Edição 1998 de 20 a 26 de outubro de 2013
Euler de França Belém
Prêmio para Alice Munro incentiva o Brasil a publicar e ler a excelente literatura do Canadá
Peter Muhly/AFP
Alice Munro é filha de uma tradição literária de qualidade
O Prêmio Nobel de Literatura para Alice Munro talvez desperte o leitor brasileiro para a excelente literatura do Canadá. Saul Bellow? Não vale, porque é visto como escritor americano. Mas é canadense.
 
Mordecai Richler é uma espécie de Philip Roth do Canadá. Fora do Brasil é tão conhecido quanto Roth, mas sua literatura é pouco conhecida entre nós. O leitor pode começar a conhecer sua prosa pelo romance “A Versão de Barney” (Companhia das Letras, 576 páginas, tradução de Luciano Vieira Machado). É bem escrito, inteligente e divertido. É Roth com um pouco mais de suingue.
 
A prosadora Margaret Atwood, talvez por ter caído no gosto das feministas — e ela é muito mais do que isto —, é muito editada no Brasil. Sua ótima crítica literária já chegou até nós.
 
Nancy Huston é autora de um grande livro, “Marcas de Nascença” (L&PM, 329 páginas, tradução de Ilana Heineberg). Conta a história de uma criança que os nazistas tomaram dos pais — muitos foram assassinados — e levaram para uma família alemã adotar. É ficção baseada numa história real (o livro “O Trauma Alemão”, da jornalista Gitta Sereny, conta a história real das “adoções”). Outros livros da autora: “Dolce Agonia” (L&PM, 240 páginas, tradução de Cássia Zanon) e “A Espécie Fabuladora” (L&PM, 144 páginas, tradução de Ilana Heineberg).
 
Elizabeth Smart é autora de um livrinho encantador, “Junto à Central Station Sentei-me e Chorei” (não editado no Brasil), no qual conta que, ao entrar numa livraria, no Canadá, leu poemas do inglês George Barker e decidiu que seria o homem de sua vida. Acredito que, se publicado no país, se tornará “cult” rapidamente.
 
Embora nascida nos Estados Unidos, Carol Shields é uma das maiores prosadores canadenses, elogiada por Margaret Atwood. Seu livro mais conhecido é o romance “Bondade” (Bertrand Brasil, 271 páginas, tradução de Beatriz Horta). Outros livros traduzidos no Brasil; “Os Diários de Pedra”, “A Festa de Larry” (espécie de celebração do homem comum) e “Swann”. Aqui e ali, a literatura de Shields lembra a da subestimada Anne Tyler (apenas um degrau abaixo de Joyce Carol Oates) no seu interesse preciso pelas miudezas da vida.
 
A breve lista pode ser fechada com o nome de um crítico do primeiro time, Northrop Frye. O Canadá, portanto, não é apenas o país do frio intenso e de uma sistema de saúde eficiente. Alice Munro integra uma tradição.

Leia mais sobre Carol Shields no link http://bit.ly/197ME9a. Sobre Elizabeth Smart leia no link http://zip.net/bvldYT