Iris Rezende atropela o Major Araújo como pretende atropelar Maguito e Daniel Vilela em 2018

O deputado estadual pode até assumir a vice, aceitando o canto das sereias políticas, mas sempre será uma peça decorativa num governo que certamente será centralizador e personalista

Iris Rezende e Major Araújo: o primeiro não liga a mínima para a rebeldia do segundo, até porque, empossado, não o ouvirá mesmo para os seus principais projetos

Iris Rezende e Major Araújo: o primeiro não liga a mínima para a rebeldia do segundo, até porque, empossado, não o ouvirá mesmo para os seus principais projetos

Iris Rezende é responsável por um verdadeiro êxodo de políticos. Vários deles abandonaram o PMDB por terem sido “atropelados” ou “vetados” para disputas eleitorais. Há pelo menos duas listas de “expurgados”, direta ou indiretamente. A mais antiga inclui, entre outros, Henrique Santillo, Irapuan Costa Junior, Lúcia Vânia, Fernando Cunha, Juarez Bernardes, Nion Albernaz e Marconi Perillo. Na lista mais recente estão, entre outros, Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi.

Ex-presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles filiou-se ao PMDB, há alguns anos, convencido que seria candidato a governador em 2010. Haviam lhe dito que, se filiado, disputaria a eleição. Na época, com escassa experiência política, acreditou no canto de sereia do irismo — cujo hábito dominante é seduzir para, em seguida, destruir.

Quando começava a se anunciar como postulante ao Executivo, Henrique Meirelles recebeu um recado de um peemedebista não-irista: “Você não está entendendo. O candidato do PMDB a governador será Iris Rezende”. Boquiaberto, só restou ao executivo internacional, acostumado a lidar com as feras do mercado financeiro mais duro do planeta, o americano — que, a rigor, envolve todos os mercados financeiros —, desligar-se do partido e mudar o seu domicílio eleitoral para São Paulo, em busca de pousos mais democráticos.

O empresário Vanderlan Cardoso, filiado ao PMDB com fanfarra, seria uma alternativa para o governo do Estado — já que os políticos tradicionais do partido se tornaram fregueses do tucano-marconismo —, mas, ao perceber que seu tapete estava sendo puxado de maneira explícita, desfiliou-se.

Em seguida, surgiu novo “crente” na religião irista — Júnior Friboi. O empresário e seu pai, José “Mineiro” Batista, estiveram com Iris Rezende e, dele, ouviram que não seria candidato. Júnior Friboi entusiasmou-se, filiou-se ao PMDB, com a presença de Michel Temer, articulou grupo político e chegou a contratar o marqueteiro Duda Mendonça. Era mais um “enganado”. Em 2014, não havia espaço para disputar o governo, pelo PMDB, para os chegantes. A vez era, de novo, de Iris Rezende, o coronel político mais longevo da história de Goiás — uma espécie de Sarney do Cerrado. Sabotado, o ex-sócio da JBS-Friboi deixou o partido.

Maguito Vilela e Daniel Vilela: o prefeito de Aparecida de Goiânia e o deputado federal e presidente do PMDB são vistos como “adversários” pelos iristas ortodoxos

Maguito Vilela e Daniel Vilela: o prefeito de Aparecida de Goiânia e o deputado federal e presidente do PMDB são vistos como “adversários” pelos iristas ortodoxos

Não se falou, neste texto, do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que, em 1998, tentou, quando era governador de Goiás, disputar a reeleição — sua popularidade era impressionante, segundo o Datafolha —, mas foi barrado no baile por Iris Rezende. Só havia, literalmente, duas “saídas”. Ficar no PMDB era subordinar-se ao projeto de Iris Rezende. A outra era deixar o partido, o que Maguito Vilela, político leal, não quis fazer.

Recentemente, jogando mais uma vez contra Maguito Vilela, que havia bancado o filho, o deputado federal Daniel Vilela, para presidente do PMDB, Iris Rezende lançou Nailton “Rezendinho” Oliveira. O confronto era, evidentemente, entre dois líderes — Iris Rezende, o coronel-chefe, e Maguito Vilela, às vezes apontado como um líder relutante. Desta vez, porém, os Vilelas reagiram e, pela primeira vez, derrotaram o candidato de Iris Rezende, quer dizer, derrotaram o poderoso chefão.

Iris Rezende é da escola dos “príncipes” políticos, aqueles para os quais Maquiavel escreveu “O Príncipe”. Quer dizer, não perdoa os políticos, aliados ou não, que lhe derrotam. Por isso, para combater uma possível candidatura de Daniel Vilela — ou Maguito Vilela — ao governo de Goiás em 2018, guarda um suposto trunfo: o senador Ronaldo Caiado, do DEM.

Um dos objetivos de Iris Rezende é a reconquista do comando do PMDB, em 2018, com o objetivo de se tornar a figura mais influente para determinar o nome do candidato ao governo. O seu, frise-se, é Ronaldo Caiado — não é nem Maguito Vilela nem Daniel Vilela. O que se prepara, por enquanto de maneira sutil, é um novo expurgo. Pode ser que ocorra e pode ser que não ocorra. Porque, desta vez, Maguito Vilela representa um novo grupo político e, por certo, deixou de ser irista — inaugurando, quem sabe, a era vilelista no PMDB. Ao mesmo tempo, o vilelismo tem a simpatia do presidente da República, Michel Temer, ao qual Daniel Vilela está ligado de maneira estreita.

Major Araújo

Recentemente, o Major Araújo revelou que pode permanecer como deputado estadual e, assim, não assumiria a vice de Iris Rezende, para a qual foi eleito no dia 30 de outubro deste ano. O que está acontecendo de fato?

Comenta-se várias coisas, mas o Major Araújo fala pouco a respeito. O que se sabe, escarafunchado os bastidores, é que Iris Rezende, político centralizador, não está consultando seus aliados para montar o secretariado. No máximo, ouve, quando ouve, Ronaldo Caiado, que considera a peça política que vai lhe abrir as portas junto ao governo do presidente Michel Temer e a quem quer preparar, inclusive filiando-o ao PMDB, para a disputa do governo do Estado em 2018 (leia adiante sobre outro “plano” do decano peemedebista).

Iristas dizem abertamente que Iris Rezende ganhou a eleição praticamente sozinho e chegam a sugerir que o vice chegou, em determinado momento, a atrapalhá-lo, sobretudo quando falou em “bolsa-arma”. Eles chegam a chamar o vice eleito de Major Caramujo (no segundo turno, ao menos, mantiveram-no “escondido”), num evidente desrespeito a um deputado atuante, posicionado. Peemedebistas-iristas dizem que o prefeito eleito, do alto de sua autoridade moral e política, não tem obrigação de consultá-lo para definir os nomes dos ocupantes dos principais cargos. Iris Rezende deixou claro, para seus aliados, que alguns cargos serão de sua indicação exclusiva e não vai ouvir ninguém a respeito. São os casos das secretarias da Saúde, da Educação e de Finanças. Principalmente Finanças. O peemedebista diz, aos que querem e aos que não querem ouvi-lo, que é mesmo centralizador.

Para apaziguar os ânimos, quando quiser, no seu tempo e não no tempo do Major Araújo, Iris Rezende o chamará para uma conversa e dirá quais cargos terá, no primeiro e, sobretudo, no segundo escalão. Isto, é claro, se não renunciar. O fato é que o prefeito eleito não está ligando a mínima para o que fará ou deixará de fazer o deputado estadual. Ao vice cabe entender que, se Iris Rezende “atropelou” políticos de maior expressão, como os mencionados acima, por que deixará de fazer o mesmo com um deputado que os peemedebistas chamam de “anódino” e “destemperado”?

No momento certo, no estilo paizão que se tornou avô, Iris Rezende vai convocar o Major Araújo, vai passar a mão em sua cabeça e vai lhe presentear com alguns cargos. Acrescente-se: cargos de somenos importância. Mas, ainda assim, cargos. Na semana passada, um peemedebista disse para um repórter: “O Major Araújo só pensa em cargos, não está preocupado com a cidade. Quem está preocupado com Goiânia é o prefeito Iris Rezende”.

Agora, finalmente, uma história que, de leve, anunciamos num parêntese acima. Há uma expressão grosseira, mas que pode ser usada de maneira pertinente: e se Iris Rezende estiver fazendo a “gata parir” com o Major Araújo com o objetivo exatamente de retirá-lo da vice para que possa deixar a Prefeitura de Goiânia, em 2018, para disputar o governo do Estado? Nos bastidores, o peemedebista costuma dizer que só perde eleição para Marconi Perillo e frisa que, no próximo pleito, não o terá pela frente (claro que se for candidato). Mas por que a possível pressão para que o Major Araújo se afaste, deixando a vice?

Sugerimos ao leitor, que é eleitor, que se lembre de 2014. Iris Rezende havia bancado Paulo Garcia, do PT, que apresentava como um filho político, na eleição para prefeito de Goiânia em 2012 — apostando que, em 2014, o partido de Lula da Silva e Dilma Rousseff o apoiaria para o governo do Estado, bancando o vice. Ocorre que o PT lançou Antônio Gomide para governador, rompendo a aliança com o PMDB, o que deixou Iris Rezende profundamente irritado e, por isso, começou a se afastar de Paulo Garcia, que havia sido seu vice na disputa para a Prefeitura de Goiânia na eleição de 2008.

Iris Rezende parece perceber seus vices como problemas, mas, a rigor, não dá muito importância para seus segundos. Porém, como não avalia o Major Araújo como confiável, prefere vê-lo de volta à Assembleia Legislativa. Por quê?

Porque, se deixar a prefeitura em 2018, para disputar o governo, quer deixar na vice — até para bancar sua possível campanha — um aliado fiel. Se o Major Araújo renunciar, o vice de Iris Rezende será o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, que possivelmente, é quase certo, será do PMDB.

No lugar de discutir se o deputado fica como vice ou não, Iris Rezende está muito mais interessado em eleger o próximo presidente da Câmara, que poderá ser o seu vice. Nas conversas reservadas, que vazam de maneira parcimoniosa, o peemedebista sempre diz que o próximo presidente da Câmara deve ser um político equilibrado e com perfil de gestor. Por isso, quando sondado, tem mencionado o vereador eleito Andrey Azeredo, que avalia como o postulante que, se assumir a prefeitura, não deixará a peteca cair.

Lido este Editorial, que sonda os bastidores da política, é provável que o deputado Araújo passe a entender que, na política e na polícia, coronel manda em Major. Mais: ele pode até assumir a vice, acreditando no canto de algumas sereias, como Jorcelino Braga, mas dificilmente será um vice de fato. Com Iris Rezende como prefeito, centralizando tudo, até compra de alfinete, o Major Araújo será sempre um vice decorativo. Será um vice-não-vice.

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Só faltou abordar o comportamento do principal responsável por essa farsa anunciada: a maioria do eleitorado goianiense gosta do cabresto e das esporas do coronel – a quem elege e reelege há décadas; talvez um caso a ser estudado pela psiquiatria.

É Caiado na cabeça!!!

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