Edição 1913 de 4 a 10 de março de 2012
Euler de França Belém
Quando a Justiça é injusta e kafkiana
Luzia Rodrigues, 74 anos: presa porque não pagou
pensão alimentícia; absurdo jurídico

Com a história de Carlos Cachoeira ocupando as primeiras páginas dos jornais, uma história quase passou batida, mas felizmente Jairo Menezes, do “Diário da Manhã”, e Carla de Oliveira, do “Pop”, não deixaram o assunto de lado. Trata-se daquele tipo de realidade que parece ficção, ao estilo kafkiano do romance “O Processo”. A aposentada Luzia Rodrigues Pereira, de 74 anos, foi presa, em Vianópolis, porque não pagou a pensão alimentícia de quatro netos (R$ 1.730,42, no “Pop”, e R$ 1.588,00, no “DM”). Sua ex-nora, que trabalha no Fórum de Vianópolis, conseguiu a decretação da prisão de uma mulher que recebe um salário mínimo por mês, mas, devido ao pagamento mensal para um advogado, “sobrevive” com R$ 294,00 (R$ 272 no “DM”). Indignada e solidária, a população da cidade reuniu o dinheiro e pagou a pensão.

Os quatro netos são de um filho de Luzia. Ele desapareceu há três anos e não paga a pensão alimentícia. Sua ex-mulher recorreu à Justiça, que decretou a prisão de Luzia. Seu filho, que estaria morando numa fazenda em Aparecida de Goiânia, reapareceu e garante que, a partir de agora, vai pagar a pensão. Se não o fizer, o juiz possivelmente vai mandar prender a aposentada pela segunda vez — indicando que, às vezes, a Justiça é injusta. O legal não raro pode ser traduzido como “imoral”. A melhor fotografia (se se pode dizer assim) saiu no “Diário da Manhã”, uma reprodução de imagem da TV Anhanguera, e mostra Luzia Ro­drigues atrás das grades.