Aliança de Michel Temer com PSDB no país pode gestar aliança entre Marconi e Maguito em Goiás?

É praticamente certo que o PMDB e o PSDB vão caminhar juntos para a disputa presidencial em 2018. Para o governo de Goiás, os dois partidos apontam nomes para a disputa. Mas podem repetir o quadro nacional?

Se a bola de cristal de um jornal é a razão, instrumento de apreensão do real, o que dizer de predições políticas? Como examinar quadros relativamente distantes, ainda que se aceitando a tese atribuída a Tancredo Neves de que, “em política, não há cedo, só tarde”, e apresentar conclusões críveis? O que se deve revelar ao leitor, desde o início, é que a análise do futuro é permeada basicamente pela especulação. Não se estará dizendo o que de fato vai acontecer, e sim o que poderá acontecer, mas também poderá não acontecer. Verdadeiro precipício, o futuro é sondável, mas não totalmente sondável. O que se vai ler a seguir exige cautela, tanto de quem está escrevendo quanto de quem está lendo. Tende a entender mais o que está acontecendo — o futuro vai se definindo no presente — aquele que, mesmo tendo algumas certezas, avaliar que as dúvidas não são descartáveis.

Pelo olhar de hoje, pondo 2018 em perspectiva, pode-se sugerir quais políticos vão disputar o governo de Goiás? Como alguns deles estão se posicionando, é possível examiná-los, mas não “informar” que um já é favorito e que o outro não é. A quase dois anos das eleições, com os candidatos não definidos e as articulações apenas começando, não há como dizer quais serão os candidatos de fato e, insistamos, qual tem mais chance de ser eleito. A política, como a vida, costuma atropelar quadros fixos e análises peremptórias. A política, se se pode afiançar assim, é o “lugar” às vezes da dúvida, não quase sempre da certeza.

Vale frisar que os políticos, como o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, do PMDB, são mais cautelosos do que os analistas. Eles dão tempo ao tempo. Articulam, mexem as peças do xadrez, às vezes tentam fazer a história avançar, às vezes tentam fazê-la recuar — na tentativa de estabelecer, digamos, um ritmo para as movimentações políticas. Porém, mesmo interferindo e forçando o diapasão, ninguém controla o processo político, porque forças díspares, ao se chocarem, criam realidades diferentes, complexas, não inteiramente manipuláveis.

As relações entre o PMDB do presidente Michel Temer e o PSDB de Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves e Marconi Perillo são umbilicais. Os dois partidos, para garantir a sobrevivência na selva política, irmanaram-se. Para a disputa de 2018, sobretudo se tiverem de enfrentar um populista como Lula da Silva, do PT, e políticos relativamente heterodoxos como Marina Silva, da Rede, e Ciro Gomes, do PDT, terão de lançar, quem sabe, um candidato único. PMDB e PSDB, como terão de fazer ajustes duros na economia, quase sempre impopulares, só terão condições de sobreviver eleitoralmente se caminharem juntos.

A missão de Michel Temer é inglória. Dificilmente terá condições de consertar a economia em dois anos. Entretanto, se em 2018 a economia voltar a crescer, com o país retomando a geração de empregos, o peemedebista, um gestor corajoso — especialmente se concluir a reforma da Previdência (que, no fundo, é uma maneira de remontar o Estado, seus gastos) —, pode se cacifar para a reeleição. Se estiver bem, ou um pouco melhor do que agora, tende a disputar. Seu vice seria um político do PSDB — como Marconi Perillo, para citar um nome (há quem aposte que Geraldo Alckmin será candidato a presidente pelo PSB e que o tucano goiano poderá ser seu vice, tanto pelo PSDB quanto pelo PSD. Mas dá para desconsiderar o PMDB? Não dá).

Marconi e Maguito

Foto: Reprodução / Humberto Silva

O que uma aliança entre Michel Temer e Marconi Perillo representaria para a política de Goiás em 2018? Uma mudança completa do quadro local, por certo. Seria possível, então, uma aliança entre o PSDB de Marconi Perillo e o PMDB de Maguito Vilela e Iris Rezende para a disputa do governo de Goiás? Há o risco de se examinar o quadro de 2018 a partir do quadro político gerado por 2014. Se for feito assim, a resposta é “não”. Mas, se 2018 for examinado a partir do quadro político que está sendo gestado, com uma união cada vez mais indiscutível entre o PMDB e o PSDB em termos nacionais, a resposta será “sim”.

Marconi Perillo e Maguito Vilela são raposas políticas. São articuladores de primeira linha e, como tais, comportam-se como diplomatas. Em termos da disputa pelo governo de Goiás, o PMDB tem basicamente dois nomes — e fortes, sublinhe-se —, Maguito Vilela e seu filho, o deputado federal Daniel Vilela, presidente regional do partido. O mais velho tem experiência comprovada, como governador de Goiás, entre 1995 e 1998, e como prefeito de Aparecida, durante dois mandatos. O parlamentar representa o novo — é ativo, ousado. O que falta a Daniel Vilela, sempre impulsivo, o que é típico dos jovens, é um olhar atento para o quadro nacional, que, se não definirá totalmente o quadro goiano, ao menos poderá influenciá-lo.

Quem o PMDB vai bancar para o governo em 2018? Não se sabe. O que se sabe é que Maguito Vilela, se necessário, abrirá espaço para Daniel Vilela. Porém, se este não conseguir produzir uma frente política ampla, capaz não apenas de sair na frente, mas sobretudo de ganhar as eleições, é possível que o político mais experimentado seja convocado para a disputa.
O PSDB definiu seu candidato. Deve ser o vice-governador José Eliton, que, se Marconi Perillo deixar o governo para disputar o Senado ou mandato em nível federal, assumirá a gestão de Goiás no início de abril de 2018.

Há quem acredite que José Eliton “não” tem pegada e não é experiente politicamente. É um engano. Na campanha passada, os candidatos a prefeito, os da base aliada, o que não quer dizer apenas os do PSDB, enalteceram sua participação política. Disseram que esteve sempre presente, apontando caminhos e articulando alianças. Portanto, é um político hábil e de fácil relacionamento.

Acrescente-se que, nos próximos dois anos, enquanto vários Estados chafurdarão na crise, Goiás terá recursos para investir. Não se trata tão-somente do dinheiro da venda da Celg — que será aplicado em infraestrutura. Com superávit primário de quase 1 bilhão de reais, além da possibilidade de novos empréstimos — e inclusive há a possibilidade de receber milhões de reais da Codemin —, os governadores, Marconi Perillo, até o início de abril de 2018, e José Eliton, depois de abril deste ano, terão recursos suficientes para reorganizar o Estado e investir em obras em praticamente todos os municípios.

A oposição que fique atenta: a crise em Goiás é menor, até muito menor, do que na maioria dos Estados. Aquele oposicionista que estiver fazendo discurso de terra arrasada pode acordar derrotado — e pela sexta vez — na disputa pelo governo do Estado.

Não se está dizendo que o grupo de Marconi “já elegeu” o próximo governador. O que se está sugerindo é que, como não há favas contadas, nem pró-governo nem pró-oposição, o quadro pode ser muito menos desfavorável ao tucanato do que parece quando se examinar 2018 a partir do quadro econômico de 2017 e 2018, quando a economia poderá começar a se recuperar.

Porém, considerando a possibilidade de uma aliança nacional entre o PMDB e o PSDB, José Eliton abriria mão da disputa para atender um projeto político mais amplo em Goiás? É provável que sim. Primeiro, porque é um homem inteligente e atento. Segundo, porque é leal ao governador Marconi Perillo. Antes doar os anéis do que os dedos. Portanto, uma composição entre os grupos de Marconi Perillo e de Maguito Vilela é perfeitamente possível. Mas não estamos afirmando que já é possível, ou que necessariamente será possível.
O que Mar­coni Perillo e Maguito Vilela estão fazendo, no momento, é sugerindo que as portas estão abertas para o diálogo, mas não que o diálogo está inteiramente aberto ou, sobretudo, concluído. Na prática, cada um está montando seu próximo jogo. O de Maguito Vilela inclui a si próprio e a possibilidade de Daniel Vilela disputar o governo. Quanto a Marconi Perillo, como se sabe, está bancando José Eliton. O PMDB e o PSDB têm seus players. Portanto, vão mantê-los no jogo e não vão fechar alianças agora. O momento não é de entabular alianças, e sim de abrir caminhos, de conversar, de ponderar. Apoios não se definem com tanta antecedência, porque, em política, acordos entabulados com muita antecedência raramente dão certo.

Iris e Caiado

Ronaldo Caiado (DEM) e Iris Rezende (PMDB) | Foto: Divulgação

O PMDB, vale notar, está escaldado, depois de cinco derrotadas consecutivas. Várias vezes, peemedebistas diziam: “Marconi Perillo está desgastado e agora vamos ganhar”. Mas não ganham do tucano-chefe desde 1998 — ou seja, em 2018, se completará um ciclo de 20 anos de derrotas. Observe-se que, apesar da crise nacional, Marconi Perillo não faz um governo de baixa qualidade. Pelo contrário, a imprensa e economistas nacionais notam que seu governo é, do ponto de vista fiscal e da modernização da máquina, um dos melhores do país. Se há uma certa impopularidade isto se deve às medidas duras que o governo tem adotado para que Goiás não se torne um “imenso” Rio Grande do Sul e um “imenso” Rio de Janeiro.

Deixamos dois players — Iris Rezende (PMDB) e Ronaldo Caiado (DEM) — para o final. O prefeito de Goiânia e o senador jogam no mesmo time. Mas até quando? No passado recente, foram adversários figadais. Agora, para contrapor tanto ao grupo de Marconi Perillo quanto ao grupo de Maguito Vilela, uniram suas forças. Mas como estarão jogando em 2018?

De fato, Iris Rezende demonstra certo interesse em bancar Ronaldo Caiado, sobretudo se se filiar ao PMDB — o que o senador não quer, até para não parecer oportunista —, para o governo de Goiás, em 2018. Mas, astuto como é, o peemedebista-chefe sabe que, como o partido tem dois nomes fortes, Maguito Vilela e Daniel Vilela, não terá como fazê-lo. A situação do presidente do partido Democratas, portanto, é das mais complicadas. Os dois participariam de uma união geral com Marconi Perillo, Maguito Vilela e Daniel Vilela? Muito difícil. Mas impossível? Não se sabe. O que se sabe é que o futuro nem a Deus pertence. O futuro é uma obra sempre aberta. l

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Geraldo Alckmin, sem dúvida, é um dos políticos mais experientes e de maior destaque do país. Dirige o principal Estado da nação pela quarta vez. Foi reeleito no primeiro turno com uma votação muito expressiva. Perdeu em apenas um município dos 645. Foi também vereador, prefeito, Deputado Estadual e Federal. Sua trajetória o credencia a disputar qualquer cargo. Se Alckmin for candidato, terá meu apoio e meu voto.

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