Edição 1974 de 5 a 11 de maio de 2013
Euler de França Belém
Editor de jornal do grupo que edita a Folha de S. Paulo se mata em São Paulo

O jornalista Eduardo Hiroshi, de 35, cometeu suicídio na segunda-feira, 6, jogando-se de seu apartamento, na Vila Mariana, em São Paulo

Apaixonado por carros, Hiroshi era editor do caderno “Máquina”, do jornal “Agora S. Paulo”, do grupo Folha da Manhã, que edita a “Folha de S. Paulo”. Formado em jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ele atuou no mercado, como repórter da “Quatro Rodas” e do “Agora S. Paulo” e assessor de imprensa da Volkswagen, durante 13 anos.

Hiroshi tinha um Fiat 147 e era admirador de Chico Buarque, Pretenders e Legião Urbana.

Na sua carta de despedida, um documento bem escrito e perceptivo, mostrando lucidez, Hiroshi agradece aos amigos, fala das poucas mulheres que amou e não culpa ninguém por seu suicídio. Não há mágoa, aparentemente. “Se não deu, é porque a vida reservava outros planos”, sintetizou.

 

Carta de despedida de Eduardo Hiroshi

“Amei poucas mulheres, mas de forma sempre intensa”

 “Bom, pessoal, é isso. Nos últimos dias contei várias histórias e recuperei fotos de viagens porque queria relembrar bons momentos e dividi-los com os amigos. Mas o retorno para a realidade é mais difícil.

Obrigado a todos pela audiência, pela presença e pela amizade. Se não deu, é porque a vida nos reservava outros planos. Parto para outra e não sei o que vou encontrar. Mas espero aos amigos que ficam que encontrem paz, saúde e felicidade.

Obrigado a todos os meus colegas de trabalho, atuais e do passado. Um agradecimento especial aos que me deram oportunidades de trabalho: Célia e Irene, em meu primeiro emprego no setor automotivo, na Volkswagen de São Carlos no ano 2000; Eliane e Duarte, pela chance no Agora em 2003; Guerrero e Lucas, pela Car and Driver em 2008; e Cesar e Toninho, pela oportunidade do retorno ao Agora em 2010.

Tenho muitos amigos e não quero fazer agradecimentos ou homenagens especiais porque certamente seria injusto ao esquecer vários nomes. Mas quero que todos saibam o quanto vocês foram importantes em minha vida. Amei poucas mulheres, mas de forma sempre intensa; a cada uma delas, mil beijos no coração.

Quero fazer um agradecimento especial ao meu pai, que nunca me abandonou mesmo em tempos difíceis. Em nome dele, agradeço a todos os membros das famílias Komatsu (materna) e Kawauche (paterna).

Antes que eu me arrependa: Adeus. Até a próxima.”