Edição 1998 de 20 a 26 de outubro de 2013
Euler de França Belém
Mulher vive sob o império do Leviatã masculino
Galtiery Rodrigues, do “Pop” (segunda-feira, 14), publicou uma reportagem — que deu origem ao título da capa “Violência Doméstica: 85% das mulheres agredidas protegem companheiros” — que, se repete histórias contadas por outros jornais, mostrando que pouco mudou, continua a provocar espanto.
 
A matéria de Galtiery é precisa, sem reparos. Ele conta histórias de que como algumas mulheres temem seus maridos e, por isso, apanham em silêncio.
 
O repórter, sempre atento, poderia fazer outra reportagem, explorando um pouco mais as razões dos espancamentos. Por que exatamente, apesar das leis e de todos teoricamente criticarem a barbárie, homens continuam agredindo mulheres? As respostas certamente são várias e específicas.
 
Se Galtiery investigar um pouco mais certamente perceberá que um dos motivos das agressões é o sucesso profissional das mulheres. Quanto mais sucesso algumas mulheres obtêm mais violentos ficam alguns maridos. As reportagens sobre violência contra as mulheres sugerem, porque as pautas são poucos exploratórios do ponto de vista sociológico e psicológico, que só as pobres, ou mais as pobres,  apanham. É possível que as pobres, às vezes porque se preocupem menos com a imagem pública, são as que mais denunciam.
 
Outro fator é que o homem se sente mais forte e, por isso, “pode” agredir a mulher, que considera mais frágil. Outra causa é que homens em geral, quando se trata de violência doméstica, parecem não temer a lei e contam também, como retrata a reportagem do “Pop”, com o silêncio das mulheres, que temem mais violência e não acreditam que a lei — polícia e Justiça — tenha como protegê-las em quaisquer circunstâncias. Ante o sentimento de impotência, ficam quietas. Há casos em que denunciam os agressores e, mesmo se afastando deles, continuam a ser agredidas e, algumas vezes, são até assassinadas.