Edição 1985 de 21 a 27 de julho de 2013
Euler de França Belém
Cobertura esportiva de O Popular está cada vez mais próxima do Daqui

Na edição de segunda-feira, o “Pop” conseguiu o que parecia impossível: piorou sua cobertura esportiva. O suplemento “Pop Esporte” ficou a cara do “Daqui”, inclusive com mulher quase-pelada na capa. O pretexto é sugerir que se trata de desportista, quando, na verdade, o interesse é chamar a atenção do leitor — apostando no sensacionalismo. Não se sabe se os leitores percebem assim, mas este tipo de exposição mais deprecia do que valoriza as mulheres. A mulher-objeto está de volta? “Ela bate um bolão”, diz o “Pop” sobre Ana Carolina Sousa. Quer dizer que mulher só bate um bolão se tiver um corpão... e quase nu? Se estiver vestida bate uma bolinha?

As quase três páginas sobre o jogo do Goiás ficaram plasticamente bonitas, mas os textos, muito menores, não conseguem explicar com precisão o que ocorreu em campo. As reportagens são corretas, não há erros graves, mas o jornal perdeu em qualidade, em conteúdo. A intenção talvez seja mesmo aproximar-se um pouco mais da televisão e do estilo do jornal “Daqui”. Ocorre que o “Pop” é um jornal diferente do “Daqui” e não é televisão. Competir com a rapidez da tevê e do rádio é perda de tempo. O “Pop”, como outros jornais, ganha pontos junto aos leitores se fizer aquilo que a televisão não faz bem: uma análise mais detida e precisa do jogo. Jornais podem apresentar uma argumentação mais detalhada, aquela que vai gerar mais leitura e, portanto, debate, polêmica.

O curioso é que, nos demais dias da semana, a cobertura do “Pop” melhora, com textos maiores e melhores. As reportagens são menos engessadas.