da empresa chinesa BYD, que fabrica automóveis elétricos. Estamos estudando os custos para que parte de nossa frota municipal passe a ser com carros assim. Mostramos ao pessoal da ONU a necessidade de abrir relação não só com a União e os Estados, mas também com os municípios. Foi oferecida uma série de parcerias e já começamos a criar esse diálogo. Há vários programas que podem estar no município, como o ONU Aids — a doença tem avançado entre pessoas da terceira idade. A violência contra a mulher é uma grande preocupação da ONU também em todo o mundo, que luta pela política de igualdade de gêneros. Há pautas que nos interessam mais e outras, nem tanto. Mas, dentro do que nos foi apresentado, já estamos dialogando bastante.

Elder Dias — A universalização da água tratada e do esgoto sanitário é uma meta nacional. Até que ponto Aparecida evoluiu nos últimos anos em relação a isso e quais são as metas?

Temos de admitir que evoluímos muito pouco. Não preciso falar para vocês sobre o que houve com a Odebrecht, que foi a empresa subdelegada para o serviço em nosso município. Então, a universalização, que era para ocorrer até 2018, passou para 2020. Com a entrada da Brookfield, um grupo canadense dos maiores do mundo, as obras avançaram, estão cortando a cidade em vários setores e, quando mostramos a necessidade de adequações, eles são bem receptivos — o que ocorreu por exemplo no Buriti Sereno, onde pedi para colocarem os canos para que eu pudesse asfaltar logo. O planejamento está a contento e nossa expectativa é muito boa.

É bom lembrar que a rede coletora de esgoto depende também da água e Aparecida não tem sistema próprio, dependemos exclusivamente do Complexo João Leite. Com a possibilidade do Linhão [obra que ligará em rede o Sistema Produtor Mauro Borges à região leste de Aparecida] vamos avançar muito nisso. Participei de agendas com o BNDES [Banco Nacional de De­sen­volvimento Econômico e Social] e tudo avançou muito com a chegada de Jalles Fontoura à presidência da Saneago. O BNDES está propício a emprestar R$ 200 milhões para fazer esse Linhão. Seria a solução para as próximas décadas, em termos de universalização de água e esgoto.

Cezar Santos — Aparecida é uma cidade espalhada, com vários núcleos. Como o sr. lida com a especulação imobiliária?

Em Aparecida temos o ITU [Imposto Territorial Urbano] progressivo. O contribuinte chora, mas é a única forma que temos de pressionar para o pagamento.

Elder Dias — A cobrança funciona de fato lá? Em Goiânia o ITU progressivo é algo ainda só no papel.

A especulação não vai deixar de existir. Para ter ideia, só uma pessoa tem mais de mil lotes em Aparecida. O que temos de positivo é que os vazios urbanos já estão bem reduzidos. Isso é algo natural quando levamos a infraestrutura. A partir do momento em que há asfalto, Cmei, escola, UBS e um eixo estruturante em determinada região, ela tende a crescer. E foi isso que aconteceu. Existem, claro, alguns vazios, mas isso foi bastante diminuído. Uma política que ajudou muito o município foi o programa Minha Casa Minha Vida, do governo do PT. A propósito, sorteamos 500 unidades habitacionais no Buriti Sereno, que serão entregues até o fim do ano, e estamos com outros projetos em andamento.

Augusto Diniz — A Secima [Se­cre­taria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Cidades, Infraestrutura e Assuntos Metropo­lita­nos] tem elaborado, por meio de um contrato com a Universidade Federal de Goiás, o Plano Integrado da Região Me­tropolitana (Code­metro). Quan­do os técnicos são ouvidos, principalmente na universidade, eles ainda tratam os municípios vizinhos como cidades-dormitório. A pessoa procura um lote mais barato numa cidade vizinha, mas vem trabalhar em Goiânia. A realidade de Aparecida ainda é essa?

Não. Como presidente da CDTC [Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo] esta é uma das grandes discussões que temos tido. Aparecida não pode mais ser enxergada como cidade-dormitório. Para provar isso, no primeiro semestre, geramos 17 mil novos postos de serviços em nossa cidade. Ao contrário: Goiânia e outras cidades estão se tornando “dormitórios” para Aparecida, porque muita gente desses municípios trabalha lá. Obviamente, também tem muita gente de Aparecida que trabalha em Goiânia. Hoje existe os dois processos e é muito simples verificar: suba para a BR-153 na parte da manhã e veja o volume gigantesco de carros nos dois sentidos.

Falamos em dificuldades, mas temos de admitir que Aparecida vive um momento muito bom. No contexto da atual crise, em que o empresariado está guardando dinheiro, 20 dias atrás foi inaugurado em Aparecida um shopping que teve R$ 250 milhões de investimento. Só lá são 2 mil postos de trabalho. Vivemos um grande momento. Oito anos atrás, realmente éramos uma cidade-dormitório. Nesse período, saímos de 6,5 mil empresas ativas para 40 mil. Criamos um ambiente favorável para que as pessoas viessem para a cidade.

Um dado curioso: o ex-prefeito Maguito, em seus oito anos, não criou um único polo industrial. Mas, no senso comum, as pessoas acham que ele é o pai dos polos. Por quê? Porque, a partir de toda a infraestrutura que construiu — asfalto, Cmeis, escolas, UBSs, parques, praças etc. —, as indústrias começaram a vir para a cidade. Para ter ideia, hoje a Prefeitura não tem nenhuma área disponível para doar a empresas. Temos pedidos de área no total de mais de 40 milhões de metros quadrados de demanda de empresas para instalação em Aparecida.

Cezar Santos — Falava-se na criação de outro polo industrial. Como está isso?

Alguns polos estão em fase final de implantação, como é o caso do polo do Estado, que deve começar a entregar áreas no fim deste ano ou no começo do próximo. O ex-prefeito Maguito realmente fez um polo que está praticamente pronto para entregar, que é o Parque Tecno­lógico de Aparecida. A questão é que ainda não temos energia, estamos lutando com a Celg para viabilizar isso rapidamente.

Estamos também com três áreas identificadas para criação de polos: um para micro e pequenas empresas, para quem queira abrir pequenos negócios na cidade ou para quem está em local inadequado; um polo de confecções, já que Aparecida tem muitas facções essas geralmente funcionam precariamente, dentro de casa, vamos criar um espaço ideal e estabelecer parceria com o Sebrae e com os lojistas; e o Clia [Complexo Logístico Industrial Alfandegário] para o qual estamos captando empresas para proceder o investimento. É uma espécie de porto seco avançado, uma iniciativa privada com mais de R$ 1 bilhão de investimentos, na qual Prefeitura entra como parceira. Uma empresa que já confirmou presença como âncora do Clia é o Grupo Martins, uma gigante do ramo logístico.

Elder Dias — Com essa perspectiva, parece que, mesmo em meio à crise, talvez Aparecida esteja na contramão do desemprego, com índices positivos. Como está esse índice no município?

Podemos dizer que estamos mesmo na contramão. Claro que há desempregados, como em qualquer lugar do País, é natural, mas é importante dizer que, mais importante do que gerar empregos, é qualificar pessoas para esses empregos. Aparecida deixou de ser uma cidade-dormitório para se tornar industrial, empresarial e universitária. Temos sete instituições de ensino superior e mais outra que deve chegar agora, a UniEvangélica, de Anápolis.

A UFG veio para nossa cidade já com a mentalidade de preparar as pessoas para ficar em Aparecida. Então, todos os cursos são voltados para a expertise da cidade. Um exemplo: o curso de Engenharia de Transportes. É o primeiro do País de uma universidade pública e foi criado porque Aparecida é muito forte na área de logística. Outras faculdades oferecem cursos para as mais diversas áreas. No primeiro semestre, conseguimos um novo curso para a UEG, o de Direito. Também dois cursos de Medicina, além de uma série de outros cursos.

Além das instituições de ensino superior, temos as escolas profissionalizantes. Nisso, o Sistema S [Sesi, Sesc, Senai e Senat] nos ajuda muito. No Setor Veiga Jardim, temos o Senai Dr. Celso Charuri, que faz parcerias com empresas e já busca oferecer mão de obra qualificada. Muitos postos de trabalho hoje estão ocupados por pessoas que vieram de São Paulo, de Minas Gerais, do Pa­raná, porque até agora não havia em nossa região metropolitana ninguém capacitado para ocupar esses cargos.

Augusto Diniz — Qual é o potencial de Aparecida hoje para fazer investimentos?

Em média, as cidades têm usado de 8% a 10% de seu orçamento para isso. Nós temos investido algo de 16% a 17%, muito acima da média. Estamos cortando na carne, colocando tudo na ponta da caneta, para chegar a isso. E fazendo muita parceria.

Ao visitar uma igreja, um empresário me abordou e me disse: “Sabe aquelas garrafinhas que foram compradas e entregues nas escolas? Fui eu quem vendeu para a Prefeitura”. Eu o cumprimentei e ele continuou: “Está difícil demais trabalhar para vocês. É que vocês pagam em dia e assim todo mundo quer vender para Aparecida. Acaba que isso faz vocês reduzirem muito seus custos.”

E é esta a realidade: nós compramos e imediatamente pagamos. Nas prefeituras em que há atrasos, os custos sobem, porque o empresário joga uma margem maior de lucro para cobrir as perdas. Como estamos fazendo tudo certo, cada licitação nossa é uma briga, as pessoas querem participar e querem vender para Aparecida, porque sabem que terão liquidez, que vão receber em dia. A propósito, somos a 1ª colocada do Estado e a 20ª do País em liquidez, segundo a Firjan [Sistema Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

Elder Dias — Falando um pouco sobre a política nacional, como está sua relação com os parlamentares goianos em Brasília? Eles têm ajudado sua cidade?

Eu me relaciono bem com todos os deputados federais. Hoje Apa­recida recebe emendas de praticamente todos eles — com exceção de um —, bem como dos três senadores.

Elder Dias — O Brasil passa por um momento terrível de instabilidade e ainda falta um ano e meio para que o futuro eleito tome posse na Presidência da República. Não é difícil imaginar que todos os projetos que o sr. tenha para a cidade passe, também, por um viés positivo de tudo isso?

Eu torço para a permanência do presidente, e por uma questão simples e óbvia: a saída de Michel Temer não vai melhorar em nada a situação do País. Isso não tem nada a ver com o fato de eu ser peemedebista. Encontrei Temer umas três vezes, mas ele não me conhece, não faz muita diferença nesse ponto. Só que a mudança de presidente novamente é deixar tudo ainda mais instável.

Elder Dias — Mas, independentemente da troca de presidente, é bem provável que a política econômica continuaria a mesma com Rodrigo Maia [DEM-RJ, presidente da Câmara dos Deputados].

É isso que não dá para garantir nem antever. Nunca existiu uma equipe econômica tão bem qualificada como a que o País tem hoje.

Cezar Santos — Foi o grande acerto de Michel Temer.

Sim, e a preocupação que temos é justamente a saída dessa turma, comandada por Henrique Meirelles [ministro da Fazenda], que é boa de serviço e ninguém contesta. É essa equipe que tem feito a economia do País voltar a aquecer. Com um novo impeachment, não tenha dúvida de que o mercado externo vai outra vez refrear seu ânimo com o País. Entre o certo e o duvidoso, faltando pouco mais de um ano para as eleições, mudar de novo seria um tiro no pé, independentemente de questão partidária.

Cezar Santos — E no plano estadual, como fica o PMDB, em meio a essa indecisão sobre o candidato ao governo em 2018? Pode ser até de outro partido…

Pelo contrário, temos candidato no PMDB, sim. O que existe, como em qualquer partido — e também na base do governo estadual —, são essa especulação de nomes. O que escuto do lado da base também não é esse equilíbrio e estabilidade que cobram do PMDB.

Todo partido vai sempre ter disputa, é natural. Mas nosso candidato é um jovem, como eu: Daniel Vilela [deputado federal]. Sou até suspeito para falar, pois sou de seu grupo, mas é alguém que tem conteúdo e se preparou para esse momento. Tem todas as chances de ganhar a eleição.

Sobre essa especulação de apoiar outro candidato, no último evento dos prefeitos do PMDB, Iris me disse que estará com o candidato do PMDB. Dias atrás, estive também com uma pessoa muito ligada a Ronaldo Caiado [senador do DEM, pré-candidato ao governo], que me disse que ele foi conversar com Iris e o prefeito lhe respondeu que, se o PMDB tiver candidato, ele vai estar com o PMDB.

Elder Dias — Existe a possibilidade de o PMDB não ter candidato ao governo de Goiás?

Não, o PMDB terá candidato. Daniel Vilela é o presidente do partido e tem comando. Mais do que isso, é importante para o Estado que haja mais de duas candidaturas fortes. Claro que o senador Ronaldo — que é do Democratas e busca o apoio do PMDB — é um nome de peso, legítimo e está muito bem nas pesquisas. Mas posso garantir que nosso partido terá candidatura.

Cezar Santos — Ocorre que prefeitos importantes do PMDB — como Ernesto Roller, de Formosa, e Paulo do Vale, de Rio Verde — já manifestaram preferência por Caiado. Isso não divide o partido?

Eles têm todo o direito, neste momento de discussão, participar e dizer o que pensam. Mas todos esses prefeitos — Ernesto, Paulo e também Adib [Elias, de Catalão] — estavam na reunião e disseram que defendem uma agenda suprapartidária para discussão de um nome. Porém, eles ressaltaram o fato de que, se o PMDB lançar candidato, não irão contra o projeto do partido. Isso já aconteceu em outros momentos e é muito normal. Não tenho dúvida de que nenhum de nossos prefeitos trabalhará contra o partido a partir do momento em que for feita a homologação de nosso candidato.

Cezar Santos — E se Ronaldo Caiado se filiar ao PMDB?

Aí ele ganha legitimidade para seu projeto conosco. O PMDB é o maior partido de oposição do Estado, têm várias prefeituras importantes. Já o DEM tem poucas prefeituras. Como poderíamos deixar de lançar um nome por outro candidato, com a densidade de votação que temos em Goiás? Se Ro­naldo quiser o apoio do PMDB, que venha para o PMDB.

Cezar Santos — O partido está de portas abertas para ele?

Tenho certeza de que Daniel Vilela o receberia de braços abertos.

Augusto Diniz — Maguito Vilela é um nome natural como pré-candidato ao Senado?

Não. Com a saída de Daniel Vilela para disputar o governo, vamos abrir essas vagas para outros partidos que nos acompanhem em nosso projeto. Maguito não é candidato a nada, vai apenas contribuir com a campanha de Daniel.

Elder Dias — E o prefeito Iris, o sr. considera que ele não será candidato a nada no ano que vem?

Ele já disse que não e creio que ele vá finalizar seu mandato e vá colocar novamente Goiânia no eixo.

Elder Dias — Mas, em seu ponto de vista, Iris não está demorando a mostrar trabalho, até pelo seu perfil de administrador? O que está pesando?

Creio que é questão de reorganizar a casa, mesmo. Estamos no sétimo mês de gestão e se você andar por Goiânia verá algumas obras já em andamento. Temos, inclusive, na divisa com Aparecida. Ele, esses dias, brincou comigo dizendo que o estavam cobrando, porque a parte de Goiânia da Avenida Rio Verde [que divide os dois municípios] estava bem cuidada e a de Aparecida estava devendo (risos).

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