Edição 1998 de 20 a 26 de outubro de 2013
Euler de França Belém
Humor corrosivo de Juscelino contra Café Filho
No livro “Brasília Kubitschek de Oliveira”, Ronaldo Costa Couto conta uma história que resgata o Juscelino Kubitschek crítico corrosivo, para além da imagem tradicional de “bonzinho”: “Juscelino detestava o presidente Café Filho. Contam que em janeiro de 1955 trancou a raiva e foi ao Palácio do Catete. Deveres de go­vernador presidenciável. Assunto principal: financiamento da safra mineira de café. Entra cauteloso, preocupado. Surpresa: é recebido como um rei.
 
“Cordialidade, atenções, delicadezas, sorrisos. Café oferece até a cadeira presidenciável. Desconfiado, JK agradece, resiste.
 
“Mas a insistência é tanta, que cede. Meio encabulado, senta no símbolo. Café então dispara: ‘É a primeira e última vez que você usa essa cadeira. Os militares não querem sua candidatura’.
 
“Um espanto. O sangue sobe, mas JK se controla. Respeita a casa e o cargo do adversário. Ao sair, é cercado por pequena multidão de jornalistas no andar térreo.
 
“Muitas perguntas. A última: ‘E o café, governador?’ ‘Qual? O vegetal ou o animal?”

(Sobre a morte de Juscelino Kubitschek, leia texto no link http://bit.ly/1arW1hG)